Não suporto mais ver notícias sobre morte de animais.
Ou maldade.
Meu coração vive uma dor inédita porque reúne todas as dores do passado e da celeridade das notícias do presente.
Agora uma onça morreu. Morreu não, foi morta, segundo a notícia, durante a passagem da tocha olímpica por Manaus.
A consciência de viver em um país que permanece, após 500 anos, desrespeitando sua fauna, flora, índios e negros pobres, tem me causado muita tristeza. Parece que essa idade média não passou por aqui.
De forma deliberada, consciente, vou ficar fora das redes sociais por um tempo para tentar me recuperar das imagens vistas, das notícias lidas.
Um mecanismo consciente de proteção mental, neuronal ou seja lá o que for.
Em respeito à minha vida e à esperança que eu desejo manter no ser humano, eu me retiro da rapidez com que a maldade humana vem sendo, reiteradamente, expressa e repetida na minha existência através dos meios de comunicação.
Desligar é preciso.
Viver não.
terça-feira, 21 de junho de 2016
domingo, 19 de junho de 2016
Plano de amor
Quando a gente ama muito e com muita força tudo ao nosso redor , vem o sentimento que compromete todos à nossa volta. Por eu amar tanto meus filhos, eu desejo que todas as mães tenham sempre seus filhos (mas que jamais os possuam). Por eu amar tanto os meus gatos, me comprometo com todos os mamíferos a respeitá-los e jamais agredi-los. Por eu amar tanto os gatinhos, eu aprendi a amar todo o restante dos bichos da face da terra. Por eu amar tanto a literatura, eu fui descobrindo coisas incríveis a respeito do mundo e das pessoas. Por eu amar tanto tudo, eu passei a respeitar tudo, e então eu passei a querer compreender muito das pessoas, e passei a desejar um bem profundo a elas, do jeito que elas forem. Então eu me senti igual a todas elas e ninguém foi maior do que eu em nenhum momento, e eu não me senti maior do que ninguém em nenhum momento também.
Então a partir do momento em que eu pude realmente usufruir da incrível liberdade de ser, eu passei também a ser triste, um pouco mais triste do que eu era antes de descobrir o óbvio de que estamos todos ligados e sentimos coisas muito parecidas. Porque eu descobri também que muita gente, que nada ou pouco entende de amor, se qualifica como melhor do que aqueles que amam diferente, ou daqueles que tem necessidades diferentes, sejam materiais ou afetivas.
Quando eu descobri que as pessoas sentem e vivem em tempos diferentes e que todos tem tanto direito quanto eu a usufruir dessa Terra, eu entendi que a preocupação para com o meu semelhante seria o meu principal objetivo.
E então, quando eu fico triste pelas dores totalmente evitáveis que uns fazem aos outros, eu busco me realimentar desse amor que há em mim como combustível e atitude de vida diante do sofrimento inevitável que por vezes, vem.
Então a partir do momento em que eu pude realmente usufruir da incrível liberdade de ser, eu passei também a ser triste, um pouco mais triste do que eu era antes de descobrir o óbvio de que estamos todos ligados e sentimos coisas muito parecidas. Porque eu descobri também que muita gente, que nada ou pouco entende de amor, se qualifica como melhor do que aqueles que amam diferente, ou daqueles que tem necessidades diferentes, sejam materiais ou afetivas.
Quando eu descobri que as pessoas sentem e vivem em tempos diferentes e que todos tem tanto direito quanto eu a usufruir dessa Terra, eu entendi que a preocupação para com o meu semelhante seria o meu principal objetivo.
E então, quando eu fico triste pelas dores totalmente evitáveis que uns fazem aos outros, eu busco me realimentar desse amor que há em mim como combustível e atitude de vida diante do sofrimento inevitável que por vezes, vem.
Fim da semana
Mas é que amar faz de mim uma pessoa tão frágil. Sou quase inoperante ao mundo posto que não tenho ímpeto agressor nem o suficiente para matar um peixe. Então tudo me inibe do impulso da morte de qualquer ser vivo, com excessão das moscas e das baratas. O fato é que nem eu que iniciei esse texto vindo do sentimento de amor, sou capaz de amar as moscas ou as baratas. É importante reconhecer nossas repulsas.
Mas de que eu adiantaria no mundo medieval? Ou antes da luz elétrica ou do telefone? Meus ímpetos de cordialidade jamais superaram meu instinto de repulsa. Claro, o sentimento de nojo diz muito mais sobre si mesmo do que uma simples cordialidade. Deve ser por isso que nunca consegui ser cordial.
A cordialidade é a transcendência da decência, pois ser cordial implica em conseguir ser indiferente. Talvez eu tenha me abstido de buscar o sentimento de indiferença.
Para mim, só vale a pena a intensidade, o abraço que aperta, a mão que segura, o olhar que percebe, o beijo que pode demorar, a festa sem parcimônia, a emoção potente; e emoção potente é aquela que não teme a loucura.
Deve ser por isso que eu não me aguento quando não escrevo ou bebo desassossegada de verdade.
Sem evoluções para amar as baratas, por favor.
Vou evoluir somente até o ponto de entender as moscas e chorar de alegria e arrepiar o peito ao ver de volta as borboletas azuis.
Quero viver a poesia mesmo quando eu tiver que falar de baratas.
Eu pego a minha fragilidade pelo avesso e redescubro de cabeça pra baixo a força simples de um pedaço de vida em um domingo à noite final de semana.
Mas de que eu adiantaria no mundo medieval? Ou antes da luz elétrica ou do telefone? Meus ímpetos de cordialidade jamais superaram meu instinto de repulsa. Claro, o sentimento de nojo diz muito mais sobre si mesmo do que uma simples cordialidade. Deve ser por isso que nunca consegui ser cordial.
A cordialidade é a transcendência da decência, pois ser cordial implica em conseguir ser indiferente. Talvez eu tenha me abstido de buscar o sentimento de indiferença.
Para mim, só vale a pena a intensidade, o abraço que aperta, a mão que segura, o olhar que percebe, o beijo que pode demorar, a festa sem parcimônia, a emoção potente; e emoção potente é aquela que não teme a loucura.
Deve ser por isso que eu não me aguento quando não escrevo ou bebo desassossegada de verdade.
Sem evoluções para amar as baratas, por favor.
Vou evoluir somente até o ponto de entender as moscas e chorar de alegria e arrepiar o peito ao ver de volta as borboletas azuis.
Quero viver a poesia mesmo quando eu tiver que falar de baratas.
Eu pego a minha fragilidade pelo avesso e redescubro de cabeça pra baixo a força simples de um pedaço de vida em um domingo à noite final de semana.
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