quarta-feira, 25 de abril de 2007

Franca nostalgia

Tantas novidades eletromagnéticas que eu nem sei...
Meu mundo foi crescendo com telefones (fixos), televisão, aparelho de som 3 em 1 (vinil), controle remoto, máquina de escrever, carro para poucos, ônibus para todos, trem baratinho pra estudante poder pegar sem problemas, cinema na Praça Saens Pena, bicicletas Caloi e Monark, videocassete para alguns. Na cozinha fogão, geladeira, liquidificador, batedeira, microondas um pouco depois. Avião era pra rico, navio pra milionário.
No verão fazia calor , no inverno chovia e fazia um pouco de frio às vezes. Uma vez nevou em Itatiaia, uma outra em Porto Alegre e saiu no fantástico as duas. Lembro da minha primeira vez em São Paulo, foi em março, há uns 18 anos, e fazia um frio de gelar o osso.
Os Estados Unidos eram considerados o país da liberdade e da democracia. Não se falava na China . Não se falava em globalização.
Nossa, o passado não tem tanto tempo...! Hoje existe um telefone que anda com a gente, máquinas digitais, computador, internet (maravilhosa), palm top, mp3, ipod, skype, a música eletrônica vingou. O 3 em 1 faliu, o vinil faliu, há igreja universal e outras na Saens Pena, onde eu assisti Top Gun e Nove Semanas e meia de amor, Procura-se Susan desesperadamnte, Cemitério Maldito, A insustentável leveza do ser...
A cozinha não mudou muito, ainda tem as mesmas coisas, um pouco mais sofisticadas, mas não dá pra fazer muita coisa diferente além de cozinhar e bater papo.
Há milhares de pacotes de viagens aéreas e marítimas para todas as faixas de possibilidades. Carro se compra à prestação, em até 6 anos.
As bicicletas vêm até para o tamanho certo da bunda se bobear.
Faz calor no frio, e chove no verão. Quando não chove vem a seca. Todomundo fala em ecologia.
Esse período do meu passado foi a pós-ditadura imediata, onde tudo iria melhorar um dia.
Eu tenho saudade de tudo isso...
Mas essa deve ser a velha nostalgia de quem acha que a sua época sempre terá sido melhor que a de hoje. Vai ver que é pura inveja dos tempos maravilhosos e modernos atuais!

terça-feira, 24 de abril de 2007

Beleza

Já se olhou de verdade? Sem maquiagem, sem pentear o cabelo, sem arrumação qualquer; e se viu feia, feia mesmo? Certamente que sim. Como certamente já se olhou e se viu linda, bela como nunca. Isso é possível? Claro que sim. A beleza não depende do material apresentado; depende de como se olha e depende do estado de espírito. Agora, além disso, tal olhar sobre si mesmo é capaz de exigir um grau de sinceridade e disponibilidade para se ver o que se tem no lugar daquilo que desejaria que estivesse ali. É através desse olhar que uma dificuldade maior se coloca.
Novamente a pergunta de um jeito mais explicado anteriormente: Você já se olhou mesmo e viu o que não gostou? Ou o olhar que tens de ti mesma te coloca sempre muito mais bonita do que realmente és?
Nesse momento doido de culto à aparência, da perseguição de um "padrão" que jamais será um padrão, pois poucos o possuem, de forma que a palavra padrão tem sido usualmente utilizada de forma errônea..., há que se cuidar para se cuidar, porque mora-se no corpo.
Mas pensemos um pouco melhor no quanto de patológico pode ter nisso tudo. Não bastasse a loucura do mundo em que moramos, temos agora, sobretudo por parte das mulheres, uma busca muito doida pelo não-envelhecimento. Vejo mulheres de peles estranhamente finas, seios curiosamente empinados, com algum grau de espanto. Só recentemente é que tomei conhecimento, melhor dizendo, me conscientizei de que grande parte das mulheres corrigem-se cirurgicamente demais, usam botox demais, malham demais... Para quê? Ficar mais bonitas e atraentes deve ser a resposta. Não há nenhum problema em se utilizar um recurso ou outro da medicina,da estética, para ficar mais bonita. O que me causa espanto é a espécie de norma que surgiu a partir disso. Vem cá, não dá pra ficar legal, se sentir bem gordinha, com pelanquinhas e ruguinhas? Ou não pode? Reforço a importância do auto-cuidado, de uma boa alimentação, atividade física regular, um bom filtro solar... Mas gente, tá demais!
Parodiando Fernando Pessoa, onde há que há gente nesse mundo? Ou ainda, onde anda a auto-estima feminina? Tristemente, vejo que para muitas mulheres ser mulher é manter acesa a capacidade de sedução sempre. Manter os seios durinhos, a pele lisinha, a coxa durinha.- É bacana, mas não dura para sempre.
Eu vou acreditar que gente pode ser bonita sempre. E que os traços da maturidade guardam uma beleza do tempo que tem sido apagada por essa idéia de uma estética persistente no corpo da juventude.
Como uma mulher de sessenta anos bem cuidada, razoavelmente cuidada, pode ser bela!

