terça-feira, 6 de novembro de 2018

Bolsonaro eleito presidente

Após Trump nos EUA, nosso presidente eleito inspirado no filho europeu das Américas, decide seguir em semelhante rumo, sem, é claro, realizar a mínima compreensão de que não somos os Estados Unidos da América. Portanto, essa noite dormi mal. Vivi uma vida inteira em um país pacífico, reconhecido mundialmente como uma das diplomacias mais bacanas de todo o mundo, e acordei com um Brasil politicamente alinhado ao pior dos piores presidentes norte-americanos, vergonha lá e agora, mais do que jamais e urgentemente, cá. Sempre nos regozijamos em acmpanhar as bizarrices norte-amercanas. Agora atropelamos a linha de ultrapassagem.
Bolsonaro repudia a política ideológica, mas sejamos claros e francos, como o presidente eleito gosta de ser, e falemos a verdade: o repúdio é somente, e tão simente, à linha ideológica à esquerda. Zero problema se estiver bem juntinha à política sionista. Bolsonaro parece ser tão ignorante, mas tão ignorante, que não compreende que os EUA reconheceram a capital de Israel como Jerusalém como fruto de um alinhamento histórico entre os dois países, e o mais importante, e é aí que Bolsonaro denuncia e ao mesmo tempo revela seu caráter vassalo aos EUA: faz parte da personalidade de Trump.
Quando o PT se elegeu com a bandeira anti-corrupção e mostrou-se como o mais corrompido dos partidos, o que poderemos esperar, afinal, de um governo Bolsonaro que se recém-elegeu portando como estandartes a família, Deus acima de todos, contra as ideologias, o combate à violência e à corrupção? Um governo moralista, ignorante, violentíssimo, paranóico e profundamente ideológico.
2022 já!!

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Como escapar de uma vida inteira?

A pior dor, além das tragédias reais, é a dor da consciência. Carregar o peso do insight e das lembranças a ele atribuídas, cheias de arrependimentos e de sentimentos tais como:” eu fui uma idiota por tanto tempo”, não é a melhor maneira de ser feliz por uma semana inteira. Por uma semana inteira tenho sido assim: plena de memórias das minhas idiotices e de minhas épocas passadas, mas nem tão passadas assim, de amor-próprio em rarefação.
Nós mulheres temos dois tipos de amor próprio: os devotados aos homens e os devotados às amigas. Há aquelas mulheres que tem muita dificuldade em viver o amor erótico em si. Há aquelas que se devotam ao homem amado e se esquecem de si mesmas. Passam a sair com os amigos deles, a referir opiniões semelhantes a eles, a estar mais com as famílias deles. Tornam-se reféns da relação. Em geral terminam derrubadas por uma troca, por um motivo banal. E a história se repete. Permanecem aguardando o homem amado e assim, repetem as mesmas lógicas de submissão. O resultado não raramente é serem abandonadas mesmo, possivelmente por outra que os tenha desafiado mais, e tenha em si aquele toque feminino inexplicável de mistério que nutre o imaginário masculino. A devotada até pode ter dentro de si as condições para o “despertar”, mas em geral, morre na praia arfante de desejo e melancolia, sem entender de uma vez só que homens que lhe interessam de fato precisam de alguma medida de desafio e mistério, e não de uma mulher capaz de morrer por ele. Pra isso, ele já deve ter a mãe. Esses namoros só costumam durar meses iniciais, se tanto, ou durante alguma fase de carência muito profunda do cara, que é claro, vai passar. Em geral até ele recuperar a auto-estima através de uma mulher que “é capaz de fazer qualquer coisa por ele”, e finalmente sentir-se apto a conquistar uma outra mulher que o inspire e o desafie. É um ciclo sem fim, e pode parecer duro que vou falar, mas ninguém quer um pano de chão pra viver, só pra usar quando precisa. Então garotas, ou vocês resolvem o amor mal resolvido dentro de vocês e recuperam o amor que lhes é devido, ou viverão com esse vazio interno sem entender nada, sofrendo a cada decepção amorosa










