Lá dentro da minha casa mora a rua onde eu morava, minhas memórias, as bonecas do meu passado, moram meu pai e minha mãe, e nessa noite sonhada eu sonhava com a dor de quando um dia, ele se foi, sim, ele, o pai,
Lembrei que lembrava da dor que passei e não me lembrava.
Lembrei do meu corpo estraçalhado à beira do abismo da minha alma. Lembre i que eu fui partida ao meio de tanta saudade. Lembrei que eu sempre amei a vida e então eu permaneci mesmo assim sendo feliz,amando os garotos, buscando os meninos, cheia de libido pela vida.
Mas a verdade é que felizmente eu não percebia o quanto eu estava absurdamente triste pela perda do meu pai. A vida seguiu imperativa, de qualquer modo, o tempo todo. Era preciso caminhar e se divertir porque a outra possibilidade era quase morrer.
Eu tenho muita saudade dele até hoje. E todos os pecados foram perdoados.
Mas nesse hiato vislumbrático de contatocom o sentimento de trinta anos atrás, eu compreendi o quanto fiquei ruim.
Tornei-me psiquiatra e psicanalista para entender minha dor de saudade e ajudar outras pessoas com semelhantes dores também.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
Na passagem, no caminho
Minha ida foi tranquila.
Meus passos destemidos.
Meus medos admoestados.
Minha vingança repelida.
Minhas vitórias, bem guardadas.
Minhas chegadas, bem vindas.
Meu sorriso, verdade.
Minha idade? Saudade.
Divinas dores sonhadas, sonhos inteiros, partidos.
Juventude em peso, passada.
Maturidade em voga: tá aqui.
Pecados antigos, tranquilos.
Pecados futuros, em planos.
Brincadeira que seja, agora.
Imagens em fuga, memória.
Futuro previsto, nenhum.
Fantasia de corpo, carnaval; da mente, exploratória.
Encanto sem rumo: de antes.
Brilho de dentro, presente.
Fuga sem dono: superfície.
Sono sem sossego: profundeza.
Abrigo sem nome: lugar onde eu moro.
Minha casa: onde não posso fugir.
Fugir para onde: não sei.
Fugir para quê: não mais.
Cheguei ao presente.
Estou.
Meus passos destemidos.
Meus medos admoestados.
Minha vingança repelida.
Minhas vitórias, bem guardadas.
Minhas chegadas, bem vindas.
Meu sorriso, verdade.
Minha idade? Saudade.
Divinas dores sonhadas, sonhos inteiros, partidos.
Juventude em peso, passada.
Maturidade em voga: tá aqui.
Pecados antigos, tranquilos.
Pecados futuros, em planos.
Brincadeira que seja, agora.
Imagens em fuga, memória.
Futuro previsto, nenhum.
Fantasia de corpo, carnaval; da mente, exploratória.
Encanto sem rumo: de antes.
Brilho de dentro, presente.
Fuga sem dono: superfície.
Sono sem sossego: profundeza.
Abrigo sem nome: lugar onde eu moro.
Minha casa: onde não posso fugir.
Fugir para onde: não sei.
Fugir para quê: não mais.
Cheguei ao presente.
Estou.
29/12/2017
Mais um ano se passou, e eu passei por Cordovil há quatro dias e lá Cordovil estava, mais Cordovil do que nunca, menos Cordovil do que sempre.
Saudades de Cordovil. Passei por Cordovil mas vi pouco do passado. E não há lugar mais presente
Saudades de Cordovil. Passei por Cordovil mas vi pouco do passado. E não há lugar mais presente
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