segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Eduardo Campos Morreu

Notícia bombástica e que abalou a mim, a você, a todos nós.
Um cara dá uma entrevista em uma noite e horas depois, morre.
Fomos envolvidos por uma espécie de concretude do absurdo da vida.
Na manhã do dia em que ele morreria eu acordei com a reportagem sobre sua entrevista no Jornal Nacional. Horas mais tarde soube de seu falecimento em um violento ( e como não deixaria de ser) acidente aéreo.
Não há sentido em viver além de sentir.
Sinto muito.
Não era meu candidato. Eu não gostava dele devido aos royalties.
Mas sua partida repentina me chocou.
Pensei em seus filhos e na dor que é a perda de um pai na adolescência. Depois pensei em sua mulher, e o que li sobre ela fez com que eu passasse admirá-la tremendamente.
Que o Brasil possa se iluminar pelos desejos verdadeiros de mudança e de bem querer pelo nosso povo.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Ouvindo, amando

Minha mãe foi quem me ensinou poesia
Meu pai me ensinou a ouvir música
A música me ensinou a ouvir
Ouvindo eu comecei a entender
Entendendo passei a perguntar
Desentendendo passei a temer
Temendo resolvi enfrentar
Enfrentando voltei a temer
Ouvi música para voltar a escutar o som que me retornava aos por ques
Os por que que não me amedrontavam
O som que não sufocava
O som da música que libertava
Concretizando a magia de existir no espaço do ouvir.
Pude então voltar a perguntar, pois só o lúdico afasta o medo do pequeno
Escrevi, senti.

A epidemia da loucura

Ou senao, a loucura epidêmica. Ou entao, a loucura razoavel. Ou talvez, a loucura como protagonista das desrelações humanas, linguagem simbólica de um sintoma crepuscular do abandono de essências.

Criamos a linguagem do shopping center como centro de um imaginário de conquistas pessoais, mas que na realidade são um esboço de um esboço de relaçoes, pois não é motivacional o possuir rompido de seus significados fundamentais.

É ou não insano desejar estar aqui?
Local das reuniões entre desconhecidos e improváveis amigos. Sim, eu estou junto aos meus mais improváveis amigos.
Eu cresci no subúrbio, eu fiz ETFQ. Eu conheci as relações verdadeiras. Testemunhei uma época de desinteresses mútuos, excetuando aqueles nitidamente sexuais.
Mas não podemos nos deixar vencer pelo cansaço desse cotidiano extenuante de obrigações.

(incompleto; como a vida, os sonhos, e algumas percepções)

Próximo jogo Brasil X Chile

  No próximo sábado, dia 28 de junho de 2014, terei de viver grandes emoções. Seria mais fácil se a previsibilidade dos jogos anteriores permanecesse, posto que a essa altura eu já me sentiria mais facilmente preparada para enfrentar uma derrota dada como certa. No entanto, a entrada de Fernandinho no segundo tempo contra Camarões fez crescer em mim um vislumbre de possibilidade como seleção. Decisões de Copa do Mundo me deixam à flor da pele. Torço enfaticamente, sinto profundamente a derrota. Não soa nada indiferente, como eu gostaria que a mim parecesse grande parte da vida e das emoções. Mas para isso sei que teria que pagar o preço de não viver. Por outro lado também sentirei pelo Chile, se o Chile perder. Sinto-me portanto, um pouco mãe do mundo. Isso nada tem a ver com grandeza, talvez apenas seja culpa cristã. Vai saber. Afinal, jogo é jogo. Para um ganhar, o outro precisa perder.
Já vi o Brasil ser campeão mundial duas vezes em menos de 10 anos, uma em 1994 e outra em 2002. Não posso dizer que não vejo acontecer um título mundial há muito tempo...rsrsrsrsrs
Não haverá vitória se jogarmos como fizemos contra a Croácia ou o México. Nem como jogamos no primeiro tempo contra Camarões. Nossa chance chama-se Fernandinho e Neymar. Como coadjuvantes, Thiago Silva e David Luis. O Fred está atrapalhando. Neymar é incrível. E além de jogar bola excepcionalmente, falou , sem perceber, frase de incrível profundidade: " Não se sente pressão quando se realiza um sonho de infância."
  Sinto muito orgulho de ser brasileira, de pertencer a essa raça mestiça, latina, de tantos sotaques, de tanta diversidade. O futebol reúne o que em nós brasileiros pode haver de melhor, nossa paixão, nossa alegria, e esse dom para o futebol onde muito provavelmente nossa mistura empreendeu a construção de talentos inesquecíveis na História.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Sem emoção na seleção

