quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Dano cerebral coletivo

 Pego o título emprestado de uma pessoa muito inteligente. Hoje ela me falou de uma sensação física de uma dano cerebral instantâneo ao ouvir certas coisas. Ela percebe enquanto está acontecendo, quando seu cérebro vive uma espécie de pane. Isso acontece assim: reunir o fato de não conseguir falar sobre o que gosta com pessoas que se interessem pelo assunto + pessoas falando jargões a fim de lacração+ sensação subjetiva de profunda burrice coletiva ao redor. Pronto. Essa é a fórmula básica que a faz viver a pane cerebral capaz de causar o dano tecidual. Então ela decide tirar o you tube do celular e tirar o Instagram do celular também, de modo que seu feed apenas vê gatos, esportes e praia de nudez. Acabou.

Eu fico com a hipótese das redes sociais estarem provocando dano cerebral em massa também.

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Uau, uma manhã de segunda

 Descansada de uma noite perfeita em que sonhei com dois mestres de vida, Jordan Peterson e Antonio Riserio, sou despertada com o canto dos pássaros aqui ao lado do meu quarto, onde uma pequena montanha se avizinha, muito de pertinho. Dia lindo e solar, temperatura perfeita; como não ser feliz?

Ficam para trás todas as más notícias do mundo, todas as ameaças imparáveis de que a democracia acabou e que a China comprou o Brasil. Ficam para trás a infelicidade que é ter o Lula na presidência e essa sensação horrorosa de não ter direito ao futuro, de voltarmos sempre ao patamar de promessa de futuro que um dia, e já faz tempo, eu acreditei. Imagine ficar 3 horas em uma fila, aos 16 anos, para garantir votar no Lula em 1989. Hoje, 35 anos depois, a mesma figura deve concorrer à reeleição para um quarto (!) mandato, alegando os mesmos motivos de sempre, de 35-40 anos atrás, para votarmos neles, no PT, o de que as elites não querem que o povo viva em boas condições...blábláblá...Imagine que depois de praticamente 5 mandatos do PT, mais do que suficientes para qualquer modificação mais estrutural em um país, continuamos a ser uma república de bananas, só que pior. Pra piorar, entre um mandato e outro do PT, tivemos Bolsonaro na presidência, que até fez um bom mandato em termos de economia, mas que decidiu incorporar seu ímpeto de ruptura dia a dia, culminando na elaboração de um plano de golpe de Estado caso não vencesse. Isso vai servir ao PT como justificativa para todo tipo de politicagem e maldade. Por óbvio que Bolsonaro e os envolvidos devem ser punidos. Por mim ficariam no mínimo 20 anos presos. E evidentemente, Lula não deveria jamais ter concorrido à presidência em função de todos os escândalos de corrupção super comprovados de seu governo.

Parece um pesadelo. E é. 

Mas aqui estou e é preciso ser dura e firme. A vida é intensa e eu não nasci na Noruega.

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Resistir e viver é impreciso

 Dias de descanso que permitiram-me tédio o suficiente e angústia básica e flutuante, também suficientes, para despertar repousada e cheia de espaço vazio de modo a pensar na vida, me trazem de volta a esse lugar de escrita onde eu às vezes realmente acredito ser onde reside a minha verdadeira morada.

O primeiro ponto, aquele crucial nesse exato momento de vida, é resistir à facilidade do tráfego pelas redes sociais onde o barulho é enorme apesar de muitas vezes sequer apertamos o botão ( analógica, eu?), de som. A realidade de acompanhar um mundo à velocidade dos acontecimentos é profundamente capaz de enlouquecer qualquer mente. Definitivamente não fomos feitos para isso.

Não há como dizer para o que fomos feitos exatamente, mas intuo que boa parte de nós necessita de descanso e introspecção.

Há sempre uma ameaça no ar. Há sempre algo horrível sendo discutido nas redes. Há sempre a chance de perda dos direitos como um bicho papão à nossa porta.

O fim dos tempos sempre está próximo, o mundo vai explodir de calor, a democracia vai acabar.

Nada dá trégua em tempo algum. As ameaças estão dentro da escola do meu filho, estão na universidade federal do meu filho, estão no ataque às redes sociais. Aos poucos, tornamo-nos paranóicos e vemos ameaça em tudo.

É preciso retomar o estado de adultos de pé sabedores do fato de que nada no mundo traz garantias e se mantém como garantia. Importante relembrar do fato de que a luta é diária e a vigilância também.

Realmente temos ameaças novas ao nosso modo de vida e é preciso estar atento. No entanto, viver agarrada às redes sociais a fim de não ser pega de surpresa, tentando entender até o último fio, não parece ser uma atitude inteligente.

Em meio à paranóia geral, é preciso viver a própria vida que seguirá seu curso inevitavelmente.

Acho que deveríamos começar a semana assim:" e se essa for a minha última semana nessa Terra, de que modo eu gostaria de vivê-la?" Assim, não como inexorável, mas como lembrança.