terça-feira, 17 de abril de 2007

Armas

No mesmo momento em que o mundo se volta para os Estados Unidos onde um rapaz sul-coreano fuzilou 32 pessoas em uma universidade na Virginia, acho oportuno falar sobre o crescimento em 5 vezes da produção de armas no nosso país, entre 2002 e 2006. Nosso país encontra-se entre os 5 maiores exportadores de armas de fogo do mundo.
Não encontrar uma associação entre essa produção crescente e a também crescente violência urbana é no mínimo ingênuo por assim dizer.
Além do aumento da produção, grande parte da venda de armas no Brasil retorna ao próprio Brasil, o que sinaliza um controle de fronteiras deficiente, colocando em questão a Polícia Federal e o o próprio exército. Nosso "forte" são as pistolas e revólveres comuns. Outra coincidência serem essas as principais armas que matam suas vítimas, geralmente por motivos, infelizmente, cotidianos, como os assaltos à mão armada.
Seres humanos não nasceram para andar armados, seres humanos não vivem para se defender. Não em um mundo construído para ser entendido e construído como civilizado.
O melhor dos mundos, se existisse, seria para sempre estragado caso seus habitantes passassem a portar armas. Somos instintivos. Não dominamos e não é o caso, o de dominar nossos instintos, para enfim usarmos armas de fogo. Não, nós não fomos feitos para isso. Fomos feitos para descobrir a palara, a linguagem e o diálogo. Não podemos aceitar uma sociedade que tem o poder da morte garantido pela Constituição. Em pleno século XXI é impressionante que ainda haja gente que defenda a pena de morte como uma punição eficiente em termos de redução da criminalidade, ou pior, como a punição merecida em alguns tipos de crimes, como os hediondos. Eu não vejo castigo pior para alguém do que a perda da liberdade. E não só isso, vida (?) na prisão. Qualquer uma. Para mim, viver anos em uma penitenciária é pior que qualquer morte. É morrer dia após dia um pouco e cada vez mais. É assistir passivamente sua alma ser corrompida, humilhada e ultrajada todos os dias, além dos castigos corporais, a ameaça constante sobre o corpo. Será que isso não é o bastante? Para quê a morte? Qual o serviço da morte? Reduzir o número de prisioneiros e com isso o dinheiro do Estado gasto com as prisões? Encontra-se com isso a justificativa? Há quem ache que sim. Eu não.
"Nunca, em tempo algum, punição alguma melhorou o mundo ou evitou que crimes fossem cometidos". Filme Não matarás, de Kristof Kielowsky.
Para poucos, muito poucos, a legislação evita o crime. Para a maioria ela simplesmente inexiste.
Não existe para nossa população jovem favelada um Estado. Eles mal tiveram acesso à escola. Talvez só conheçam a polícia como uma força do Estado. A maioria desses jovens nasceu há pouco menos de vinte anos, em um Brasil cada vez mais capitalista, globalizado e desigual. Mais sobretudo, um país cada vez mais armado, e hoje muito armado. Esses jovens cresceram longe do convívio em sociedade, vendo seus amigos e familiares serem trucidados pelo aparelho do Estado. Eles não tiveram bolinho de aniversário, seus pais ( o pai), quase que inexistem, suas mães trabalham fora como domésticas ou operárias...não conhecem regras minimamente razoáveis de convívio civilizado, não dimensionam a importância do outro, nem a sua. Não podem sentir a dor pelo outro. Criamos uma geração inteira armada e sem perspectiva. Aliás, sua única perspectiva, revelada não só dentro da favela por seus pares, mas sobretudo pelos meios de comunicação e pela pequena distância entre o ter tudo e o não ter nada em um cidade como o Rio de Janeiro, produz nesses jovens o desejo de seguirem em frente com seus impulsos, com um dos objetivos mais primitivos da existência humana, o de possuir alguma coisa. E possuir alguma coisa nos dias de hoje tornou-se a grande mola social. É dentro dessa posse que se encontra a possibilidade de transparência social, de conquista amorosa, de respeito. Em uma sociedade onde todos valem pelo que possuem, não é difícil compreender esse fenômeno tão atual como a violência urbana. Em uma sociedade onde os valores remontam ao primitivo do ser humano, onde esse ser humano que menos possui encontra-se armado até os dentes de fogo e desejo de existir por alguma razão, e onde essa razão é traduzida por um bem material ou status social, não seria um equívoco enorme pensar que o quê de fato precisamos são leis mais rigorosas?
Precisamos ter cuidado, muito cuidado com isso. Toda situação medo, onde todos nos sentimos vulneráveis, há o perigo de chegarmos ao ponto de nos tornarmos radicais, encontrando na lei e na ordem puramente, as políticas com as quais nos identificamos. Uma massa amedrontada apóia ditaduras de força. Precisamos ter muito cuidado.
Hoje a manchete do Globo em relação ao assassinato de 32 jovens no campus da universidade americana, foi: " A maior tragédia das armas". Como se a maior tragédia das armas não estivesse bem aqui no Rio, ou bem antes, nas duas guerras mundiais, ou depois, na Guerra do Iraque.
As mortes de ontem nos Estados Unidos, por um atirador jovem resumem bem o ódio e a estupidez presentes naquele país. Temo que nossos jovens façam o mesmo com a divulgação maciça dessa notícia. Loucos sanguinários perseguem notoriedade.
Hoje não escolhi algo ameno para escrever. Às vezes não é possível.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Jogos