Foi dada a largada na Copa do Mundo 2014, também conhecida como Copa do Mundo da Fifa.
Para mim, e para grande parte dos brasileiros, sediar uma Copa do Mundo tem sido, uma contradição em sentimentos. Se por um lado, emociona, por outro, enraivece. Sinto que somos apenas um local onde a Fofa nos honra com seu ultra mega super campeonato. Um simples objeto no qual a Fofa decide colocar uma megaestar americana abrindo a cerimonia da Copa. Se o motivo foi a latinidade da Jennifer Lopez, por que não a Shakira? Na verdade, por mim não deveria haver nenhum estrangeiro na abertura. Temos cultura de sobra. Não necessitamos de artistas estrangeiros sejam eles quem forem em um evento no Brasil. Abertura feia, boba e chata.
Primeiro jogo: Brasil X Croácia. Ruim. Ambos os times fracos, Croácia pior. Brasil3X 1.
Segundo jogo: Brasil X Mexico. Brasil decepcionante. 0 X 0.
Dias atrás um jogo emocionante rolava entre Holanda e Espanha. 5X 1 Holanda! Incrível.
Também a dois dias atrás Alemanha bateu Portugal em 4X 0! Show.
O Brasil não tem seleção para vencer desses últimos times goleadores.
Fica minha aposta: final da Copa: Alemanha X Holanda.
Sem emoção estou em relação à seleção. Não me importo se ganha ou perde, pois não há força suficiente para superar esses adversários e isso me parece mais do que certo.
Dizem que o futebol é uma caixinha de surpresas. Mas será preciso surpreender muito!



domingo, 15 de junho de 2014

Mais da mesma

Era uma vez uma pessoa que tentava muito agradar alguém.
Era uma vez uma pessoa que tentou muito agradar alguém.
Era uma vez uma pessoa que havia tentado muito ser aceita por alguém.
Não entendia.
Afinal, todos costumavam gostar dela.
Sofria. Chorava.
Os anos se passavam e ela continuava tentando.
Até que conseguiu que gostassem dela.
Porém tanto tempo passou que nada mais era como antes.
E talvez tenha passado tempo demais, esforço demais.
Por fim, ainda não era dela que gostavam, mas do que vinha com ela.
E parece que ao fim do começo dessa história era ela quem se cansava e não mais via graça.
Em nada. Essa relação passou a ter a cor da diplomacia. Mas sem emoção.
Ela então inaugurou pela primeira vez em sua vida a relação descoberta e redescoberta em seu afeto, mas com sede na superficialidade.
E deprimiu-se momentaneamente ao ter de aceitar a vinculação inevitável e já pobre desde a origem.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Praia do Futuro

Fui assistir ao novo filme do diretor de O cèu de Suely,( um dos melhores filmes que já assisti na minha vida), motivada pela nova obra e também pelo ator fantástico que é o Wagner Moura, e ainda, pela crítica favorável. Sabia que o Wagner Moura vivia um homossexual e salva-vidas.
Não sabia entretanto, que algumas cenas de sexo anal fariam parte do filme e cheguei a comentar que "as pessoas vão ficar furiosas vendo o capitão Nascimento naquela situação". Leio então, dois dias depois, página inteira de jornal analisando o preconceito do brasileiro em relação ao filme e às cenas de sexo.
O nome é preconceito?
As pessoas não tem  o direito de não gostar?
Não apreciar 3 cenas de sexo anal entre 2 homens é preconceito?
E não gostar de ver em um filme 3 cenas de sexo anal heterossexual também é preconceito?
E por que as 3 perguntas anteriores caberiam a brasileiros?
Eu acho que o Wagner Moura fez o filme para sacanear a polícia...
Sobre política em 2014

Andei bastante alienada e lendo O Globo como fonte de informação mais importante nos últimos anos.
Fiz questão de distanciar-me das mídias sociais em nome da privacidade.
Vivi reclusa o suficiente e confortável o suficiente para também me distanciar das causas sociais dos problemas políticos do meu país.
Também vivi grande perda (minha mãe), há quase 7 anos, o que me levou imperativamente a um longo e doloroso processo de reestruturação interna, e que, passado o luto, ainda se completa.
O fato é que houve considerável alienação.
Formei-me na UFRJ e antes da universidade, estudei em instituições públicas de qualidade. Minha formação fica à esquerda da escola neoliberal. Minha formação deve-se a um pensamento outro, que entre outros, acreditou na educação pública de qualidade. E graças a pessoas que nasceram e batalharam muito antes de eu nascer, pude estudar em bons colégios e cursar uma faculdade de medicina em uma universidade pública e de qualidade.
Devo a esse pensamento a minha vida, a minha felicidade.
Estranho-me então diante de mim mesma há tempos. Fui aos poucos percebendo o quanto meu pensamento vinha modificado e modificando-se à medida em que meu fechamento e meu conforto aumentavam. Sim, porque estar distante de meios acadêmicos, que lidam com a carência da vida social e buscam entendê-la, e estar próximo somente do mundo distanciado da realidade economicamente desfavorecida distorce essa mesma realidade. O problema do fechamento , um deles, é esse: a tomada do juízo de realidade a partir de um mundo muitíssimo particular, fechado ao incômodo sentido como desnecessário.
As pessoas mais favorecidas da zona Sul carioca, em sua maioria, acreditam em bom e mau, feio e bonito.
Tiro por mim e meu alheiamento por razões particulares, mencionadas aqui.
Sair da dicotomia e aprofundar na discussões ´política é bem mais difícil do que reclamar.
Mas tenho a impressão de que muitos brasileiros, principalmente os daqui , mais ao sul, desejam que todos os nossos problemas se resolvam sem muito esforço, apontando erros e desconhecendo soluções.