Semana passada o PSDB apresentou seu programa na televisão. Não assisti.
No entanto, FHC dizendo "nunca se roubou tanto como hoje", foi patético. Não sei se FHC tem razão ou não. Uns dizem que sim, outros dizem que não. Eu fico com a impressão de que hoje se rouba mais.É difícil não ter essa impressão, afinal, só se noticia a bandidagem petista, a do PSDB é sempre encoberta. Não há santos ou inocentes nessa história, certo?
Mas um ex-presidente ir à televisão falar mal do governo atual me lembra uma ex-mulher reclamando da atual de seu ex; ou vice -versa, o ex falando mal do atual da ex.
Não seria mais elegante FHC ficar nos bastidores, nos seus artigos de jornal, e jamais falar mal assim do governo atual? Fica feio. Assim como é horroroso o que Lula faz ao conclamar o povo a sair na rua e brigar.
Quando um país precisa e tem seus ex-presidentes fazendo reclamações que podem parecer rasteiras, pois para acusar é preciso provar dentro das alegações, chegamos a um nível de baixaria difícil de imaginar.
Quando falamos que o projeto do PT é o poder pelo poder e FHC sai em um programa de TV falando o que falou, ele e o PSDB em nada parecem se diferenciar do PT em seus projetos de poder.
domingo, 31 de maio de 2015
Fifa FDP
Essa semana o mundo foi surpreendido com uma notícia linda.
Em meio a milhares de ameaças à nossa integridade como um todo, eis que surge a notória prisão de parte de uma das quadrilhas mais , com o perdão da palavra, escrotas, do mundo.
A Fifa esteve aqui no Brasil por um bom tempo e conseguiu, entre suas piores proezas, destruir o Maracanã e colocar em seu lugar um estádio padronizado, igual a tantos outros, batizado com o mesmo nome- acho que pegaria mal passar a se chamar Joseph Blatter Rio Stadium.
O meu, o nosso Maracanã de outrora, perdeu a metade de seus lugares quase, passou a cobrar muito caro pelos ingressos, passou a ser quase outra coisa não fosse a paixão do brasileiro pelo futebol.
Sinto quase uma dor no peito ao lembrar daquele imenso e único estádio de futebol e olhá-lo hoje com suas cores e desenhos padrão-fifa. Como a cultura de um povo e sua história pôde um dia ser menos importante que um padrão? Como pudemos gastar tanto dinheiro para nos auto-sacanear e diminuir? Por que permitimos isso? Todos sabem a resposta. Dinheiro.
O mundo se tornou isso. Um planeta onde a força da grana hoje destrói mais do que constrói coisas belas. Afinal, o tempo de recuperação se encurta e a intensidade da destruição aumenta.
Como carioca e brasileira, senti na pele a força dessa entidade maligna ao destruir o nosso Maracanã, com o aval dos nossos governantes corruptos eleitos por nós.
Eu desejo que todos sejam condenados a muitos anos de prisão. E que o Blatter não seja poupado.
Desejo que a copa do mundo na Russia e no Catar sejam um fracasso.
E desejo, acima de qualquer coisa dessa ordem de coisas, que o futebol se eleve como o esporte popular que é, que jamais perca o brilho.
Não há mal que dure para sempre.
Em meio a milhares de ameaças à nossa integridade como um todo, eis que surge a notória prisão de parte de uma das quadrilhas mais , com o perdão da palavra, escrotas, do mundo.
A Fifa esteve aqui no Brasil por um bom tempo e conseguiu, entre suas piores proezas, destruir o Maracanã e colocar em seu lugar um estádio padronizado, igual a tantos outros, batizado com o mesmo nome- acho que pegaria mal passar a se chamar Joseph Blatter Rio Stadium.
O meu, o nosso Maracanã de outrora, perdeu a metade de seus lugares quase, passou a cobrar muito caro pelos ingressos, passou a ser quase outra coisa não fosse a paixão do brasileiro pelo futebol.
Sinto quase uma dor no peito ao lembrar daquele imenso e único estádio de futebol e olhá-lo hoje com suas cores e desenhos padrão-fifa. Como a cultura de um povo e sua história pôde um dia ser menos importante que um padrão? Como pudemos gastar tanto dinheiro para nos auto-sacanear e diminuir? Por que permitimos isso? Todos sabem a resposta. Dinheiro.
O mundo se tornou isso. Um planeta onde a força da grana hoje destrói mais do que constrói coisas belas. Afinal, o tempo de recuperação se encurta e a intensidade da destruição aumenta.
Como carioca e brasileira, senti na pele a força dessa entidade maligna ao destruir o nosso Maracanã, com o aval dos nossos governantes corruptos eleitos por nós.
Eu desejo que todos sejam condenados a muitos anos de prisão. E que o Blatter não seja poupado.
Desejo que a copa do mundo na Russia e no Catar sejam um fracasso.
E desejo, acima de qualquer coisa dessa ordem de coisas, que o futebol se eleve como o esporte popular que é, que jamais perca o brilho.
Não há mal que dure para sempre.
terça-feira, 26 de maio de 2015
Bruta vontade de viver
Hoje me deu uma bruta vontade de viver.
Sonhei com dois amigos que me instigam a viver.
Outrora jovenzitos e ireesponsáveis pelo mundo, hoje maduritos e responsáveis mundo afora.
Porém, ah...vida! A essência é perene pois que o tempo também.
Ficam algumas conservações das coisas. Permanecem nossas almas e pessoas bem por fora da curva, embora burgueses desde criancinhas se alguém de fora hoje nos olha e vê três médicos.
Meu sonho não foi meu somente. Foi nosso. Eles estavam lá não como personagens de um sonho meu, e que portanto, eu poderia dizer que eles também sou eu e eu sou eles. Meus sentimentos falam deles. Eles também estavam lá.
E me traziam memórias e sensações de outro tempo, uma outra eu, um outro eles. Simultanemente nós, ao mesmo tempo outros nós. Outros todos.
A alma desperta e o sonho fica. Quase ofegante de saudade, mas constricta em meu mundo interno sob controle, sublimei o que poderia virar angústia pela falta e tornei comunicação nossas ausências.
Ao contato, a felicidade.
Ai que vontade de viver!
Sair por ai a Grumari com eles
Comer um peixe lá no restaurante de cima
Descer pra Lapa já à noite
Beber todas as que eu não conseguiria acompanhar
E retornar sublime a 2015 sem nenhum arranhão
A vida de volta como agora.
Mas que nenhum tempo volta e nenhum sonho acaba
Disponho-me a sonhar e a escrever poesia
Pois que a vida é imperativa
E a realidade, nem sempre.
Sonhei com dois amigos que me instigam a viver.
Outrora jovenzitos e ireesponsáveis pelo mundo, hoje maduritos e responsáveis mundo afora.
Porém, ah...vida! A essência é perene pois que o tempo também.
