quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Ato falho

Hoje fui ao Santander fazer minha biometria. A contragosto mas fui.
Não gostaria de fornecer minha impressão digital a essa instituição criminosa chamada banco.
Qual a diferença entre assaltar um banco e fundar um banco?(essa frase não é minha, não lembro de quem é).
Em nome da segurança doamos nosso material exclusivo ao sistema financeiro. Não acredito na justificativa de uma ideia de segurança.
A minha impressão é outra. É a de controle mesmo. Esses caras estão se apropriando de digitais!
Eu vejo que como mais seguro para nós, as senhas.
E para os bancos, a biometria.
Se o equipamento não reconhecer minha digital em um sequestro (Deus me livre), sou eu quem me lasco. Já a senha não. O sistema dificilmente vai errar os números. Praticamente impossível.
Também tenho nojo de colocar o meu dedo ali. Todomundo coloca. E a gente sabe o que as pessoas costumam fazer com seus dedinhos. Coçam as partes, tiram meleca, coçam a cabeça, limpam a testa de suor, Coçam o suvaco.
Daí que eu sou obrigada agora a me ver cadastrada por um...banco...argh
Eu queria que esse mundo branco, eurocêntrico e que despreza a América Latina e a África se danasse também. Viva a negritude, a favela, o samba (ei, trumpinho, você nunca vai entender a delícia que é um sambinha e um chopinho em Copacabana ou no subúrbio; nasceu americano demais para entender e viver uma das melhores coisas que o mundo pode oferecer: sol e samba no rio de janeiro; ficou bilionário e virou presidente de um país que não queria você, de um mundo que o olha em perplexidade mútua, e vai morrer como qualquer outro mortal desse planeta, dentro de um caixão bonito, com alzheimer, que não deve tardar a chegar pra você, e honras de estado, um estado desumanizado de coisas que você certamente ajudou a construir). Viva nós daqui. E o mundo todo menos essa gente que acha mais graça em ganhar dinheiro do que nas milhares de outras coisas melhores que a vida pode dar.
Então hoje eu li: "Ganância geral, siga em frente".
Não!!!
Era Gerência Geral no Santander.
Quase acertei.
Por uma letra, ou melhor, duas letras trocadas, o óbvio revela-se em uma singeleza.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Eu sou muitas saudades

Perto da dor do mundo, a minha não existe.
Junto aos desvalidos do mundo, somos a minha cara quebrada de tanto sonhar e sofrer.
Mas o meu sofrer hoje é outro. É um sofrer de quem sofre sem dor.
Sofrer sem dor é saber da tristeza do mundo, do outro, das guerras, da fome, do maltrato e assassinato dos animais e da ecologia, da gente negra do meu país e da minha cidade.
Ainda assim e com tudo isso, sinto felicidade por estar viva.
Sinto tristeza com os caminhos do mundo, com essa doença mental chamada neoliberalismo avançando vida e morte afora e adentro, com esse ápice de desumanismo em prol da funcionalidade e de uma liberdade que significa verdadeira prisão.
Eu penso nos passarinhos e na literatura clássica que busco e leio e vejo neles a lindeza e a realidade de uma subjetividade generalizada que entende o mundo sempre no fim. É claro que nesse último ponto os passarinhos estão fora.
Mas o que tem feito com que eu não mais me desespere é a ideia de verdade que hoje eu carrego.
Não estamos aqui para sermos felizes. Estamos aqui para buscarmos felicidade, mas sobretudo estamos aqui para ser os gratos pela vida.
Somos testados o tempo todo e nossas ilusões são uma a uma, destituídas de lugar. Quanto maiores forem as nossas ilusões, maiores serão os nossos sofrimentos.
Fazer um exervício maduro de compreensão de nosso papel terciário na vida dos outros e protagonista em nossa própria, libertando-se pouco a pouco de um conjunto de necessidades materias e também afetivas,é o nosso papel principal.
"A vida não deixa de ser uma longa perda de tudo o que amamos." Vitor Hugo
Se nós não entendermos a mensagem real da vida que é: tudo passa, até a própria vida, e sua saúde mental e felicidade depende das condições desenvolvidas a fim de lidar com a perda da juventude, dos pais, amigos...e entender que essa também é a vida, você estará perdido em um mar de tristeza...em algum lugar...em algum tempo desses dai que nos leva...
Os mais fortes são os que tem condições de separação. Sempre serão.
Eu não pretendo ser forte. O meu desejo é não ser movida por algumas ilusões que restam.
Quero iludir-me com a pretensào da alegria sem justificativa e a despeito das tristezas do mundo.
Quero acreditar que oxigênio suficiente no nariz é muito bom pra começar o dia, que nosso ímpeto de autodestruição faz parte de um plano coletivo inconsciente para acabar um dia com todas as tristezas que restam  e que não fomos capazes de dialogar.
Pois o mundo só está de pé porque de algum modo ainda somos capazes de dialogar. Porque poder de destruição suficiente já existe para acabar com tudo por pelo menos uns quatro países.
Mas o que resta a nós que aqui estamos e temos gente que nos ama a não ser poder olhar o futuro com esperança e o presente com amor?
Se a razão de viver chama-se gratidão, como posso olhar o céu e não me emocionar?
Os momentos de paz eu vivo quando sorrio.
Os de alegria quando estou junto ou sozinha com memórias afetivas.
Os de contentamento quando olho a montanha verde.
Os de plenitude quando vejo o mar.
Os de paixão quando estou com meus meninos e algo simples e total acontece.
Os de volúpia quando estou em segredo.
Os de tristeza quando sinto que a perda é maior do que a vida.
E não.
A vida é sempre maior do que a perda, com excessão da guerra ou da tragédia que podia ser evitada.
Ainda assim, a vida insiste e sempre insistirá em ser maior no tamanho e a depender da história, algumas sobrevivem à tragédia e à guerra.
 Esses são os verdadeiros professores e as pessoas mais interessantes que costumam haver.
E por isso também mais uma vez serei e sou grata.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Deus

