quarta-feira, 20 de julho de 2016

Yes, I know that.

I have been upset.
So upset that I made up my mind to write in English, so If there is someone reading me at this exactly moment, it would be easier to go on..
My sense of humanity has become some how negative and pointless than before.
But maybe this is because the goal should have changed at all.
We`d better go.

Quando está mais frio aqui e o Trump ainda não se elegeu

13 graus em Teresópolis.
19 graus em Laranjeiras.
19 graus em Praga.
22 graus em Londres e Berlim.
23 graus em Paris.
27 graus em Nova Iorque.
29 graus em Detroit.
São quase oito da noite em Laranjeiras.
Inverno no Hemisfério Sul e verão no Hemisfério Norte.
Ártico  e Polo Sul derretendo.
Planeta em aparente normalidade climática. Apenas aparente.
Derretendo onde deveria ser frio, com 40% a menos de gelo no Ártico no momento.
Estamos aos poucos derretendo.
Primeiro foram os miolos.
E então derreteu-se a compaixão.
Terra em sofrimento que agoniza no mar gelado suas pessoas mais sofridas e queima suas florestas e seus bichos mais inocentes. No fogo da queimada, no fogo do tiro, na frieza da armadilha, tanto na terra como no mar.
E nas fazendas, mamíferos maravilhosos e aves que amam são tratados como coisas descartáveis, sem conhecerem o amor de que somos capazes, sem desfrutarem da dignidade da vida que jamais deveria ser prerrogativa de uma única espécie.
Enquanto a humanidade mata a sua natureza, ela mata a si própria também, porque natural é o amor e o cuidado, não o triunfo do prazer de um sobre o sofrimento e agonia do outro.
Inocência esvainecendo. Ideias corrompendo-se. Esperanças desconectadas umas das outras.
Enquanto isso, eu sigo no meu quarto alimentando-me de silêncio relativo e talvez do último inverno em muitos anos. Aproveito o casaco que não usava há uns 4 anos e que já havia esquecido.
Aproveito a sopa e o vinho tinto.
Aproveito as coisas boas que nossa civilização construiu e sigo amando a vida e as coisas enquanto elas ainda estão aqui.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Dia de sol em Miami e no país da liberdade

Eu fui à praia nos Estados Unidos.
Fui a Miami em fevereiro de 2014 e fiquei hospedada em um hotel bem bonito em Miami Beach.
Enquanto marido e filhos iam ao passeio no shopping, eu preferi ficar na praia e piscinas do hotel desfrutando da liberdade de ser. Liberdade de ser o quê mesmo?
Sempre soube que bebida alcoólica e lugares públicos não combinam nos EUA. E então descobri que sim, era permitido beber na praia!
Daí que descubro as condições.
Você possui toda liberdade de tomar sua cervejinha na praia em Miami, contanto que tenha nove dólares para pagar por long neck e que você consuma sua bebidinha desde que a compre no barzinho do...hotel...
Ou seja, no país da liberdade, não existe o direito de você encher seu isopor ou sua caixinha climatizada e se dirigir a uma prainha gostosa para beber sua cervejinha. Você só terá esse "direito" se você for um consumidor com money suficiente no bolso para pagar por ele.
Eu pergunto: Qual o mal que existe em beber uma bebida alcoólica na praia em um país democrático?
Então eu irei decompor a frase:
Qual o mal?
Qual o mal que existe?
Qual o mal que existe em beber?
Qual o mal que existe em beber uma bebida?
Qual o mal que existe em beber uma bebida alcoólica?
Qual o mal que existe em beber uma bebida alcoólica na praia?
Qual o mal que existe em beber uma bebida alcoólica na praia em um país democrático?
Só existe uma resposta possível: Controle.
Controle do quê? Do prazer. Da liberdade. Do desfrute.
Quais os meios adotados? Lei. ( É proibido beber bebida alcoólica nos EUA na rua).
De que maneira isso é tolerado e estimulado, ou seja, burla-se a lei sem nenhum problema? Quando você restringe o seu prazer e um ambiente ou instituição se apropria de sua única possibilidade de viver aquele prazer. De que maneira? Pagando caro a alguém.
Para quê? Para garantir que os prazeres individuais sejam sobrevalorizados em relação à vida pública e ao desfrute do espaço público. O prazer também faz parte do imaginário e do concreto e deve ser restrito ao âmbito privado.
Final da história: Se você puder pagar pelos prazeres privados da vida, seu direito a uma simples cervejinha na praia estará garantido. Se não, aceite e orgulhe-se de respeitar as leis de seu país, sente a bunda na poltrona de casa e abra sua latinha.
Aproveite.