Ficam algumas conservações das coisas. Permanecem nossas almas e pessoas bem por fora da curva, embora burgueses desde criancinhas se alguém de fora hoje nos olha e vê três médicos.
Meu sonho não foi meu somente. Foi nosso. Eles estavam lá não como personagens de um sonho meu, e que portanto, eu poderia dizer que eles também sou eu e eu sou eles. Meus sentimentos falam deles. Eles também estavam lá.
E me traziam memórias e sensações de outro tempo, uma outra eu, um outro eles. Simultanemente nós, ao mesmo tempo outros nós. Outros todos.
A alma desperta e o sonho fica. Quase ofegante de saudade, mas constricta em meu mundo interno sob controle, sublimei o que poderia virar angústia pela falta e tornei comunicação nossas ausências.
Ao contato, a felicidade.
Ai que vontade de viver!
Sair por ai a Grumari com eles
Comer um peixe lá no restaurante de cima
Descer pra Lapa já à noite
Beber todas as que eu não conseguiria acompanhar
E retornar sublime a 2015 sem nenhum arranhão
A vida de volta como agora.
Mas que nenhum tempo volta e nenhum sonho acaba
Disponho-me a sonhar e a escrever poesia
Pois que a vida é imperativa
E a realidade, nem sempre.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Uma história de ilusão
Ou uma história da ilusão.
Essa poderia ser a história real quando contada de um outro ponto de vista.
Não vivemos uma história de construção da história.
A história é também a história da destruição contada a partir dos vencedores.
A história é a história da indústria das armas, da usura sem freios, da dominação sem fim, a não ser o próprio fim de domínio.
Contar a história é assumir um ponto de vista cujo adjetivo ainda não foi inventado, ao menos na língua portuguesa. Porque a história real é a história da vitória da mentira sobre a verdade. E a verdade é contada pelos sobreviventes. Em geral, são os mais fortes.
Por outro lado, há a história que ainda resiste a esse profundo desencanto, mas que também não deixa de ser real. É talvez a história de quem já leu filosofia ou se deixou converter em uma subjetividade sensibilizada não somente pelo sofrer, mas também pelo encanto de viver.
A verdadeira hitória foi contada pelos poetas, escritores, artistas.
A história só pode virar história se houver um poeta capaz de senti-la e contá-la, senão ela vira outra coisa.
Parte das muitas histórias mal contadas.
Essa poderia ser a história real quando contada de um outro ponto de vista.
Não vivemos uma história de construção da história.
A história é também a história da destruição contada a partir dos vencedores.
A história é a história da indústria das armas, da usura sem freios, da dominação sem fim, a não ser o próprio fim de domínio.
Contar a história é assumir um ponto de vista cujo adjetivo ainda não foi inventado, ao menos na língua portuguesa. Porque a história real é a história da vitória da mentira sobre a verdade. E a verdade é contada pelos sobreviventes. Em geral, são os mais fortes.
Por outro lado, há a história que ainda resiste a esse profundo desencanto, mas que também não deixa de ser real. É talvez a história de quem já leu filosofia ou se deixou converter em uma subjetividade sensibilizada não somente pelo sofrer, mas também pelo encanto de viver.
A verdadeira hitória foi contada pelos poetas, escritores, artistas.
A história só pode virar história se houver um poeta capaz de senti-la e contá-la, senão ela vira outra coisa.
Parte das muitas histórias mal contadas.
Maldade, perdão e dúvida
As ruas do Rio de Janeiro me pareceram vazias nesse fim de semana.
Será que a cidade está de luto?
Na última quinta feira o médico Jaime Gold foi morto a facadas em plena Lagoa Rodrigo de Freitas às 18 horas. Tudo muito triste. Não o conhecia, mas o fato dele ser médico do Hospital do Fundão, onde eu estudei e me formei, e a proximidade com algumas pessoas que o conheciam tornou tudo pior. Trabalho no Jardim Botânico, vivo ao redor da Lagoa e já andei muito de bicicleta por lá. A Lagoa é nosso cartão postal e todos aqui no Jardim Botânico são íntimos de algum modo, dela.
Há pouco tempo, no máximo um mês, conversávamos aqui no JB sobre os assaltos e os esfaqueamentos, e falávamos que o reforço no policiamento era circunstancial até a próxima vítima. Rapidamente aconteceu. É revoltante.
Mas o que é, exatamente, revoltante? ( além da morte, é claro).
Não sabemos onde colocar nossa revolta.
Sempre que reclamamos de falta de segurança e policiamento, nos esquecemos do por que da existência da polícia. Os crimes são cometidos por falta de policiamento ou por falta de segurança? O que é uma coisa e o que é outra? Não seriam a mesmas coisa?
O que afinal aconteceu para que nossa cidade precise de um policial a cada esquina para nos proteger de criminosos, a maioria desses, menores de idade e armados com facas? E agora, Jose?
Quem cometeu esse crime? Como o crime foi cometido?
Pela descrição que li nos jornais, ele apunhalou o médico pelas costas e, com o médico caído no chão, o esfaqueou no abdomen. O que é isso, afinal?
Será que um crime dessa brutalidade pode se justificar através de uma teoria de desamparo familiar e do Estado? Sinceramente, não creio. Infelizmente não creio.
Maldade é maldade, será sempre maldade.
Aos sociólogos será exigido muito cuidado nessa análise. Tipificar um crime cometido , provavelmente, por um desamparado de todos os lados. É preciso ter muito cuidado com a indulgência.
A pessoa que cometeu esse crime bárbaro seria criminosa em qualquer cultura, sob as melhores condicões.
Temos agora a dificílima tarefa de compreender esse estado social de coisas, discriminar o crime, não nos deixarmos levar pelo ódio, que a todos cega e impede de pensar.
Redução de maioridade penal é vingança social característica de uma sociedade que não quer pensar sua legião de pobres e favelados como gente que vive à margem de toda a estrutura, em condições indignas. falar em redução da maioridade significa querer permanecer na escuridão e acreditar em um mundo que se resolve com soluções punitivas.
Reinserção social para um jovem que comete esse crime? Não creio também. Infelizmente entendo que esse jovem está irreversivelmente desumanizado. E essa é a outra questão.
Será que a cidade está de luto?
Na última quinta feira o médico Jaime Gold foi morto a facadas em plena Lagoa Rodrigo de Freitas às 18 horas. Tudo muito triste. Não o conhecia, mas o fato dele ser médico do Hospital do Fundão, onde eu estudei e me formei, e a proximidade com algumas pessoas que o conheciam tornou tudo pior. Trabalho no Jardim Botânico, vivo ao redor da Lagoa e já andei muito de bicicleta por lá. A Lagoa é nosso cartão postal e todos aqui no Jardim Botânico são íntimos de algum modo, dela.
