O vinho ajudou o homem em sua participação dentro de um momento de grande tristeza. Ele foi parado pelo vento e revolto à margem lateral esquerda de uma urgência absurda na ferida.
A ferida havia sido aberta e exposta à verdades antes somente imaginadas e recompensada com doses de bom humor e ceticismo de aventura de quem ainda não entendeu direito a mensagem do mundo. Aqueles que ainda desfrutam de certa segurança consequência mais da imprudência e do despreparo, pois a resposta raivosa da fera dormente e ainda dominada resiste.
Nada se compara a um homem destroçado. Não pelo mar, fogo, terra ou ar. Mas por si mesmo e pela traição de seus princípios idealizados de felicidade e vida eterna. Este homem renascerá das cinzas e dos pensamentos estupefatos com os dissabores que ele jamais experimentou. Taí. Bem vindo ao mundo.
É chegada então a hora da decadência superar a decência ou vice versa. Para a maioria dos homens a decadência chegará espalhafatosa e vitoriosa, imperando no novo mundo sem vaidades, acovardado pela existência sem glamour, e apenas realidade. A fantasia desceu aos níveis mais baixos. A alma e o homem foram corrompidos finalmente. Nasce enfim um novo homem. O velho e bom homem que fará o também bom uso da velha hipocrisia e da descrença a fim de que outros se envenenem com ele. Apenas mais um ciclo.
Bastante otimista este texto.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Filosofia
A necessidade do otimismo é maior durante a iminência da tragédia. Nessa hora, qualquer discurso pessimista produz uma irritação profunda nas mentes que desejam defender-se do que há por vir.
Torna-se imperativo o bom humor e o discurso fora de hora e fora da realidade dos crentes. Crentes no país, na melhora do mundo e na clareza da política.
Eu atualmente não ando muito assistindo o que há de errado por aí. Meio que retornei ao umbigo um pouco, já que preciso recriar doses maiores de inexistência.
Eu andei filosofando, dizendo coisas difíceis, buscando me explicar e compreender muitas coisas ao mesmo tempo.
Eu andei dizendo que o nada é igual à inexistência e que a ausência é a falta do que um dia, já existiu. Logo, o nada nos leva ao abstrato e a ausência ao concreto. O nada gera angústia e a ausência gera a dor.
Filosofia é difícil. Exige sentimentalidades e possibilidade de expressão. A filosofia não existe solitariamente. A filosofia exige comunicação.
Eu andei por aí.
E mal falei.
Torna-se imperativo o bom humor e o discurso fora de hora e fora da realidade dos crentes. Crentes no país, na melhora do mundo e na clareza da política.
Eu atualmente não ando muito assistindo o que há de errado por aí. Meio que retornei ao umbigo um pouco, já que preciso recriar doses maiores de inexistência.
Eu andei filosofando, dizendo coisas difíceis, buscando me explicar e compreender muitas coisas ao mesmo tempo.
Eu andei dizendo que o nada é igual à inexistência e que a ausência é a falta do que um dia, já existiu. Logo, o nada nos leva ao abstrato e a ausência ao concreto. O nada gera angústia e a ausência gera a dor.
Filosofia é difícil. Exige sentimentalidades e possibilidade de expressão. A filosofia não existe solitariamente. A filosofia exige comunicação.
Eu andei por aí.
E mal falei.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
No Greenwich Village
Veja soh voce, cidade por cidade, qual eh a sua?
Andando ontem pelo Village, uns 5 graus no maximo, perguntamos a um maluco: " Voce sabe onde fica a Cornelia St.?" E ele responde: " Cornelia St. eu nao sei nao, mas se voce estiver a fim de um back, sao 10 dolares."
Nunca fui parada de maneira tao assim, digamos, intima, no Rio, ou em qualquer outro lugar. Ao final, um"Thank you".
And that's all.
Do bom e do melhor, alone
Escrevo de Nova Iorque, Sim, a grande capital, the Big Apple. Enquanto meu amigo vai comprar o jantar, eu degusto um Chatteauneuf du Pape. Essa eh uma das grandes conquistas das grandes cidades...beber sozinha algo maravilhoso...comer soh algo maravilhoso...sem ninguem. Como uma cena em um filme que assistimos desde criancas, o personagem solitario que desfruta sabores invejaveis por nossa concepcao, um inegavel ideal de mundo acritico, cosmopolizado pela grande literatura, o cinema e revistas e jornais desse mundo todo, mais globalizado que nunca.
Eu estava conversando com meu amigo, em uma dessas ruas, especificamente no Soho, bebendo uma cerveja belga de 8 dolares, em um bar bacana. "Quem diria, nos aqui...!" (nois). "Querido e amado amigo, nenhuma cidade se tornarah maior que os nossos sentimentos. Nosso mundo interno nao permitirah tal bobagem."
Muito frio, soh com vinho.
Tristeza? Compense com algo. Pois ela eh inevitavel.
Compense o externo com um interno razoavel e caloroso.
Sometimes it works.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Tropa de Elite
Será que não estamos levando a sério demais o filme "Tropa de Elite"?
Estaríamos esquecendo de que se trata de um filme, e que o diretor e o autor do livro têm o direito de expressar suas opiniões? Todo esse barulho em torno do filme não indica também o fato de não estarmos habituados à uma exposição direta , violenta e real de nossos problemas? Não vivemos em um regime democrático onde todos têm o direito de expôr suas opiniões? Ou não têm? O filme é iatrogênico? Por que será?
O filme é excelente. Atores fantásticos, direção estupenda, roteiro maravilhoso, ótimo som. Para mim, antes de qualquer coisa, foi puro entretenimento. Saí maravilhada, pensando...: "É preciso tomar cuidado com essa mensagem moralista, a da culpabilização do usuário pelas mazelas, etc..."
Nossa, que furada! Achar que os maconheiros são bandidos e coisa e tal, e o pior, taxá-los de responsáveis pelo tráfico... Existe um grau de responsabilidade sim, mas não é tudo isso não...
Mas, sem querer entrar nesse tipo de discussão, a qual tão parecida com as conversas com fins de explicações moralistas, as desprezíveis hipocrisias desse mundo nosso e sociedade para fins de reprodução em massa de teorias idiotizantes.
Bom, essa talvez seja a mais recente delas, o usuário é o responsável pela porcaria das políticas públicas de segurança, saúde e educação que temos nessa cidade apodrecida pelas gestões César Maia e afins. Nesse Estado do Rio de Janeiro desgraçadamente governado pelos abomináveis, incompetentes e fascínoras ex-governadores que tivemos.
O reducionismo funciona e cai como uma luva para uma sociedade ávida por culpados. O muro caiu e os comunistas são poucos. A ordem do dia é banir os usuários de drogas e pronto, os problemas estarão resolvidos.
Será que ninguém entendeu que o filme retrata uma experiência particular de um capitão e de policiais que vivem uma guerra particular? Será que não é possível compreender que aqueles homens, Capitães Nascimento e Companhia são também um produto, um resultado inevitável de um meio que também não deixa muitas alternativas?
Eu acho que o filme fala disso, das dificuldades que policiais encontram no seu cotidiano, de duras escolhas que têm de enfrentar e de métodos brutais que, animalizados , embrutecidos e prontos para auto-defesa, são capazes de alcançar e efetuar.
A mesma sociedade que discute e que critica o filme sob o ponto de vista de que o filme é um ôde à tortura e à banalização da violência, parece cegar-se e não querer enxergar as terríveis dificuldades que policias vivem no dia-a-dia, e que esse caminho violento também merece maior compreensão dos intelectuais, dos sociólogos e de toda uma elite que na maioria das vezes desconhece o cotidiano violento e felizmente nunca viveu uma situação de violência importante.
O medo obscurece o raciocínio, os sentimentos , a solidariedade, posto que é paralisante e necessita buscar proteção.
Policiais são seres humanos também! Quando acuados e armados irão se defender. Qual segmento do Estado sobe o morro? Só a polícia, não?
Só para pensar.
Estaríamos esquecendo de que se trata de um filme, e que o diretor e o autor do livro têm o direito de expressar suas opiniões? Todo esse barulho em torno do filme não indica também o fato de não estarmos habituados à uma exposição direta , violenta e real de nossos problemas? Não vivemos em um regime democrático onde todos têm o direito de expôr suas opiniões? Ou não têm? O filme é iatrogênico? Por que será?
O filme é excelente. Atores fantásticos, direção estupenda, roteiro maravilhoso, ótimo som. Para mim, antes de qualquer coisa, foi puro entretenimento. Saí maravilhada, pensando...: "É preciso tomar cuidado com essa mensagem moralista, a da culpabilização do usuário pelas mazelas, etc..."
Nossa, que furada! Achar que os maconheiros são bandidos e coisa e tal, e o pior, taxá-los de responsáveis pelo tráfico... Existe um grau de responsabilidade sim, mas não é tudo isso não...
Mas, sem querer entrar nesse tipo de discussão, a qual tão parecida com as conversas com fins de explicações moralistas, as desprezíveis hipocrisias desse mundo nosso e sociedade para fins de reprodução em massa de teorias idiotizantes.
Bom, essa talvez seja a mais recente delas, o usuário é o responsável pela porcaria das políticas públicas de segurança, saúde e educação que temos nessa cidade apodrecida pelas gestões César Maia e afins. Nesse Estado do Rio de Janeiro desgraçadamente governado pelos abomináveis, incompetentes e fascínoras ex-governadores que tivemos.
O reducionismo funciona e cai como uma luva para uma sociedade ávida por culpados. O muro caiu e os comunistas são poucos. A ordem do dia é banir os usuários de drogas e pronto, os problemas estarão resolvidos.
Será que ninguém entendeu que o filme retrata uma experiência particular de um capitão e de policiais que vivem uma guerra particular? Será que não é possível compreender que aqueles homens, Capitães Nascimento e Companhia são também um produto, um resultado inevitável de um meio que também não deixa muitas alternativas?
Eu acho que o filme fala disso, das dificuldades que policiais encontram no seu cotidiano, de duras escolhas que têm de enfrentar e de métodos brutais que, animalizados , embrutecidos e prontos para auto-defesa, são capazes de alcançar e efetuar.
A mesma sociedade que discute e que critica o filme sob o ponto de vista de que o filme é um ôde à tortura e à banalização da violência, parece cegar-se e não querer enxergar as terríveis dificuldades que policias vivem no dia-a-dia, e que esse caminho violento também merece maior compreensão dos intelectuais, dos sociólogos e de toda uma elite que na maioria das vezes desconhece o cotidiano violento e felizmente nunca viveu uma situação de violência importante.
O medo obscurece o raciocínio, os sentimentos , a solidariedade, posto que é paralisante e necessita buscar proteção.
Policiais são seres humanos também! Quando acuados e armados irão se defender. Qual segmento do Estado sobe o morro? Só a polícia, não?
Só para pensar.
domingo, 7 de outubro de 2007
Subjetividades
Somos subjetivos e vivemos buscando impôr objetividades.
Este é um conflito cada vez mais próprio à nossa época. Ao mundo corrido, competitivo, violento e cheio demais.
Quando o coração dá a largada ao processo de bater rápido demais sem motivo, é possível que seja o início da inconscientização que vem vindo à superfície do medo. Medo de viver cada vez mais longe de si mesmo e dos pequenos prazeres do cotidiano. Medo de não ser mais o mesmo. Medo de não se desejar mais como o que se apresenta.
O mundo virou um funil de objetividade. A subjetividade é cada vez mais, feita à margem das necessidades. O amor de cada dia transformou-se no pão de cada dia faz tempo. e sem pão não se ama. E sem amor, o pão embola na barriga. Mata a fome, mas não tira o apetite impossível de ser alimentado. Ao contrário, apetite nosso de cada dia envenenado pela disseminação do medo, do preconceito, e da multiplicação da cultura de engano e desengano de nosso tempo. Materialimo à solta, amor-próprio à deriva. Perda da identidade com o meio que cerca a todos. Sem identificação, divisão. E diversão barata para compensar a pobreza dentro da alma e a dor humana que vem depois.
O coração dispara porque a alma perdeu-se de si mesma. A subjetividade foi, aos poucos, sendo eliminada.
Este é um conflito cada vez mais próprio à nossa época. Ao mundo corrido, competitivo, violento e cheio demais.
Quando o coração dá a largada ao processo de bater rápido demais sem motivo, é possível que seja o início da inconscientização que vem vindo à superfície do medo. Medo de viver cada vez mais longe de si mesmo e dos pequenos prazeres do cotidiano. Medo de não ser mais o mesmo. Medo de não se desejar mais como o que se apresenta.
O mundo virou um funil de objetividade. A subjetividade é cada vez mais, feita à margem das necessidades. O amor de cada dia transformou-se no pão de cada dia faz tempo. e sem pão não se ama. E sem amor, o pão embola na barriga. Mata a fome, mas não tira o apetite impossível de ser alimentado. Ao contrário, apetite nosso de cada dia envenenado pela disseminação do medo, do preconceito, e da multiplicação da cultura de engano e desengano de nosso tempo. Materialimo à solta, amor-próprio à deriva. Perda da identidade com o meio que cerca a todos. Sem identificação, divisão. E diversão barata para compensar a pobreza dentro da alma e a dor humana que vem depois.
O coração dispara porque a alma perdeu-se de si mesma. A subjetividade foi, aos poucos, sendo eliminada.
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Vocação para a infelicidade
É impressionante a prevalência da chatice em alguns segmentos populacionais. Tem gente até que tem dor de barriga caso as coisas comecem a melhorar. Arruma uma dor de dente, um desabafo qualquer fora de hora, dentro do elevador até, se for o caso. E o caso é encontrar um ser paciente que ouça o monte de ladainha, da boa.
Tem gente que reclama ter encontrado muita formiga no parque Lage, ou água-viva na praia, ou sol demais em setembro.
Tem gente que reclama que a polícia chegou mais rápido no assalto da vizinha do que no dela, uma diferença de uns 10 minutos por exemplo.
O carioca particularmente implica com qualquer clima vigente, com qualquer mudança de tempo, com frente fria ou dias quentes, chuva ou frio. Nunca faz frio de verdade no Rio, mas quando faz, (de 10 em 10 anos), há sempre um número enorme de seres reclamando.
Eu queria saber mesmo o que faz o brasileiro ser tão solidário em geral em matéria de farol aceso. Você não pode esquecer o seu que logo logo um agente solidário lhe avisa. Coisas culturais talvez. E eu resolvi reclamar da solidariedade popular brasileira, algo que tem valido a pena.
Mas o título diz a respeito da vocação para a infelicidade, coisa que temos todos que tomar muito cuidado.
Tem gente que não vai ser feliz nunca, não adianta. Como também há gente que não vai ser infeliz nunca.
Qual a sua vocação? Qual a sua tendência? Reclamar muito e ser feliz enchendo os outros ou chutar o pau da barraca e viver o que a vida te mostra?
Um meio termo qualquer te satisfaria? Se respondeu sim é porque tua tendência é a reclamação. Se respondeu não, é porque você não se satisfaz com algo mais ou menos, sua tendência é ser mais feliz que os outros.
Caso tenha ficado insatisfeito com a resposta, é sempre o tempo de se fazer o que é certo, e é possível mudar .
Fui.
Tem gente que reclama ter encontrado muita formiga no parque Lage, ou água-viva na praia, ou sol demais em setembro.
Tem gente que reclama que a polícia chegou mais rápido no assalto da vizinha do que no dela, uma diferença de uns 10 minutos por exemplo.
O carioca particularmente implica com qualquer clima vigente, com qualquer mudança de tempo, com frente fria ou dias quentes, chuva ou frio. Nunca faz frio de verdade no Rio, mas quando faz, (de 10 em 10 anos), há sempre um número enorme de seres reclamando.
Eu queria saber mesmo o que faz o brasileiro ser tão solidário em geral em matéria de farol aceso. Você não pode esquecer o seu que logo logo um agente solidário lhe avisa. Coisas culturais talvez. E eu resolvi reclamar da solidariedade popular brasileira, algo que tem valido a pena.
Mas o título diz a respeito da vocação para a infelicidade, coisa que temos todos que tomar muito cuidado.
Tem gente que não vai ser feliz nunca, não adianta. Como também há gente que não vai ser infeliz nunca.
Qual a sua vocação? Qual a sua tendência? Reclamar muito e ser feliz enchendo os outros ou chutar o pau da barraca e viver o que a vida te mostra?
Um meio termo qualquer te satisfaria? Se respondeu sim é porque tua tendência é a reclamação. Se respondeu não, é porque você não se satisfaz com algo mais ou menos, sua tendência é ser mais feliz que os outros.
Caso tenha ficado insatisfeito com a resposta, é sempre o tempo de se fazer o que é certo, e é possível mudar .
Fui.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Aquela moça
Aquela moça era imcompreendida desde o nascimento. Depois vieram mais duas irmãzinhas para ela cuidar assim que completou seus 8 anos. Eu também tive uma amiga com essa incumbência, a de ser dona-de-casa aos 8 anos, daquelas que apanham não do marido, mas dos pais insatisfeitos com o serviço mal feito.
É de se perguntar o por quê de tanta sorte em tão pequeninas almas. Dessas meninas que tão cedo na vida aprendem que seu valor está em obedecer e em esquecer de que são alguma coisa além disso.
São muitas surras até a liberdade. Até o próximo marido e capitão.
Eu escrevo isso porque me lembro daquela moça que vi hoje, e me lembrei da amiguinha da infância também cercada de ignorância e desamor. Não pude dizer à amiga e nem à moça que alguns pais não gostam muito de alguns filhos, e que isso existe.
Essa verdade é proibida. Nenhum filho pode saber que isso se confirma.
Será preciso crescer de qualquer forma. Melhor, nesse caso, na ilusão.
Mas elas aprendem por si mesmas no fim das contas.
Aquela moça é lá do Ceará. A amiguinha é daqui do Rio mesmo.
É de se perguntar o por quê de tanta sorte em tão pequeninas almas. Dessas meninas que tão cedo na vida aprendem que seu valor está em obedecer e em esquecer de que são alguma coisa além disso.
São muitas surras até a liberdade. Até o próximo marido e capitão.
Eu escrevo isso porque me lembro daquela moça que vi hoje, e me lembrei da amiguinha da infância também cercada de ignorância e desamor. Não pude dizer à amiga e nem à moça que alguns pais não gostam muito de alguns filhos, e que isso existe.
Essa verdade é proibida. Nenhum filho pode saber que isso se confirma.
Será preciso crescer de qualquer forma. Melhor, nesse caso, na ilusão.
Mas elas aprendem por si mesmas no fim das contas.
Aquela moça é lá do Ceará. A amiguinha é daqui do Rio mesmo.
Mulheres chatas
Eu prometi que a próxima postagem ( me sinto uma ave escrevendo este verbo tão animal), seria bem chata. Então, nada como escrever a respeito do gênero feminino para honrar a minha palavra.
Mulheres são malucas. E homens são limítrofes. Eu prefiro ser maluca e chata a pertencer a um gênero limítrofe.
Agora mesmo eu tive o melhor exemplo dessa minha afirmação tão contundente: Seres humanos começaram a gritar, ou melhor, uivar. São do sexo masculino, of course (já que escrever em inglês e se explicar depois torna tudo mais chato). Por quê esses seres gritam? Porque o time deles conseguiu algum feito no futebol. Quarta-feira é dia de futebol.
Mulheres também gritam quando estão nervosas. Em geral são gritos mais agudos e muito mais sinceros. Não refletem um simples gol, o qual não mudará em nada as nossas vidas. Muitas mulheres gritam por gritar mesmo, e isso pode ser fundamental.