Apesar de tudo foi um jogo emocionante.
Não, eu não assisto com freqüência jogos de futebol.
No entanto foi um jogo bom, charmoso como o futebol carioca é (ou era para alguns). Um clássico. Eu acho que o mais bacana no futebol é essa irracionalidade desmedida, essa paixão por uma bola rolando. A transformação em técnica e em esporte profissional daquilo que já foi apenas uma brincadeira. O futebol é um espaço onde podemos nos perder de tudo, onde não precisamos demonstrar nenhuma racionalidade quando em estado de puro apaixonamento. Como toda paixão duradoura e única é um terreno onde deseja-se a plenitude do divertimento, onde reinvidica-se o direito a um estado de descompromisso com tudo o quê não se refira diretamente ao objeto desejado: o gol, o bom jogo, a emoção.( Acho que muitas mulheres não gostam de futebol porque não o conhecem, nunca se permitiram entrar em um estádio lotado e gritar pelo seu time...algumas acham mais divertido correr atrás de buquê em casamento. Ops! Acho que isso representa uma perda importante para mulheres potencialmente apaixonáveis por um jogo).
A idéia é a mesma: proceder ao descompromisso, vivenciar a emoção , seguir em frente com o desejo. Uma forma de concretizar a avalanche emocional que somos todos, de sairmos por aí festejando a vida por qualquer pretexto, de sermos felizes, de mantermos o otimismo e uma suposta e às vezes verdadeira, adversidade com o time diferente do nosso.
Gostar de um bom jogo também é gostar de si mesmo, dar-se ao bel prazer de não ter nenhuma explicação para dar.
Gosta por quê? Porque gosto.
Ama por quê? Porque amo.
Acha bonito por quê? Porque é bonito.
Pretende o quê? Não pretendo nada.
Não tem explicação? Não.