Há pouco tempo, no máximo um mês, conversávamos aqui no JB sobre os assaltos e os esfaqueamentos, e falávamos que o reforço no policiamento era circunstancial até a próxima vítima. Rapidamente aconteceu. É revoltante.
Mas o que é, exatamente, revoltante? ( além da morte, é claro).
Não sabemos onde colocar nossa revolta.
Sempre que reclamamos de falta de segurança e policiamento, nos esquecemos do por que da existência da polícia. Os crimes são cometidos por falta de policiamento ou por falta de segurança? O que é uma coisa e o que é outra? Não seriam a mesmas coisa?
O que afinal aconteceu para que nossa cidade precise de um policial a cada esquina para nos proteger de criminosos, a maioria desses, menores de idade e armados com facas? E agora, Jose?
Quem cometeu esse crime? Como o crime foi cometido?
Pela descrição que li nos jornais, ele apunhalou o médico pelas costas e, com o médico caído no chão, o esfaqueou no abdomen. O que é isso, afinal?
Será que um crime dessa brutalidade pode se justificar através de uma teoria de desamparo familiar e do Estado? Sinceramente, não creio. Infelizmente não creio.
Maldade é maldade, será sempre maldade.
Aos sociólogos será exigido muito cuidado nessa análise. Tipificar um crime cometido , provavelmente, por um desamparado de todos os lados. É preciso ter muito cuidado com a indulgência.
A pessoa que cometeu esse crime bárbaro seria criminosa em qualquer cultura, sob as melhores condicões.
Temos agora a dificílima tarefa de compreender esse estado social de coisas, discriminar o crime, não nos deixarmos levar pelo ódio, que a todos cega e impede de pensar.
Redução de maioridade penal é vingança social característica de uma sociedade que não quer pensar sua legião de pobres e favelados como gente que vive à margem de toda a estrutura, em condições indignas. falar em redução da maioridade significa querer permanecer na escuridão e acreditar em um mundo que se resolve com soluções punitivas.
Reinserção social para um jovem que comete esse crime? Não creio também. Infelizmente entendo que esse jovem está irreversivelmente desumanizado. E essa é a outra questão.
Os dois centavos
Situação comum: Você tenta pagar alguma coisa com dinheiro no Rio de Janeiro. Você dá uma nota. Qualquer nota, qualquer uma, de cinquenta, de vinte, de dez, de cinco ou de dois reais! O sujeito sempre pergunta: Tem dez centavos? Tem cinco centavos? Tem um real? Tem vinte e cinco centavos?
Situação comum 2: Você compra algo que custa 3 reais e 48 centavos. Quanto você receberá de troco em centavos? Nunca 52 centavos, certo? E quando você pede os centavos? Você é um ET, não é mesmo? E deve ter surgido sabe-se lá de onde, das profundezas da antipatia, do quinto dos infernos, do abismo da chatice do mundo. Se for mulher, deve ser mal amada, sozinha, infeliz; se for homem deve ser bicha ou corno.
Ser brasileiro tem esse caráter implícito: uma passividade em nome de uma boa vizinhança cortês ; uma dissimulação de compreensão do outro atrás do balcão em nome de uma pseudo superioridade. Eu compro e esse sujeito ganha muito pouco, portanto não posso exigir nada dele. E o funcionário deve olhar e pensar: como alguém pode ser tão miserável por causa de dois centavos?
Não são os dois centavos.
Os dois centavos significam grandes empresas precificando seus produtos com valores quebrados incompatíveis com a moeda que circula. Significa que elas ganham em cima de cada trocado. Existe a legislação que protege o consumidor que obriga que a empresa, quando desprovida de troco, pague valor maior ao consumidor.
Eu realmente estou cansada dessa passividade à brasileira.
Experimente dever dois centavos a um banco por dez a anos. Quanto ficaria a conta final?
Mas não só por isso. Se o brasileiro não consegue reivindicar seus centavos, o que não dizer de contas maiores, direitos maiores?
Situação comum 2: Você compra algo que custa 3 reais e 48 centavos. Quanto você receberá de troco em centavos? Nunca 52 centavos, certo? E quando você pede os centavos? Você é um ET, não é mesmo? E deve ter surgido sabe-se lá de onde, das profundezas da antipatia, do quinto dos infernos, do abismo da chatice do mundo. Se for mulher, deve ser mal amada, sozinha, infeliz; se for homem deve ser bicha ou corno.
Ser brasileiro tem esse caráter implícito: uma passividade em nome de uma boa vizinhança cortês ; uma dissimulação de compreensão do outro atrás do balcão em nome de uma pseudo superioridade. Eu compro e esse sujeito ganha muito pouco, portanto não posso exigir nada dele. E o funcionário deve olhar e pensar: como alguém pode ser tão miserável por causa de dois centavos?
Não são os dois centavos.
Os dois centavos significam grandes empresas precificando seus produtos com valores quebrados incompatíveis com a moeda que circula. Significa que elas ganham em cima de cada trocado. Existe a legislação que protege o consumidor que obriga que a empresa, quando desprovida de troco, pague valor maior ao consumidor.
Eu realmente estou cansada dessa passividade à brasileira.
Experimente dever dois centavos a um banco por dez a anos. Quanto ficaria a conta final?
Mas não só por isso. Se o brasileiro não consegue reivindicar seus centavos, o que não dizer de contas maiores, direitos maiores?
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Extorquidos pelo governo
Estou com vontade de criar uma página no facebook com esse título. Para isso, terei que retomar alguma atividade no facebook, o que eu não gostaria. No entanto, parece que a única arma de que dispomos é a palavra. Acredito que em pouquíssimo tempo eu teria muitos seguidores. Se é que já não existe a mesma página.
As arbitrariedades tributárias que parecem acometer ao governo Dilma devem ser enormes. Eu posso imaginar o número de vítimas por ai.
Tente ter uma pessoa jurídica. Tenha uma pessoa jurídica. O que é isso para você? Quantos impostos a pagar sua empresa recebe regularmente sem que o dono, o contador, o advogado...ninguém! saiba do que se trata. A arma do governo é antiga, o poder, o papel, o timbre, a cobrança, a incrível facilidade que deve ser a de gerar boletos e boletos com as mais indevidas cobranças.
É claro que também estou falando de mim.
Agora mesma encontro-me às voltas com dívidas já pagas, comprovadamente pagas, mas que a justiça, embora haja provas de pagamento, mantém a cobrança. Diz assim: "Não reconheço". Eu fico com o ônus da prova. Preciso provar que paguei. Mas provei. E então? Então não reconheço, diz o governo. E agora, José?
Agora vivemos o quê? Estaríamos na idade média?
Parece que o fenômeno é o seguinte: O governo federal está quebrado. E o que faz? Manda seus cobradores efetuarem o máximo possível de cobranças possíveis aos pequenos e médios empresários. Afinal, os grandes são protegidos pelo nosso capitalismo de estado.