A loucura feminina ficou famosa porque os homens justificam as próprias loucuras através das insanidades femininas.Quer um exemplo? O cara apronta, apronta, apronta. Leva um pé na bunda. De quem é a culpa? Da mulher que não soube compreendê-lo o suficiente, porque ela é maluca e não está nada bem.
Mas eu considero o homem maluco mais interessante. O homem doido vai aos extremos mais facilmente. Inclusive a taxa de suicídio em homens é mais alta. Homens têm muita dificuldade em lidar com rejeição, mais que as mulheres. Alguém duvida? É claro que nada supera a ira de uma mulher abandonada...mas se o abandonado tiver tendências à loucura, costuma ter fim trágico. A mulher não, ela inferniza, tenta deixar todomundo maluco, mas dificilmente ocorre uma tragédia. Refiro-me é claro, ao nosso país, culturalmente machista e onde os homens têm mais dificuldades em lidar com mulheres em geral, preferindo as menos ameaçadoras.
Papo de doido.
Mulheres são malucas. E homens são limítrofes. Eu prefiro ser maluca e chata a pertencer a um gênero limítrofe.
Agora mesmo eu tive o melhor exemplo dessa minha afirmação tão contundente: Seres humanos começaram a gritar, ou melhor, uivar. São do sexo masculino, of course (já que escrever em inglês e se explicar depois torna tudo mais chato). Por quê esses seres gritam? Porque o time deles conseguiu algum feito no futebol. Quarta-feira é dia de futebol.
Mulheres também gritam quando estão nervosas. Em geral são gritos mais agudos e muito mais sinceros. Não refletem um simples gol, o qual não mudará em nada as nossas vidas. Muitas mulheres gritam por gritar mesmo, e isso pode ser fundamental.
A loucura feminina ficou famosa porque os homens justificam as próprias loucuras através das insanidades femininas.Quer um exemplo? O cara apronta, apronta, apronta. Leva um pé na bunda. De quem é a culpa? Da mulher que não soube compreendê-lo o suficiente, porque ela é maluca e não está nada bem.
Mas eu considero o homem maluco mais interessante. O homem doido vai aos extremos mais facilmente. Inclusive a taxa de suicídio em homens é mais alta. Homens têm muita dificuldade em lidar com rejeição, mais que as mulheres. Alguém duvida? É claro que nada supera a ira de uma mulher abandonada...mas se o abandonado tiver tendências à loucura, costuma ter fim trágico. A mulher não, ela inferniza, tenta deixar todomundo maluco, mas dificilmente ocorre uma tragédia. Refiro-me é claro, ao nosso país, culturalmente machista e onde os homens têm mais dificuldades em lidar com mulheres em geral, preferindo as menos ameaçadoras.
Papo de doido.
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Blog para reclamar
Eu fiz o blog para isso.
Sabe que me faz um bem danado escrever minhas revoltas e pensamentos?
Eu penso que seria mais interessante escrever um milhão de outars coisas, mas é muito gostoso o prazer de desabafar um pouco comigo mesma, na maior inutiliadade mesmo.
Eu não curto muito gente reclamona, e confesso que já fui o bastante, inclusive para saber como é: ter sempre uma insatisfação a comunicar, um algo mais a dizer...
É verdade, isso é muito chato...
Mas ter o que reclamar é melhor do que não ter nada, não?
Eu conclamo os chatos do mundo a se amarem mais!
Ontem inclusive eu mandei uma mensagem piegas, (porém linda), aos meus amigos. Que chatice!
Quanto mais velha eu fico, ou melhor, mais madura..., mais piegas me torno.
É maravilhoso ter o que reclamar.
Reclamar do vizinho, da vizinhança, do filho dos outros, da comida, dos preços, dos políticos. Faz com que eu me sinta viva, chata e insuportável, como aliás, muitas da minha espécie são.
Só não diga que é gênero... Seria chato.
É maravilhosa essa parafernália chamada computador e internet. Nos torna mais informados, mais comunicativos, mais chatos e solitários. Agora mesmo eu deixei de assistir casseta e planeta para estar na internet. Chato isso.
Quem gosta de escrever o mínimo deveria experimentar o quanto faz bem e é praticamente de graça reclamar em um blog! Você não irá precisar gastar dinheiro com psicólogos, nem o seu tempo com o deslocamento, não precisará ouvir a opinião dele, e funciona parecido! Alivia no final. E é o que importa.
Com a vantagem da ilusão de que poderá compartilhar com outras pessoas.
Em um próximo texto eu irei desabafar minhas principais reclamações. Será um horror e uma chatice sem fim.
Até a próxima.
Sabe que me faz um bem danado escrever minhas revoltas e pensamentos?
Eu penso que seria mais interessante escrever um milhão de outars coisas, mas é muito gostoso o prazer de desabafar um pouco comigo mesma, na maior inutiliadade mesmo.
Eu não curto muito gente reclamona, e confesso que já fui o bastante, inclusive para saber como é: ter sempre uma insatisfação a comunicar, um algo mais a dizer...
É verdade, isso é muito chato...
Mas ter o que reclamar é melhor do que não ter nada, não?
Eu conclamo os chatos do mundo a se amarem mais!
Ontem inclusive eu mandei uma mensagem piegas, (porém linda), aos meus amigos. Que chatice!
Quanto mais velha eu fico, ou melhor, mais madura..., mais piegas me torno.
É maravilhoso ter o que reclamar.
Reclamar do vizinho, da vizinhança, do filho dos outros, da comida, dos preços, dos políticos. Faz com que eu me sinta viva, chata e insuportável, como aliás, muitas da minha espécie são.
Só não diga que é gênero... Seria chato.
É maravilhosa essa parafernália chamada computador e internet. Nos torna mais informados, mais comunicativos, mais chatos e solitários. Agora mesmo eu deixei de assistir casseta e planeta para estar na internet. Chato isso.
Quem gosta de escrever o mínimo deveria experimentar o quanto faz bem e é praticamente de graça reclamar em um blog! Você não irá precisar gastar dinheiro com psicólogos, nem o seu tempo com o deslocamento, não precisará ouvir a opinião dele, e funciona parecido! Alivia no final. E é o que importa.
Com a vantagem da ilusão de que poderá compartilhar com outras pessoas.
Em um próximo texto eu irei desabafar minhas principais reclamações. Será um horror e uma chatice sem fim.
Até a próxima.
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Do bem e do mal
É, o mundo ficou mais simples afinal!
Ou o cara é do bem, ou ele é do mal.
Ou ainda: " Fulano é complicado, mas não é do mal..."
Não ser do mal é o eufemismo daquele que não é exatamente do bem, mas o interlocutor não consegue encontrar uma explicação, digamos, mais precisa ou contudente a fim de explicá-lo. Além de usar a palavra complicado, a qual tem sido também superutilizada quando não se tem uma alternativa melhor. Algo como um vocabulário, digamos assim, mais encorpado. Situações difíceis e complexas são situações complicadas. Pessoas mau-caráter são do mal. Pessoas bacanas são do bem, o meio termo não é do mal.
Um dia desses mesmo eu me peguei falando " é complicado". Percebi que eu não poderia acrescentar em nada ao que o sujeito se referia, e que também ele não estava interessado em ouvir nada, só queria desabafar. Estava resolvido com as seguintes palavras todo o drama relatado: " Realmente, é complicado... Mas fulano não é do mal, ele é apenas uma pessoa complicada, com muitos problemas. " Acho que o cara ficou satisfeito com minhas palavras instantâneas, com a minha superficialidade em entendê-lo, e afinal, com o meu desinteresse encoberto por palavras do momento e dos aúreos tempos...
É complicado...
Ou o cara é do bem, ou ele é do mal.
Ou ainda: " Fulano é complicado, mas não é do mal..."
Não ser do mal é o eufemismo daquele que não é exatamente do bem, mas o interlocutor não consegue encontrar uma explicação, digamos, mais precisa ou contudente a fim de explicá-lo. Além de usar a palavra complicado, a qual tem sido também superutilizada quando não se tem uma alternativa melhor. Algo como um vocabulário, digamos assim, mais encorpado. Situações difíceis e complexas são situações complicadas. Pessoas mau-caráter são do mal. Pessoas bacanas são do bem, o meio termo não é do mal.
Um dia desses mesmo eu me peguei falando " é complicado". Percebi que eu não poderia acrescentar em nada ao que o sujeito se referia, e que também ele não estava interessado em ouvir nada, só queria desabafar. Estava resolvido com as seguintes palavras todo o drama relatado: " Realmente, é complicado... Mas fulano não é do mal, ele é apenas uma pessoa complicada, com muitos problemas. " Acho que o cara ficou satisfeito com minhas palavras instantâneas, com a minha superficialidade em entendê-lo, e afinal, com o meu desinteresse encoberto por palavras do momento e dos aúreos tempos...
É complicado...
domingo, 26 de agosto de 2007
Cansou?
Estar cansado significa necessidade de descanso a fim de recomeçar. Para viver o dia-a-dia é necessário repousar. Sabe aquela sequencia de perguntas mais ou menos assim: Bagunçou? Arruma. Pois é... Cansou? Por quê?
Não sei exatamente do que se trata o movimento Cansei, mas só do nome eu já não gosto. Lembra-me daquelas pessoas que se acham no direito de reclamar, reclamar e reclamar. Nossa, realmente devemos ser um país de pessoas muito cansadas, muito jovens e cansadas por sinal. Estamos cansados por quê? Porque os políticos são os que aí estão, o mundo é injusto e a violência parece direcionar nossos afetos?
Queridos, estão cansados?
Eu estou cansada de gente que se informa através da televisão, da grande mídia, que nunca participou de um processo político, nunca participou do centro acadêmico da faculdade, vai ao cinema assistir filmes americanos e nacionais gênero globais, não lê um livro decente e só se preocupa com o seu de cada dia; acha que os militantes do MST são um bando de baderneiros, que os serviços públicos não prestam porque são públicos... Ou seja, gente de mente desinformada e entortada, feita através desses anos pela mídia que aí se encontra e de seus desejos, ainda que legítimos, de ter o seu.
Essas pessoas se cansam facilmente pois seus discursos e conteúdos são frágeis demais para suportar uma realidade política diferente e também igual, nos dias de hoje. A diferença é que hoje no poder há um novo trânsito de personagens que não compartilharam de nossa recente história política e de uma mídia atrelada basicamente à antigos transeuntes... Não falo das prática modernas e arrojadas de apodrimento do aparelho político-partidário... são semelhantes e provavelmente companheiras.
Dá um enorme cansaço ver gente burra distribuindo emails preconceituosos e ignorantes por aí.
Sorte minha dispor de um aparelho mental com reservas suficientes para buscar novas fontes. Sorte minha ler gente inteligente e pensante de vez em quando e não me deixar convencer por discursos moralistas no lugar de discursos éticos.
Os brasileiros são gente de primeira qualidade. No entanto alguns, principalmente do eixo Rio-São Paulo-Sul têm feito um mal enorme a esse país.
Não sei exatamente do que se trata o movimento Cansei, mas só do nome eu já não gosto. Lembra-me daquelas pessoas que se acham no direito de reclamar, reclamar e reclamar. Nossa, realmente devemos ser um país de pessoas muito cansadas, muito jovens e cansadas por sinal. Estamos cansados por quê? Porque os políticos são os que aí estão, o mundo é injusto e a violência parece direcionar nossos afetos?
Queridos, estão cansados?
Eu estou cansada de gente que se informa através da televisão, da grande mídia, que nunca participou de um processo político, nunca participou do centro acadêmico da faculdade, vai ao cinema assistir filmes americanos e nacionais gênero globais, não lê um livro decente e só se preocupa com o seu de cada dia; acha que os militantes do MST são um bando de baderneiros, que os serviços públicos não prestam porque são públicos... Ou seja, gente de mente desinformada e entortada, feita através desses anos pela mídia que aí se encontra e de seus desejos, ainda que legítimos, de ter o seu.
Essas pessoas se cansam facilmente pois seus discursos e conteúdos são frágeis demais para suportar uma realidade política diferente e também igual, nos dias de hoje. A diferença é que hoje no poder há um novo trânsito de personagens que não compartilharam de nossa recente história política e de uma mídia atrelada basicamente à antigos transeuntes... Não falo das prática modernas e arrojadas de apodrimento do aparelho político-partidário... são semelhantes e provavelmente companheiras.
Dá um enorme cansaço ver gente burra distribuindo emails preconceituosos e ignorantes por aí.
Sorte minha dispor de um aparelho mental com reservas suficientes para buscar novas fontes. Sorte minha ler gente inteligente e pensante de vez em quando e não me deixar convencer por discursos moralistas no lugar de discursos éticos.
Os brasileiros são gente de primeira qualidade. No entanto alguns, principalmente do eixo Rio-São Paulo-Sul têm feito um mal enorme a esse país.
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Desbalanço
Algumas vezes tenho a impressão de que está tudo uma bagunça, desde a mínima questão em minha vida até todas as mais complexas e interessantes até. Aliás, a idéia do blog sempre foi a de escrever sobre qualquer coisa, partindo do princípio de que, em princípio, ninguém está muito interessado em saber sobre a vida alheia, e a discussão de idéias será sempre mais interessante. Penso assim. Tranquilo.
No entanto hoje me deu certa vontade ainda não verbalizável com exatidão de falar algo sobre como o meu amanhecimento. A estranha sensação das coisas estarem fora do lugar, dentro e fora de mim. Aquela sensação que desemboca no sentimento de insuficiência de se estar sempre um pouco, ou muito, aquém das próprias expectativas. Tipo: Eu deveria estar lendo mais, me informando mais, estudando mais, praticando algum esporte, mais espiritualizada, zen e tudo o mais. E ainda: Deveria estar comendo menos... Nossa! São muitos deveres, muitas necessidades. Viver boa parte da vida, que é curta, com essa estranha sensação de ser menos do que poderia ou deveria é bem ruim. Viver boa parte da vida tendo de comer menos é terrível. Isso, é claro, se eu não quiser virar uma fofa. A realidade é dura com quem passa dos 30. E a realidade é que definitivamente eu não gostaria de ganhar novos quilos. E dane-se qualquer teoria a esse respeito. Não existe teoria para esse tipo de verdade. Moda, ditadura da moda, da magreza... Deixa pra lá.
O outro ponto fundamental é o de que não há cérebro suficiente capaz de se aperceber de todas as informações necessárias, ou só 30% delas. Não posso, não consigo, ir ao cinema tanto quanto eu gostaria, até mesmo porque a quantidade de filmes hoje em dia é quase absurda. Não posso saber sobre a situação da África, da bolha imobiliária americana, das novidades da informática, dos novos alimentos saudáveis, da prefeitura do Rio, do Governo do Estado, do federal...do que está "rolando" na cidade, dos problemas do meu bairro...Quanta informação! Ou talvez, quanta desinformação da minha parte! Um dia desses li uma revista que nunca havia lido, e pronto: Nossa, quanta coisa diferente! Quantas informações distantes das informações prestadas pela grande mídia!
Diante de toda essa dificuldade algo me parece um pouco claro: qual seria o custo afetivo de um engajamento mais profundo e diversificado nesses assuntos todos?
É possível que a soluçaõ para tal tipo de conflito seja, ao final, busca de equilíbrio!
Rever meu tempo, minhas prioridades, organizar melhor a vida!
Me engajar em um programa físico, liberar uma dieta balanceada!
Êta, chatice!!!!!
No entanto hoje me deu certa vontade ainda não verbalizável com exatidão de falar algo sobre como o meu amanhecimento. A estranha sensação das coisas estarem fora do lugar, dentro e fora de mim. Aquela sensação que desemboca no sentimento de insuficiência de se estar sempre um pouco, ou muito, aquém das próprias expectativas. Tipo: Eu deveria estar lendo mais, me informando mais, estudando mais, praticando algum esporte, mais espiritualizada, zen e tudo o mais. E ainda: Deveria estar comendo menos... Nossa! São muitos deveres, muitas necessidades. Viver boa parte da vida, que é curta, com essa estranha sensação de ser menos do que poderia ou deveria é bem ruim. Viver boa parte da vida tendo de comer menos é terrível. Isso, é claro, se eu não quiser virar uma fofa. A realidade é dura com quem passa dos 30. E a realidade é que definitivamente eu não gostaria de ganhar novos quilos. E dane-se qualquer teoria a esse respeito. Não existe teoria para esse tipo de verdade. Moda, ditadura da moda, da magreza... Deixa pra lá.
O outro ponto fundamental é o de que não há cérebro suficiente capaz de se aperceber de todas as informações necessárias, ou só 30% delas. Não posso, não consigo, ir ao cinema tanto quanto eu gostaria, até mesmo porque a quantidade de filmes hoje em dia é quase absurda. Não posso saber sobre a situação da África, da bolha imobiliária americana, das novidades da informática, dos novos alimentos saudáveis, da prefeitura do Rio, do Governo do Estado, do federal...do que está "rolando" na cidade, dos problemas do meu bairro...Quanta informação! Ou talvez, quanta desinformação da minha parte! Um dia desses li uma revista que nunca havia lido, e pronto: Nossa, quanta coisa diferente! Quantas informações distantes das informações prestadas pela grande mídia!
Diante de toda essa dificuldade algo me parece um pouco claro: qual seria o custo afetivo de um engajamento mais profundo e diversificado nesses assuntos todos?
É possível que a soluçaõ para tal tipo de conflito seja, ao final, busca de equilíbrio!
Rever meu tempo, minhas prioridades, organizar melhor a vida!
Me engajar em um programa físico, liberar uma dieta balanceada!
Êta, chatice!!!!!
terça-feira, 31 de julho de 2007
Frio no Rio de Janeiro
A raridade das raridades aconteceu. E está acontecendo. Está frio! Não o friozinho habitual. Frio mesmo ( para nós).
Casaco o tempo todo. Todomundo de casaco! 13 graus nos termômetros. Sensação térmica dois graus abaixo.
Uma massa polar chegou até aqui. E está aqui agora, no meu pé.
Hora de colocar uma meia.
Viva o pólo Sul!
Casaco o tempo todo. Todomundo de casaco! 13 graus nos termômetros. Sensação térmica dois graus abaixo.
Uma massa polar chegou até aqui. E está aqui agora, no meu pé.
Hora de colocar uma meia.
Viva o pólo Sul!
E acabou o Pan...
Foi um momento maravilhoso. Duas semanas de segurança, recebendo atletas das Américas... Foi muito bonito!
Incrível como é possível reverter, de um momento para o outro, a situação da (in) segurança pública na cidade. Policiamento. Será tão simples? Mas acho que a impunidade da bandidagem e da barbaridade vem daí. Em geral, problemas de difícil complexidade exigem simples soluções... Será isso mesmo?
O Pan Americano foi uma experiência fantástica para o Brasil. Sediamos os jogos de forma organizada, bonita. Somos capazes de realizar, não?
Fui ao Engenhão assistir o atletismo. Vi nosso país ganhar o ouro no salto à distância feminino. Cantamos o hino nacional. E também o da Jamaica e o de Bahamas. Isso por si só já não é fantástico?
Desde a última copa eu tenho percebido o esporte como muitas pessoas há muito tempo percebem: uma criação maravilhosa de homens e mulheres. O torcer, o desafio de superar-se a todo instante, de manter o espírito de união, o integrar-se, a troca entre os povos.
Eu hoje estou meio brega, mas o dia-a-dia é assim mesmo. Somos bregas de vez em quando. Chato e cansativo é intelectualizar o tempo todo, ser esperto o tempo todo ( ou tentar, é claro).
A simplicidade é fundamental! Viva O Pan!!!