A negação de Deus vem da negação de uma ideia de Deus.
Na última semana, quando o time do Chapecoense sofreu o acidente aéreo que o vitimizou quase todo , foi curioso acompanhar no facebook as manifestações dos ateus.
O ateu utiliza como a confirmação de sua ideia de Deus, a tragédia.
Eles dizem:" onde estava o seu Deus quando esse avião caiu? Onde estava o seu Deus quando esse piloto decide não fazer uma escala para não pagar 17000 reais pelo combustível e taxeamento e multa?"
Eu proponho uma pergunta dentro da pergunta:" por que a sua ideia de Deus é a de total onipotência? Quais são os fatos que levam você a conceber uma ideia de Deus como um ser que tudo pode?"
Os ateus são os maiores crentes que já vi.
Entendem o mundo como um lugar que deveria ser, por princípio, bom ou maravilhoso. Por que, caras pálidas?
Por que a ideia de mundo entre vocês costuma estar aprisionada a uma concepção de evidente dicotomia?
Partindo dessa linha de argumentação inicial comumente utilizada pelos ateus, a de que a tragédia, a violência e o horror não caberiam em um mundo se houvesse Deus, eu os pergunto qual a razão para acreditarem tão arragaidamente em uma divisão como essa.
Pra mim, Deus é manifesto nas montanhas que nesse momento vejo, nos meus dedos deslizando em meu tablet, na viz do meu filho, nesse canto desses passarinhos que ouço, na vida que habita cada célula do meu corpo, no olhar carinhoso que recebo de um estranho na rua ou no supermercado, no cheiro da comida, na concepção que agora acontece em milhares de mulheres e no amor que brota delas, assim como no desejo puro e simples sem concepção mas com vontade, na luta pela vida em um CTI em todos os sobreviventes de todos os acidentes e nos nossos quatro brasileiros do vôo a Medellin interrompido por falta de combustível, mas sobretudo por falta de amor e onipotência em excesso.
Se Deus está em todas as coisas e eu o sinta sem que eu possa teorizá-lo, eu também o compreendo nos limites que a tudo vemos e tornamos conscientes a todo momento.
Por mais que um pai ou mãe amem seus filhos, eles não poderão tudo.
Deus, como a manifestação de amor, energia e força de criação, também não.
Porque quem ama, liberta.
Se o mal não existisse, Deus seria, ai sim, a própria contradição. Porque como amor puro que é, Ele (ou Ela), não poderá se perder em jogo algum de dominação. Sem dominação, os caminhos do mundo ficam por nossa conta. E Deus mantem a abertura para quem o procura, e pra quem também não. Os caminhos estão abertos, mas não há qualquer garantia de que a sua vida será boa se afinal, você encontrar, ou julgar encontrar Deus.
Se entre nós são tantos os caminhos e tantas as mesquinharias do cotidiano, com tanta guerrinha psicológica por tão pouco, não deveria servir de pretexto para o espanto o caos que parece reinar nesse mundo.
Se nós nos rendemos aos jogos de dominação que existem e tantas vezes nos preocupamos mais em manter nossas vaidades tão pequenas do dia-a-dia, pagando menos à empregada, por exemplo, fazendo uma chantagem emocional a um filho, deixando de responder a quem nos ama, o que podemos falar sobre o espanto com os fatos terríveis do mundo?
E por que nos perdemos em uma ideia totalizadora a respeito da maldade e da bondade?
Pra mim, Deus existe. Mas não o entendo como algo que tudo pode. Eu sei que ele precisa de mim, de muito esforço da minha parte, para que eu viva bem nessa terra. E ainda assim, as coisas podem não ir bem em algum momento, como já não o foram em alguns outros. E certamente outros virão.
Crer nesse Deus de pura bondade é, em última análise, estar ainda preso a uma ideia de mundo bastante infantil.
Porque Deus é puro amor na minha visão, mas pura força e energia.
Deus precisa que cada um de nós interaja com o mundo de uma forma positiva e generosa para que aqui seja um lugar de mais alegria do que é.
Mas issi não quer dizer que Deus seja perfeito...quando criou esse mundo e resolveu habitá-lo com essa raça dita humana, eu acho que Deus fez uma aposta em sua própria contradição, ao confiar a nós, esse lugar.
Humanos desse mundo: Evolui-vos!
Eu olho tudo a minha volta e em mim não resta dúvida: Deus está em todo lugar, mas nos delegou a responsabilidade por nós mesmos desde o início.
Não sejamos tão mimados assim querendo um ser todo-poderoso e protetor.
Temos o lastro da dúvida e seu benefício.
Somos criaturas do bem e do mal.
Nossa missão é a de manter e alimentar uma vida ética e generosa e um espírito de gratidão pela vida.
Quem quiser acreditar ou não, não importa muito para Deus, eu acho.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Explosão