Qual o estado de coisas gerado? A sensação de ser roubado pelo governo produz o quê? Como é possível ter um negócio no Brasil se você não for amigo do rei?
Mas Maquiavel está vivo e se você não percebe a grande diferença entre o governo dos pobres e o governo dos ricos você se transformou em um burguês que esqueceu os anos tenebrosos de FHC.
Aff! Quando as pessoas perceberão que o governo petista não gosta nem de pobre nem de rico?
O governo do PT gosta de governar. Mandar.
E quem for obstáculo, que sobreviva.
As arbitrariedades tributárias que parecem acometer ao governo Dilma devem ser enormes. Eu posso imaginar o número de vítimas por ai.
Tente ter uma pessoa jurídica. Tenha uma pessoa jurídica. O que é isso para você? Quantos impostos a pagar sua empresa recebe regularmente sem que o dono, o contador, o advogado...ninguém! saiba do que se trata. A arma do governo é antiga, o poder, o papel, o timbre, a cobrança, a incrível facilidade que deve ser a de gerar boletos e boletos com as mais indevidas cobranças.
É claro que também estou falando de mim.
Agora mesma encontro-me às voltas com dívidas já pagas, comprovadamente pagas, mas que a justiça, embora haja provas de pagamento, mantém a cobrança. Diz assim: "Não reconheço". Eu fico com o ônus da prova. Preciso provar que paguei. Mas provei. E então? Então não reconheço, diz o governo. E agora, José?
Agora vivemos o quê? Estaríamos na idade média?
Parece que o fenômeno é o seguinte: O governo federal está quebrado. E o que faz? Manda seus cobradores efetuarem o máximo possível de cobranças possíveis aos pequenos e médios empresários. Afinal, os grandes são protegidos pelo nosso capitalismo de estado.
Qual o estado de coisas gerado? A sensação de ser roubado pelo governo produz o quê? Como é possível ter um negócio no Brasil se você não for amigo do rei?
Mas Maquiavel está vivo e se você não percebe a grande diferença entre o governo dos pobres e o governo dos ricos você se transformou em um burguês que esqueceu os anos tenebrosos de FHC.
Aff! Quando as pessoas perceberão que o governo petista não gosta nem de pobre nem de rico?
O governo do PT gosta de governar. Mandar.
E quem for obstáculo, que sobreviva.
terça-feira, 19 de maio de 2015
Você precisa de comida por quê?
Há pouco mais de uma semana li em uma entrevista com uma celebridade do sexo feminino que ela ingeria 900 calorias de comida por dia. Fiquei estarrecida. Como assim alguém consegue se satisfazer com 900 calorias por dia? E não era só isso, claro. Tinha mais. Ela dizia que, caso engordasse 2 quilos partia para a dieta das 600 calorias. O quê é isso, minha gente? Uma fatia de bolo tem 600 calorias.
Então me vieram muitas perguntas. Se alguém se satisfaz, digamos assim, com 900 calorias, é porque a satisfação verdadeira deve vir de outro lugar. Mas isso é apenas uma hipótese pois sabe-se perfeitamente que muita gente vive sem satisfação alguma, diga-se de passagem. E também sabemos muito bem que a maioria das pessoas no mundo vive com menos de 900 calorias porque não tem comida. Sendo assim, comer ou não comer é a questão. Uns por escolha, outros por destino.
Dito isso, qual seria então o lugar da satisfação? E havendo lugar, deve ter origem. ( mas esse nível de postulação fica para depois pois não é o objetivo uma análise psicanalítica do caso).
Facilito-me o luxo de olhar superficialmente esse estado de coisas em um primeiro momento, pois que falo de um estado superficial de coisas nesse momento. Dessa forma, realizo um pouco o desejo de quem quer ser visto e admirado de cima.
"Mas se eu ignoro consistente e progressivamente minha fome, eu também nego e secretamente procuro lidar com outros desejos. Serei a senhora em negação de desejos em nome do olhar que receberei de fora e do reconhecimento retardado de quem eu sou, ou melhor, daquilo que represento. Porque escolhi a fome para que a forma seja senhora de mim e eu senhora da fome. "
" Alimento-me do olhar de admiração e desejo que recebo diariamente, e os anos que passam transformam-me em uma espécie de divindade. Intimamente só eu sei. Sou mesquinha e miserável naquilo que me dou de comer, não poderia ser diferente para aquele que me dou a comer-me. Tenho dificuldade com o prazer, pois a negação da fome faz mais parte de mim do que eu agora sei sobre meus desejos. Algumas vezes preciso de comprimidos para me ajudar nessa abolição instintual. Mas sou linda."
É claro que essa fala nunca existiu e faz parte de minha insistência em tentar entender pessoas capazes de grandes sacrifícios. Assim como não entenderemos nunca a existência da vida e da morte, não seria mais simples e fácil tentar entender como alguém pode passar a vida sem comer um chocolate e um prato cheio de macarrão? Não, não vale falar que come um pedacinho de chocolate a cada mês. Comer dentro da conta é viver em uma terrível prisão.
No entanto, não é só isso.
Uma adulta de mais de 1,70m não pode comer 900 calorias. Essa conta não fecha. Existe uma coisa chamada metabolismo basal. Precisamos comer um mínimo para mantermos as atividades diárias mínimas, como dormir, respirar, falar,etc. Menos do que esse mínimo ficamos desnutridos, doentes e morremos. Se a pessoa continua viva há anos, corre , pula e trabalha, alguma coisa não está certa.
Ma so que não está certo, definitivamente, é a obsessão em ser lindo, jovem, magro, maravilhoso, perfeito, correto, ajuizado, magnânimo, justo, feliz, ufa...! Mundo patológico perfeito!
Sociedade constituída por exemplos de sucesso agarrados aos princípios mais frágeis de viver.
Tempo de anorexia como projeto de admiração e esforço em um mundo faminto por comida e mãos que se abracem.
Então me vieram muitas perguntas. Se alguém se satisfaz, digamos assim, com 900 calorias, é porque a satisfação verdadeira deve vir de outro lugar. Mas isso é apenas uma hipótese pois sabe-se perfeitamente que muita gente vive sem satisfação alguma, diga-se de passagem. E também sabemos muito bem que a maioria das pessoas no mundo vive com menos de 900 calorias porque não tem comida. Sendo assim, comer ou não comer é a questão. Uns por escolha, outros por destino.
Dito isso, qual seria então o lugar da satisfação? E havendo lugar, deve ter origem. ( mas esse nível de postulação fica para depois pois não é o objetivo uma análise psicanalítica do caso).
Facilito-me o luxo de olhar superficialmente esse estado de coisas em um primeiro momento, pois que falo de um estado superficial de coisas nesse momento. Dessa forma, realizo um pouco o desejo de quem quer ser visto e admirado de cima.