Incrível como é possível reverter, de um momento para o outro, a situação da (in) segurança pública na cidade. Policiamento. Será tão simples? Mas acho que a impunidade da bandidagem e da barbaridade vem daí. Em geral, problemas de difícil complexidade exigem simples soluções... Será isso mesmo?
O Pan Americano foi uma experiência fantástica para o Brasil. Sediamos os jogos de forma organizada, bonita. Somos capazes de realizar, não?
Fui ao Engenhão assistir o atletismo. Vi nosso país ganhar o ouro no salto à distância feminino. Cantamos o hino nacional. E também o da Jamaica e o de Bahamas. Isso por si só já não é fantástico?
Desde a última copa eu tenho percebido o esporte como muitas pessoas há muito tempo percebem: uma criação maravilhosa de homens e mulheres. O torcer, o desafio de superar-se a todo instante, de manter o espírito de união, o integrar-se, a troca entre os povos.
Eu hoje estou meio brega, mas o dia-a-dia é assim mesmo. Somos bregas de vez em quando. Chato e cansativo é intelectualizar o tempo todo, ser esperto o tempo todo ( ou tentar, é claro).
A simplicidade é fundamental! Viva O Pan!!!
terça-feira, 24 de julho de 2007
Relaxar e gozar
Diante de todos os últimos acontecimentos ocorridos em nosso país torna-se difícil, às vezes, ganhar fôlego para respirar. É por isso que eu disse a mim mesma que a vida deve ser vivida abstraindo-se dela boa parte dos acontecimentos políticos. A política é somente uma vertente da existência, uma dimensão da organização social, uma forma nada exitosa de se operar o mundo. Ela não é o mundo. Ou melhor, ela não é o meu mundo atualmente . Ela já foi a forma que eu encontrei de compreeender a sociedade, através da história dos povos, seus êxito políticos, suas trajetórias...
Não digo com isso que abstrair-se inteiramente da vida política seja uma decisão inteligente (ainda que não seja burra, muito pelo contrário), mas acredito que manter-se não muito envolvida por ela seja. Excessão feita naturalmente aos políticos, que vivem disso. Deixam seus empregos quando os tinham e envolvem-se nas estruturas de poder, relaxando com suas obrigações e gozando cada vez mais com a cara daqueles que os pagam. Fico pensando cá com os meus botões de falsas miçangas: deve ser fantástico relaxar e gozar lá em Brasília. Deve ser algo tão corrompível, tão estratosférico, que o cara inclusive reproduz uma cena de fornicação ao descobrir que o avião da Tam não operava 100%, ignorando que isso não livraria de forma alguma a responsabilidade do governo ao qual pertence. Ignorando que o que havia de mais importante ali não era uma disputa política, mas muitas vidas perdidas muito recentemente. Realmente o ambiente em Brasília é obsceno.
Quem deve estar respirando aliviado é o senador Renan Calheiros, já que os holofotes mudaram o foco e ele pode permanecer exercendo sua presidência supostamente corrupta, supostamente desavergonhada. Ele agora também deve estar relaxando e gozando muito, com todo o respeito.
A violência no Rio de Janeiro também está controlada durante o Pan, de forma que os últimos ônibus queimados com seus passageiros também devem estar mais esquecidos e a vigilância relaxada. A última incursão militar ao complexo do Alemão também deve estar totalmente relaxada, com as armas apreendidas e já devidamente devolvidas aos seus donos, os traficantes do mesmo complexo. Onde foram parar as guerras do Rio? Relaxaram durante o Pan?
Quem deve estar gozando muito todos os dias também é o nosso prefeito César Maia. César só goza durante os mega-eventos que promove na sua cidade. Devia estar ávido, alucinado para a chegada do Pan. A última vez em que havia gozado assim foi durante o show dos Rolling Stones! Quase dois anos. Solidariedade com o prefeito. Narcisitas têm essa característica especial: precisam de grandes acontecimentos para relaxar e gozar.
Como a única psicanalista que se tem notícia no governo, nossa ministra Marta Suplicy, bem falou. Na verdade, Marta já aprofundou há muito tempo a essência das Cãmaras de deputados e senadores. Marta já sabia que o funcionamento de nossa vida política, de nossos políticos se dá dessa maneira: relaxando e gozando. O conselho que nos foi dado por ela guardava essa verdade única, a essência de nossos políticos: usar a política como o meio para o gozo, sua principal forma de relaxamento.
Então por ora, devo aproveitar a falsa segurança em minha cidade para...deixa pra lá.
O espaço público já foi privatizado faz tempo, portanto a sinceridade da ministra em explicar sua facilidade em gozar em público.
Nosso desafio encontra-se em manter a integridade física, a moral, a intimidade e a esperança.
É por isso que eu não delego à minha vida, hoje, um especial interessa pela política como forma de me encontrar no mundo.
Minha vida, a nossa vida, valem muito mais do que isso. E o tempo passa rápido demais.
Mãos à obra.
Não digo com isso que abstrair-se inteiramente da vida política seja uma decisão inteligente (ainda que não seja burra, muito pelo contrário), mas acredito que manter-se não muito envolvida por ela seja. Excessão feita naturalmente aos políticos, que vivem disso. Deixam seus empregos quando os tinham e envolvem-se nas estruturas de poder, relaxando com suas obrigações e gozando cada vez mais com a cara daqueles que os pagam. Fico pensando cá com os meus botões de falsas miçangas: deve ser fantástico relaxar e gozar lá em Brasília. Deve ser algo tão corrompível, tão estratosférico, que o cara inclusive reproduz uma cena de fornicação ao descobrir que o avião da Tam não operava 100%, ignorando que isso não livraria de forma alguma a responsabilidade do governo ao qual pertence. Ignorando que o que havia de mais importante ali não era uma disputa política, mas muitas vidas perdidas muito recentemente. Realmente o ambiente em Brasília é obsceno.
Quem deve estar respirando aliviado é o senador Renan Calheiros, já que os holofotes mudaram o foco e ele pode permanecer exercendo sua presidência supostamente corrupta, supostamente desavergonhada. Ele agora também deve estar relaxando e gozando muito, com todo o respeito.
A violência no Rio de Janeiro também está controlada durante o Pan, de forma que os últimos ônibus queimados com seus passageiros também devem estar mais esquecidos e a vigilância relaxada. A última incursão militar ao complexo do Alemão também deve estar totalmente relaxada, com as armas apreendidas e já devidamente devolvidas aos seus donos, os traficantes do mesmo complexo. Onde foram parar as guerras do Rio? Relaxaram durante o Pan?
Quem deve estar gozando muito todos os dias também é o nosso prefeito César Maia. César só goza durante os mega-eventos que promove na sua cidade. Devia estar ávido, alucinado para a chegada do Pan. A última vez em que havia gozado assim foi durante o show dos Rolling Stones! Quase dois anos. Solidariedade com o prefeito. Narcisitas têm essa característica especial: precisam de grandes acontecimentos para relaxar e gozar.
Como a única psicanalista que se tem notícia no governo, nossa ministra Marta Suplicy, bem falou. Na verdade, Marta já aprofundou há muito tempo a essência das Cãmaras de deputados e senadores. Marta já sabia que o funcionamento de nossa vida política, de nossos políticos se dá dessa maneira: relaxando e gozando. O conselho que nos foi dado por ela guardava essa verdade única, a essência de nossos políticos: usar a política como o meio para o gozo, sua principal forma de relaxamento.
Então por ora, devo aproveitar a falsa segurança em minha cidade para...deixa pra lá.
O espaço público já foi privatizado faz tempo, portanto a sinceridade da ministra em explicar sua facilidade em gozar em público.
Nosso desafio encontra-se em manter a integridade física, a moral, a intimidade e a esperança.
É por isso que eu não delego à minha vida, hoje, um especial interessa pela política como forma de me encontrar no mundo.
Minha vida, a nossa vida, valem muito mais do que isso. E o tempo passa rápido demais.
Mãos à obra.
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Boas cartas
O Veríssimo de hoje está ótimo ( O Globo), e a carta publicada em página principal das cartas de Adilson Xavier também. Expressou todos os meus sentimentos em relação à todas as vaias ocorridas no Pan, não só as do Lula, mas também as dirigidas às delegações dos Estados Unidos e da Argentina, bem como os gritos de euforia durante os erros dos ginastas dos outros países. Ou é muito desligamento ou as pessoas não se dão conta de que aqueles atletas dedicam suas vidas àquele momento, e qualquer vaia ou comemoração quando erram representa um profundo descaso e desrespeito a essa realidade.
Uma brincadeira sem nenhuma graça. Aliás, fazer graça com tudo fica sem graça, não?
Lembra-me as pessoas irônicas com tudo, aquelas que não podem perder uma piada.
Bom, fica aqui apenas uma pequena reflexão sobre esses acontecimentos. Sobre nossa postura de anfitriões.
Brasileiros reunidos em um estádio não sabem ser anfitriões. Lógica da lógica.
Uma brincadeira sem nenhuma graça. Aliás, fazer graça com tudo fica sem graça, não?
Lembra-me as pessoas irônicas com tudo, aquelas que não podem perder uma piada.
Bom, fica aqui apenas uma pequena reflexão sobre esses acontecimentos. Sobre nossa postura de anfitriões.
Brasileiros reunidos em um estádio não sabem ser anfitriões. Lógica da lógica.
quarta-feira, 18 de julho de 2007
O acidente em Congonhas
Inevitável falar sobre a tragédia de ontem, agora a mais recente queda de avião no Brasil. Sim, porque a última foi há apenas 10 meses!
Congonhas dá medo em qualquer um que já possua algum pequeno receio em voar. Pousar em Congonhas é horrível. Eu, dentro da minha ignorância, sempre achei estranho um aeroporto no meio de uma cidade, passando a poucos metros das casas. Outros acidentes aéreos brasileiros foram lá, inclusive um em 1963, durante os jogos Pan Americanos, matando quase 40 pessoas, provavelmente devido ao menor porte da aeronave, muito menor que o Air Bus da TAM, que ontem se chocou contra um prédio da própria TAM, matando cerca de 200 pessoas, 176 entre as que estavam no avião. Aliás, esse avião, cuja identificação esqueci, já caiu pelo menos umas dez vezes desde que foi lançado. Não sei dizer se esse é um número razoável de quedas de avião, mas creio ser esse um número absurdo.
Fica a minha indagação: seriam os acidentes aéreos evitáveis? Melhor:será possível um país necessitar drenar a maioria de seus vôos para São Paulo-Congonhas? Por que não dividir o fluxo com o Santos Dumont, a Pampulha e outros aeroportos mais centrais? Vivo no Rio de Janeiro. Qual a explicação para, por exemplo, voar do Rio a BH e precisar fazer escala em Congonhas? Por que fazer escala em Guarulhos na maioria dos vôos internacionais? Por que o monopólio paulista? A resposta deve ser: money. O sempre money dos negócios.
Pelo que eu li hoje nos jornais o avião de ontem deveria ser proibido de voar devido ao números de vezes que já caiu, resultando na morte de mais de 1500 pessoas pelo menos!
Vamos analisar: aumento do fluxo aéreo, aviões assassinos no ar, aeroporto e controladores funcionando além de sua capacidade... Resultado: Acidentes evitáveis, muita dor em todos.
Não são fatalidades. São fruto ao que parece da fome das empresas aéreas em gerar lucro e mais lucro , além de todos aqueles que ganham, financeiramente falando, é claro, com essa lógica empresarial na aviação.
Ao final são apenas números?
Congonhas dá medo em qualquer um que já possua algum pequeno receio em voar. Pousar em Congonhas é horrível. Eu, dentro da minha ignorância, sempre achei estranho um aeroporto no meio de uma cidade, passando a poucos metros das casas. Outros acidentes aéreos brasileiros foram lá, inclusive um em 1963, durante os jogos Pan Americanos, matando quase 40 pessoas, provavelmente devido ao menor porte da aeronave, muito menor que o Air Bus da TAM, que ontem se chocou contra um prédio da própria TAM, matando cerca de 200 pessoas, 176 entre as que estavam no avião. Aliás, esse avião, cuja identificação esqueci, já caiu pelo menos umas dez vezes desde que foi lançado. Não sei dizer se esse é um número razoável de quedas de avião, mas creio ser esse um número absurdo.
Fica a minha indagação: seriam os acidentes aéreos evitáveis? Melhor:será possível um país necessitar drenar a maioria de seus vôos para São Paulo-Congonhas? Por que não dividir o fluxo com o Santos Dumont, a Pampulha e outros aeroportos mais centrais? Vivo no Rio de Janeiro. Qual a explicação para, por exemplo, voar do Rio a BH e precisar fazer escala em Congonhas? Por que fazer escala em Guarulhos na maioria dos vôos internacionais? Por que o monopólio paulista? A resposta deve ser: money. O sempre money dos negócios.
Pelo que eu li hoje nos jornais o avião de ontem deveria ser proibido de voar devido ao números de vezes que já caiu, resultando na morte de mais de 1500 pessoas pelo menos!
Vamos analisar: aumento do fluxo aéreo, aviões assassinos no ar, aeroporto e controladores funcionando além de sua capacidade... Resultado: Acidentes evitáveis, muita dor em todos.
Não são fatalidades. São fruto ao que parece da fome das empresas aéreas em gerar lucro e mais lucro , além de todos aqueles que ganham, financeiramente falando, é claro, com essa lógica empresarial na aviação.
Ao final são apenas números?
terça-feira, 17 de julho de 2007
Infinito delírio chamado desejo
Você se lembra dessa música?
Um hino ao amor, ao desejo pelo amor, pela paixão de amar e ser amado.
"Despojado de desejo o homem, morto em sua riqueza maior, seu encanto subjetivo, sua forma de ação no mundo, desponta no abismo da ironia, na justificativa de suas insatisfações na injustiça do mundo. Se vai de encontro ao desejo único e só, penetra no abismo profundo da solidão e da auto-destrutividade. Suas armas tornar-se-ão suas ironias, seu inacabável desejo que fascina os mais inocentes e carentes de amor-próprio também... Desenvolve uma acidez notável. Desperdiça sua genialidade pensando ser possível viver a seu modo sempre.
Oh, infinito delírio chamado desejo, permita-me vislumbrar este mundo louco e realizar meus desejos. Conceda-me a ironia necessária para rir de mim mesma, e muito pouco da inveja alheia."
Um hino ao amor, ao desejo pelo amor, pela paixão de amar e ser amado.
"Despojado de desejo o homem, morto em sua riqueza maior, seu encanto subjetivo, sua forma de ação no mundo, desponta no abismo da ironia, na justificativa de suas insatisfações na injustiça do mundo. Se vai de encontro ao desejo único e só, penetra no abismo profundo da solidão e da auto-destrutividade. Suas armas tornar-se-ão suas ironias, seu inacabável desejo que fascina os mais inocentes e carentes de amor-próprio também... Desenvolve uma acidez notável. Desperdiça sua genialidade pensando ser possível viver a seu modo sempre.
Oh, infinito delírio chamado desejo, permita-me vislumbrar este mundo louco e realizar meus desejos. Conceda-me a ironia necessária para rir de mim mesma, e muito pouco da inveja alheia."
As vaias de Lula
Sim, eu precisava falar sobre isso, também.
Além de toda minha emoção desse Pan na minha cidade, transcorrendo até o momento muito bem... recorde de medalhas hoje para nós.Muitas emoções, bicho.
Ontem o choro da Jade, hoje o seu ouro. Do jeito que a vida bem costuma ser. Outros ouros, natação, Diego Hipólito. Fantástico. Primeira vez em que eu vejo o Brasil no terceiro lugar de um quadro de medalhas.
Maravilhoso para nós cariocas, com tantos golpes em nossa auto-estima, sediarmos um evento de tamanha magnitude... Mas deixa pra lá. Isso penso já ter sido falado inúmeras vezes.
Tenho vivido abstinente de leituras de jornal desde que voltei de férias. E tenho vivido melhor, sabe?
O Pan me trouxe mais esperanças, percebo as pessoas nas ruas mais leves, mais despreocupadas. Uma atmosfera que há muito tempo eu não via.
Deixei de ler política, páginas policiais. Como eu já disse antes, essa prática pode fazer muito mal à saúde.
O sujeito alienado tem a perspectiva real de viver uma vida mais feliz, mais leve. Questão de escolha. E de consciência.
Mas vamos às vaias de Lula. Eu teria achado algo aceitável até... ouvir o César Maia ser ovacionado...pela mesma platéia que vaiou o Lula.
Falar que ali o estádio estava repleto de classe média, e a classe média não gosta do Lula? Balela... A classe média está adorando comprar carros zero quilômetro a juros baixos, comprar dólar baixo, ir pra Nova Iorque para depeois ficar falando sobre a viagem nos shoppings grã-finos da cidade... A classe média está amando comprar sua casa própria... É claro que está indignada com a corrupção...eu também. É claro que está indignada com a violência...eu também.
Porém , a classe média é inculta, coitada. Vai à faculdade, paga escolas particulares para seus filhos entrarem em uma universidade pública para aliviar um pouco a barra, concluem uma graduação. Mas continua inculta a coitada. Acha que ver televisão e ler um grande jornal de vez em quando, ou o pior, diariamente, a mantém informada. É engraçado que é a primeira a assumir um discurso de que a classe média não gosta do Lula. Deviam saber que quem não gosta do Lula é a classe média- alta, por assim dizer, no mínimo, ou seja, os formadores de opinião.
Fiquei triste ao ver o Lula vaiado. Percebi seu total constrangimento e tristezas também. Só um povo muito pouco educado expõe suas mazelas para o mundo inteiro assistir. Não teriam essa coragem, garantida pelo anonimato, na época da ditadura.
Acho que o governo Lula merece muitas vaias em muitos pontos. Mas discordo das vaias em pleno Pan. Foi no mínimo deselegante.
E mais deselegantes ainda foram os aplausos a Cesar. Não foi coincidência. Bom, mas os aplausos a Cesar a mídia não massificou, então a galera percebeu mal. Se não deu no jornal...
Além de toda minha emoção desse Pan na minha cidade, transcorrendo até o momento muito bem... recorde de medalhas hoje para nós.Muitas emoções, bicho.
Ontem o choro da Jade, hoje o seu ouro. Do jeito que a vida bem costuma ser. Outros ouros, natação, Diego Hipólito. Fantástico. Primeira vez em que eu vejo o Brasil no terceiro lugar de um quadro de medalhas.
Maravilhoso para nós cariocas, com tantos golpes em nossa auto-estima, sediarmos um evento de tamanha magnitude... Mas deixa pra lá. Isso penso já ter sido falado inúmeras vezes.
Tenho vivido abstinente de leituras de jornal desde que voltei de férias. E tenho vivido melhor, sabe?
O Pan me trouxe mais esperanças, percebo as pessoas nas ruas mais leves, mais despreocupadas. Uma atmosfera que há muito tempo eu não via.
Deixei de ler política, páginas policiais. Como eu já disse antes, essa prática pode fazer muito mal à saúde.
O sujeito alienado tem a perspectiva real de viver uma vida mais feliz, mais leve. Questão de escolha. E de consciência.
Mas vamos às vaias de Lula. Eu teria achado algo aceitável até... ouvir o César Maia ser ovacionado...pela mesma platéia que vaiou o Lula.
Falar que ali o estádio estava repleto de classe média, e a classe média não gosta do Lula? Balela... A classe média está adorando comprar carros zero quilômetro a juros baixos, comprar dólar baixo, ir pra Nova Iorque para depeois ficar falando sobre a viagem nos shoppings grã-finos da cidade... A classe média está amando comprar sua casa própria... É claro que está indignada com a corrupção...eu também. É claro que está indignada com a violência...eu também.
