sábado, 27 de setembro de 2008

Cosme e Damião

Hoje é dia de Cosme e Damião.

Paul Newman se foi

Acabei de saber de sua morte.
O mundo fica mais estranho... Desde que me entendo por gente Paul Newman existe. Ele foi meu herói inesquecível em Butch Cassidy and Sundance Kid. Ele e Robert Redford eram, até aquele momento, os homens mais lindos que eu já tinha visto. E ainda são.
Paul Newman tinha os olhos azuis mais lindos que o mundo já viu. Sua beleza inspirava.
Ele será sempre o herói daquele filme fantástico onde eu aprendi a gostar dos bandidos também, a compreender que em muitas ocasiões ser bandido ou não era o menos importante. (O mundo sempre terá muitos pontos de vista e muitas versões a respeito da ética).
Jamais teremos um Paul Newman até o mundo esquecer, em seu ciclo inevitável, que ele existiu.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Salve

Salve o bom médico que reúne candidatos a bons médicos para transmitir e trocar conhecimento.

Salve a boa avó e a boa tia que preparam o almoço para a sobrinha e neta querida.

Salve o cinema brasileiro que produz boas comédias que nos fazem rir na nossa língua.

Salve a boa professora que busca fazer um bom trabalho em sua escola.

Salve a boa pediatra que trata com cuidado as mães aflitas de seus pacientes.

Salve o bom cabelereiro e não salve o preço do salão do Leblon.

Salve a pipoca gostosa que deixa a criança mais feliz.

Salve a boa mãe que apenas busca cuidar de sua cria.

Salve a internet que tem ajudado tanta gente solitária.

Salve a alegria sem motivo.

Salve a poesia sem talento algum e que ainda assim busca ser poesia.

Salve o cotidiano tosco e que de comum nada tem além do adeus, do abraço, do despertar sem assombro diante do assombro que é a vida de dia e da noite.

Os tempos retrocedem

O que é Sara Palin candidata a vice-presidência dos EUA?
Se Mc Cain era dúvida para uns, o que será agora?
Que o mundo se salve de Sara Palin.
Quem não era Obama, que seja agora...
Já pensou Mrs. Palin presidente do mundo com o código do botão vermelho em seu poder?
Sara Palin no governo dos EUA é mais desonroso para os americanos do que Marcelo Crivella ou Eduardo Paes na prefeitura para os cariocas.

Tempos de mudança

As eleições para a prefeitura e câmara dos vereadores do Rio de janeiro têm sido fantásticas.
Temos Crivella, que disse que irá extender o metrô até a Barra da Tijuca; temos Eduardo Paes que diz ser preciso elaborar um plano para os locais mais viáveis para as vans, instituindo o bilhete único, afirma ainda acabar com a aprovação automática nas escolas. Paulo Ramos (do PDT) recusou-se ao debate, e com isso, (vai entender), não haverá debate entre os candidatos à prefeitura ( nem entre os que querem). Jandira diz que irá acabar com as filas nos hospitais. Crivella parece não saber que o metrô é uma concessão estadual e nada tem a ver com a prefeitura. Eduardo Paes, em entrevista ao O Globo demonstrou não estar apto a discutir os problemas da cidade, é evasivo, dizz sempre assim: "faremos um estudo, elaboraremos um plano". Diz pouco ou quase nada. Porém seu marketing é bom. Jandira sabe perfeitamente que é impossível acabar com as filas nos hospitais. Sabe infinitamente mais que eu e mais que a maioria em nosso país. Se fala o que fala, está sendo demagoga.
Vou votar no Gabeira. Sem nenhuma dúvida. Gabeira sabe falar, foi um bom parlamentar, fundamental diga-se de passagem no momento em que Severino Cavalcante "retirou-se". Conhece o Rio de Janeiro, e mais...
Os candidatos a vereadores do PMDB são os de pior apresentação, alguns mal sabem falar... Parecem milicianos no mínimo. Um candidato desse partido não pode ser boa coisa.
Diferença dos candidatos a vereadores do PSDB! Quanta diferença! Sabem falar, se colocar ... Minha candidata a vereadora é do PSDB. Pela primeira vez na vida vou votar no PSDB. Os tempos mudam... Votar em quem tem nome e sobrenome é o mínimo, como disse o Dapieve.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Hoje