Eu quero que o mundo exploda.
Tudo bem.
É só uma questão de tempo mesmo.
Só amo o baulho dos grilos da minha floresta particular. E os meus gatos. E os meus filhos. E Deus.
Em poucas linhas redescubro que o amor é maior.
A breguice também.

Ai a preguiça

Minha vidinha tem sido uma constante preguiça.
Eu acordo com sono, tomo café pra ficar alerta, meu suco verde pra desintoxicar o ventre e um outro cafezinho se eu estiver de bom humor.
Leio o jornal se tudo estiver numa boa, mas sempre me arrependo. Nada a acrescentar no geral.
Além da preguiça, a culpa também me acompanha. Tenho aquele dilema moderno e pós-verdadeiro chamdo conflito materno primário da culpa por trabalhar e gostar.
Além da preguiça e da culpa, também apresento uns desgostos episödicos a respeito da minha própria espécie.
E como se nào bastasse, existe o medo de algumas coisas.
Pronto. Essa sou eu.
Quando a gente escreve difîcil ou tenta teorizar a existência, haá de haver algum espaço também para as neuroses de cada dia, menos nobres e muito mais prevalentes do que as pseudo-verdades que buscamos construir.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Nova relação com o face

Eu fechei minha conta com meu nome verdadeiro e abri uma nova com um nome falso.
Talvez seja mais apropriado ao facebook ser uma outra pessoa.
Afinal, quem ali é de verdade?
Estou adorando os novos jornalistas a seguir, gente tão incrivelmente inteligente e que escreve tão bem. É uma delícia.
Dá a mim até uma inveja grande porém gostosa, porque o prazer de ler esse povo é gigante. Amo a lucidez, a honestidade, e até o que eu discordo. Numa boa.
Eu tenho gostado de mim. E esse gostar me desloca em um trampolim onde o outro, aquele que escreve o que eu gostaria de ter escrito e não escrevi, me converte em uma entendedora, mesmo que superficial, da massa de assuntos que eu não poderia jamais compreender sozinha.
A internet abriu um caminho pra um monte de gente que vale a pena ser lida e conhecida, aparecer. Ok, sei que tem a história da bolha, de que vivemos fechados entre as pessoas que pensam de forma muito semelhante... mas afinal, qual o outro modo possível de viver se o tempo todo fazemos escolhas e filtros das coisas que chegam até nós?
Gente, e o Brasil...? E o Rio de Janeiro? É tudo tão rápido, louco, dramático, civil e penal, que a gente mal consegue tomar fôlego.
Em meio a tudo isso, uma tragédia.
A queda de um avião com uma equipe inteira de futebol, o Chapecoense. Nossa, que triste! O Brasil de luto....e os caras no congresso nacional passam por cima do pacote anticorrupção e fazem de nós mais que idiotas ao cubo. Que vergonha ser brasileira nessa hora!
Domingo, 4 de dezembro, iremos às ruas. Menos a esquerda, porque não anda com quem anda com camisa da CBF. Estão certos. Estão certos ao deixar para os outros movimentos o espaço que ela vem perdendo. Uma pena o que essa esquerda virou.
Por isso também fechei meu facebook verdadeiro.
Prefiro agora seguir os coxinhas que de coxinhas não tem nada e só essa esquerda arrogante e perdida não viu.