Até mais ver.

terça-feira, 10 de abril de 2007

I`ll try to fix you

Feliz por usar uma só muleta!
Feliz por voltar a pisar com o pé direito. Feliz por poder segurar um copo, por poder me deslocar com meu celular na mão, por poder beber água segurando meu próprio copo entre a pia e a mesa.
Sim, trying to fix me, myself or anything else, produtos da música que ouço agora em conjunção com o que escrevo.
Consertando-me, consertando o meu tornozelo, consertando a minha vida e me movimentando melhor, com toda a liberdade redescoberta.
Trying to fix me. Eu amo Coldplay.
WHEN YOU TRY YOUR BEST, BUT YOU NOT SUCCED,
WHEN YOU GET WHAT YOU WANT, BUT NOT WHAT YOU NEED...
Beautiful song. Fantastic is not to have the strong obligation of saying anythig, having a blogger without any commitiment else.
Introspecção mística.
Good guitars. Heavy sounds. Mistic.
Apenas feliz por voltar a pisar com o mesmo pé de sempre. O mesmo pé direito de antes. O de sempre. Trying to fix me.
Tudo passa.

300

Sim, eu vi.
Trata-se do filme sobre os 300 espartanos que resolveram enfrentar o exército persa, aliás, não sei se o correto a chamar é exército, mas uns milhares de combatentes a mais que o simples trezentos.
Gostei.
Gostei porque aprecio filmes de lutas violentas. para mim é um divertimento, é lúdico. Sim, para mim e para os milhões de brutamontes anônimos que gostam de filmes com banhos de sangue como esse. Parênteses defensivo: Gosto de banhos de sangue bem contados, mocinhos X bandidos (?) definidos, algo assim, infantil por dizer. Não gosto de filmes de torturas ou violência dessas possíveis dos dias de hoje. Não assisto filmes de guerra. Já bastam as que existem. É ficção, todos são, mas não gosto. Mas gosto de filmes como Clube da Luta, Amor à queima roupa, Tarantino, Seven, Jogos Mortais... Difícil explicar, não? Não gostar de uma coisa e gostar de outra... Pois então.
Quero voltar ao 300. Resumidamente, um épico infanto-juvenil modernoso, tecnológico, bem feito. Zero de valor histórico, apenas entretenimento. Feito para vender a idéia da liberdade defendida pelo ocidente em relação a um oriente dominado por um débil-mental sanguinário, esse nem interpretado por um ator norte-americano, e sim por um latino, Rodrigo Santoro. É persecutório ou não ficaria bem um nórdico legítimo interpretar um imperador persa homossexual?
Todos os 300 são incrivelmente malhados, o que denota a preocupação do filme com a superficialidade das importâncias, com essa estética medíocre que tomou conta de Hollywood e da televisão brasileira.
Tem razão a embaixada do Irã declarar nota considerando o filme um desrespeito à história e ao povo iraniano. O filme é uma sacanagem com o Irã. Não sei não, mas parece que foi feito pra isso.
Nota-se ainda o bonequinho do Globo batendo palmas de pé. Há um tempo atrás apenas filmes excepcionais ganhavam essa categoria, não bastava ser bem dirigido e fotografado, com bom desempenho dos atores...
Havia mais subjetividade dentro da crítica. Ou seria mais humanidade?
O filme trezentos merece o bonequinho sentado, e nada mais.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

O homem apaixonante II - A tirania do desejo

O homem apaixonante sabe que pode apaixonar em todas as idades, sabe que pode fazer muito feliz mulheres de todas as cores, poderes, idades, sexualidades, prioridades. Ele nasceu com a responsabilidade de manter uma tradição familiar, ligada às mais remotas ancestralidades. Ele deixa uma mulher de quatro, de joelhos por ele. Ele é um sucesso. Dificilmente se encontra vinculado a uma única mulher, quando isso acontece costuma ser temporário. Costuma ter sempre um alguém no background, para estar disponível quando uma situação mais difíci pegar, ou a oficial não puder lhe dar a devida atenção. O homem apaixonante tolera mal algumas coisas. No entanto seu discurso é libertário, apaixonado. Defende a filosofia existencialista de Sartre, vê em cada mulher um algo mais, em quê além daquele que a mulher real costuma ter, certa coisa inatingível, um mistério indecifrável a decifrar. Nova conquista, nova emoção, nova razão de existência. Mantida a capacidade de sedução, mantida sua integridade, um novo gozo a cada dia. Viver pelo prazer.
Mantida a fórmula, o homem apaixonante coleciona. Em cada conquista, uma perda. Ele raramente percebe que é tiranizado por seu desejo, e que perde a oportunidade de aprofundar uma vivência íntima com alguém de verdade. Alguém que não é perfeita, como ele; que é chata algumas vezes, como ele; que nem sempre está linda e bem-humorada, como ele.
O homem apaixonante, quando se recusa a crescer, continuará apaixonante. No entanto, ao ficar mais velho é mais facilmente reconhecido por suas mulheres como o menino disfarçado que sempre foi... mas continuará encantando mulheres de muitas gerações...