O quarto Reich

A ascenção de Hitler teria sido resistível?
Por que não?
Quando pensamos em Awchvitz ou em Treblinka ou em um outro capo de concentração destinado a exterminar seres humanos em pleno século XX, não é nada difícil diagnosticar uma humanidade que definitivamente não deu certo.
E então a gente pensa em Hitler e em sua infância e descobre que ele não conheceu o próprio pai e que em sua ascendência haveria uma avó judia, e que ele nutria grande desconforto em relação à suas frustrações familiares... Bom, até ai nada muito novo. Todos nós nutrimos desconfortos muito próprios. No entanto, parte de nós segue sem nenhum ódio direto a nenhum grupo populacional em geral. Boa parte de nós não culpa as outras pessoas pelos nossos problemas pessoais.
Não tenho como me aprofundar nesse assunto exatamente em relação a Hitler, pois não sou nenhuma estudiosa do tema ( e tão pouco tenho qualquer disposição para estudar a vida pregressa de Hitler). Porém, me é muito clara a pequeneza e mediocridade desse ser que infelizmente ainda chamamos de humano, posto que não há outra denominação possível ainda.
Creio que o mais importante ao permanecer definindo Hitler como um ser humano é justamente para que nunca se esqueça que justamente foram seres humanos os que pertenceram ao Partido Nazista Alemão. Foram seres humanos os que criaram o extermínio de judeus, ciganos, dissidentes e homossexuais. Foram seres humanos os responsáveis pela escravidão e pelo genocídio de populações diversas. Somos nós humanos os responsáveis por nossa desumanização e humanização.
O sentimento de superioridade pertence aos medíocres. A ideia de que uma raça pura deve dominar a Terra atinge níveis máximos de imbecilidade e ignorância se lembrarmos que estamos em 2016 em um mundo multicultural e hiperconectado. Determinados avanços democráticos relacionados à pluralidade e liberdade dificilmente serão superados. Permanecerão vivos em cada célula humana oprimida ou livre, mesmo naqueles que ignoram os caminhos pelos quais hoje a humanidade avança e retroage.
Temos hoje um exato representante do Reich a caminho da Casa Branca. Sua origem? Alemã. Sempre a Alemanha. Seu nascimento? Estados Unidos. Sempre os americanos. Casam-se quem detonou a bomaba atômica e o ideal de pureza gerando o bombástico atomizado, radioativo, Trump.
Dá medo.
Fico pensando se daqui a cinquenta anos os livros de história e os documentários não estarão postulando o nascimento da ascenção de Trump para tecerem uma compreensão a respeito da terceira guerra mundial. Dá medo porque realmente é possível e provável que não sobre muita coisa depois.
Trump começou com deboche, brincadeiras, e virou o candidato republicano à Casa Branca. Já disse que pode matar um homem na Quinta Avenida sem que nada lhe possa acontecer. Debocha de mulheres, detesta negros. Detesta muçulmanos.
É muito difícil compreender afetivamente esse fenômeno e muito fácil compreender esse fenômeno. Os EUA são um país de imigrantes cuja qualidade educacional é precária.
O medo e a culpa no outro permanecem como antídotos e respostas a problemas complexos.
" A cadela do fascismo está sempre no cio." Bertold Bretch
Violência? Culpa do islã e dos negros.
Pobreza? Culpa dos imigrantes.
Parece que o mundo e as pessoas gostam de acreditar em mentiras, em jogo fácil, em salvadores, em bilionários que representem no fundo de si mesmos seu desejo maior.
Trump assusta pelo ódio com que vocifera contra tudo e todos, pelo deboche, pelo desrespeito aos mais pobres. Ele representa o desprezo do poder pelo próximo que não lhe interessa por qualquer motivo que seja. Representa a falta de compaixão, de solidariedade.
Trump representa o fim de todos os valores que um dia uniram a nossa humanidade.
Hitler deve estar orgulhoso.

domingo, 17 de julho de 2016

E eu

Que pouco sei
Só entendi a imensidão daquele pensamento.
E mais nada.
Porque naquela imensidão espacial e infinita chamada Deus, apenas sabemos e sentimos; sem nada sabermos.

Fernando

"O rio está dentro da terra.
A terra está dentro do espaço.
O espaço está dentro do não sei.
E o não sei está dentro da minha cabeça."

Meu filho, aos quatro ou cinco anos.