"Mas se eu ignoro consistente e progressivamente minha fome, eu também nego e secretamente procuro lidar com outros desejos. Serei a senhora em negação de desejos em nome do olhar que receberei de fora e do reconhecimento retardado de quem eu sou, ou melhor, daquilo que represento. Porque escolhi a fome para que a forma seja senhora de mim e eu senhora da fome. "
" Alimento-me do olhar de admiração e desejo que recebo diariamente, e os anos que passam transformam-me em uma espécie de divindade. Intimamente só eu sei. Sou mesquinha e miserável naquilo que me dou de comer, não poderia ser diferente para aquele que me dou a comer-me. Tenho dificuldade com o prazer, pois a negação da fome faz mais parte de mim do que eu agora sei sobre meus desejos. Algumas vezes preciso de comprimidos para me ajudar nessa abolição instintual. Mas sou linda."
É claro que essa fala nunca existiu e faz parte de minha insistência em tentar entender pessoas capazes de grandes sacrifícios. Assim como não entenderemos nunca a existência da vida e da morte, não seria mais simples e fácil tentar entender como alguém pode passar a vida sem comer um chocolate e um prato cheio de macarrão? Não, não vale falar que come um pedacinho de chocolate a cada mês. Comer dentro da conta é viver em uma terrível prisão.
No entanto, não é só isso.
Uma adulta de mais de 1,70m não pode comer 900 calorias. Essa conta não fecha. Existe uma coisa chamada metabolismo basal. Precisamos comer um mínimo para mantermos as atividades diárias mínimas, como dormir, respirar, falar,etc. Menos do que esse mínimo ficamos desnutridos, doentes e morremos. Se a pessoa continua viva há anos, corre , pula e trabalha, alguma coisa não está certa.
Ma so que não está certo, definitivamente, é a obsessão em ser lindo, jovem, magro, maravilhoso, perfeito, correto, ajuizado, magnânimo, justo, feliz, ufa...! Mundo patológico perfeito!
Sociedade constituída por exemplos de sucesso agarrados aos princípios mais frágeis de viver.
Tempo de anorexia como projeto de admiração e esforço em um mundo faminto por comida e mãos que se abracem.
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Para 2018
Uma das maiores dificuldades em analisar o momento político atual é organizar o cenário ideológico e territorial quanto ao poder vigente.
É preciso compreender antes de qualquer coisa, que temos um partido no poder há doze anos chamado de Partido dos Trabalhadores. Em sua história, uma luta que se inicia no sindicalismo dentro da ditadura militar e que muitos anos depois, leva sua principal liderança à presidência da república. Esse partido fomentou em milhões de brasileiros o sonho talvez de brasilidade, de tornarmo-nos um dia aquilo que só o Brasil poderia vir a ser. E isso não é pouco. Muito pelo contrário, pois tornar-se aquilo que se pode ser, ou seja, tomar consciência de seu próprio desejo e avançar objetivamente em busca não é para muitos. Pois que a vida atropela e esmaga sonhos e ideais desde que o mundo é mundo e desde que o paradigma de viver passou a não ser mais a luta por territórios, mas sim pela construção de uma nação. Correlacionando ao estabelecimento do indivíduo como pessoa, poderia ser dito ao nascimento e desenvolvimento psíquico de cada um e a construção de uma vida em si.
Temos ouvido as mais variadas teorias, hipóteses, teoremas; e muito raramente podemos encontrar alguma coisa desprovida de um ingrediente insidioso e paralisador: o ódio. Há tanta paixão nesse tema político... E todas resultam em um assunto preferencial: o ódio ao PT e o desprezo por seus eleitores. Essa cascata especulativa ( e nesse momento não adentro aos elementos reais pois não pretendo incorrer ao elemento que em nada dignifica nossa luta conjunta por um país melhor), gerou um estado coletivo mental de intolerância inédito.
Há duas correntes vigentes principais: os que acreditam no fim dos tempos e os que acreditam na luta entre os bons e os maus. Essas duas correntes excluem a mais importante delas, e que por isso mesmo não figure entre as principais: os que não se encontram nem em um campo, nem em outro. E essa terceira parte encontra-se perdida buscando um campo de ideias que não propague a arrogância, seja ela intelectual ou política, assim como a infantilizada teoria de que somos nós contra eles, pobres
contra ricos, elite contra pobres. Pois se um país é feito de ideias e de seu povo, conosco não seria em nada, diferente.
Não somos os Estados Unidos. Não somos a Europa. Não somos chineses. Não temos glamour ao olhar de muitos de fora e de dentro, mas tampouco somos pobres em cultura ou espontaneidade. E queremos ser o quê, afinal? Queremos o glamour estrangeiro, o chá inglês, a sofisticação francesa à mesa, o charme italiano ao vestirmos nossos corpos, a competência alemã ao gerir uma empresa? Naturalmente que dispensamos o jeitinho que compromete, a espontaneidade deselegante e um estado de corrupção de coisas e de almas que a todos empobrece e adoece. Somos brasileiros. Não somos o chá da tarde inglês, a sofisticação da culinária francesa, mas somos o samba, a bossa nova, musicais maravilhosos, comidas saborosas, e por que não dizer, grifes lindas e ultra brasileiras também. Somos criativos o bastante para vivermos em um país campeão em desigualdade social e ainda assim estarmos dentro das dez maiores economias mundias ( o que, diga-se de passagem, não quer dizer grande coisa). Mas o tal complexo de viralatas, como genialmente denominou Nelson Rodrigues, nos faz querer ser tudo, menos o que somos. E pode-se melhorar ou piorar o que se é, mas não se pode ser
o que não se é. Não seremos nunca os EUA, a Alemanha ou a França. E quando se deseja ser qualquer um grande outro que não nós mesmos, podemos ser no máximo, cópias apequenadas como são todas as imitações. E por um lado digamos, indulgente com o Brasil, fico feliz em não fazermos parte de uma história de guerras e extermínio como grandes nacões civilizadas e de primeiríssimo mundo fazem. Mas não quero com isso entrar no coro do bom contra o mau que simplifica a existencia e coloca contrariamente aos ideais de simplicidade um mundo que se divide e não consegue enxergar as exigências que o mundo tal como é hoje impõe.
Pois que o sonho não acabou, mas a realidade é imperativa, e com ela temos o dever de olhar para a história de um desenho político que tem aprofundado a crise brasileira e enfraquecido de forma contundente os brasileiros.
De certa forma, e com isso pode sobrevir um tanto quanto a arrogância, a mídia brasileira tem sido ingênua ao noticiar os fatos políticos mais importantes. Não há retórica mais poderosa que a utilizada pelos partidos de esquerda. No jogo político atual, não há inocentes de nenhum lado. Mas quem já participou de algum tipo de movimento de esquerda sabe o quão duro é o jogo, e o quão poderosa é a retórica. Essa é uma velha escola.