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Um comentário rápido e inevitável

Que vexame o Vasco!
Perder de 2X1 para o Gama em pleno Maracanã? Ficar fora da Taça Rio? Romário não conseguir fazer o milésimo gol?
Parece um pesadelo...
Qual o problema mental do Vasco?
Quanto horror...
Ainda bem que eu comecei o blog dizendo o quanto era difícil ser vascaína. E é mesmo.
Tempos melhores hão de chegar.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

O homem apaixonante

O homem apaixonante não é o mais bonito, tão pouco o mais rico, ou o mais inteligente. O homem apaixonante tem um quê a mais, um jeito meio bobo, meio safado, meio sério, dividido. Ele não possui qualquer fórmula, qualquer rótulo. Ele apaixona porque nasceu para apaixonar as mulheres.
Mas o apaixonamento que provoca costuma ser invarialvelmente proporcional à idade de suas vítimas, quanto mais jovem a mulher, mais ela irá se apaixonar por um apaixonante profissional.
Entre as meninas de 15 a 20 anos ele costuma ser um sucesso inabalável. Entre as mulheres de 20 a 30 anos ele mantém o status de inesquecível, com alguma crítica. Essa é a fase em que elas se encantam e correm o risco de se casarem com ele. Entre as mulheres de 30 e 35, seus encantos permanecem devido à realidade da carência nessa fase, principalmente depois de uma separação, ou grande decepção. Acredito que entre as mulheres de seus 35 aos 40, a fórmula se mantenha, sem tantos conflitos , porque as mulheres neese momento de suas vidas não têm muita paciência com alguém muito indeciso e problemático... Mulheres acima de 40 anos estão no auge da maturidade sexual e preocupam-se mais com alguém que possa satisfazer um sex appeal intenso. Caso o homem apaixonante tope, ela corre o risco de se apaixonar violentamente. Uma incógnita o que pode acontecer daí... Mulheres de 40 anos não são bobas, podem curar um apaixonante de profissão...até mesmo porque eles já estão mais velhos nessa fase. Mas o sedutor incorrigível nunca deixa de seduzir...Há quem goste, não?

Bom, esse é um assunto extenso... Fica para amanhã a continuação. Inté.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Minhas copas preferidas