Roda ainda viva

Nada mais é impossível além da morte ser revertida.
Patrocínio perdeu o desgosto e já não atina mais em desfazer desnecessário se desnecessário fosse sorver o gosto da desnecessidade que parece habitar o velho hábito humano do alimento frugal da hipocrisia, da balela da desnutrição mental que invadiu o não-pensamento da irrefletida atitude de sorver o gosto e as coisas da inutilidade.
A distração bebe da ignorância o que a imaginação não imagina mais.
Para esse genocídio psíquico muitas drogas de ocasião.
Diminutas as delicadezas, não-perenes os afetos, imberbes nossos humaninhos.
Calou a boca no passado pelo grito e agora desabita a consciência de muitos alguns minorias para uns menores ainda. Chega adentrando cheio de verbo e assim vai expulsando olhares que buscam certas verdades na palavra que pode até ser menos dita, porém não-adiada; mas não... Se não fala essa língua adverbiada por uma falsa colonização, não serve para o coração.
É o grito da palavra sangrante que vem de novo que expulsa de dentro da alma. Flameja desiludida mas jamais perdida.
É desse lugar de dentro que uma juventude que pode ter sessenta anos articula suas velhas e novas esperanças.
Da desesperança nasceu o homem que planejou a justiça, pois todo desejo de justiça é nascido de um sentimento de injustiça. E se a justiça nasce da distorção, da perversão, é preciso sempre estar muito atento a ela.
De um modo ou de outro o território do desejo permanece em toda consciência habitada.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Gente ignorante

Em meio à festa da mediocridade, peço licença para ir embora.
O preço de conhecer a mente medíocre é alto.
Porque sei que os defensores do projeto Escola sem Partido são medíocres o suficiente para mobilizar uma massa que não pensa, o suficiente.
Ao conhecer a história dessa imbecilidade sem precedentes, descubro que o fundador dessa ideia, foi um dia, contrariado por uma professora da sala de aula de sua filha, que comparou Che Guevara a São Francisco de Assis. Descubro que essa figura medonha foi rechaçada pelos pais dos alunos dessa escola e em função desses acontecimentos, fundou a Escola sem Partido, que corre o risco de virar lei, fenômeno esse que seria evidentemente inconstitucional, visto que implica em determinar o que um professor pode ou não falar em sala de aula.
Esse imbecil-fundador é procurador do Estado de São Paulo ( tinha que ser São Paulo), e vou analisar       o sujeito nesse espaço, que é meu: narcisista vulgar, não aceita ser contrariado. Misógino, as coisas pioraram quando quem fez a comparação entre o santo católico e o Che foi uma mulher. Imbecil, pois busca negar a ideologia, manifestando exatamente a ideologia contrária, como uma formação reativa qualquer. Burro, pois conhece a constituição ( conhece?), e a ignora. Sabe que o Brasil é um país onde a Constituição não admite censurar uma ideia. Defendeu a fala do Bolsobosta contra a deputada Maria do Rosário.
Esse tipo de gente virou regra no meu país. Esse tipo de gente está no poder após o golpe chamado impeachment ter deslanchado. Como diz um amigo muito importante para mim, o golpe está apenas na metade.
Eu abominava o governo Dilma, mas não posso deixar de ficar e estar estarrecida com esse impeachment e essa gente medíocre, misógina, racista, machista, que tomou o poder.
Mas saibam, estamos em 2016 e a agenda do retrocesso encontrará barreiras fortíssimas contrárias.
Só mesmo bala, porrada e bomba para diminuir os efeitos dos movimentos LBGT e feminista.
Podem tentar, mas não irão conseguir.
Gente estúpida, gente hipócrita que não estudou, que lei e não aprendeu, que evacua pela boca sua falta de cultura, de amor pelo diferente e o seu ódio mimiminho por quem lhes contraria.
Vocês são a bosta do amanhã enterrada numa lata velha no meio do oceano Índico.

Rotina

Tem sido uma vida para alcançar uma rotina justa.
Andei tanto e quanto meu olhar e coração aguentou para achar essa chave que me abre a casa da alegria cotidiana, e que também caminha embalada na crença de que uma boa dose de disciplina de dentro para fora nunca matou ninguém.
A dança da rotina veio para alegrar o dia-a-dia daquela moça que um dia viveu amordaçada ao medo de fazer tudo errado de uma só vez.
Quanta tolice! Os medos vem em gotas e os erros são perenes. Não adianta fugir.
Andou, andou, andou.
Chorou, chorou, chorou.
Mas não gritou. Na verdade, só pelo time da seleção brasileira.
No parto não foi preciso, pois não houve o prazer da dor que liberta a ambos.
Então o grito ficou lá, contido em sua imensa condição de não existir jamais a não ser dentro.
Minha física não é de mentira, meu espanto nunca me enganou.
Perambulei ao lado dos sonhos. Construi meus muros de solidão, desapego, desassossegos e preguiças. Mas esbaforida também fui de contramão apanhar com a mão meu sonho de menina. Descombinei as fragilidades para me espreguiçar mais ainda.
Radicalizei a loucura e tornei-me psiquiatra.
Virei médica dos doidos mais humanos e normais que conheci.
A estrada é menos dura e a rotina me dá contorno.
Hoje adormeço e amanheço dentro de mim.
Acordo narrativa. Desativa. Caprichada. Ligeira raramente.
Sou dona só mesmo da menina que um dia fui.
É com ela que eu sonhava.
E é ela quem me carrega no colo da vida enquanto o meu corpo aos poucos fenece de um tanto de vida, de  um tanto de dor, de um pouco de danos, de um bocado de amor.