domingo, 15 de abril de 2018

Um domingo feliz em uma cidade em alerta

Eu acordo e me lembro de um sonho onde voltava pra minha casa, a minha casa da infância, em Cordovil. Momentos antes de dormir, bem me lembro, bi o rosto lindo de minha mãe atravessar e invadir meu descando pronto a dizer adeus à vigília. Resultou no sonho de que eu voltava pra uma cassa que há muito tive de dizer adeus, em um dia, posso dizer hoje depois de trinta anos, bastante infeliz. O fogo arde na minha lembrança. Mas descobri que sou uma das últimas a ter o direito de requerer o título de sobrevivente à minha própria vida. Todos somos. E há muito mais, mas muito mais gente do que eu, que pode requerer esse título antes de mim.
E hoje foi um domingo em que eu tive a satisfação de acordar depois de uma noite bem dormida com o plus de sonhar com a casa da infância, e fazer o meu café com grãos do Kenia provenientes do Starbucks, o símbolo do símbolo daquilo que... menos ou mais acredito? Acredito no trabalho. Mas não creio nas intenções dessas empresas. No entanto, amo esse café incrível que eles trazem até aqui. Se o ser himano não possuísse natureza tão egoísta, gananciosa e demoníaca por vezes, vivería os em um mundo melhor. Tenho por mim o hábito de pensar nos outros. Tenho por mim o hábito de pensar.
Café de qualidade, ovos mexidos com manjericão e tomate sobre meu pão integral sem gluten. Depois uma caminhada no parque Guinle com Rani. Volto e leio a Interpretação dos sonhos de Freud. Incrível ler e estudar o que se ama. Então Rani sai com os meninos e eu termino a leitura, tomo o meu banho e vou à Ipanema almoçar em um restaurante vegano com minha supervisora e pessoa querida, Silvia. Excelente.
Volto ao lar e aqui bebo um tinto de qualidade, além de fazer os cup cakes requeridos para o aniversário da professora do filhote mais. Ovo para amanhã. Não há como não fazer.
Termino com um baby Chandon enquanto preparo uma massa sem gluten, é claro, com um molho de tomate que ficou maravilhoso, e ouço Red Hot.
Assim termino o meu dia. Alcoolizada moderadamente e suficientemente, escutando um som de qualidade após comer muito, muito bem, no almoço e no jantar.
Hoje ainda não meditei.
E para completar, faço lembrar do almoço feliz de ontem aqui com o canelone de carangueijo e feijão verde de entrada além do guacamole, feitos com amor, tesão, vontade de estar viva, feliz.
Termino feliz aqui essa prosa, indo me deitar no quarto mais lindo que já tive.
E quiero que me perdone por esto dia, los muertos de mi felicidad.