Hoje eu conheci Rafael e Pedro.
Rafael é um homem de uns 35 anos, diz a respeito de si mesmo "ter perdido o interesse por mulheres" tornando-se homossexual por esse motivo. Usa cocaína semanalmente "para conseguir beber e não dormir". Diz mais ou menos assim: "Desconheço esse negócio de onda por cocaína. Cocaína apenas te deixa mais disposto, mais alerta, mais engrandecido. O cara que faz uma bobagem não pode atribuir à cocaína. Faz porque pensava em fazer..." Rafael viveu em Recife até os 18 anos e não possui qualquer sotaque pernambucano. Parece jamais ter pisado os pés por lá. Sua mãe ainda vive em Recife com seu padrasto. O pai ele nunca conheceu, mas foi registrado por ele devido à pressões de sua mãe. Nesse momento eu disse a ele: "Que bom que sua mãe fez isso. " E num tom de brincadeira e dentro do contexto acrescentei: "Ninguém merece não ser registrado." E ele disse: "Eu não gostaria de ver em minha identidade aqueles XXXXXXXXXXXXXXXXXX.", referindo-se aos XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX encontrados em toda filiação em que o filho ou a filha só tem o nome da mãe. Esses XXXXXXXXXXXXXXXXXX ficam estampados, retratados, para SEMPRE. O sujeito olha a vida inteira e sente e pensa: "Sou filho do XXXXXXXXXXXXXXXXXXX." Triste isso.
Seria ótimo que toda mãe fizesse exatamente igual à mãe do Rafael: Não permitisse que seu filho levasse por toda a vida um XXXXXXXXXXXXXXXXXXX na identidade. Afinal, toda criança nasce a partir de um pai e de uma mãe.
O Pedro eu conheci logo depois. Fiquei preocupada. Um rapaz lindo de 21 anos casado há 2 semanas e já ameaçado de separação. Esposa grávida.
Pedro explode. Sem compreender o motivo lhe vem uma raiva incontrolável e ele agride. Deixou o irmão mais velho desmaiado e esse é mais forte que o Pedro. Mas ele diz que "quando fica com raiva a força se multiplica". Pedro possui o olhar da loucura nos olhos. Sabe que há algo muito errado com ele. E há mesmo. Mas também há alguma sanidade, pois vendeu o 38 que tinha dentro de casa.
Para o leigo o louco é louco no todo. Mas "loucos" funcionam também, em partes. Pedro não é louco. Ele possui a loucura. E a loucura não pode dominar tudo. Essa pode ser a minha responsabilidade sem heroísmos.

domingo, 7 de setembro de 2008

Domingo à noite

Procuro olhar a noite com entusiasmo.
Procuro uma conversa boa de bar.
Não estou num bar. Não bebo uma cervejinha gelada.
Não leio nada inteligente na web. Também não procuro nada inteligente, só bobagens.
Restam-me ainda meus livros, meus discos.
E nada mais.
Lembrei-me do jogo às 10 da noite, Brasil X Chile. Torço para o Brasil vencer como brasileira. Torço para o Brasil perder por querer o Dunga fora.
Fora também o presidente da CBF, porque ele não gosta de futebol... Se gostasse, o futebol no Brasil viveria um momento, uma fase, uma época... mais digna.
Êita mau homor dos diachos! Sai!!

sábado, 6 de setembro de 2008

Centésimo

Quando se faz alguma coisa cem vezes, isso quer dizer algo. Encontrar alguém cem vezes. Beijar alguém cem vezes. Ir a um lugar cem vezes. Comer algo cem vezes. Dizer eu te amo cem vezes. Festejar cem vezes. Ler cem vezes.Ouvir eu te amo cem vezes. Decidir algo cem vezes. Pensar o mesmo cem vezes. Molhar uma planta cem vezes. Dividir algo cem vezes. Abdicar cem vezes. Reunir-se cem vezes. Comprar cem vezes.
Qualquer coisa que aconteça cem vezes tem importância.
Essa é a centésima postagem.
Hoje é um belo sábado de sol. O vento sopra quente e as pessoas devem estar buscando a água.
É mais que o centésimo sábado de sol da minha vida. Hoje é mais um dia que acontece sem que qualquer fenômeno possa definir o contrário.
O sábado correrá, o vento soprará.
Tudo irá seguir um caminho.
Ao cem, ao mil, ao infinito e onde quer que o meu pensamento alcance.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Clarice