Porém , a classe média é inculta, coitada. Vai à faculdade, paga escolas particulares para seus filhos entrarem em uma universidade pública para aliviar um pouco a barra, concluem uma graduação. Mas continua inculta a coitada. Acha que ver televisão e ler um grande jornal de vez em quando, ou o pior, diariamente, a mantém informada. É engraçado que é a primeira a assumir um discurso de que a classe média não gosta do Lula. Deviam saber que quem não gosta do Lula é a classe média- alta, por assim dizer, no mínimo, ou seja, os formadores de opinião.
Fiquei triste ao ver o Lula vaiado. Percebi seu total constrangimento e tristezas também. Só um povo muito pouco educado expõe suas mazelas para o mundo inteiro assistir. Não teriam essa coragem, garantida pelo anonimato, na época da ditadura.
Acho que o governo Lula merece muitas vaias em muitos pontos. Mas discordo das vaias em pleno Pan. Foi no mínimo deselegante.
E mais deselegantes ainda foram os aplausos a Cesar. Não foi coincidência. Bom, mas os aplausos a Cesar a mídia não massificou, então a galera percebeu mal. Se não deu no jornal...
terça-feira, 26 de junho de 2007
Os rapazes da Barra
É inevitável para mim não querer escrever sobre o ocorrido com a mulher Syrley, de 32 anos, espancada há dois dias por 4 jovens homens na Barra, às 4 e 40 da madrugada. A mulher estava no ponto de ônibus, sozinha. Os jovens resolveram espancá-la. E assim fizeram. Poderiam ter escolhido um homem sozinho, um cachorro, um gato. Não teriam escolhido 4 homens maiores que eles.
Como compreender tal atitude? Diriam uns: drogas. Será?
Os rapazes disseram ter pensado que Syrley fosse uma prostituta. Para o pior, e não sei se eles contavam com isso, ela não é. Para mim não faz qualquer diferença, e essa será a única menção à tentativa repugnante de tal justificativa por parte deles.
A questão inerente ao ato é o velho desprezo ao que não nos é indiferente. Então o nome deve ser ódio mesmo.
Não li nada ainda sobre as mães dos agressores. Deve haver algum motivo. E arrisco a dar um palpite: não ensinaram seus meninos a respeitar as mulheres. Aliás, seus filhos têm um ódio especial pelas mulheres. Teriam ódio das próprias mães? Pensam nas mamães como prostitutas mas não podem bater nelas e batem em outra mãe? Seriam homossexuais ( minhas desculpas desde já aos homossexuais) disfarçados de pitboys?
Agride quem tem medo. E agride quem tem ódio. As coisas se misturam. Uma pessoa com boa resolução do ponto de vista sexual não tende a agressividade gratuita. Por isso não se vê por aí homossexuais agressores desse tipo, o gratuito. Eles gozam do jeito que bem entendem. Já os enrustidos...imagine ter de manter a pose de homem quando se deseja mesmo é outro homem?
De qualquer forma, os rapazinhos estarão em boa companhia ao lado de vários presidiários filhos de empregadas domésticas, e que poderão realizar a fantasia sexual dessa garotada da Barra da Tijuca, que terá a oportunidade de conhecer de verdade o mundo dos que têm tanto ódio quanto eles. Que aprendam um pouquinho.
Como compreender tal atitude? Diriam uns: drogas. Será?
Os rapazes disseram ter pensado que Syrley fosse uma prostituta. Para o pior, e não sei se eles contavam com isso, ela não é. Para mim não faz qualquer diferença, e essa será a única menção à tentativa repugnante de tal justificativa por parte deles.
A questão inerente ao ato é o velho desprezo ao que não nos é indiferente. Então o nome deve ser ódio mesmo.
Não li nada ainda sobre as mães dos agressores. Deve haver algum motivo. E arrisco a dar um palpite: não ensinaram seus meninos a respeitar as mulheres. Aliás, seus filhos têm um ódio especial pelas mulheres. Teriam ódio das próprias mães? Pensam nas mamães como prostitutas mas não podem bater nelas e batem em outra mãe? Seriam homossexuais ( minhas desculpas desde já aos homossexuais) disfarçados de pitboys?
Agride quem tem medo. E agride quem tem ódio. As coisas se misturam. Uma pessoa com boa resolução do ponto de vista sexual não tende a agressividade gratuita. Por isso não se vê por aí homossexuais agressores desse tipo, o gratuito. Eles gozam do jeito que bem entendem. Já os enrustidos...imagine ter de manter a pose de homem quando se deseja mesmo é outro homem?
De qualquer forma, os rapazinhos estarão em boa companhia ao lado de vários presidiários filhos de empregadas domésticas, e que poderão realizar a fantasia sexual dessa garotada da Barra da Tijuca, que terá a oportunidade de conhecer de verdade o mundo dos que têm tanto ódio quanto eles. Que aprendam um pouquinho.
sexta-feira, 15 de junho de 2007
Loosers?
É verdade que a proposta iniciada pela mídia é da diminuição de cada um de nós. Na verdade não sei se iniciada pela mídia, mas certamente sacramentada e perpetuada por ela.
Observe as manchetes das revistas: " Fulana. A mais jovem a fazer isso, isso e isso...; Sicrana, a mais bela modelo de toda a galáxia...; Putana, a mais extraordianária criatura da vida homana; Fulano, o maior criador de bonecos de pano de todos os tempos; Beltraninho: o milionário mais amigo de seus empregados..." Todomundo é o tal o tempo todo. Todomundo quero dizer quem vai bem na vida, digamos, nas coisas do vil-metal, ou do famosal forma de ser global-anal.Por aí.
Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente neste mundo?- repetindo Fernando Pessoa.
Há que se precisar da loucura para encontrar uma diferença. Diferença justificada socialmente como doença ou crime. Assim temos dividido nosso mundo: os loucos, os criminosos, os ajustados, os famosos e os ricos e famosos. Nos Estados Unidos há uma classificação a mais: os loosers. Penso que essa classificação seria cruel demais com o nosso povo, porque teríamos que assumir sermos um país de loosers, afinal, somos "em desenvolvimento", então ainda não "pegamos". Para os EUA, o Brasil é um looser.
De fato, generalizando, os americanos poderiam ser os "fat-winners of the world", já que parte de sua abastada população inchou e virou obesa de tanta opulência de calorias sem valor nutritivo...
Eu poderia terminar falando um pouco dos aspetos positivos daquele estranho país ao norte do continente americano e que curiosamente são os reconhecidos como americanos, sendo os menos americanos de todos. Mas se eu agisse assim cairia no lugar-comum do jogo de ser bom-moço, de reproduzir sempre que possível um lado hipócrita do politicamente-correto, o jeito de ser do mundo de hoje ao escrever qualquer coisa.
Precisamos de mais amor-próprio. E de nenhum modelo de felicidade, de ganhador ou perdedor. Somos o que somos, estamos, temos. Ganhamos e perdemos. Um dia morremos. E todos pro mesmo lugar de mistério. Eu, você e o Bush.
Inté.
Observe as manchetes das revistas: " Fulana. A mais jovem a fazer isso, isso e isso...; Sicrana, a mais bela modelo de toda a galáxia...; Putana, a mais extraordianária criatura da vida homana; Fulano, o maior criador de bonecos de pano de todos os tempos; Beltraninho: o milionário mais amigo de seus empregados..." Todomundo é o tal o tempo todo. Todomundo quero dizer quem vai bem na vida, digamos, nas coisas do vil-metal, ou do famosal forma de ser global-anal.Por aí.
Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente neste mundo?- repetindo Fernando Pessoa.
Há que se precisar da loucura para encontrar uma diferença. Diferença justificada socialmente como doença ou crime. Assim temos dividido nosso mundo: os loucos, os criminosos, os ajustados, os famosos e os ricos e famosos. Nos Estados Unidos há uma classificação a mais: os loosers. Penso que essa classificação seria cruel demais com o nosso povo, porque teríamos que assumir sermos um país de loosers, afinal, somos "em desenvolvimento", então ainda não "pegamos". Para os EUA, o Brasil é um looser.
De fato, generalizando, os americanos poderiam ser os "fat-winners of the world", já que parte de sua abastada população inchou e virou obesa de tanta opulência de calorias sem valor nutritivo...
Eu poderia terminar falando um pouco dos aspetos positivos daquele estranho país ao norte do continente americano e que curiosamente são os reconhecidos como americanos, sendo os menos americanos de todos. Mas se eu agisse assim cairia no lugar-comum do jogo de ser bom-moço, de reproduzir sempre que possível um lado hipócrita do politicamente-correto, o jeito de ser do mundo de hoje ao escrever qualquer coisa.
Precisamos de mais amor-próprio. E de nenhum modelo de felicidade, de ganhador ou perdedor. Somos o que somos, estamos, temos. Ganhamos e perdemos. Um dia morremos. E todos pro mesmo lugar de mistério. Eu, você e o Bush.
Inté.
segunda-feira, 11 de junho de 2007
Férias
Sim. Férias!
Desde o último dia 7 (feriado de Corpus Christi), by férias.
Em uma praia maravilhosa, com direito a cachoeira, sem barulho de carro, sem celular. Após 48 horas nessa situação de paraíso, multipliquei as endorfinas e a neurotransmissão gabaérgica naturalmente, dormi quase dezesseis horas... Liguei a televisão em um canal japonês (pra não entender nada mesmo), e isso me soou como um mantra, meditei.
Como me fez bem não ler jornal, não ver televisão, não assistir filmes ou notícias violentas. Descansar um pouquinho dessa loucura de dia-a-dia que vivemos muitas vezes sem perceber. Como nós poluímos a nossa mente com tantas coisas absolutamente desnecessárias... Vivemos reproduzindo em nossos corpos a situação de aquecimento de nosso planeta. Corpos e mentes em ebulição constantes, gerando ansiedade, ansiedade e mais ansiedade...
Me parece que o compromisso dessa grande mídia é o enfraquecimento , é a contínua fragilização desse chamado tecido social, é nos convencer de que nossos esforços são em vão.
Digo isso porque ler esses grandes jornais produz uma distorção importante e assustadora do mundo em que vivemos. Porque nos vende a idéia de que basicamente viver é ruim, não vale a pena. Os políticos não prestam, as pessoas são podres, a violência venceu o restante.
Se viver fosse isso, não quereríamos. Se viver fosse ruim, não desejaríamos tanto a vida.
E desejamos porque ela é preciosa, porque ela é maravilhosa, porque estar com as pessoas que amamos e crescer com elas justifica e supera todas (ou quase todas, diagamos),as adversidades.
Se estamos aqui, vivos, buscando alguma coisa é porque queremos desfrutar do que a vida pode oferecer.
Porque o nascer do sol é lindo.
O anoitecer é lindo.
As crianças são lindas.
Os pássaros cantando são lindos.
O barulho que faz o mar é maravilhoso.
Os bichos são fantásticos. As flores e as árvores também.
As criações humanas são extraordinárias. Música, pintura, cinema, arquitetura, medicina, poesia...
E lanço então um desafio: desaquecer o planeta, cuidar melhor do planeta. Desaquecer o corpo de violência, da violência da descrença, da melancolia da desesperança.
Tirar férias.
Olhar a natureza e perceber o que ela diz a você.
Um abraço.
Até a volta.
Desde o último dia 7 (feriado de Corpus Christi), by férias.
Em uma praia maravilhosa, com direito a cachoeira, sem barulho de carro, sem celular. Após 48 horas nessa situação de paraíso, multipliquei as endorfinas e a neurotransmissão gabaérgica naturalmente, dormi quase dezesseis horas... Liguei a televisão em um canal japonês (pra não entender nada mesmo), e isso me soou como um mantra, meditei.
Como me fez bem não ler jornal, não ver televisão, não assistir filmes ou notícias violentas. Descansar um pouquinho dessa loucura de dia-a-dia que vivemos muitas vezes sem perceber. Como nós poluímos a nossa mente com tantas coisas absolutamente desnecessárias... Vivemos reproduzindo em nossos corpos a situação de aquecimento de nosso planeta. Corpos e mentes em ebulição constantes, gerando ansiedade, ansiedade e mais ansiedade...
Me parece que o compromisso dessa grande mídia é o enfraquecimento , é a contínua fragilização desse chamado tecido social, é nos convencer de que nossos esforços são em vão.
Digo isso porque ler esses grandes jornais produz uma distorção importante e assustadora do mundo em que vivemos. Porque nos vende a idéia de que basicamente viver é ruim, não vale a pena. Os políticos não prestam, as pessoas são podres, a violência venceu o restante.
Se viver fosse isso, não quereríamos. Se viver fosse ruim, não desejaríamos tanto a vida.
E desejamos porque ela é preciosa, porque ela é maravilhosa, porque estar com as pessoas que amamos e crescer com elas justifica e supera todas (ou quase todas, diagamos),as adversidades.
Se estamos aqui, vivos, buscando alguma coisa é porque queremos desfrutar do que a vida pode oferecer.
Porque o nascer do sol é lindo.
O anoitecer é lindo.
As crianças são lindas.
Os pássaros cantando são lindos.
O barulho que faz o mar é maravilhoso.
Os bichos são fantásticos. As flores e as árvores também.
As criações humanas são extraordinárias. Música, pintura, cinema, arquitetura, medicina, poesia...
E lanço então um desafio: desaquecer o planeta, cuidar melhor do planeta. Desaquecer o corpo de violência, da violência da descrença, da melancolia da desesperança.
Tirar férias.
Olhar a natureza e perceber o que ela diz a você.
Um abraço.
Até a volta.
quarta-feira, 6 de junho de 2007
Proibido proibir!
Seria injusto não comentar sobre esse belíssimo filme brasileiro em cartaz.
O filme dói um pouco. Na alma, no coração, em antigas dores.
Porque é não apenas doloroso, mas ainda faz abrir a alma dos que aventuram-se a conhecer a realidade que não se encontra na universidade ou em qualquer outra escola. Só a da vida mesmo.
Não vou falar agora sobre a história que é contada. Vou falar rapidamente sobre as minhas emoções ao assistir um longa filmado na universidade onde estudei, a UFRJ, na ilha do Fundão. No hospital onde estudei e tentei "aprender" medicina.
Olhar, ainda que através de uma lente de cinema, um "round" no HUCFF, inevitavelmente me retorna àqueles tempos. Àqueles pacientes humildes em sua maioria e graves, também em maioria. Aquela discussão em torno da vida e da doença, traduzida de uma forma patologizante, apenas durante essa cena em especificamente de qualquer maneira, por tratar-se de alguém de fato doente.
O outro aspecto intensamente emotivo são os happy hours ao som de um sambinha ao vivo, Cartola. E todo o clima de descoberta contínua de si mesmo através das profissões escolhidas.
De todo modo, quem já foi estudante, em qualquer lugar, universitário ou não, irá enxergar-se em algum momento.
Considero o filme imperdível. Uma experiência brasileira necessária.
O filme dói um pouco. Na alma, no coração, em antigas dores.
Porque é não apenas doloroso, mas ainda faz abrir a alma dos que aventuram-se a conhecer a realidade que não se encontra na universidade ou em qualquer outra escola. Só a da vida mesmo.
Não vou falar agora sobre a história que é contada. Vou falar rapidamente sobre as minhas emoções ao assistir um longa filmado na universidade onde estudei, a UFRJ, na ilha do Fundão. No hospital onde estudei e tentei "aprender" medicina.
Olhar, ainda que através de uma lente de cinema, um "round" no HUCFF, inevitavelmente me retorna àqueles tempos. Àqueles pacientes humildes em sua maioria e graves, também em maioria. Aquela discussão em torno da vida e da doença, traduzida de uma forma patologizante, apenas durante essa cena em especificamente de qualquer maneira, por tratar-se de alguém de fato doente.
O outro aspecto intensamente emotivo são os happy hours ao som de um sambinha ao vivo, Cartola. E todo o clima de descoberta contínua de si mesmo através das profissões escolhidas.
De todo modo, quem já foi estudante, em qualquer lugar, universitário ou não, irá enxergar-se em algum momento.
Considero o filme imperdível. Uma experiência brasileira necessária.
terça-feira, 22 de maio de 2007
"Apenas" um desabafo
Não é a velocidade de informação. Não é a possibilidade de mais informações a razão pela qual temos tido acesso às mais diverssas notícias de jornal. O mundo está muito doente mesmo. o desafio que nos é colocado no dia-a-dia é muito maior que aquele de lutar para conseguir um lugar ao sol. Não gosto de textos pessimistas neste blog e pretendo escrever rápido.
Hoje ao dar uma folheada no jornal li a terrível notícia da morte, por atropelamento, de uma moça de vinte e pouquinhos anos e seus dois sobrinhos, o mais velho de 3 anos! Um ônibus os atropelou ao desviar de outro ônibus. Quanta tristeza. Sem palavras. Os pais chegaram ao local um pouco depois. Inimaginável esse sofrimento.
Nossa cidade tem sido recordista de todos os tipos de crimes, dos mais bárbaros aos menos bárbaros.
Quem anda de ônibus sabe como os motoristas de ônibus dirigem. Muitos são verdadeiros "bichos" ao volante. E eu, mesmo correndo o risco de ser injusta, acredito que o motorista assassino seja um desses bichos, que dirigem querendo matar alguém. Até que um dia matam.
Estamos no limite. É fúria pra todo lado.
Desejo sinceramente que o Pan traga novas perspectivas para essa cidade.Que seja um pouco mais do que uma gota no oceano.
Hoje ao dar uma folheada no jornal li a terrível notícia da morte, por atropelamento, de uma moça de vinte e pouquinhos anos e seus dois sobrinhos, o mais velho de 3 anos! Um ônibus os atropelou ao desviar de outro ônibus. Quanta tristeza. Sem palavras. Os pais chegaram ao local um pouco depois. Inimaginável esse sofrimento.
Nossa cidade tem sido recordista de todos os tipos de crimes, dos mais bárbaros aos menos bárbaros.
Quem anda de ônibus sabe como os motoristas de ônibus dirigem. Muitos são verdadeiros "bichos" ao volante. E eu, mesmo correndo o risco de ser injusta, acredito que o motorista assassino seja um desses bichos, que dirigem querendo matar alguém. Até que um dia matam.
Estamos no limite. É fúria pra todo lado.
Desejo sinceramente que o Pan traga novas perspectivas para essa cidade.Que seja um pouco mais do que uma gota no oceano.
quarta-feira, 16 de maio de 2007
O não-desejo volta
Hoje eu ouvi mais uma vez da minha personagem de quase nenhum desejo: " Sou uma suicida em potencial. O meu sonho é a morte. Minha mãe é uma filha da p., meu pai é maluco, o meu passado é miserável. O futuro não existe para mim. Só não tenho coragem de me matar. Como eu sou inteligente, não tenho vontade de continuar vivendo nesse mundo de m."
Este é um dos mais difíceis conflitos que ouço, e já falei sobre isso antes: o desejo do isolamento, fruto de precaríssimas relações, da própria pessoa e de suas dificuldades.
Será obrigatório esse desejo permanente pela vida? Uma pessoa não teria o direito e suas próprias razões para desencantar-se com a vida?
Temos muita dificuldade em compreender isso, muita mesmo.
O não-desejo me chega já invertido, uma voz que custa a ser interrompida.
Este é um dos mais difíceis conflitos que ouço, e já falei sobre isso antes: o desejo do isolamento, fruto de precaríssimas relações, da própria pessoa e de suas dificuldades.
Será obrigatório esse desejo permanente pela vida? Uma pessoa não teria o direito e suas próprias razões para desencantar-se com a vida?
Temos muita dificuldade em compreender isso, muita mesmo.
O não-desejo me chega já invertido, uma voz que custa a ser interrompida.