e perdendo boas oportunidades, que sempre existem, de ser felizes.
O outro tipo de mulher que idealiza o parceiro, mas que aqui ela vai idealizar a amiga, também é bastante comum. Essa mulher pode ter relações amorosas satisfatórias com os homens ou não. Elas repetem o ciclo acima em relação às amizades femininas. Deixam-se levar pelas amigas, colocam algumas no pedestal, e não percebem que também vivem relações abusivas com elas. Essas amigas costumam ganhar um lugar de importância muito elevado em sua vida, virando verdadeiras prioridades. São as principais a serem chamadas para os eventos importantes, são as incluídas em tudo o que é mais importante. Mas qual o problema, afinal? O problema é que a recíproca não é verdadeira. Enquanto você a prioriza, a sua amiga terá ourras prioridades, e você terá de conviver sempre com aquela sensação desagradável de preterimento. O problema será de sua amiga? Pode ser. Mas é principalmente, seu. Porque o problema é seu se você ainda não percebeu que você toma cuidados demais com a pessoa, e ela não; que você se preocupa demais, e ela não; que você retorna todas as mensagens, e ela não; que você avisa sobre qualquer mudança de planos, e ela não; que você pensa muito mais nela que ela em você; e que sem se dar conta, você se importa muito com o que ela pensa, se ela vai gostar ou não de uma atitude sua, se ela vai aprovar ou não a sua vida. Querida, se você tem uma relação assim com uma amiga, cuidado. Você provavelmente vive uma relação abusiva sem perceber. E como não é uma relação de um compromisso tal como um namoro, ou até mesmo um casamento ou afins, costuma passar despercebida e aparentemente inócua. Mas vai fazendo seus estragos
A primeira relação de devoção feminina que abordei, refere-se a mulherees que apresentam em geral questões relacionadas aos próprios pais, com históricos frequentes de abandono e rejeição. Nesse caso, ao invés de buscarem serem boas mulheres, confundem seu próprio desamparo tornando-se amigas de seus parceiros, que frequentemente também a abandonarão, pois as relações de base erótica buscam sedução e mistério, e não amizade.
A segunda relação de devição feminina abordada está relacionada frequentemente às relações das mulheres com suas próprias mães, reproduzindo com as “suas melhores amigas eleitas”, uma relação idealizada em relação à própria mãe, mulher essa, de importância ímpar ivas nas nossas vidas. Transferimos muito de nossas relações com nossas mães às nossas amigas, e se vivemos relações abusivas com nossas mães, iremos decerto vivê-las com nossas amigas.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Feminismo, machismo, achismo e paternalismo

