sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Um ensaio poético antes de dormir

Para que a vida regigize-se de si mesma e em si,
É necessário que as palavras se despeçam ao fim do dia.
A despedida das palavras faz as vezes de um teatro sonhado e vívido,
Realidade que se apaga da fantasia do assombro de estar vivo para logo em um momento depois vir a estar morto.
Mágica devoradora de sonhos inabitáveis pela excelência do despertar que para muitos não acontece.
Despertar para a vida é acordar sem  pesadelo revivido para adormecer com os prazeres finitos.
Sem o desespero do amanhã não há libertaçAão do passado.
Há uma bruma que envolve a minha vida e uma captura da qual não posso ainda me afastar.
Por vezes acordo e sigo ávida com alegria e intensidade.
Por vezes vem a nuvem cinza e seca que me faz mergulhar em seus ventos negros sem nenhum artifício de perdão.
É quando tudo perde o sentido de ser e a mágoa toma conta feito um carnaval de machucados serosos que jamais cicatrizam.
É a festa da dor.
Passada a tormenta de uma vida de repetições em que se ilude ser sempre a última ( mas deve ser do desejo de cura), vem a fase de reconciliação com o passado.
Sensaçào de contas feitas , vou dormir em algum lugar aqui em mim, por enquanto meio partido, meio amado.
Sou felizmente a dúvida pela certeza de que nada está pronto.
Desprogramada a ilusão de exatidão, posso entregar meus sonhos e dormir com meus anjos.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Impeachment 2016

Não posso deixar de registrar nosso momento político tumultuado e vexaminoso.
Estamos encalacrados.
A presidente Dilma foi afastada por um impeachemnt e uma verdadeira quadrilha, apoiada pelo STF, assumiu a República.
Dilma podia até merecer esse impeachment, mas o Brasil não merecia esse golpe.
A mediocridade tomou conta de tudo.
A esquerda pensante tem sido sistematicamente calada.
Nossos pensamentos são considerados ideologias.
Os métodos adotados pelo governo interino não.
O projeto político defendido nas urnas tem sido surrupiado com o apoio da classe média.
O inaceitável tornou-se aceitável em nome da economia e do medo geral. Com isso, nossa constituiçào e nosso pacto social se degeneram.
O mal venceu o bem. E a esperança que venceria o medo foi corrompida junto aos nossos sonhos.
Não sei mais como será o nosso futuro. Mas nossa democracia está à beira do abismo.

Rio 2016

As olimpíadas chegaram!
Um milhão de problemas vieram com ela também.
Linda abertura. O melhor do Brasil. A excessão talvez tenha sido a escolha de uma cantora chamada Anitta junto a dois "monstros sagrados da MPB". Como mulher, me incomoda a escolha de uma cantora que vulgariza a música ao usar de trejeitos sensuais em sua apresentação, valorizando bastante sua forma física e capacidade de seduzir em detrimento do esperado talento musical. Sou antiquada? Não creio. Mas não me atraio, naquele momento e naquele lugar, por aquele tipo de performance.
Somos impedidos de trafegar na faixa olímpica. Nós cariocas somos o excesso por aqui. Melhor seria se aqui não estivéssemos, não é apenas uma impressão.
Mas adoro olimpíadas. E essa não será excessão.
Acabei de assistir Michael Phelps e equipe ganhar mais uma medalha de ouro no medley. Foi maravilhoso, apesar do quinto lugar dos brasileiros. Mas afinal, valeu.
Por outro lado, empatamos no futebol masculino com o Iraque. Zero a zero. Uma vergonha.
Até aqui sobrevivemos.
O futuro é incógnita. Mas nem tanto.