Formigas
Hoje eu mastiguei uma formiga. O mais esquisito não foi isso, foi ter sentido o gosto da formiga e tê-lo prontamente reconhecido. Eu conheço o sabor de uma formiga; ao menos o tipo de formiga que existe aqui na minha casa, aquelas pretas e magrinhas, sem cabeça vermelha e que não mordem.
Tenho o hábito de beber café. Adoro um café. De todos os tipos: expresso forte e encorpado é o meu preferido, mas também aprecio muito os suaves, mas por favor, sempre encorpados e cheios de personalidade. Adoro ainda os simples e caseiros, tipo Pilão, Mellita...feitos na hora, é claro. De forma que eu guardo o meu açúcar (orgânico), na geladeira e adoço o meu café com açúcar sempre, pois não suporto adoçante no café ( e em quase nada).
Pois acontece que na minha casa tem formiga (e é por isso que eu guardo café na geladeira), e as formigas mortas são eventualmente ingeridas por mim. Elas são pretinhas e se misturam ao café preto também. Foram tantas as vezes que eu comi uma formiguinha ou outra que já conheço intimamente o gosto delas. São bem azedinhas. Não sei se vivas teriam um gosto diferente, mas penso que não.
Achei importante relatar essa experiência culinária tão descontextualizada de nossa cozinha contemporânea.
Tenho o hábito de beber café. Adoro um café. De todos os tipos: expresso forte e encorpado é o meu preferido, mas também aprecio muito os suaves, mas por favor, sempre encorpados e cheios de personalidade. Adoro ainda os simples e caseiros, tipo Pilão, Mellita...feitos na hora, é claro. De forma que eu guardo o meu açúcar (orgânico), na geladeira e adoço o meu café com açúcar sempre, pois não suporto adoçante no café ( e em quase nada).
Pois acontece que na minha casa tem formiga (e é por isso que eu guardo café na geladeira), e as formigas mortas são eventualmente ingeridas por mim. Elas são pretinhas e se misturam ao café preto também. Foram tantas as vezes que eu comi uma formiguinha ou outra que já conheço intimamente o gosto delas. São bem azedinhas. Não sei se vivas teriam um gosto diferente, mas penso que não.
Achei importante relatar essa experiência culinária tão descontextualizada de nossa cozinha contemporânea.
terça-feira, 15 de maio de 2007
Novelas
Ontem assisti um capítulo inteiro da novela das 8 pela primeira vez. Gostei até a última cena, o suficiente para que eu não assistisse hoje, e muito pelo contrário, não quisesse ver. A novela discorreu bem, com temas como separação, paixão, desencontros, escolhas. Até aí era, digamos, assistível. Chamo a atenção de uma cena entre Reneé de Vilmond e Tony Ramos, em que ela pede por uma separação consensual e ele dizia não abrir mão do que era dele, de forma que ela conclui: " Então teremos que enfrentar o horror de uma separação litigiosa". Bem feita a cena, muito boa. A personagem da atriz esncontra-se apaixonada por um homem mais jovem, paixão que ocorre após ela descobrir as traições do marido. Até aí ainda tudo bem. Mas eis que na cena final...Vera Holtz, a melhor amiga de Renée na novela, faz uma daquelas vilanias próprias de novelas e que para mim são totalmente insuportáveis, contando ao terrível vilão vivido por Wagner Moura que a amiga, então ainda esposa do ricaço da trama está de caso com o tal rapaz, isso após o vilão-mor ter finalmente sido retirado de seu cargo na empresa, com ajuda da personagem de Renée. E a cena acaba com a revelação. E a novela acabou para mim.
O comentário que tenho a fazer ainda não sei. Ainda não me veio à mente como expressar o meu desprezo por essa e todas as outras novelas com "tramas" praticamente iguais. Acho que a eterna lógica de vilões malvados e moços e moças de extrema bondade e correção me irritam, ou melhor, não me interessam. Em primeiro lugar por não existir quem seja totalmente bom. Entre os dois, o totalmente mau é o mais próximo à realidade.
Além de tudo as estórias são fraquíssimas, e eu não gosto da artificialidade dos cenários, da atuação dos atores mais novos, do apelo ao corpo, das tramas risíveis de tão ridículas. E ainda os atores são os mesmos, mudam a cada novela. Novela sim, novela não. Isso também é ridículo. Eles fazem rodízio.
Para finalizar, eu gostaria de entender o por quê de haver tamanha audiência essas novelas. Será que as pessoas não têm muito o quê encontrar de interessante em suas vidas? Falta de opção de lazer? Ou propositalmente "desligam o cérebro" e descansam de um dia inteiro de trabalho assistindo algo com absoluto descompromisso com qualquer senso de realidade?
Qualquer uma dessas respostas podem corresponder... responder...
Mas só sei que quero manter a minha ignorância nessa matéria.
O comentário que tenho a fazer ainda não sei. Ainda não me veio à mente como expressar o meu desprezo por essa e todas as outras novelas com "tramas" praticamente iguais. Acho que a eterna lógica de vilões malvados e moços e moças de extrema bondade e correção me irritam, ou melhor, não me interessam. Em primeiro lugar por não existir quem seja totalmente bom. Entre os dois, o totalmente mau é o mais próximo à realidade.
Além de tudo as estórias são fraquíssimas, e eu não gosto da artificialidade dos cenários, da atuação dos atores mais novos, do apelo ao corpo, das tramas risíveis de tão ridículas. E ainda os atores são os mesmos, mudam a cada novela. Novela sim, novela não. Isso também é ridículo. Eles fazem rodízio.
Para finalizar, eu gostaria de entender o por quê de haver tamanha audiência essas novelas. Será que as pessoas não têm muito o quê encontrar de interessante em suas vidas? Falta de opção de lazer? Ou propositalmente "desligam o cérebro" e descansam de um dia inteiro de trabalho assistindo algo com absoluto descompromisso com qualquer senso de realidade?
Qualquer uma dessas respostas podem corresponder... responder...
Mas só sei que quero manter a minha ignorância nessa matéria.
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Hipocrisias
Ainda há pouco comecei a ler uma matéria em uma revista feminina sobre a atriz Camila Pitanga. Começava dizendo, logo na primeira frase, que a boa moça permanecia intacta. Dito isso podemos colocar, apesar de a atriz estar desempenhando ( segundo ouço, pois não assisto a novela), muito bem o papel de uma puta.
Ainda não nasceu ator ou atriz sob a face dessa terra capaz de fazer algo muito bem que ele próprio não tivesse um pouco dentro de si. Poderíamos então contrapor: "mas um ator desempenhar um papel de assassino não significa que matou alguém". Sim, é claro; e aliás, eu não estou insinuando que a Camila seja uma puta, e a mesma também não necessita se defender a esse respeito, porque simplesmente não é prostituta.
Mas nesses tempos do pliticamente correto ninguém pode ser muito errado, fazer comentários maldosos sob a pena da má interpretação e de seu julgamento repleto de adjetivos tais como: preconceituoso, defensor das drogas, racista, arruaceiro. Um tempo engraçado o de hoje...
Um verdadeiro moralismo nas palavras e uma completa imoralidade e amoralidade nas ações, inclusive políticas e desempenhadas pelo Estado... O tempo do politicamente correto é a compensação da perda maior de nossas condições de civilidade, tempo esse em que temos que conviver com os crimes mais violentos, a corrupção mais deslavada, o tráfico de drogas debaixo do nosso nariz, o aparelho judiciário ridicularizado e desmoralizado...
Não, mas ninguém cheira, ninguém fuma, ninguém xinga, ninguém rouba, ninguém sacaneia ninguém, todomundo usa camisinha, ninguém aborta. A sociedade é contra o aborto, contra a liberação das drogas, a favor da pena de morte, do porte de armas, das liberdades individuais.
Está explicada a confusão. Eu digo que não faço e acredito no que não digo. Eu não digo o que eu penso e acredito em idéias generalizadas que não me enquadrem em nada, que não me comprometam.
Tempo de superficialidade e de culto à superficialidade.
Tempo de tentativas de garantias modernas de um padrão de comportamento entre o limite da idiotia e da imoralidade.
Tempo de muita hipocrisia.
Ainda não nasceu ator ou atriz sob a face dessa terra capaz de fazer algo muito bem que ele próprio não tivesse um pouco dentro de si. Poderíamos então contrapor: "mas um ator desempenhar um papel de assassino não significa que matou alguém". Sim, é claro; e aliás, eu não estou insinuando que a Camila seja uma puta, e a mesma também não necessita se defender a esse respeito, porque simplesmente não é prostituta.
Mas nesses tempos do pliticamente correto ninguém pode ser muito errado, fazer comentários maldosos sob a pena da má interpretação e de seu julgamento repleto de adjetivos tais como: preconceituoso, defensor das drogas, racista, arruaceiro. Um tempo engraçado o de hoje...
Um verdadeiro moralismo nas palavras e uma completa imoralidade e amoralidade nas ações, inclusive políticas e desempenhadas pelo Estado... O tempo do politicamente correto é a compensação da perda maior de nossas condições de civilidade, tempo esse em que temos que conviver com os crimes mais violentos, a corrupção mais deslavada, o tráfico de drogas debaixo do nosso nariz, o aparelho judiciário ridicularizado e desmoralizado...
Não, mas ninguém cheira, ninguém fuma, ninguém xinga, ninguém rouba, ninguém sacaneia ninguém, todomundo usa camisinha, ninguém aborta. A sociedade é contra o aborto, contra a liberação das drogas, a favor da pena de morte, do porte de armas, das liberdades individuais.
Está explicada a confusão. Eu digo que não faço e acredito no que não digo. Eu não digo o que eu penso e acredito em idéias generalizadas que não me enquadrem em nada, que não me comprometam.
Tempo de superficialidade e de culto à superficialidade.
Tempo de tentativas de garantias modernas de um padrão de comportamento entre o limite da idiotia e da imoralidade.
Tempo de muita hipocrisia.
segunda-feira, 7 de maio de 2007
O abominável Flamengo mais uma vez
Tudo bem, o abominável Flamengo sagrou-se campeão do estadual para meu terror noturno, para meu horror a essa legião de seres rubro-negros.
Parece que eu vi a história da final da copa de 2006 se repetindo: o artilheiro do jogo expulso no minuto final. Pronto: time favorito desestabilizado, perderia nos pênalts. E foi.
Para o pior time, os pênaltis são melhores, não têm a perder o favoritismo, a responsabilidade de uma campanha tecnicamente melhor que os outros times. Se ganham, ótimo. E o Flamengo não é um time de perder chances e isso é o que chamam de raça. Arg dizer isso. Eu odeio o flamengo, mas sou justa, é um time ousado e sempre foi, por isso possui o maior número de títulos. O futebol funciona assim, e talvez aí esteja um pouco de sua graça. Nem sempre o melhor vence. E o Botafogo era o melhor.
Mas o intragável venceu.
Um horror.
Parece que eu vi a história da final da copa de 2006 se repetindo: o artilheiro do jogo expulso no minuto final. Pronto: time favorito desestabilizado, perderia nos pênalts. E foi.
Para o pior time, os pênaltis são melhores, não têm a perder o favoritismo, a responsabilidade de uma campanha tecnicamente melhor que os outros times. Se ganham, ótimo. E o Flamengo não é um time de perder chances e isso é o que chamam de raça. Arg dizer isso. Eu odeio o flamengo, mas sou justa, é um time ousado e sempre foi, por isso possui o maior número de títulos. O futebol funciona assim, e talvez aí esteja um pouco de sua graça. Nem sempre o melhor vence. E o Botafogo era o melhor.
Mas o intragável venceu.
Um horror.
Vipus no Maraca
Ontem durante aquele espetáculo horroroso onde o abominável Flamengo saiu, injustamente, campeão do Campeonato Estadual, pude observar, também com grande espanto, a nova modalidade televisiva global: os atores torcendo para seus times em um curralzinho vip! Agora até isso será explorado daqui pra frente, os globais torcendo para seus times! Sinceramente, qualquer um em sã consciência torcedora irá desprezar esse novo mecanismo de tietagem, estrelismo ou melhor, babaquice global. Pela cara que pude observar em alguns "atores" e "personalidades" eles gostam mesmo é de aparecer, de futebol muito pouco.
Ou talvez, alguns deviam estar constrangidos com essa nova modalidade de invasão de privacidade.
Ser famoso tem seus preços: já imaginou nunca mais, enquanto a fama durar, poder tirar uma melequinha sem sobressaltos desnecessários? Senão, lá vem a foto...
Viva o anonimato!
Ou talvez, alguns deviam estar constrangidos com essa nova modalidade de invasão de privacidade.
Ser famoso tem seus preços: já imaginou nunca mais, enquanto a fama durar, poder tirar uma melequinha sem sobressaltos desnecessários? Senão, lá vem a foto...
Viva o anonimato!
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Camila
Camila passeava naquela universidade com uma saudade que nunca teve. Como era bom ver gente jovem, simples, intelectual. Sair um pouco daquele meio tão esnobe onde vivia e deparar-se com gente de verdade, sem roupa de moda, sem esmalte.
Foi em direção à sua sala de aula onde encontrou seus novos companheiros, pessoas diferentes dela, alguns interesses em comum.
Discussões sociais, antropológicas, culturais.
Uma pergunta veio: " Você está se referindo à filosofia do sujeito ou à intersubjetividade?". Camila respondeu: " Pode traduzir?"
Ignorante essa Camila... Porém mais feliz agora.
A ignorância também é boa.
Foi em direção à sua sala de aula onde encontrou seus novos companheiros, pessoas diferentes dela, alguns interesses em comum.
Discussões sociais, antropológicas, culturais.
Uma pergunta veio: " Você está se referindo à filosofia do sujeito ou à intersubjetividade?". Camila respondeu: " Pode traduzir?"
Ignorante essa Camila... Porém mais feliz agora.
A ignorância também é boa.
Loucuras em família- o não-desejo
O título chega a ser redundante, já que 99% das loucuras são provenientes da família. Pois bem.
Tenho tido a oportunidade de encontrar gente muito louca pelo mundo afora. A todo momento me deparo com algum ser humano de natureza conflituosa o suficiente para que venha a ser compreendido no nosso mundinho tal qual ele é, como um doido.
Gente nova, nem tanto, velha, branco, preto, louro, magro, gordo, feio, bonito, rico, pobre, intermediário. Todomundo considerado no mínimo maluquinho, estranho, indefinido, doidão.
Dias desses eu conversava com uma dessas pessoas dotada de uma inteligência e sensibilidades que a tornaram capaz de compreender a própria miséria afetiva em que vivia , refiro-me à miséria afetiva, à interlocução dificultosa e prejudicada de uns com os outros dentro de casa. Essa pessoa possui uma lucidez fantástica, mas que infelizmente não a favoreceu muito a fim de que mantivesse sua integridade psíquica, que defino como a capacidade de permanecer desejando conhecer o outro, interessando-se pelo outro. Essa pessoa não possui esse interesse. Podemos chamar de embotamento afetivo em algum grau.
Medos, neuroses, obsessões, desejos quase impossíveis, tudo isso é passível de tratamento, a ausência do desejo não tem tratamento.
Uma vida de grande privação afetiva produz pessoas assim. É preciso defender-se do amor , quando apenas se conheceu formas deformadas e sofridas de amor.
Dessa forma precisa-se não precisar do outro.
Tenho tido a oportunidade de encontrar gente muito louca pelo mundo afora. A todo momento me deparo com algum ser humano de natureza conflituosa o suficiente para que venha a ser compreendido no nosso mundinho tal qual ele é, como um doido.
Gente nova, nem tanto, velha, branco, preto, louro, magro, gordo, feio, bonito, rico, pobre, intermediário. Todomundo considerado no mínimo maluquinho, estranho, indefinido, doidão.
Dias desses eu conversava com uma dessas pessoas dotada de uma inteligência e sensibilidades que a tornaram capaz de compreender a própria miséria afetiva em que vivia , refiro-me à miséria afetiva, à interlocução dificultosa e prejudicada de uns com os outros dentro de casa. Essa pessoa possui uma lucidez fantástica, mas que infelizmente não a favoreceu muito a fim de que mantivesse sua integridade psíquica, que defino como a capacidade de permanecer desejando conhecer o outro, interessando-se pelo outro. Essa pessoa não possui esse interesse. Podemos chamar de embotamento afetivo em algum grau.
Medos, neuroses, obsessões, desejos quase impossíveis, tudo isso é passível de tratamento, a ausência do desejo não tem tratamento.
Uma vida de grande privação afetiva produz pessoas assim. É preciso defender-se do amor , quando apenas se conheceu formas deformadas e sofridas de amor.
Dessa forma precisa-se não precisar do outro.
quarta-feira, 25 de abril de 2007
Franca nostalgia
Tantas novidades eletromagnéticas que eu nem sei...
Meu mundo foi crescendo com telefones (fixos), televisão, aparelho de som 3 em 1 (vinil), controle remoto, máquina de escrever, carro para poucos, ônibus para todos, trem baratinho pra estudante poder pegar sem problemas, cinema na Praça Saens Pena, bicicletas Caloi e Monark, videocassete para alguns. Na cozinha fogão, geladeira, liquidificador, batedeira, microondas um pouco depois. Avião era pra rico, navio pra milionário.
No verão fazia calor , no inverno chovia e fazia um pouco de frio às vezes. Uma vez nevou em Itatiaia, uma outra em Porto Alegre e saiu no fantástico as duas. Lembro da minha primeira vez em São Paulo, foi em março, há uns 18 anos, e fazia um frio de gelar o osso.
Os Estados Unidos eram considerados o país da liberdade e da democracia. Não se falava na China . Não se falava em globalização.
Nossa, o passado não tem tanto tempo...! Hoje existe um telefone que anda com a gente, máquinas digitais, computador, internet (maravilhosa), palm top, mp3, ipod, skype, a música eletrônica vingou. O 3 em 1 faliu, o vinil faliu, há igreja universal e outras na Saens Pena, onde eu assisti Top Gun e Nove Semanas e meia de amor, Procura-se Susan desesperadamnte, Cemitério Maldito, A insustentável leveza do ser...
A cozinha não mudou muito, ainda tem as mesmas coisas, um pouco mais sofisticadas, mas não dá pra fazer muita coisa diferente além de cozinhar e bater papo.
Há milhares de pacotes de viagens aéreas e marítimas para todas as faixas de possibilidades. Carro se compra à prestação, em até 6 anos.
As bicicletas vêm até para o tamanho certo da bunda se bobear.
Faz calor no frio, e chove no verão. Quando não chove vem a seca. Todomundo fala em ecologia.
Esse período do meu passado foi a pós-ditadura imediata, onde tudo iria melhorar um dia.
Eu tenho saudade de tudo isso...
Mas essa deve ser a velha nostalgia de quem acha que a sua época sempre terá sido melhor que a de hoje. Vai ver que é pura inveja dos tempos maravilhosos e modernos atuais!
Meu mundo foi crescendo com telefones (fixos), televisão, aparelho de som 3 em 1 (vinil), controle remoto, máquina de escrever, carro para poucos, ônibus para todos, trem baratinho pra estudante poder pegar sem problemas, cinema na Praça Saens Pena, bicicletas Caloi e Monark, videocassete para alguns. Na cozinha fogão, geladeira, liquidificador, batedeira, microondas um pouco depois. Avião era pra rico, navio pra milionário.
No verão fazia calor , no inverno chovia e fazia um pouco de frio às vezes. Uma vez nevou em Itatiaia, uma outra em Porto Alegre e saiu no fantástico as duas. Lembro da minha primeira vez em São Paulo, foi em março, há uns 18 anos, e fazia um frio de gelar o osso.