O resultado das eleições de 2014 foi um tiro na culatra levado por toda a propaganda contrária ao propagado pelo governo. E a persistência desse posicionamento midiático em relação aos mal feitos governamentais consolida a ideia, ou quem sabe a melhor palavra venha a ser o ideal, de que o mundo permanece dividio entre bons e maus, nós e eles.
O PT traiu o ideal do partido e de milhares de filiados. Privilegiou uma inclusão pelo consumo e oficializa o desmatamento na Amazônia. Olha o mundo como em 1970 e se esquece, ou o que é mais provável, não percebe que ele mudou. Mas adotar esse discurso previsível e que cabe no momento politicamente correto de hoje, que é o de odiar o PT e esgotar as várias possibilidades de analisá-lo do ponto de vista histórico, de suas construções e destruição, é também adorar um lugar de conforto, arrogância e possivelmente um lugar que também exclui toda uma conjuntura que possibilitou a reeleição de Dilma Roussef, pois procura esvaziar de valor os milhões de brasileiros que assim o fizeram. A grande mídia, ao adotar novamente essa estratégia em pleno 2015, pode no lugar de produzir um resultado de informação e mudança, contribui para a reeleição de Lula em 2018.
Como iniciei alguns parágrafos atrás, não há grupo com maior capacidade de retórica que a esquerda. Quanto mais a mídia noticia a desgraça, além de incutir certo grau de paranóia e desesperança na população, mais munição dá aos estrategistas de campanha.
Eu faço aqui minha modesta contribuição aos candidatos da oposição. Para ganhar a confiança do eleitorado indeciso, abracem o compromisso do respeito à autonomia universitária, defendam a universidade pública e cuidem dela se eleitos. A grande guinada na campanha eleitoral de Dilma Roussef não foi o bolsa família ou as políticas sociais. A mobilização responsável por sua vitória deu-se nas redes sociais ao comparar o governo de FHC e os governos petistas no tratamento dado à universidade pública e à educação. Isso foi letal para a não eleição de Aécio. Existe ainda nesse país uma elite intelectual com forte poder de atuação nas mídias sociais, uma nova mídia que será determinante mais uma vez nas eleições de 2018.
E é da universidade pública brasileira que estão nossos intelectuais mais renomados, que não integram os clubes de economia e que sabem falar os dois idiomas, o economês e lígua do povo. É na universidade pública onde as pessoas que transitam em ambos os mundo se encontram, o mundo da"elite", e o mundo dos "pobres".
O candidato com aspiração ao planalto em 2018 precisará falar esses dois idiomas.
Há um terceiro grupo não contemplado por nenhuma das duas vias que hoje se apresentam que está ávido por ouvi-lo.
É preciso compreender antes de qualquer coisa, que temos um partido no poder há doze anos chamado de Partido dos Trabalhadores. Em sua história, uma luta que se inicia no sindicalismo dentro da ditadura militar e que muitos anos depois, leva sua principal liderança à presidência da república. Esse partido fomentou em milhões de brasileiros o sonho talvez de brasilidade, de tornarmo-nos um dia aquilo que só o Brasil poderia vir a ser. E isso não é pouco. Muito pelo contrário, pois tornar-se aquilo que se pode ser, ou seja, tomar consciência de seu próprio desejo e avançar objetivamente em busca não é para muitos. Pois que a vida atropela e esmaga sonhos e ideais desde que o mundo é mundo e desde que o paradigma de viver passou a não ser mais a luta por territórios, mas sim pela construção de uma nação. Correlacionando ao estabelecimento do indivíduo como pessoa, poderia ser dito ao nascimento e desenvolvimento psíquico de cada um e a construção de uma vida em si.
Temos ouvido as mais variadas teorias, hipóteses, teoremas; e muito raramente podemos encontrar alguma coisa desprovida de um ingrediente insidioso e paralisador: o ódio. Há tanta paixão nesse tema político... E todas resultam em um assunto preferencial: o ódio ao PT e o desprezo por seus eleitores. Essa cascata especulativa ( e nesse momento não adentro aos elementos reais pois não pretendo incorrer ao elemento que em nada dignifica nossa luta conjunta por um país melhor), gerou um estado coletivo mental de intolerância inédito.
Há duas correntes vigentes principais: os que acreditam no fim dos tempos e os que acreditam na luta entre os bons e os maus. Essas duas correntes excluem a mais importante delas, e que por isso mesmo não figure entre as principais: os que não se encontram nem em um campo, nem em outro. E essa terceira parte encontra-se perdida buscando um campo de ideias que não propague a arrogância, seja ela intelectual ou política, assim como a infantilizada teoria de que somos nós contra eles, pobres
contra ricos, elite contra pobres. Pois se um país é feito de ideias e de seu povo, conosco não seria em nada, diferente.
Não somos os Estados Unidos. Não somos a Europa. Não somos chineses. Não temos glamour ao olhar de muitos de fora e de dentro, mas tampouco somos pobres em cultura ou espontaneidade. E queremos ser o quê, afinal? Queremos o glamour estrangeiro, o chá inglês, a sofisticação francesa à mesa, o charme italiano ao vestirmos nossos corpos, a competência alemã ao gerir uma empresa? Naturalmente que dispensamos o jeitinho que compromete, a espontaneidade deselegante e um estado de corrupção de coisas e de almas que a todos empobrece e adoece. Somos brasileiros. Não somos o chá da tarde inglês, a sofisticação da culinária francesa, mas somos o samba, a bossa nova, musicais maravilhosos, comidas saborosas, e por que não dizer, grifes lindas e ultra brasileiras também. Somos criativos o bastante para vivermos em um país campeão em desigualdade social e ainda assim estarmos dentro das dez maiores economias mundias ( o que, diga-se de passagem, não quer dizer grande coisa). Mas o tal complexo de viralatas, como genialmente denominou Nelson Rodrigues, nos faz querer ser tudo, menos o que somos. E pode-se melhorar ou piorar o que se é, mas não se pode ser
o que não se é. Não seremos nunca os EUA, a Alemanha ou a França. E quando se deseja ser qualquer um grande outro que não nós mesmos, podemos ser no máximo, cópias apequenadas como são todas as imitações. E por um lado digamos, indulgente com o Brasil, fico feliz em não fazermos parte de uma história de guerras e extermínio como grandes nacões civilizadas e de primeiríssimo mundo fazem. Mas não quero com isso entrar no coro do bom contra o mau que simplifica a existencia e coloca contrariamente aos ideais de simplicidade um mundo que se divide e não consegue enxergar as exigências que o mundo tal como é hoje impõe.
Pois que o sonho não acabou, mas a realidade é imperativa, e com ela temos o dever de olhar para a história de um desenho político que tem aprofundado a crise brasileira e enfraquecido de forma contundente os brasileiros.