Eu tinha 5 anos quando percebi todos à minha volta completamente absorvidos por um jogo de futebol. Era um dia de sol, muito claro. Perguntei a alguém o que era aquilo, fiquei sabendo tratar-se da Copa do Mundo. Quando haveria outra?- perguntei. Ah, só daqui a 4 anos..., me responderam, dizendo ainda que eu teria então 9 anos! Fiquei louca que chegasse, menos pela Copa e mais para fazer 9 anos. Mas acho que o jogo que eu assistia naquele dia era o Peru X Argentina, quando o Peru "abriu" as pernas para a Argentina e tomou sei lá quantos gols. Era plena ditadura aqui e lá na Argentina também (1978), e parece que era importante que a Argentina ganhasse a Copa, tipo pro povo ficar mais feliz, essas coisas. Nós já tínhamos as nossas na nossa ditadura.
Chegou a copa de 82. Seleção inesquecível canarinho. Pintamos a rua. Eu saía mais cedo da escola para assistir os jogos do Brasil. Cantávamos "voa canarinho, voa. Mostra pra esse povo que és o rei...". Que lembrança maravilhosa...Morava então em pleno subúrbio carioca, em uma época que ficou no passado, mas onde não havia qualquer preocupação com balas perdidas, tráfico ou qualquer dessas realidades tão tristes. E olha que não faz tanto tempo assim, são 25 anos! E completamente diferente... mas esse é outro assunto.
Primeiro jogo da famosa copa: Brasil X União Soviética 2 X 1 Brasil! Junior sambou na frente do goleiro soviete...inesquecível. Como também inesquecível a seleção. Não me lembro de todos, mas acho que da maioria: Telê Santana (técnico), Waldir Peres (goleiro), Leandro (ponta-direita), o indescritível Serginho (acho que zagueiro, conseguia ser pior que o Ronaldo Gordo e o Roberto Carlos na última copa), Zico, Falcão, Sócrates, Junior e o gatinho do Éder. Não me lembro dos outros, talvez Cerezo, não tenho certeza. Quanto orgulho dessa seleção! Como era bom torcer por ela!
Pulo para as quartas-de-final, porque não me lembro dos jogos, só o primeiro e o último. O fatidico jogo contra a Itália, aquele em que o Zico perdeu o pênalti. Lembrar disso me causa taquicardia, me remonta à emoção daquele dia horrível em que o horripilante Paulo Rossi tomou de vez, um lugar na minha vida. E a seleção italiana de futebol o lugar também eterno de infinito repúdio, o maior de todos, maior que o do Flamengo. Mulheres são muito emotivas.
Chorei muito naquele dia. Chorei o dia inteiro, porque a minha seleção canarinho tava fora da copa, e eu era uma criança de 9 anos que via seu sonho acabar, o sonho de ver o Brasil campeão do mundo... teria que esperar 12 anos.
Só retomei a paixão pela Copa no ano passado, e acompanhei todos os jogos quando chegamos às oitavas (jogos do Brasil e todos os outros). Não quero comentar as características da nossa seleção de 2006, todomundo está cansado de saber, mas sei que fui idiota, ou melhor, apaixonada. Quem se envolve com o futebol, perde conexões neuronais importantes. Quero dizer que, apesar de todas as evidências, eu achava que o Brasil poderia vir a se sair bem. Inclusive no jogo contra a França, já no segundo tempo, quando nossa seleção dava todas as mostras de mediocridade, eu considerava possível uma belíssima vitória. Não havia em mim qualquer richa (é assim?) relativa à derrota para a mesma França em 98, (naquele dia o Gordo teve convulsão ou sei lá o quê, jogamos mal e merecemos perder, não foi como em 82). Até o momento do também fatidico passe de Thiery Henry para o magnífico Zidane, (enquanto o Roberto Carlos ajeitava o meião devido a uma coceira), fazer o único gol da partida...e lá se foi o sonho do hexa naquela eliminação humilhante.
Acabou o jogo. Acabou a Copa para o Brasil. Parreira recebeu logo depois uma proposta milionária e pra lá se foi. E que fique por lá.
Torcer pra quem? Portugal. Ficou nas semifinais.
Grande dia de final de Copa: França X Itália, a abominável Itália de sempre. É claro que eu torci para a França, e é claro que quase não acreditei quando vi Zinedine dando aquela cabeçada no italiano babaca, Matarazzi. Quanta tristeza ver aquele jogador no dia de sua aposentadoria dando adeus daquele jeito. Detesto justificativas morais para atitudes não-racionais como aquela, portanto prefiro não falar sobre isso especificadamente. No entanto, considero um ato de covardia não-física o que aquele italiano fez, falar algo que ele sabia que iria mexer com o cara, no dia em que aquele cara era a estrela da partida máxima do futebol.
Pronto, time francês desfalcado, golpeado psicologicamente. Perderia nos pênalts. E aconteceu. Para mim a França foi campeã. E que se dane a Itália.