Os Estados Unidos eram considerados o país da liberdade e da democracia. Não se falava na China . Não se falava em globalização.
Nossa, o passado não tem tanto tempo...! Hoje existe um telefone que anda com a gente, máquinas digitais, computador, internet (maravilhosa), palm top, mp3, ipod, skype, a música eletrônica vingou. O 3 em 1 faliu, o vinil faliu, há igreja universal e outras na Saens Pena, onde eu assisti Top Gun e Nove Semanas e meia de amor, Procura-se Susan desesperadamnte, Cemitério Maldito, A insustentável leveza do ser...
A cozinha não mudou muito, ainda tem as mesmas coisas, um pouco mais sofisticadas, mas não dá pra fazer muita coisa diferente além de cozinhar e bater papo.
Há milhares de pacotes de viagens aéreas e marítimas para todas as faixas de possibilidades. Carro se compra à prestação, em até 6 anos.
As bicicletas vêm até para o tamanho certo da bunda se bobear.
Faz calor no frio, e chove no verão. Quando não chove vem a seca. Todomundo fala em ecologia.
Esse período do meu passado foi a pós-ditadura imediata, onde tudo iria melhorar um dia.
Eu tenho saudade de tudo isso...
Mas essa deve ser a velha nostalgia de quem acha que a sua época sempre terá sido melhor que a de hoje. Vai ver que é pura inveja dos tempos maravilhosos e modernos atuais!
terça-feira, 24 de abril de 2007
Beleza
Já se olhou de verdade? Sem maquiagem, sem pentear o cabelo, sem arrumação qualquer; e se viu feia, feia mesmo? Certamente que sim. Como certamente já se olhou e se viu linda, bela como nunca. Isso é possível? Claro que sim. A beleza não depende do material apresentado; depende de como se olha e depende do estado de espírito. Agora, além disso, tal olhar sobre si mesmo é capaz de exigir um grau de sinceridade e disponibilidade para se ver o que se tem no lugar daquilo que desejaria que estivesse ali. É através desse olhar que uma dificuldade maior se coloca.
Novamente a pergunta de um jeito mais explicado anteriormente: Você já se olhou mesmo e viu o que não gostou? Ou o olhar que tens de ti mesma te coloca sempre muito mais bonita do que realmente és?
Nesse momento doido de culto à aparência, da perseguição de um "padrão" que jamais será um padrão, pois poucos o possuem, de forma que a palavra padrão tem sido usualmente utilizada de forma errônea..., há que se cuidar para se cuidar, porque mora-se no corpo.
Mas pensemos um pouco melhor no quanto de patológico pode ter nisso tudo. Não bastasse a loucura do mundo em que moramos, temos agora, sobretudo por parte das mulheres, uma busca muito doida pelo não-envelhecimento. Vejo mulheres de peles estranhamente finas, seios curiosamente empinados, com algum grau de espanto. Só recentemente é que tomei conhecimento, melhor dizendo, me conscientizei de que grande parte das mulheres corrigem-se cirurgicamente demais, usam botox demais, malham demais... Para quê? Ficar mais bonitas e atraentes deve ser a resposta. Não há nenhum problema em se utilizar um recurso ou outro da medicina,da estética, para ficar mais bonita. O que me causa espanto é a espécie de norma que surgiu a partir disso. Vem cá, não dá pra ficar legal, se sentir bem gordinha, com pelanquinhas e ruguinhas? Ou não pode? Reforço a importância do auto-cuidado, de uma boa alimentação, atividade física regular, um bom filtro solar... Mas gente, tá demais!
Parodiando Fernando Pessoa, onde há que há gente nesse mundo? Ou ainda, onde anda a auto-estima feminina? Tristemente, vejo que para muitas mulheres ser mulher é manter acesa a capacidade de sedução sempre. Manter os seios durinhos, a pele lisinha, a coxa durinha.- É bacana, mas não dura para sempre.
Eu vou acreditar que gente pode ser bonita sempre. E que os traços da maturidade guardam uma beleza do tempo que tem sido apagada por essa idéia de uma estética persistente no corpo da juventude.
Como uma mulher de sessenta anos bem cuidada, razoavelmente cuidada, pode ser bela!
Novamente a pergunta de um jeito mais explicado anteriormente: Você já se olhou mesmo e viu o que não gostou? Ou o olhar que tens de ti mesma te coloca sempre muito mais bonita do que realmente és?
Nesse momento doido de culto à aparência, da perseguição de um "padrão" que jamais será um padrão, pois poucos o possuem, de forma que a palavra padrão tem sido usualmente utilizada de forma errônea..., há que se cuidar para se cuidar, porque mora-se no corpo.
Mas pensemos um pouco melhor no quanto de patológico pode ter nisso tudo. Não bastasse a loucura do mundo em que moramos, temos agora, sobretudo por parte das mulheres, uma busca muito doida pelo não-envelhecimento. Vejo mulheres de peles estranhamente finas, seios curiosamente empinados, com algum grau de espanto. Só recentemente é que tomei conhecimento, melhor dizendo, me conscientizei de que grande parte das mulheres corrigem-se cirurgicamente demais, usam botox demais, malham demais... Para quê? Ficar mais bonitas e atraentes deve ser a resposta. Não há nenhum problema em se utilizar um recurso ou outro da medicina,da estética, para ficar mais bonita. O que me causa espanto é a espécie de norma que surgiu a partir disso. Vem cá, não dá pra ficar legal, se sentir bem gordinha, com pelanquinhas e ruguinhas? Ou não pode? Reforço a importância do auto-cuidado, de uma boa alimentação, atividade física regular, um bom filtro solar... Mas gente, tá demais!
Parodiando Fernando Pessoa, onde há que há gente nesse mundo? Ou ainda, onde anda a auto-estima feminina? Tristemente, vejo que para muitas mulheres ser mulher é manter acesa a capacidade de sedução sempre. Manter os seios durinhos, a pele lisinha, a coxa durinha.- É bacana, mas não dura para sempre.
Eu vou acreditar que gente pode ser bonita sempre. E que os traços da maturidade guardam uma beleza do tempo que tem sido apagada por essa idéia de uma estética persistente no corpo da juventude.
Como uma mulher de sessenta anos bem cuidada, razoavelmente cuidada, pode ser bela!
terça-feira, 17 de abril de 2007
Armas
No mesmo momento em que o mundo se volta para os Estados Unidos onde um rapaz sul-coreano fuzilou 32 pessoas em uma universidade na Virginia, acho oportuno falar sobre o crescimento em 5 vezes da produção de armas no nosso país, entre 2002 e 2006. Nosso país encontra-se entre os 5 maiores exportadores de armas de fogo do mundo.
Não encontrar uma associação entre essa produção crescente e a também crescente violência urbana é no mínimo ingênuo por assim dizer.
Além do aumento da produção, grande parte da venda de armas no Brasil retorna ao próprio Brasil, o que sinaliza um controle de fronteiras deficiente, colocando em questão a Polícia Federal e o o próprio exército. Nosso "forte" são as pistolas e revólveres comuns. Outra coincidência serem essas as principais armas que matam suas vítimas, geralmente por motivos, infelizmente, cotidianos, como os assaltos à mão armada.
Seres humanos não nasceram para andar armados, seres humanos não vivem para se defender. Não em um mundo construído para ser entendido e construído como civilizado.
O melhor dos mundos, se existisse, seria para sempre estragado caso seus habitantes passassem a portar armas. Somos instintivos. Não dominamos e não é o caso, o de dominar nossos instintos, para enfim usarmos armas de fogo. Não, nós não fomos feitos para isso. Fomos feitos para descobrir a palara, a linguagem e o diálogo. Não podemos aceitar uma sociedade que tem o poder da morte garantido pela Constituição. Em pleno século XXI é impressionante que ainda haja gente que defenda a pena de morte como uma punição eficiente em termos de redução da criminalidade, ou pior, como a punição merecida em alguns tipos de crimes, como os hediondos. Eu não vejo castigo pior para alguém do que a perda da liberdade. E não só isso, vida (?) na prisão. Qualquer uma. Para mim, viver anos em uma penitenciária é pior que qualquer morte. É morrer dia após dia um pouco e cada vez mais. É assistir passivamente sua alma ser corrompida, humilhada e ultrajada todos os dias, além dos castigos corporais, a ameaça constante sobre o corpo. Será que isso não é o bastante? Para quê a morte? Qual o serviço da morte? Reduzir o número de prisioneiros e com isso o dinheiro do Estado gasto com as prisões? Encontra-se com isso a justificativa? Há quem ache que sim. Eu não.
"Nunca, em tempo algum, punição alguma melhorou o mundo ou evitou que crimes fossem cometidos". Filme Não matarás, de Kristof Kielowsky.
Para poucos, muito poucos, a legislação evita o crime. Para a maioria ela simplesmente inexiste.
Não existe para nossa população jovem favelada um Estado. Eles mal tiveram acesso à escola. Talvez só conheçam a polícia como uma força do Estado. A maioria desses jovens nasceu há pouco menos de vinte anos, em um Brasil cada vez mais capitalista, globalizado e desigual. Mais sobretudo, um país cada vez mais armado, e hoje muito armado. Esses jovens cresceram longe do convívio em sociedade, vendo seus amigos e familiares serem trucidados pelo aparelho do Estado. Eles não tiveram bolinho de aniversário, seus pais ( o pai), quase que inexistem, suas mães trabalham fora como domésticas ou operárias...não conhecem regras minimamente razoáveis de convívio civilizado, não dimensionam a importância do outro, nem a sua. Não podem sentir a dor pelo outro. Criamos uma geração inteira armada e sem perspectiva. Aliás, sua única perspectiva, revelada não só dentro da favela por seus pares, mas sobretudo pelos meios de comunicação e pela pequena distância entre o ter tudo e o não ter nada em um cidade como o Rio de Janeiro, produz nesses jovens o desejo de seguirem em frente com seus impulsos, com um dos objetivos mais primitivos da existência humana, o de possuir alguma coisa. E possuir alguma coisa nos dias de hoje tornou-se a grande mola social. É dentro dessa posse que se encontra a possibilidade de transparência social, de conquista amorosa, de respeito. Em uma sociedade onde todos valem pelo que possuem, não é difícil compreender esse fenômeno tão atual como a violência urbana. Em uma sociedade onde os valores remontam ao primitivo do ser humano, onde esse ser humano que menos possui encontra-se armado até os dentes de fogo e desejo de existir por alguma razão, e onde essa razão é traduzida por um bem material ou status social, não seria um equívoco enorme pensar que o quê de fato precisamos são leis mais rigorosas?
Precisamos ter cuidado, muito cuidado com isso. Toda situação medo, onde todos nos sentimos vulneráveis, há o perigo de chegarmos ao ponto de nos tornarmos radicais, encontrando na lei e na ordem puramente, as políticas com as quais nos identificamos. Uma massa amedrontada apóia ditaduras de força. Precisamos ter muito cuidado.
Hoje a manchete do Globo em relação ao assassinato de 32 jovens no campus da universidade americana, foi: " A maior tragédia das armas". Como se a maior tragédia das armas não estivesse bem aqui no Rio, ou bem antes, nas duas guerras mundiais, ou depois, na Guerra do Iraque.
As mortes de ontem nos Estados Unidos, por um atirador jovem resumem bem o ódio e a estupidez presentes naquele país. Temo que nossos jovens façam o mesmo com a divulgação maciça dessa notícia. Loucos sanguinários perseguem notoriedade.
Hoje não escolhi algo ameno para escrever. Às vezes não é possível.
Não encontrar uma associação entre essa produção crescente e a também crescente violência urbana é no mínimo ingênuo por assim dizer.
Além do aumento da produção, grande parte da venda de armas no Brasil retorna ao próprio Brasil, o que sinaliza um controle de fronteiras deficiente, colocando em questão a Polícia Federal e o o próprio exército. Nosso "forte" são as pistolas e revólveres comuns. Outra coincidência serem essas as principais armas que matam suas vítimas, geralmente por motivos, infelizmente, cotidianos, como os assaltos à mão armada.
Seres humanos não nasceram para andar armados, seres humanos não vivem para se defender. Não em um mundo construído para ser entendido e construído como civilizado.
O melhor dos mundos, se existisse, seria para sempre estragado caso seus habitantes passassem a portar armas. Somos instintivos. Não dominamos e não é o caso, o de dominar nossos instintos, para enfim usarmos armas de fogo. Não, nós não fomos feitos para isso. Fomos feitos para descobrir a palara, a linguagem e o diálogo. Não podemos aceitar uma sociedade que tem o poder da morte garantido pela Constituição. Em pleno século XXI é impressionante que ainda haja gente que defenda a pena de morte como uma punição eficiente em termos de redução da criminalidade, ou pior, como a punição merecida em alguns tipos de crimes, como os hediondos. Eu não vejo castigo pior para alguém do que a perda da liberdade. E não só isso, vida (?) na prisão. Qualquer uma. Para mim, viver anos em uma penitenciária é pior que qualquer morte. É morrer dia após dia um pouco e cada vez mais. É assistir passivamente sua alma ser corrompida, humilhada e ultrajada todos os dias, além dos castigos corporais, a ameaça constante sobre o corpo. Será que isso não é o bastante? Para quê a morte? Qual o serviço da morte? Reduzir o número de prisioneiros e com isso o dinheiro do Estado gasto com as prisões? Encontra-se com isso a justificativa? Há quem ache que sim. Eu não.
"Nunca, em tempo algum, punição alguma melhorou o mundo ou evitou que crimes fossem cometidos". Filme Não matarás, de Kristof Kielowsky.
Para poucos, muito poucos, a legislação evita o crime. Para a maioria ela simplesmente inexiste.
Não existe para nossa população jovem favelada um Estado. Eles mal tiveram acesso à escola. Talvez só conheçam a polícia como uma força do Estado. A maioria desses jovens nasceu há pouco menos de vinte anos, em um Brasil cada vez mais capitalista, globalizado e desigual. Mais sobretudo, um país cada vez mais armado, e hoje muito armado. Esses jovens cresceram longe do convívio em sociedade, vendo seus amigos e familiares serem trucidados pelo aparelho do Estado. Eles não tiveram bolinho de aniversário, seus pais ( o pai), quase que inexistem, suas mães trabalham fora como domésticas ou operárias...não conhecem regras minimamente razoáveis de convívio civilizado, não dimensionam a importância do outro, nem a sua. Não podem sentir a dor pelo outro. Criamos uma geração inteira armada e sem perspectiva. Aliás, sua única perspectiva, revelada não só dentro da favela por seus pares, mas sobretudo pelos meios de comunicação e pela pequena distância entre o ter tudo e o não ter nada em um cidade como o Rio de Janeiro, produz nesses jovens o desejo de seguirem em frente com seus impulsos, com um dos objetivos mais primitivos da existência humana, o de possuir alguma coisa. E possuir alguma coisa nos dias de hoje tornou-se a grande mola social. É dentro dessa posse que se encontra a possibilidade de transparência social, de conquista amorosa, de respeito. Em uma sociedade onde todos valem pelo que possuem, não é difícil compreender esse fenômeno tão atual como a violência urbana. Em uma sociedade onde os valores remontam ao primitivo do ser humano, onde esse ser humano que menos possui encontra-se armado até os dentes de fogo e desejo de existir por alguma razão, e onde essa razão é traduzida por um bem material ou status social, não seria um equívoco enorme pensar que o quê de fato precisamos são leis mais rigorosas?
Precisamos ter cuidado, muito cuidado com isso. Toda situação medo, onde todos nos sentimos vulneráveis, há o perigo de chegarmos ao ponto de nos tornarmos radicais, encontrando na lei e na ordem puramente, as políticas com as quais nos identificamos. Uma massa amedrontada apóia ditaduras de força. Precisamos ter muito cuidado.
Hoje a manchete do Globo em relação ao assassinato de 32 jovens no campus da universidade americana, foi: " A maior tragédia das armas". Como se a maior tragédia das armas não estivesse bem aqui no Rio, ou bem antes, nas duas guerras mundiais, ou depois, na Guerra do Iraque.
As mortes de ontem nos Estados Unidos, por um atirador jovem resumem bem o ódio e a estupidez presentes naquele país. Temo que nossos jovens façam o mesmo com a divulgação maciça dessa notícia. Loucos sanguinários perseguem notoriedade.
Hoje não escolhi algo ameno para escrever. Às vezes não é possível.
quinta-feira, 12 de abril de 2007
Jogos
Apesar de tudo foi um jogo emocionante.
Não, eu não assisto com freqüência jogos de futebol.
No entanto foi um jogo bom, charmoso como o futebol carioca é (ou era para alguns). Um clássico. Eu acho que o mais bacana no futebol é essa irracionalidade desmedida, essa paixão por uma bola rolando. A transformação em técnica e em esporte profissional daquilo que já foi apenas uma brincadeira. O futebol é um espaço onde podemos nos perder de tudo, onde não precisamos demonstrar nenhuma racionalidade quando em estado de puro apaixonamento. Como toda paixão duradoura e única é um terreno onde deseja-se a plenitude do divertimento, onde reinvidica-se o direito a um estado de descompromisso com tudo o quê não se refira diretamente ao objeto desejado: o gol, o bom jogo, a emoção.( Acho que muitas mulheres não gostam de futebol porque não o conhecem, nunca se permitiram entrar em um estádio lotado e gritar pelo seu time...algumas acham mais divertido correr atrás de buquê em casamento. Ops! Acho que isso representa uma perda importante para mulheres potencialmente apaixonáveis por um jogo).
A idéia é a mesma: proceder ao descompromisso, vivenciar a emoção , seguir em frente com o desejo. Uma forma de concretizar a avalanche emocional que somos todos, de sairmos por aí festejando a vida por qualquer pretexto, de sermos felizes, de mantermos o otimismo e uma suposta e às vezes verdadeira, adversidade com o time diferente do nosso.
Gostar de um bom jogo também é gostar de si mesmo, dar-se ao bel prazer de não ter nenhuma explicação para dar.
Gosta por quê? Porque gosto.
Ama por quê? Porque amo.
Acha bonito por quê? Porque é bonito.
Pretende o quê? Não pretendo nada.
Não tem explicação? Não.
Até mais ver.
Não, eu não assisto com freqüência jogos de futebol.
No entanto foi um jogo bom, charmoso como o futebol carioca é (ou era para alguns). Um clássico. Eu acho que o mais bacana no futebol é essa irracionalidade desmedida, essa paixão por uma bola rolando. A transformação em técnica e em esporte profissional daquilo que já foi apenas uma brincadeira. O futebol é um espaço onde podemos nos perder de tudo, onde não precisamos demonstrar nenhuma racionalidade quando em estado de puro apaixonamento. Como toda paixão duradoura e única é um terreno onde deseja-se a plenitude do divertimento, onde reinvidica-se o direito a um estado de descompromisso com tudo o quê não se refira diretamente ao objeto desejado: o gol, o bom jogo, a emoção.( Acho que muitas mulheres não gostam de futebol porque não o conhecem, nunca se permitiram entrar em um estádio lotado e gritar pelo seu time...algumas acham mais divertido correr atrás de buquê em casamento. Ops! Acho que isso representa uma perda importante para mulheres potencialmente apaixonáveis por um jogo).
A idéia é a mesma: proceder ao descompromisso, vivenciar a emoção , seguir em frente com o desejo. Uma forma de concretizar a avalanche emocional que somos todos, de sairmos por aí festejando a vida por qualquer pretexto, de sermos felizes, de mantermos o otimismo e uma suposta e às vezes verdadeira, adversidade com o time diferente do nosso.
Gostar de um bom jogo também é gostar de si mesmo, dar-se ao bel prazer de não ter nenhuma explicação para dar.