De certa forma, e com isso pode sobrevir um tanto quanto a arrogância, a mídia brasileira tem sido ingênua ao noticiar os fatos políticos mais importantes. Não há retórica mais poderosa que a utilizada pelos partidos de esquerda. No jogo político atual, não há inocentes de nenhum lado. Mas quem já participou de algum tipo de movimento de esquerda sabe o quão duro é o jogo, e o quão poderosa é a retórica. Essa é uma velha escola.
O resultado das eleições de 2014 foi um tiro na culatra levado por toda a propaganda contrária ao propagado pelo governo. E a persistência desse posicionamento midiático em relação aos mal feitos governamentais consolida a ideia, ou quem sabe a melhor palavra venha a ser o ideal, de que o mundo permanece dividio entre bons e maus, nós e eles.
O PT traiu o ideal do partido e de milhares de filiados. Privilegiou uma inclusão pelo consumo e oficializa o desmatamento na Amazônia. Olha o mundo como em 1970 e se esquece, ou o que é mais provável, não percebe que ele mudou. Mas adotar esse discurso previsível e que cabe no momento politicamente correto de hoje, que é o de odiar o PT e esgotar as várias possibilidades de analisá-lo do ponto de vista histórico, de suas construções e destruição, é também adorar um lugar de conforto, arrogância e possivelmente um lugar que também exclui toda uma conjuntura que possibilitou a reeleição de Dilma Roussef, pois procura esvaziar de valor os milhões de brasileiros que assim o fizeram. A grande mídia, ao adotar novamente essa estratégia em pleno 2015, pode no lugar de produzir um resultado de informação e mudança, contribui para a reeleição de Lula em 2018.
Como iniciei alguns parágrafos atrás, não há grupo com maior capacidade de retórica que a esquerda. Quanto mais a mídia noticia a desgraça, além de incutir certo grau de paranóia e desesperança na população, mais munição dá aos estrategistas de campanha.
Eu faço aqui minha modesta contribuição aos candidatos da oposição. Para ganhar a confiança do eleitorado indeciso, abracem o compromisso do respeito à autonomia universitária, defendam a universidade pública e cuidem dela se eleitos. A grande guinada na campanha eleitoral de Dilma Roussef não foi o bolsa família ou as políticas sociais. A mobilização responsável por sua vitória deu-se nas redes sociais ao comparar o governo de FHC e os governos petistas no tratamento dado à universidade pública e à educação. Isso foi letal para a não eleição de Aécio. Existe ainda nesse país uma elite intelectual com forte poder de atuação nas mídias sociais, uma nova mídia que será determinante mais uma vez nas eleições de 2018.
E é da universidade pública brasileira que estão nossos intelectuais mais renomados, que não integram os clubes de economia e que sabem falar os dois idiomas, o economês e lígua do povo. É na universidade pública onde as pessoas que transitam em ambos os mundo se encontram, o mundo da"elite", e o mundo dos "pobres".
O candidato com aspiração ao planalto em 2018 precisará falar esses dois idiomas.
Há um terceiro grupo não contemplado por nenhuma das duas vias que hoje se apresentam que está ávido por ouvi-lo.
domingo, 17 de maio de 2015
Um fim de semana mergulhado
Era a proposta. Ficar consigo o máximo possível e não fazer nada. Se possível na cama, de pijama.
A ideia era acordar quando quisesse, tomar duas xícaras de café e o restante à vontade.
Olhar o céu e o sol, apreciar a vista, ouvir os passarinhos, acampar em casa e abraçar o amor ao ócio que tudo contém, pois o ócio vem da sabedoria de saber- se finito e profundamente solitário na vida que se escolhe viver.
Assim fiz meus planos de fim de semana. Um plano aberto e justo.
Aplicada a lei " lazer não é descanso", refiz parte de minha constatação atual de inovação de estética de ser humano amplamente desumano sob muitos aspectos. Tal nova acepção tem consumido minha vida mental e é possível que a necessidade de recolhimento seja produto do espanto frente ao monstro mas também ao santo que à minha nada santa e tão pouco monstruosa existência se assoma.
Pois que o descanso reine frente às constantes necessidades de reunificação de um mundo psíquico que outrora se viu ( ilusoriamente) inteiro e portanto facilmente desintegrável como de costume são as coisas. Parte de mim é história, parte é esforço e construção, parte é puro desejo e instinto. Às vezes essas delicadas partes se rompem. E é preciso resistir.
Desse modo, torto porém não superficial, eu mergulho em mim. Retomo as partes.
Reescrevo.
Somos feitos de frágil material. E para resistir às desumanidades e ao cansaço é preciso descansar e amar livremente o próprio vácuo que preenche provisoriamente o natural estado de apenas ser o que se é.
Digo a mim mesma : bem vinda à vida mais uma vez. E eu te amo.
sábado, 16 de maio de 2015
Em dia com a depressão
empolgação de hoje resultado de profundo desencanto
Quando não se está com vontade de seguir em frente é preciso buscar motivo
mas o mundo continua com muitas respostas a serem dadas
E as perguntas são as mesmas
Precisamos refazer velhas perguntas
é preciso não se satisfazer nunca com a injustiça que há no mundo
é imprescindível aprofundar-se no abismo do desencanto
Quando não se está com vontade de seguir em frente é preciso buscar motivo
mas o mundo continua com muitas respostas a serem dadas
E as perguntas são as mesmas
Precisamos refazer velhas perguntas
é preciso não se satisfazer nunca com a injustiça que há no mundo
é imprescindível aprofundar-se no abismo do desencanto
segunda-feira, 11 de maio de 2015
Para viver um dia assim, em TPM
Para viver a TPM liberte-se das ilusões.
Todas as ilusões caem na TPM.
Para viver uma grande TPM liberte-se de suas culpas e viva toda a agressividade possível. Mas prepare-se para as consequências. Não muito raramente algumas mulheres terminam na prisão. E não é impossível e menos ainda, improvável.,
Para viver a TPM é preciso estar só. Ouvir suas músicas preferidas. Libere-se dos sonhos de consumo. Só vá ao shopping por um motivo maior, como uma compulsão qualquer dessas bobas que se resolvem com um vestido ou dois pares novos de sapatos...lindos. Se não for possível, fique só na bolsinha.
Chegando em casa, nada de leituras profundas, nada de filosofia. Sem essa de documentário cabeça sobre o fim dos tempos. Libere-se dos sonhos.
Parta para um filme americano profundo, avassalador, um que realmente não dê brecha para dúvidas, porque dúvidas não são boas para a TPM.
Nós mulheres precisamos de muita segurança e reasseguramentos na TPM. Filmes franceses depressivos (desculpem o pleonasmo), pioram o estado geral de forma importante.
Procure não lembrar das tarefas que restam ao longo da semana, principalmente se o auge da TPM for na segunda. Nada bom quando o auge é na segunda. Mas por outro lado, pode adiar alguns divórcios já a caminho.