O sufixo ismo indica doença, anomalia, coisa que não devia estar ali: patrimonialismo, aventurismo, curandeirismo, sectarismo, malabarismo...Aliás, homossexualismo foi tirado do dicionário por indicar uma patologia; e como não é nenhuma patologia ser homossexual, saiu.
Mas feminismo fica. E fica assim porque tornou-se sinônimo da última maluquice de algumas gerações infantilistas presentes.
É tão curioso e emblemático que as mulheres, em nome da luta contra o machismo, perpetuam o modus operandi de ofender umas às outras; e se dizem rejeitar o modo falus operandi vigente, lutam como se estivessem medindo o tamanho do pau que não tem. E nunca haverão de ter.
O entendimento pós-contemporâneo julga por bem negar a biologia e admitir as construções culturais como mandatórias na história. Mas antes da história propriamente dita, antes da escrita, antes das cidades, antes do dinheiro, havia homens e mulheres nômades pelo mundo com um único objetivo: fugir dos grandes animais, não morrer de frio ou calor, e encontrar comida. Esse estado de coisas dominou a história de nossa espécie a maior parte do tempo. E se somos biologia, porque estamos, como todas as outras criaturas viventes, programados para morrer e pagar à natureza nossa dívida de vida com uma morte, a nossa, então é bastante óbvia nossa sujeição a alguns princípios naturais, senão muitos.
Desculpe, natureza, eu não a odeio, e aceito ser mais fraca fisicamente que os homens. Aceito não ter tudo. Além disso, amo ter nascido mulher. Nunca me senti menor do que homem algum. Sempre adorei o jogo da sedução, sempre fui atraída pelos corpos masculinos e justo nossas diferenças. Mulheres também já me atraíram, ok. Por que não? São lindas, e as mais lindas criaturas entre a es pécie humana. Mas oshomens me atraíram mais. Muito mais. E prevaleceram como objetos de desejo. Mulheres não falam sobre seus desejos. Falam sobre seus sofrimentos. Eu gostaria de conversar com feministas que falassem sobre seus orgasmos, seus desejos íntimos, sobre essa liberdade que é a de gozar com o homem ( ou mulher), que bem entender.
Feminismo pra mim é dizer o tamanho da felicidade que contempla os meus sonhos, é a manifestação de um atuante desejo voluptuoso de abocanhar um homem com a boca, a língua, os braços, as pernas, mãos, pés, vagina, cú, tudo o que eu posso, tudo o que é meu, somente meu, e que necessitada da completude alheia para ter alegria de viver.
Se as feministas quiserem falar sobre relação, deveriam deixar essa posição poliqueixosa de infinita insatisfação e buscar um objeto de desejo que as faça arfar de prazer, de admirar estar viva, de querer gozar mais e mais e mais.
Feministas: lutem pelo que quiserem, mas inspirem outras mulheres lhes dando a causa de tanta queixa contra os homens: talvez admitindo suas infelicidades e insatisfações crônicas vocês possam lançar luz sobre seus pröprios desejos e assim compartilhar a delícia de tocar e ser tocada por quem vocês bem decidirem.
Na natureza, somos mais fracas, então sempre há de haver perigos. É preciso estar atenta.
E sim, é preciso denunciar e lutar contra o machismo. Mas não contra os homens.

terça-feira, 8 de maio de 2018

De uma vez por nenhuma outra

Agraciei-me ao menos com o que sabia e joguei o jogo da palavra.
Fui acolhida por Freud nessas leituras inesquecíveis. Fui atraída pela palavra e ainda mais pela palavra. Dias intensos virão.

domingo, 15 de abril de 2018

Um domingo feliz em uma cidade em alerta

Eu acordo e me lembro de um sonho onde voltava pra minha casa, a minha casa da infância, em Cordovil. Momentos antes de dormir, bem me lembro, bi o rosto lindo de minha mãe atravessar e invadir meu descando pronto a dizer adeus à vigília. Resultou no sonho de que eu voltava pra uma cassa que há muito tive de dizer adeus, em um dia, posso dizer hoje depois de trinta anos, bastante infeliz. O fogo arde na minha lembrança. Mas descobri que sou uma das últimas a ter o direito de requerer o título de sobrevivente à minha própria vida. Todos somos. E há muito mais, mas muito mais gente do que eu, que pode requerer esse título antes de mim.
E hoje foi um domingo em que eu tive a satisfação de acordar depois de uma noite bem dormida com o plus de sonhar com a casa da infância, e fazer o meu café com grãos do Kenia provenientes do Starbucks, o símbolo do símbolo daquilo que... menos ou mais acredito? Acredito no trabalho. Mas não creio nas intenções dessas empresas. No entanto, amo esse café incrível que eles trazem até aqui. Se o ser himano não possuísse natureza tão egoísta, gananciosa e demoníaca por vezes, vivería os em um mundo melhor. Tenho por mim o hábito de pensar nos outros. Tenho por mim o hábito de pensar.
Café de qualidade, ovos mexidos com manjericão e tomate sobre meu pão integral sem gluten. Depois uma caminhada no parque Guinle com Rani. Volto e leio a Interpretação dos sonhos de Freud. Incrível ler e estudar o que se ama. Então Rani sai com os meninos e eu termino a leitura, tomo o meu banho e vou à Ipanema almoçar em um restaurante vegano com minha supervisora e pessoa querida, Silvia. Excelente.
Volto ao lar e aqui bebo um tinto de qualidade, além de fazer os cup cakes requeridos para o aniversário da professora do filhote mais. Ovo para amanhã. Não há como não fazer.
Termino com um baby Chandon enquanto preparo uma massa sem gluten, é claro, com um molho de tomate que ficou maravilhoso, e ouço Red Hot.
Assim termino o meu dia. Alcoolizada moderadamente e suficientemente, escutando um som de qualidade após comer muito, muito bem, no almoço e no jantar.
Hoje ainda não meditei.
E para completar, faço lembrar do almoço feliz de ontem aqui com o canelone de carangueijo e feijão verde de entrada além do guacamole, feitos com amor, tesão, vontade de estar viva, feliz.
Termino feliz aqui essa prosa, indo me deitar no quarto mais lindo que já tive.
E quiero que me perdone por esto dia, los muertos de mi felicidad.