Gosta por quê? Porque gosto.
Ama por quê? Porque amo.
Acha bonito por quê? Porque é bonito.
Pretende o quê? Não pretendo nada.
Não tem explicação? Não.
Até mais ver.
terça-feira, 10 de abril de 2007
I`ll try to fix you
Feliz por usar uma só muleta!
Feliz por voltar a pisar com o pé direito. Feliz por poder segurar um copo, por poder me deslocar com meu celular na mão, por poder beber água segurando meu próprio copo entre a pia e a mesa.
Sim, trying to fix me, myself or anything else, produtos da música que ouço agora em conjunção com o que escrevo.
Consertando-me, consertando o meu tornozelo, consertando a minha vida e me movimentando melhor, com toda a liberdade redescoberta.
Trying to fix me. Eu amo Coldplay.
WHEN YOU TRY YOUR BEST, BUT YOU NOT SUCCED,
WHEN YOU GET WHAT YOU WANT, BUT NOT WHAT YOU NEED...
Beautiful song. Fantastic is not to have the strong obligation of saying anythig, having a blogger without any commitiment else.
Introspecção mística.
Good guitars. Heavy sounds. Mistic.
Apenas feliz por voltar a pisar com o mesmo pé de sempre. O mesmo pé direito de antes. O de sempre. Trying to fix me.
Tudo passa.
Feliz por voltar a pisar com o pé direito. Feliz por poder segurar um copo, por poder me deslocar com meu celular na mão, por poder beber água segurando meu próprio copo entre a pia e a mesa.
Sim, trying to fix me, myself or anything else, produtos da música que ouço agora em conjunção com o que escrevo.
Consertando-me, consertando o meu tornozelo, consertando a minha vida e me movimentando melhor, com toda a liberdade redescoberta.
Trying to fix me. Eu amo Coldplay.
WHEN YOU TRY YOUR BEST, BUT YOU NOT SUCCED,
WHEN YOU GET WHAT YOU WANT, BUT NOT WHAT YOU NEED...
Beautiful song. Fantastic is not to have the strong obligation of saying anythig, having a blogger without any commitiment else.
Introspecção mística.
Good guitars. Heavy sounds. Mistic.
Apenas feliz por voltar a pisar com o mesmo pé de sempre. O mesmo pé direito de antes. O de sempre. Trying to fix me.
Tudo passa.
300
Sim, eu vi.
Trata-se do filme sobre os 300 espartanos que resolveram enfrentar o exército persa, aliás, não sei se o correto a chamar é exército, mas uns milhares de combatentes a mais que o simples trezentos.
Gostei.
Gostei porque aprecio filmes de lutas violentas. para mim é um divertimento, é lúdico. Sim, para mim e para os milhões de brutamontes anônimos que gostam de filmes com banhos de sangue como esse. Parênteses defensivo: Gosto de banhos de sangue bem contados, mocinhos X bandidos (?) definidos, algo assim, infantil por dizer. Não gosto de filmes de torturas ou violência dessas possíveis dos dias de hoje. Não assisto filmes de guerra. Já bastam as que existem. É ficção, todos são, mas não gosto. Mas gosto de filmes como Clube da Luta, Amor à queima roupa, Tarantino, Seven, Jogos Mortais... Difícil explicar, não? Não gostar de uma coisa e gostar de outra... Pois então.
Quero voltar ao 300. Resumidamente, um épico infanto-juvenil modernoso, tecnológico, bem feito. Zero de valor histórico, apenas entretenimento. Feito para vender a idéia da liberdade defendida pelo ocidente em relação a um oriente dominado por um débil-mental sanguinário, esse nem interpretado por um ator norte-americano, e sim por um latino, Rodrigo Santoro. É persecutório ou não ficaria bem um nórdico legítimo interpretar um imperador persa homossexual?
Todos os 300 são incrivelmente malhados, o que denota a preocupação do filme com a superficialidade das importâncias, com essa estética medíocre que tomou conta de Hollywood e da televisão brasileira.
Tem razão a embaixada do Irã declarar nota considerando o filme um desrespeito à história e ao povo iraniano. O filme é uma sacanagem com o Irã. Não sei não, mas parece que foi feito pra isso.
Nota-se ainda o bonequinho do Globo batendo palmas de pé. Há um tempo atrás apenas filmes excepcionais ganhavam essa categoria, não bastava ser bem dirigido e fotografado, com bom desempenho dos atores...
Havia mais subjetividade dentro da crítica. Ou seria mais humanidade?
O filme trezentos merece o bonequinho sentado, e nada mais.
Trata-se do filme sobre os 300 espartanos que resolveram enfrentar o exército persa, aliás, não sei se o correto a chamar é exército, mas uns milhares de combatentes a mais que o simples trezentos.
Gostei.
Gostei porque aprecio filmes de lutas violentas. para mim é um divertimento, é lúdico. Sim, para mim e para os milhões de brutamontes anônimos que gostam de filmes com banhos de sangue como esse. Parênteses defensivo: Gosto de banhos de sangue bem contados, mocinhos X bandidos (?) definidos, algo assim, infantil por dizer. Não gosto de filmes de torturas ou violência dessas possíveis dos dias de hoje. Não assisto filmes de guerra. Já bastam as que existem. É ficção, todos são, mas não gosto. Mas gosto de filmes como Clube da Luta, Amor à queima roupa, Tarantino, Seven, Jogos Mortais... Difícil explicar, não? Não gostar de uma coisa e gostar de outra... Pois então.
Quero voltar ao 300. Resumidamente, um épico infanto-juvenil modernoso, tecnológico, bem feito. Zero de valor histórico, apenas entretenimento. Feito para vender a idéia da liberdade defendida pelo ocidente em relação a um oriente dominado por um débil-mental sanguinário, esse nem interpretado por um ator norte-americano, e sim por um latino, Rodrigo Santoro. É persecutório ou não ficaria bem um nórdico legítimo interpretar um imperador persa homossexual?
Todos os 300 são incrivelmente malhados, o que denota a preocupação do filme com a superficialidade das importâncias, com essa estética medíocre que tomou conta de Hollywood e da televisão brasileira.
Tem razão a embaixada do Irã declarar nota considerando o filme um desrespeito à história e ao povo iraniano. O filme é uma sacanagem com o Irã. Não sei não, mas parece que foi feito pra isso.
Nota-se ainda o bonequinho do Globo batendo palmas de pé. Há um tempo atrás apenas filmes excepcionais ganhavam essa categoria, não bastava ser bem dirigido e fotografado, com bom desempenho dos atores...
Havia mais subjetividade dentro da crítica. Ou seria mais humanidade?
O filme trezentos merece o bonequinho sentado, e nada mais.
sexta-feira, 6 de abril de 2007
O homem apaixonante II - A tirania do desejo
O homem apaixonante sabe que pode apaixonar em todas as idades, sabe que pode fazer muito feliz mulheres de todas as cores, poderes, idades, sexualidades, prioridades. Ele nasceu com a responsabilidade de manter uma tradição familiar, ligada às mais remotas ancestralidades. Ele deixa uma mulher de quatro, de joelhos por ele. Ele é um sucesso. Dificilmente se encontra vinculado a uma única mulher, quando isso acontece costuma ser temporário. Costuma ter sempre um alguém no background, para estar disponível quando uma situação mais difíci pegar, ou a oficial não puder lhe dar a devida atenção. O homem apaixonante tolera mal algumas coisas. No entanto seu discurso é libertário, apaixonado. Defende a filosofia existencialista de Sartre, vê em cada mulher um algo mais, em quê além daquele que a mulher real costuma ter, certa coisa inatingível, um mistério indecifrável a decifrar. Nova conquista, nova emoção, nova razão de existência. Mantida a capacidade de sedução, mantida sua integridade, um novo gozo a cada dia. Viver pelo prazer.
Mantida a fórmula, o homem apaixonante coleciona. Em cada conquista, uma perda. Ele raramente percebe que é tiranizado por seu desejo, e que perde a oportunidade de aprofundar uma vivência íntima com alguém de verdade. Alguém que não é perfeita, como ele; que é chata algumas vezes, como ele; que nem sempre está linda e bem-humorada, como ele.
O homem apaixonante, quando se recusa a crescer, continuará apaixonante. No entanto, ao ficar mais velho é mais facilmente reconhecido por suas mulheres como o menino disfarçado que sempre foi... mas continuará encantando mulheres de muitas gerações...
Mantida a fórmula, o homem apaixonante coleciona. Em cada conquista, uma perda. Ele raramente percebe que é tiranizado por seu desejo, e que perde a oportunidade de aprofundar uma vivência íntima com alguém de verdade. Alguém que não é perfeita, como ele; que é chata algumas vezes, como ele; que nem sempre está linda e bem-humorada, como ele.
O homem apaixonante, quando se recusa a crescer, continuará apaixonante. No entanto, ao ficar mais velho é mais facilmente reconhecido por suas mulheres como o menino disfarçado que sempre foi... mas continuará encantando mulheres de muitas gerações...
quinta-feira, 5 de abril de 2007
Um comentário rápido e inevitável
Que vexame o Vasco!
Perder de 2X1 para o Gama em pleno Maracanã? Ficar fora da Taça Rio? Romário não conseguir fazer o milésimo gol?
Parece um pesadelo...
Qual o problema mental do Vasco?
Quanto horror...
Ainda bem que eu comecei o blog dizendo o quanto era difícil ser vascaína. E é mesmo.
Tempos melhores hão de chegar.
Perder de 2X1 para o Gama em pleno Maracanã? Ficar fora da Taça Rio? Romário não conseguir fazer o milésimo gol?
Parece um pesadelo...
Qual o problema mental do Vasco?
Quanto horror...
Ainda bem que eu comecei o blog dizendo o quanto era difícil ser vascaína. E é mesmo.
Tempos melhores hão de chegar.
quarta-feira, 4 de abril de 2007
O homem apaixonante
O homem apaixonante não é o mais bonito, tão pouco o mais rico, ou o mais inteligente. O homem apaixonante tem um quê a mais, um jeito meio bobo, meio safado, meio sério, dividido. Ele não possui qualquer fórmula, qualquer rótulo. Ele apaixona porque nasceu para apaixonar as mulheres.
Mas o apaixonamento que provoca costuma ser invarialvelmente proporcional à idade de suas vítimas, quanto mais jovem a mulher, mais ela irá se apaixonar por um apaixonante profissional.
Entre as meninas de 15 a 20 anos ele costuma ser um sucesso inabalável. Entre as mulheres de 20 a 30 anos ele mantém o status de inesquecível, com alguma crítica. Essa é a fase em que elas se encantam e correm o risco de se casarem com ele. Entre as mulheres de 30 e 35, seus encantos permanecem devido à realidade da carência nessa fase, principalmente depois de uma separação, ou grande decepção. Acredito que entre as mulheres de seus 35 aos 40, a fórmula se mantenha, sem tantos conflitos , porque as mulheres neese momento de suas vidas não têm muita paciência com alguém muito indeciso e problemático... Mulheres acima de 40 anos estão no auge da maturidade sexual e preocupam-se mais com alguém que possa satisfazer um sex appeal intenso. Caso o homem apaixonante tope, ela corre o risco de se apaixonar violentamente. Uma incógnita o que pode acontecer daí... Mulheres de 40 anos não são bobas, podem curar um apaixonante de profissão...até mesmo porque eles já estão mais velhos nessa fase. Mas o sedutor incorrigível nunca deixa de seduzir...Há quem goste, não?
Bom, esse é um assunto extenso... Fica para amanhã a continuação. Inté.
Mas o apaixonamento que provoca costuma ser invarialvelmente proporcional à idade de suas vítimas, quanto mais jovem a mulher, mais ela irá se apaixonar por um apaixonante profissional.
Entre as meninas de 15 a 20 anos ele costuma ser um sucesso inabalável. Entre as mulheres de 20 a 30 anos ele mantém o status de inesquecível, com alguma crítica. Essa é a fase em que elas se encantam e correm o risco de se casarem com ele. Entre as mulheres de 30 e 35, seus encantos permanecem devido à realidade da carência nessa fase, principalmente depois de uma separação, ou grande decepção. Acredito que entre as mulheres de seus 35 aos 40, a fórmula se mantenha, sem tantos conflitos , porque as mulheres neese momento de suas vidas não têm muita paciência com alguém muito indeciso e problemático... Mulheres acima de 40 anos estão no auge da maturidade sexual e preocupam-se mais com alguém que possa satisfazer um sex appeal intenso. Caso o homem apaixonante tope, ela corre o risco de se apaixonar violentamente. Uma incógnita o que pode acontecer daí... Mulheres de 40 anos não são bobas, podem curar um apaixonante de profissão...até mesmo porque eles já estão mais velhos nessa fase. Mas o sedutor incorrigível nunca deixa de seduzir...Há quem goste, não?
Bom, esse é um assunto extenso... Fica para amanhã a continuação. Inté.
terça-feira, 3 de abril de 2007
Minhas copas preferidas
Eu tinha 5 anos quando percebi todos à minha volta completamente absorvidos por um jogo de futebol. Era um dia de sol, muito claro. Perguntei a alguém o que era aquilo, fiquei sabendo tratar-se da Copa do Mundo. Quando haveria outra?- perguntei. Ah, só daqui a 4 anos..., me responderam, dizendo ainda que eu teria então 9 anos! Fiquei louca que chegasse, menos pela Copa e mais para fazer 9 anos. Mas acho que o jogo que eu assistia naquele dia era o Peru X Argentina, quando o Peru "abriu" as pernas para a Argentina e tomou sei lá quantos gols. Era plena ditadura aqui e lá na Argentina também (1978), e parece que era importante que a Argentina ganhasse a Copa, tipo pro povo ficar mais feliz, essas coisas. Nós já tínhamos as nossas na nossa ditadura.
Chegou a copa de 82. Seleção inesquecível canarinho. Pintamos a rua. Eu saía mais cedo da escola para assistir os jogos do Brasil. Cantávamos "voa canarinho, voa. Mostra pra esse povo que és o rei...". Que lembrança maravilhosa...Morava então em pleno subúrbio carioca, em uma época que ficou no passado, mas onde não havia qualquer preocupação com balas perdidas, tráfico ou qualquer dessas realidades tão tristes. E olha que não faz tanto tempo assim, são 25 anos! E completamente diferente... mas esse é outro assunto.
Primeiro jogo da famosa copa: Brasil X União Soviética 2 X 1 Brasil! Junior sambou na frente do goleiro soviete...inesquecível. Como também inesquecível a seleção. Não me lembro de todos, mas acho que da maioria: Telê Santana (técnico), Waldir Peres (goleiro), Leandro (ponta-direita), o indescritível Serginho (acho que zagueiro, conseguia ser pior que o Ronaldo Gordo e o Roberto Carlos na última copa), Zico, Falcão, Sócrates, Junior e o gatinho do Éder. Não me lembro dos outros, talvez Cerezo, não tenho certeza. Quanto orgulho dessa seleção! Como era bom torcer por ela!
Pulo para as quartas-de-final, porque não me lembro dos jogos, só o primeiro e o último. O fatidico jogo contra a Itália, aquele em que o Zico perdeu o pênalti. Lembrar disso me causa taquicardia, me remonta à emoção daquele dia horrível em que o horripilante Paulo Rossi tomou de vez, um lugar na minha vida. E a seleção italiana de futebol o lugar também eterno de infinito repúdio, o maior de todos, maior que o do Flamengo. Mulheres são muito emotivas.
Chorei muito naquele dia. Chorei o dia inteiro, porque a minha seleção canarinho tava fora da copa, e eu era uma criança de 9 anos que via seu sonho acabar, o sonho de ver o Brasil campeão do mundo... teria que esperar 12 anos.
Só retomei a paixão pela Copa no ano passado, e acompanhei todos os jogos quando chegamos às oitavas (jogos do Brasil e todos os outros). Não quero comentar as características da nossa seleção de 2006, todomundo está cansado de saber, mas sei que fui idiota, ou melhor, apaixonada. Quem se envolve com o futebol, perde conexões neuronais importantes. Quero dizer que, apesar de todas as evidências, eu achava que o Brasil poderia vir a se sair bem. Inclusive no jogo contra a França, já no segundo tempo, quando nossa seleção dava todas as mostras de mediocridade, eu considerava possível uma belíssima vitória. Não havia em mim qualquer richa (é assim?) relativa à derrota para a mesma França em 98, (naquele dia o Gordo teve convulsão ou sei lá o quê, jogamos mal e merecemos perder, não foi como em 82). Até o momento do também fatidico passe de Thiery Henry para o magnífico Zidane, (enquanto o Roberto Carlos ajeitava o meião devido a uma coceira), fazer o único gol da partida...e lá se foi o sonho do hexa naquela eliminação humilhante.
Acabou o jogo. Acabou a Copa para o Brasil. Parreira recebeu logo depois uma proposta milionária e pra lá se foi. E que fique por lá.
Torcer pra quem? Portugal. Ficou nas semifinais.
Grande dia de final de Copa: França X Itália, a abominável Itália de sempre. É claro que eu torci para a França, e é claro que quase não acreditei quando vi Zinedine dando aquela cabeçada no italiano babaca, Matarazzi. Quanta tristeza ver aquele jogador no dia de sua aposentadoria dando adeus daquele jeito. Detesto justificativas morais para atitudes não-racionais como aquela, portanto prefiro não falar sobre isso especificadamente. No entanto, considero um ato de covardia não-física o que aquele italiano fez, falar algo que ele sabia que iria mexer com o cara, no dia em que aquele cara era a estrela da partida máxima do futebol.
Pronto, time francês desfalcado, golpeado psicologicamente. Perderia nos pênalts. E aconteceu. Para mim a França foi campeã. E que se dane a Itália.
Até 2010 vou fazer o possível para estar na África do Sul.
Chegou a copa de 82. Seleção inesquecível canarinho. Pintamos a rua. Eu saía mais cedo da escola para assistir os jogos do Brasil. Cantávamos "voa canarinho, voa. Mostra pra esse povo que és o rei...". Que lembrança maravilhosa...Morava então em pleno subúrbio carioca, em uma época que ficou no passado, mas onde não havia qualquer preocupação com balas perdidas, tráfico ou qualquer dessas realidades tão tristes. E olha que não faz tanto tempo assim, são 25 anos! E completamente diferente... mas esse é outro assunto.
Primeiro jogo da famosa copa: Brasil X União Soviética 2 X 1 Brasil! Junior sambou na frente do goleiro soviete...inesquecível. Como também inesquecível a seleção. Não me lembro de todos, mas acho que da maioria: Telê Santana (técnico), Waldir Peres (goleiro), Leandro (ponta-direita), o indescritível Serginho (acho que zagueiro, conseguia ser pior que o Ronaldo Gordo e o Roberto Carlos na última copa), Zico, Falcão, Sócrates, Junior e o gatinho do Éder. Não me lembro dos outros, talvez Cerezo, não tenho certeza. Quanto orgulho dessa seleção! Como era bom torcer por ela!
Pulo para as quartas-de-final, porque não me lembro dos jogos, só o primeiro e o último. O fatidico jogo contra a Itália, aquele em que o Zico perdeu o pênalti. Lembrar disso me causa taquicardia, me remonta à emoção daquele dia horrível em que o horripilante Paulo Rossi tomou de vez, um lugar na minha vida. E a seleção italiana de futebol o lugar também eterno de infinito repúdio, o maior de todos, maior que o do Flamengo. Mulheres são muito emotivas.
Chorei muito naquele dia. Chorei o dia inteiro, porque a minha seleção canarinho tava fora da copa, e eu era uma criança de 9 anos que via seu sonho acabar, o sonho de ver o Brasil campeão do mundo... teria que esperar 12 anos.