Até 2010 vou fazer o possível para estar na África do Sul.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Vascaína

O chato de ser vascaína é que além de ter um azar danado com o Flamengo é também ter azar quando joga com o... Botafogo. No dia em que todo o Brasil espera que o Romário faça seu milésimo gol, bolo pronto, festa organizada, tudinho; não só ele não marca como o Botafogo ganha de 2 a 0! O que é isso? Isso é ser vascaíno. Fui a duas finais do estadual no Maracanã, acho que em 98 e 99, e nas duas saí de lá com a terrível frustração de perder do...abominável Flamengo. Desde então meu time não ganha nenhuma decisão contra o Flamengo há 8 anos. Consegue vencer o Internacional em plena Porto Alegre um pouco antes dele vencer o mundial de clubes do time do Ronaldinho Gaúcho, quando o Barcelona era o favoritíssimo, no mundo todo! Ganhar do Flamengo em decisão? Sina!
Mas nada como uma boa memória. Eu estava lá, em 1988, quando no final do segundo tempo, em outra decisão do estadual, entra Cocada, faz um gol e o Vasco é o campeão! Também vale a pena lembrar do gol de barriga do Renato Gaúcho bem no finalzinho do segundo tempo, quando estava 2 a 2... Lindo! Adorei o Fluminense. Aliás, a sina dos flamenguistas é o Fluminese, e isso é muito divertido. Não importa se o Fluminense tá bem ou mal, na verdade nunca está bem... mas o Flamengo treme todinho quando joga com o Flu...fru, fru.
E outra coisa insuportável é aguentar a torcida, certamente de maioria deficitária cognitivamente, do Flamengo. Gritam como...flamenguistas.
Mas futebol é isso aí.
Não deveria ser coisa pra mulher ficar comentando, porque nós do sexo feminino usamos muito nossa emoções. Fru, Fru Flamengo!
Futebol é coisa pra macho.

domingo, 1 de abril de 2007

Da descoberta de si mesma

Nesta manhã de domingo de sol, Rio de Janeiro, muitos graus e nenhuma nuvem, deixo a poesia em prosa contida na música Amor I love you, de Marisa Monte e Carlinhos Brown:


(...) Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreveram aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!
Eça de Queiroz (1878)- O primo Basílio

Mães acolhedoras

Eu nunca tinha ouvido falar de mãe acolhedora. Ontem conheci uma. Uma senhora de seus cinquenta anos que cuida integralmente de um menino de 10 meses, sendo responsável inclusive pelos custos financeiros, é claro. Ela diz que sempre fez trabalhos voluntários, e resolveu cuidar daquela criança quando o conheceu, durante visita a um abrigo, quando ele tinha dois meses. Conseguiu autorização judicial para cuidar do bebê enquanto ele não é legalmente adotado por uma família. O bebê é filho de uma mulher portadora de doença mental e sofria maus-tratos. Ela trata do baby como filho e fala: "Vem com a mamãe". Pergunto como ela conseguirá se separar da criança quando chegar a hora, ela diz que não sabe. Diz ainda que já manifestou o desejo de ficar com a criança definitivamente, mas que há uma fila de mil e seissentas pessoas querendo aquela criança. Diz ainda que a juíza fala que o menino não irá se lembrar dela e que isso não tem maior importância. Entre parênteses: O menino é muito risonho, alegríssimo, saudável -deve ser bem cuidado, não? Voltando: Como entender isso? Como a justiça entende o bem estar de uma criança? Por que há tanta gente querendo adotar uma criança, há tanta criança abandonada precisando de cuidados, amor, e existe tanta dificuldade? Como cuidar de um problema tão delicado, se o poder exerce a função final de cuidador , ainda que provisório? O que o poder judiciário compreende a respeito de vínculo afetivo?Parece que muito pouca coisa.
A noção de direito está unida à noção de propriedade. Nunca estudei teoria do direito, tiro essa conclusão em função do que é possível ser vivido com a experiência. Uma criança abandonada é considerada propriedade do Estado ou é dever do Estado garantir a essa criança seu bem-estar? Porque se a segunda opção for a verdadeira, não deveria o poder judiciário rever profundamente essa questão? A criança não deveria ser pensada através de seus vínculos afetivos estabelecidos em lugar de seus vinculos biológicos? Digo isso porque a prioridade para a adoção desse menino é de uma tia, irmã da mãe biológica do menino que já disse não querer ficar com ele...mas que abriria mão para a mãe acolhedora. Se o vínculo biológico é o reconhecido pelo Estado de direito então concluo mais uma vez que direito e propriedade estão fundamentalmente unidos, nasceram juntos.
Como uma juíza pode dizer que a criança não sofrerá nenhuma consequência com a separação? Quanta ignorância, senhora juíza...