sábado, 17 de março de 2018

Guerra aos pobres

Primeiro existia um país aonde os descendentes europeus escravizavam os negros e seus descendentes, africanos.
Quase quatrocentos anos depois, esses africanos e descendentes foram libertados da situação de escravidão. Abandonados à própria sorte, muitos construíram suas moradias nos morros e terrenos considerados sem donos.
Nenhuma política social especialmente voltada a essas pessoas foi feita desde então.
Somado a isso, a educação pública oferecida ao povo em geral, brancos e negros, foi quase que delegada à própria sorte, e os que puderam pagar por uma educação melhor, foram para as escolas pagas. Ou seja, descendentes de europeus em sua maioria.
Com o passar dos anos, a população saltou de cinquenta milhões, aos duzentos milhões, e esse país se tornou um dos três campeões mundiais em desigualdade social.
O povo negro, esquecido, abandonado, manteve-se em hoje as chamadas favelas, cercados pela polícias, pelas milícias e agora, pelo exército. Vivem situações de guerra em suas ruas, dentro de seu próprio país, e suas crianças e moradores sào deixados à própria sorte de suas balas perdidas. Morrem toda semana nessa guerra civil, em nome do combate ao crime e às drogas. E as pessoas que hoje procuram defendê-los, em geral as que tiveram alguma chance de estudar e de entender a relação entre pobreza e criminalidade, são acusadas de defensoras de bandidos, mesmo depois de mortas.
Existe algo aqui nesse país tão enraizado na escravidão que mal consegue ser visto de tão óbvio.
Marielle, você viverá para sempre dentro de milhares de corações.
Obrigada, linda mulher, e nos perdoe se for possível.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Na miragem de uma postagem

Eu tenho tantas ideias durante o dia, são tantas as coisas que se passam pela minha cabeça;
ultimamente eu preferi simplesmente o sabor da viagem ao calor da produção, mas sinto muito não ter produzido, nunca ter produzido nenhum artigo científico; dediquei à vida os prazeres, e são eles a contemplação, o aprendizado, as viagens, a cozinha, a música, os bate-papos. Meu amor pela escrita costuma ser derrotado pela chance de um bom papo. Então eu me especializei em um bom papo.
Já sei o final da história: dediquei à mim mesma o prazer do intelecto e o compartilhei dentro de minha clínica e meus círculos de amizade. Sei que ao final de tudo terei um sabor incrível da vitória de ter vivido em mim; pouco saberei desse sentimento de minusculinização do ego chamado necessidade de produzir. Resolvi guardar todas as minhas ideias para mim! Ah! Afinal, ninguém lê mesmo... Aff!
Mas a verdade é que ter dois filhos e gostar de viver não me permitiu sobrar tempo algum para produzir nada materialmente falando. Mas tenho curtido muito até aqui.
Não quero e não vou abrir mão das minhas manhãs de sábado em família, do meu café demorado, das minhas caminhadas pelo parque Guinle sem hora para chegar, para ao final, escrever qualquer coisa. Eu preferi e escolhi o fôlego de um descompromisso para com o papel, o trabalho que pára no papel, para me dedicar integralmente aos pequenos prazeres cotidianos.
Acho que lá na hora final terei sido mais feliz que a maioria.
 as apesar desse texto poder ter sido terminado na frase anterior, quero dizer que também através do princípio do prazer eu escolhi retornar aos estudos em psicanálise. E estou mais ligada do que nunca nisso.
Acho que vou publicar meu primeiro artigo finalmente.
Aos 45 anos. Viva.