Só retomei a paixão pela Copa no ano passado, e acompanhei todos os jogos quando chegamos às oitavas (jogos do Brasil e todos os outros). Não quero comentar as características da nossa seleção de 2006, todomundo está cansado de saber, mas sei que fui idiota, ou melhor, apaixonada. Quem se envolve com o futebol, perde conexões neuronais importantes. Quero dizer que, apesar de todas as evidências, eu achava que o Brasil poderia vir a se sair bem. Inclusive no jogo contra a França, já no segundo tempo, quando nossa seleção dava todas as mostras de mediocridade, eu considerava possível uma belíssima vitória. Não havia em mim qualquer richa (é assim?) relativa à derrota para a mesma França em 98, (naquele dia o Gordo teve convulsão ou sei lá o quê, jogamos mal e merecemos perder, não foi como em 82). Até o momento do também fatidico passe de Thiery Henry para o magnífico Zidane, (enquanto o Roberto Carlos ajeitava o meião devido a uma coceira), fazer o único gol da partida...e lá se foi o sonho do hexa naquela eliminação humilhante.
Acabou o jogo. Acabou a Copa para o Brasil. Parreira recebeu logo depois uma proposta milionária e pra lá se foi. E que fique por lá.
Torcer pra quem? Portugal. Ficou nas semifinais.
Grande dia de final de Copa: França X Itália, a abominável Itália de sempre. É claro que eu torci para a França, e é claro que quase não acreditei quando vi Zinedine dando aquela cabeçada no italiano babaca, Matarazzi. Quanta tristeza ver aquele jogador no dia de sua aposentadoria dando adeus daquele jeito. Detesto justificativas morais para atitudes não-racionais como aquela, portanto prefiro não falar sobre isso especificadamente. No entanto, considero um ato de covardia não-física o que aquele italiano fez, falar algo que ele sabia que iria mexer com o cara, no dia em que aquele cara era a estrela da partida máxima do futebol.
Pronto, time francês desfalcado, golpeado psicologicamente. Perderia nos pênalts. E aconteceu. Para mim a França foi campeã. E que se dane a Itália.
Até 2010 vou fazer o possível para estar na África do Sul.
segunda-feira, 2 de abril de 2007
Vascaína
O chato de ser vascaína é que além de ter um azar danado com o Flamengo é também ter azar quando joga com o... Botafogo. No dia em que todo o Brasil espera que o Romário faça seu milésimo gol, bolo pronto, festa organizada, tudinho; não só ele não marca como o Botafogo ganha de 2 a 0! O que é isso? Isso é ser vascaíno. Fui a duas finais do estadual no Maracanã, acho que em 98 e 99, e nas duas saí de lá com a terrível frustração de perder do...abominável Flamengo. Desde então meu time não ganha nenhuma decisão contra o Flamengo há 8 anos. Consegue vencer o Internacional em plena Porto Alegre um pouco antes dele vencer o mundial de clubes do time do Ronaldinho Gaúcho, quando o Barcelona era o favoritíssimo, no mundo todo! Ganhar do Flamengo em decisão? Sina!
Mas nada como uma boa memória. Eu estava lá, em 1988, quando no final do segundo tempo, em outra decisão do estadual, entra Cocada, faz um gol e o Vasco é o campeão! Também vale a pena lembrar do gol de barriga do Renato Gaúcho bem no finalzinho do segundo tempo, quando estava 2 a 2... Lindo! Adorei o Fluminense. Aliás, a sina dos flamenguistas é o Fluminese, e isso é muito divertido. Não importa se o Fluminense tá bem ou mal, na verdade nunca está bem... mas o Flamengo treme todinho quando joga com o Flu...fru, fru.
E outra coisa insuportável é aguentar a torcida, certamente de maioria deficitária cognitivamente, do Flamengo. Gritam como...flamenguistas.
Mas futebol é isso aí.
Não deveria ser coisa pra mulher ficar comentando, porque nós do sexo feminino usamos muito nossa emoções. Fru, Fru Flamengo!
Futebol é coisa pra macho.
Mas nada como uma boa memória. Eu estava lá, em 1988, quando no final do segundo tempo, em outra decisão do estadual, entra Cocada, faz um gol e o Vasco é o campeão! Também vale a pena lembrar do gol de barriga do Renato Gaúcho bem no finalzinho do segundo tempo, quando estava 2 a 2... Lindo! Adorei o Fluminense. Aliás, a sina dos flamenguistas é o Fluminese, e isso é muito divertido. Não importa se o Fluminense tá bem ou mal, na verdade nunca está bem... mas o Flamengo treme todinho quando joga com o Flu...fru, fru.
E outra coisa insuportável é aguentar a torcida, certamente de maioria deficitária cognitivamente, do Flamengo. Gritam como...flamenguistas.
Mas futebol é isso aí.
Não deveria ser coisa pra mulher ficar comentando, porque nós do sexo feminino usamos muito nossa emoções. Fru, Fru Flamengo!
Futebol é coisa pra macho.
domingo, 1 de abril de 2007
Da descoberta de si mesma
Nesta manhã de domingo de sol, Rio de Janeiro, muitos graus e nenhuma nuvem, deixo a poesia em prosa contida na música Amor I love you, de Marisa Monte e Carlinhos Brown:
Eça de Queiroz (1878)- O primo Basílio
(...) Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreveram aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!
Eça de Queiroz (1878)- O primo Basílio
Mães acolhedoras
Eu nunca tinha ouvido falar de mãe acolhedora. Ontem conheci uma. Uma senhora de seus cinquenta anos que cuida integralmente de um menino de 10 meses, sendo responsável inclusive pelos custos financeiros, é claro. Ela diz que sempre fez trabalhos voluntários, e resolveu cuidar daquela criança quando o conheceu, durante visita a um abrigo, quando ele tinha dois meses. Conseguiu autorização judicial para cuidar do bebê enquanto ele não é legalmente adotado por uma família. O bebê é filho de uma mulher portadora de doença mental e sofria maus-tratos. Ela trata do baby como filho e fala: "Vem com a mamãe". Pergunto como ela conseguirá se separar da criança quando chegar a hora, ela diz que não sabe. Diz ainda que já manifestou o desejo de ficar com a criança definitivamente, mas que há uma fila de mil e seissentas pessoas querendo aquela criança. Diz ainda que a juíza fala que o menino não irá se lembrar dela e que isso não tem maior importância. Entre parênteses: O menino é muito risonho, alegríssimo, saudável -deve ser bem cuidado, não? Voltando: Como entender isso? Como a justiça entende o bem estar de uma criança? Por que há tanta gente querendo adotar uma criança, há tanta criança abandonada precisando de cuidados, amor, e existe tanta dificuldade? Como cuidar de um problema tão delicado, se o poder exerce a função final de cuidador , ainda que provisório? O que o poder judiciário compreende a respeito de vínculo afetivo?Parece que muito pouca coisa.
A noção de direito está unida à noção de propriedade. Nunca estudei teoria do direito, tiro essa conclusão em função do que é possível ser vivido com a experiência. Uma criança abandonada é considerada propriedade do Estado ou é dever do Estado garantir a essa criança seu bem-estar? Porque se a segunda opção for a verdadeira, não deveria o poder judiciário rever profundamente essa questão? A criança não deveria ser pensada através de seus vínculos afetivos estabelecidos em lugar de seus vinculos biológicos? Digo isso porque a prioridade para a adoção desse menino é de uma tia, irmã da mãe biológica do menino que já disse não querer ficar com ele...mas que abriria mão para a mãe acolhedora. Se o vínculo biológico é o reconhecido pelo Estado de direito então concluo mais uma vez que direito e propriedade estão fundamentalmente unidos, nasceram juntos.
Como uma juíza pode dizer que a criança não sofrerá nenhuma consequência com a separação? Quanta ignorância, senhora juíza...
A noção de direito está unida à noção de propriedade. Nunca estudei teoria do direito, tiro essa conclusão em função do que é possível ser vivido com a experiência. Uma criança abandonada é considerada propriedade do Estado ou é dever do Estado garantir a essa criança seu bem-estar? Porque se a segunda opção for a verdadeira, não deveria o poder judiciário rever profundamente essa questão? A criança não deveria ser pensada através de seus vínculos afetivos estabelecidos em lugar de seus vinculos biológicos? Digo isso porque a prioridade para a adoção desse menino é de uma tia, irmã da mãe biológica do menino que já disse não querer ficar com ele...mas que abriria mão para a mãe acolhedora. Se o vínculo biológico é o reconhecido pelo Estado de direito então concluo mais uma vez que direito e propriedade estão fundamentalmente unidos, nasceram juntos.
Como uma juíza pode dizer que a criança não sofrerá nenhuma consequência com a separação? Quanta ignorância, senhora juíza...
sábado, 31 de março de 2007
De muletas
Estou com o pé direito imobilizado devido a uma torção. Não posso apoiar o pé no chão, por isso estou usando muletas há uma semana e meia.
Na última terça, saí para dar uma voltinha no shopping . Me sentir viva, sei lá. As pessoas me olhavam consternadas. Um menino de uns cinco anos me observou intranquilo. Até vendedoras me olhavam de um jeito diferente, especial. Todomundo abriu a porta do banheiro para mim. Desculpavam-se caso não o fizessem. As pessoas têm medo de errar com alguém de muletas. Ou serão boas? Acho qe elas são solidárias, sim. Só que algumas são em funçao do medo, só isso. É engraçado.
Mas ontem, no cinema, elas não foram muito boazinhas não. Cada uma delas preocupada em sentar no seu lugar, em assistir o seu filme. Acho que a visão de alguém de muletas atrapalhando a locomoçao delas comprometia o programa.
Eu posso imaginar o que passam os deficientes físicos por aí.
Na última terça, saí para dar uma voltinha no shopping . Me sentir viva, sei lá. As pessoas me olhavam consternadas. Um menino de uns cinco anos me observou intranquilo. Até vendedoras me olhavam de um jeito diferente, especial. Todomundo abriu a porta do banheiro para mim. Desculpavam-se caso não o fizessem. As pessoas têm medo de errar com alguém de muletas. Ou serão boas? Acho qe elas são solidárias, sim. Só que algumas são em funçao do medo, só isso. É engraçado.
Mas ontem, no cinema, elas não foram muito boazinhas não. Cada uma delas preocupada em sentar no seu lugar, em assistir o seu filme. Acho que a visão de alguém de muletas atrapalhando a locomoçao delas comprometia o programa.
Eu posso imaginar o que passam os deficientes físicos por aí.
O cheiro do ralo
O filme está na minha cabeça.
Não gosto quando escuto falar muito de um filme antes de assisti-lo. Prefiro a surpresa de me encontrar de repente, diante de um grande filme. A surpresa então foi maior ainda, porque sabia de antemão que era bom, e me surpreendi bastante. Tudo é bom no filme. Roteiro, direção, atores, música (fantástica). Além de tudo, é a adaptação de um livro, o que torna a façanha maior ainda. Selton Mello realmente causa um impacto inesquecível com sua atuação, mas outros atores, inclusive uns que aparecem uma única vez também. Para fazer um filme daqueles é preciso muito, muito talento. Muita competência. Incrível.
Não me arriscarei a fazer uma análise do personagem, e sem querer de forma alguma diminuir as qualidades fantásticas do filme, acho que posso afirmar que Lourenço ( o personagem principal), é facilmente compreendido à luz da psicanálise. Quem já leu "O homem dos ratos", nas obras de Freud sabe disso. Acredito que a facilidade de compreeensão da dinâmica do personagem, só qualifica ainda mais o filme. Afinal, uma coisa é saber que algumas pessoas encontram-se fixadas na fase anal, possuem características obsessivas proeminentes... outra coisa é contar isso, mais ainda é filmar, de forma magistral, isso. Não penso como Arnaldo Jabor que a humanidade um dia pode vir a ser aquilo, ou que aquele pode ser o retrato de um amanhã. A humanidade é aquilo ali desde que existe. Lourenço não é um produto da modernidade, ele é um representante ultra-legítimo de uma humanidade que sempre viveu tangenciando entre a merda e a grandeza, entre a estupidez quando de frente a algo por demais desejado, e a mesma estupidez diante de alguma coisa que lhe faz sentir mal. Só uma característica de Lourenço realmente divide os homens: sua incapacidade de sentir pelo outro. De grandeza, Lourenço não tem nada. Ainda assim, ganha a nossa empatia. Talvez pela oportunidade que ele nos dá de reconhecer nele nossas miudezas mais mesquinhas. Talvez. Mas também por essa condição nossa, humana, de gostar também de gente ruim quando olhada de perto.
Não gosto quando escuto falar muito de um filme antes de assisti-lo. Prefiro a surpresa de me encontrar de repente, diante de um grande filme. A surpresa então foi maior ainda, porque sabia de antemão que era bom, e me surpreendi bastante. Tudo é bom no filme. Roteiro, direção, atores, música (fantástica). Além de tudo, é a adaptação de um livro, o que torna a façanha maior ainda. Selton Mello realmente causa um impacto inesquecível com sua atuação, mas outros atores, inclusive uns que aparecem uma única vez também. Para fazer um filme daqueles é preciso muito, muito talento. Muita competência. Incrível.
Não me arriscarei a fazer uma análise do personagem, e sem querer de forma alguma diminuir as qualidades fantásticas do filme, acho que posso afirmar que Lourenço ( o personagem principal), é facilmente compreendido à luz da psicanálise. Quem já leu "O homem dos ratos", nas obras de Freud sabe disso. Acredito que a facilidade de compreeensão da dinâmica do personagem, só qualifica ainda mais o filme. Afinal, uma coisa é saber que algumas pessoas encontram-se fixadas na fase anal, possuem características obsessivas proeminentes... outra coisa é contar isso, mais ainda é filmar, de forma magistral, isso. Não penso como Arnaldo Jabor que a humanidade um dia pode vir a ser aquilo, ou que aquele pode ser o retrato de um amanhã. A humanidade é aquilo ali desde que existe. Lourenço não é um produto da modernidade, ele é um representante ultra-legítimo de uma humanidade que sempre viveu tangenciando entre a merda e a grandeza, entre a estupidez quando de frente a algo por demais desejado, e a mesma estupidez diante de alguma coisa que lhe faz sentir mal. Só uma característica de Lourenço realmente divide os homens: sua incapacidade de sentir pelo outro. De grandeza, Lourenço não tem nada. Ainda assim, ganha a nossa empatia. Talvez pela oportunidade que ele nos dá de reconhecer nele nossas miudezas mais mesquinhas. Talvez. Mas também por essa condição nossa, humana, de gostar também de gente ruim quando olhada de perto.
sexta-feira, 30 de março de 2007
Problemas com o blogger
Quase não consegui postar hoje. Muitas conversas com o google, muitas tentativas de entendimento do que estaria acontecendo para afinal, eu consegui postar (verbo novo?). Diferentemente de outros momentos, tentei por mim mesma, não pedi suporte a ninguém. É chegado o momento de entrar de vez nesse mundo virtual. Então deu. Aliás, acabei de conversar com um amigo querido, que vive em outro país através de um recurso fantástico: o skype. Nos falamos e nos vimos com custo zero. Não é fantástico?
Hoje vou assistir " O cheiro do ralo", com Selton Mello. O filme foi considerado por Arnaldo Jabor uma obra-prima do cinema nacional. Vou conferir.
Hoje faz mais um dia de sol e calor no Rio de Janeiro. Eu estava com saudade desse Rio de calor, do céu azul, das pessoas dizendo: "que calor...". Carioca adora comentar o tempo. É engraçado... A concentração dos comentários acontece no elevador, onde as pessoas encontram-se em um confinamento muito breve, e que, de forma constrangedora, fazem essas observações singelas.
Aliás, por falar em singelo, que gracinha a nobre mão direita do príncipe Willian no seio também direito da brasileira pernambucana que vendeu a foto para o The Sun. Ficou famosa no mundo inteiro como uma moça de virtudes controversas... Bom começo para alguém de 18 anos que estuda em Londres, não?
Ontem outra história interessante foi a compra da Varig pela Gol. O dono da Gol começou como motorista de caminhão. Hoje é um dos homens mais ricos do mundo. Brazilian dream.
Inté.
Hoje vou assistir " O cheiro do ralo", com Selton Mello. O filme foi considerado por Arnaldo Jabor uma obra-prima do cinema nacional. Vou conferir.
Hoje faz mais um dia de sol e calor no Rio de Janeiro. Eu estava com saudade desse Rio de calor, do céu azul, das pessoas dizendo: "que calor...". Carioca adora comentar o tempo. É engraçado... A concentração dos comentários acontece no elevador, onde as pessoas encontram-se em um confinamento muito breve, e que, de forma constrangedora, fazem essas observações singelas.
Aliás, por falar em singelo, que gracinha a nobre mão direita do príncipe Willian no seio também direito da brasileira pernambucana que vendeu a foto para o The Sun. Ficou famosa no mundo inteiro como uma moça de virtudes controversas... Bom começo para alguém de 18 anos que estuda em Londres, não?
Ontem outra história interessante foi a compra da Varig pela Gol. O dono da Gol começou como motorista de caminhão. Hoje é um dos homens mais ricos do mundo. Brazilian dream.
Inté.
quinta-feira, 29 de março de 2007
O início
idade: 34 anos.
profissão: das saúdes da mente
cidade: Rio de Janeiro
Sexo: bastante feminino
estado civil: sem importância para um blog
ponto positivo: não-fumante
pontos negativos: iguais aos de todomundo por aí
desejos: vários
temores: perder as pessoas que amo
crença: na vida
lugar mais bonito que conheceu: Rio de Janeiro
Admira: pessoas felizes, algumas pessoas muito tristes
Reconhece: é muito difícil para alguns lidar com as dificuldades inerentes ao estar simplesmente vivo
Orgulho: ser brasileira
Outro orgulho: por ser brasileira, entender as letras das músicas brasileiras
Entende: a situação da violência hoje no Brasil, sobretudo no Rio de Janeiro, deveria ser a prioridade governamental
Gosta: animais, comida, viajar, ouvir música, cinema e literatura
Desgosta: lugares cheios, sensacionalismo
Acha feio: pessoas malhadas demais
Qualidade: gostar de ouvir
Defeito : impaciência
Considera injusto: entre outras coisas, a taxação do imposto de renda
Frases:" Não existem fatos, só interpretações." Nietchze/ "um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar" Chico Science
Amanhã tem mais. Até mais ver.
profissão: das saúdes da mente
cidade: Rio de Janeiro
Sexo: bastante feminino
estado civil: sem importância para um blog
ponto positivo: não-fumante
pontos negativos: iguais aos de todomundo por aí
desejos: vários
temores: perder as pessoas que amo
crença: na vida
lugar mais bonito que conheceu: Rio de Janeiro
Admira: pessoas felizes, algumas pessoas muito tristes
Reconhece: é muito difícil para alguns lidar com as dificuldades inerentes ao estar simplesmente vivo
Orgulho: ser brasileira
Outro orgulho: por ser brasileira, entender as letras das músicas brasileiras
Entende: a situação da violência hoje no Brasil, sobretudo no Rio de Janeiro, deveria ser a prioridade governamental
Gosta: animais, comida, viajar, ouvir música, cinema e literatura
Desgosta: lugares cheios, sensacionalismo
Acha feio: pessoas malhadas demais
Qualidade: gostar de ouvir
Defeito : impaciência
Considera injusto: entre outras coisas, a taxação do imposto de renda
Frases:" Não existem fatos, só interpretações." Nietchze/ "um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar" Chico Science
Amanhã tem mais. Até mais ver.
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