A TPM plena é o sonho dos poetas niilistas. É um estado que comprova a feminilidade em seu estado mais instável e inflamável. A TPM plena derruba as convicções das mulheres seguras. A TPM plena arrasa com as nossas vidas.
Eu não tenho ideia de como sair disso, além daquela comprovação sagrada de que em alguns dias tudo termina e o mundo volta a ser a grande baboseira que sempre foi.
TPM braba essa.
Todas as ilusões caem na TPM.
Para viver uma grande TPM liberte-se de suas culpas e viva toda a agressividade possível. Mas prepare-se para as consequências. Não muito raramente algumas mulheres terminam na prisão. E não é impossível e menos ainda, improvável.,
Para viver a TPM é preciso estar só. Ouvir suas músicas preferidas. Libere-se dos sonhos de consumo. Só vá ao shopping por um motivo maior, como uma compulsão qualquer dessas bobas que se resolvem com um vestido ou dois pares novos de sapatos...lindos. Se não for possível, fique só na bolsinha.
Chegando em casa, nada de leituras profundas, nada de filosofia. Sem essa de documentário cabeça sobre o fim dos tempos. Libere-se dos sonhos.
Parta para um filme americano profundo, avassalador, um que realmente não dê brecha para dúvidas, porque dúvidas não são boas para a TPM.
Nós mulheres precisamos de muita segurança e reasseguramentos na TPM. Filmes franceses depressivos (desculpem o pleonasmo), pioram o estado geral de forma importante.
Procure não lembrar das tarefas que restam ao longo da semana, principalmente se o auge da TPM for na segunda. Nada bom quando o auge é na segunda. Mas por outro lado, pode adiar alguns divórcios já a caminho.
A TPM plena é o sonho dos poetas niilistas. É um estado que comprova a feminilidade em seu estado mais instável e inflamável. A TPM plena derruba as convicções das mulheres seguras. A TPM plena arrasa com as nossas vidas.
Eu não tenho ideia de como sair disso, além daquela comprovação sagrada de que em alguns dias tudo termina e o mundo volta a ser a grande baboseira que sempre foi.
TPM braba essa.
segunda-feira, 4 de maio de 2015
A redescoberta da imoralidade
hoje tudo está um pouco mais difícil. A espera no banco foi longa, a indiferença com que fui tratada por um animal moral também. Como animal moral, entenda gente, ser humano, homem, pessoa. Assim são denominados os seres humanos na maioria das vezes, o que apenas começa a levantar em nós alguma suspeita de que entre nós, os homens são mais considerados que as mulheres, porque a todos nos autodenominamos homens antes de sermos também, mulheres. Poderíamos ter iniciado esse texto citando um pouco do que quero refletir através da posição historicamente subalterna que nós, mulheres, ocupamos. Esse caminho não seria indigno ou superficial ou irresponsável para se contar a história do mundo. Afinal, onde estavam as mulheres na construção da história, se tão pouco delas aparece nos registros dos grandes feitos humanos? Estavam grávidas, cuidando de bebês, cuidando da casa e fazendo a comida da família ou do clã. Simples assim. São 20 séculos de história contada e protagonizada pelos homens. Afinal, enquanto eles navegavam mares nunca dantes navegados, alguém devia estar em casa cuidando das crianças, não? Ou ninguém desconfia das razões que levaram o mundo a uma superpopulação? E se hoje há uma superpopulação, é porque seres humanos não morrem facilmente, a não ser, é claro, quando não há ninguém para cuidar deles. Desse modo, é bastante simples compreender a supremacia masculina histórica.
Muito a frente, porque estou com sono e quero concluir o texto, penso que nós mulheres temos o alívio de pertencer, quase que a uma outra espécie. Não fomos as principais responsáveis por nenhuma das atrocidades desse mundo, embora é claro, muitas mulheres tenham partcipado de fatos horrorosos e não memoráveis, porém inesquecíveis. E em .meio a mais uma conjunção adversativa eu possa dizer que, apesar de tudo, numericamente nossa participação em feitos tenebrosos seja pífia quando comparada numericamente à participação masculina.
Documentário do Michael Moore: Farehneit 11 de setembro. De embrulhar o estômago. Inescapável para se entender a condição do mundo de hoje. Tive que vir aqui e escrever para acalmar um pouco o coração diante daquilo. O que são os EUA? O que é o mundo hoje? O mundo teve como principal liderança um terrorista durante 8 anos, de 2001 a 2009. E o que podemos esperar do mundo hoje em 2015? Um mundo pior, com mais ameças terroristas. Não compreender o papel de Bush e de um grupo de americanos é desconhecer o que é imperativo que seja conhecido. E é importante diferenciar o que foi Bush e um grupo do que podemos chamar de nação norte-americana. Bush personificou o mal em si. Não haverá no mundo nenhuma condição de punição suficiente a esse anti-humano. O que Bush fez com sua doutrina é irreparável.
Talvez o único consolo venha mesmo a ser o fato de que as chamadas forças de coalizão sejam repletas de homens em sua maioria. E que o Bush era do sexo masculino.
Essa é a única razão torpe para que eu tenha algum consolo. Para trazer algum alívio à minha tristeza.
Muito a frente, porque estou com sono e quero concluir o texto, penso que nós mulheres temos o alívio de pertencer, quase que a uma outra espécie. Não fomos as principais responsáveis por nenhuma das atrocidades desse mundo, embora é claro, muitas mulheres tenham partcipado de fatos horrorosos e não memoráveis, porém inesquecíveis. E em .meio a mais uma conjunção adversativa eu possa dizer que, apesar de tudo, numericamente nossa participação em feitos tenebrosos seja pífia quando comparada numericamente à participação masculina.
Documentário do Michael Moore: Farehneit 11 de setembro. De embrulhar o estômago. Inescapável para se entender a condição do mundo de hoje. Tive que vir aqui e escrever para acalmar um pouco o coração diante daquilo. O que são os EUA? O que é o mundo hoje? O mundo teve como principal liderança um terrorista durante 8 anos, de 2001 a 2009. E o que podemos esperar do mundo hoje em 2015? Um mundo pior, com mais ameças terroristas. Não compreender o papel de Bush e de um grupo de americanos é desconhecer o que é imperativo que seja conhecido. E é importante diferenciar o que foi Bush e um grupo do que podemos chamar de nação norte-americana. Bush personificou o mal em si. Não haverá no mundo nenhuma condição de punição suficiente a esse anti-humano. O que Bush fez com sua doutrina é irreparável.
Talvez o único consolo venha mesmo a ser o fato de que as chamadas forças de coalizão sejam repletas de homens em sua maioria. E que o Bush era do sexo masculino.
Essa é a única razão torpe para que eu tenha algum consolo. Para trazer algum alívio à minha tristeza.
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