terça-feira, 6 de março de 2018

Cordovil na paisagem

Naquele lugar do meu passado onde há muito eu não moro mais, encontram-se muitos de meus sonhos, alguns amigos, medos outros de fora e dentro de mim.
Lá eu ainda tenho os meus que há algum tempo não estão aqui.
Lá eu vejo e sinto o meu pai e o meu avô adentrando a casa com as mãos com três balas juquinhas para mim e para o meu irmão, cada.
Lá eu ainda sinto a alegria com a chegada dos siris vivos e o nosso banquete incrivelmente gostoso depois. É dentro desse passado que eu me lembro também das sopas de siri no Palanca Negra em Parada de Lucas, sem medo de tiros, sem medo de nada. Eu estava com o meu pai e a minha mãe.
Lembro da sensação do calor saindo do asfalto da rua, das nossas brincadeiras de rua, do vôlei, das bombinhas que eu colocava nas caixas de correio dos vizinhos da rua. Lembro do gosto da pizza de sardinha da festa junina da igreja. A melhor do mundo até hoje. Dos ensaios da quadrilha do meu irmão, e dele levando todo o bolo incrível de côco que eu fiz pros amigos.
Que saudade insuperável do verão na psicina, também a melhor do mundo até hoje, na minha casa de Cordovil!
Que saudade do cheiro de creolina para a limpeza...daquela coinha sem janelas, quente pra cachorro !
Meu Deus, quanta saudade!
E como eu não posso voltar, escrevo!

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Saudade do pai

Lá dentro da minha casa mora a rua onde eu morava, minhas memórias, as bonecas do meu passado, moram meu pai e minha mãe, e nessa noite sonhada eu sonhava com a dor de quando um dia, ele se foi, sim, ele, o pai,
Lembrei que lembrava da dor que passei e não me lembrava.
Lembrei do meu corpo estraçalhado à beira do abismo da minha alma. Lembre i que eu fui partida ao meio de tanta saudade. Lembrei que eu sempre amei a vida e então eu permaneci mesmo assim sendo feliz,amando os garotos, buscando os meninos, cheia de libido pela vida.
Mas a verdade é que felizmente eu não percebia o quanto eu estava absurdamente triste pela perda do meu pai. A vida seguiu imperativa, de qualquer modo, o tempo todo. Era preciso caminhar e se divertir porque a outra possibilidade era quase morrer.
Eu tenho muita saudade dele até hoje. E todos os pecados foram perdoados.
Mas nesse hiato vislumbrático de contatocom o sentimento de trinta anos atrás, eu compreendi o quanto fiquei ruim.
Tornei-me psiquiatra e psicanalista para entender minha dor de saudade e ajudar outras pessoas com semelhantes dores também.

Na passagem, no caminho

Minha ida foi tranquila.
Meus passos destemidos.
Meus medos admoestados.
Minha vingança repelida.
Minhas vitórias, bem guardadas.
Minhas chegadas, bem vindas.
Meu sorriso, verdade.
Minha idade? Saudade.
Divinas dores sonhadas, sonhos inteiros, partidos.
Juventude em peso, passada.
Maturidade em voga: tá aqui.
Pecados antigos, tranquilos.
Pecados futuros, em planos.
Brincadeira que seja, agora.
Imagens em fuga, memória.
Futuro previsto, nenhum.
Fantasia de corpo, carnaval; da mente, exploratória.
Encanto sem rumo: de antes.
Brilho de dentro, presente.
Fuga sem dono: superfície.
Sono sem sossego: profundeza.
Abrigo sem nome: lugar onde eu moro.
Minha casa: onde não posso fugir.
Fugir para onde: não sei.
Fugir para quê: não mais.
Cheguei ao presente.
Estou.

29/12/2017

Mais um ano se passou, e eu passei por Cordovil há quatro dias e lá Cordovil estava, mais Cordovil do que nunca, menos Cordovil do que sempre.
Saudades de Cordovil. Passei por Cordovil mas vi pouco do passado. E não há lugar mais presente