Encontra-se disponível no you tube a única entrevista filmada de Clarice Lispector, e segundo o JB, o único material disponível de Clarice filmado.
Ela fala por cerca de 8 minutos, quase não sorri. Sua face é crispada, introspectiva, triste. Ela diz que naquele dia estava cansada, mas que em geral era muito alegre. Difícil acreditar diante do vídeo. Em certo momento, o entrevistador faz uma pergunta e ela diz mais ou menos assim: "Isso eu não quero falar". Era sobre o momento em que o ser humano deixava de ser feliz e se tornava triste. O entrevistador perguntava o por quê.
Diante daquele jornalista havia uma mulher sem qualquer interesse ou qualquer intenção em causar qualquer impressão. Uma mulher meio aborrecida, muito séria. Uma mulher que nos dias de hoje seria incomum ( e naquela época já era, e sempre será). Hoje, diante dos holofotes e da possibilidade de aparição muita gente talentosa deixaria escapar sua introspecção inventiva e seu resguardo para produzir um impacto qualquer que fosse...
Clarice, obviamente encontrava-se alheia e desinteressada disso tudo.
É dela uma frase que pode dizer muito a respeito de seu desencanto transformado em linguagem poética da mais alta qualidade: " Escrever é uma forma de abençoar uma vida que não foi abençoada."

Cotidiano

Quando eu ligo o computador, a primeira página a aparecer é a do msn. Nessa página inicial temos acesso às principais notícias do dia. Fiquei um pouco aturdida, porém não-surpreendida com o conteúdo de apenas 1 minuto atrás. São notícias que envolvem pessoas famosas. A velha história dos namoros, contratos milionários, fotos reveladoras. E o pior de tudo é que isso exerce alguma efeito sobre mim. Eu fico entretida com isso por um tempo, algumas me despertam interesse, outras nem um pouco.
Eu me pergunto onde estão as coisas que importam, as notícias que têm feito diferença no cotidiano das pessoas em geral. O que modifica a vida de todos nós são as notícias mais ausentes que presentes. Além disso, o que interessa não é apenas o que produz mudança, mas aquilo que nos permanece.
Eu tenho visto e lido nessas webs da vida tanta coisa-lixo, tanto assunto que só diz respeito ao noticiado, que me parece imperativo pensar a respeito para não comer o que a Madonna ou a Ivete Sangalo come. É exagerada a minha comparação, eu sei... mas que lugar é esse onde estamos... Só se fala nos meios de comunicação de primeira página o ruim e o celebrado. Talvez 10% fique, em algumas primeiras páginas, com alguma coisa que importe.
Será que a vida ficou pesada demais para se viver? Essas "notícias" seriam criações da mídia ou das necessidades reais de nós mesmos?
Porque afinal, funcionam. Atingem. Ganharam espaço e se transformaram em fatos que parecem importar mais do que os outros.

Dependências

Noite dessas eu assistia a um episódio de Sex and the City, no Fox Life, atentando-me a um diálogo entre Carrie e um namorado. A situação era decorrente da perda de todos os dados do laptop de Carrie, ou seja, o HD dela havia "queimado". Perdeu tudo o que estava lá ( como bem recentemente aconteceu comigo), e ela não tinha back up ( eu também não). Muita tristeza e chateação à parte ( de ambas), o namorado de Carrie lhe dá um novo laptop. Como ela reage? "Very upset..."; muito chateada com o cara. Por que? Ela diz a ele:" Se você começar a resolver os meus problemas eu posso começar a me habituar com isso, e eu não quero desenvolver esse tipo de relação. Daqui a pouco eu não sei mais resolver os meus problemas sozinha." Esse discurso é muito presente em filmes americanos.
Depender ou não depender? Como não depender de quem se gosta? Como estabelecer um limite razoável entre a dependência amorosa e a independência necessária, aquela em que as pessoas permanecem como pessoas, com seus próprios amigos, interesses, trabalho...? Será possível depender e ser independente?
O fato é que aprendemos e nos constituímos como gente a partir da dependência. Nosso desenvolvimento só é possível através de uma boa dose de dependência. É claro que me refiro à vivência de uma boa relação mãe e filho. Em resumo, uma mãe cuidadora e que estimule o filho a ser independente. E de preferência, um pai presente, amoroso e viril o suficiente para não se submeter à sua mulher, mãe esta de seus filhos ou não. Porque mais importante que a relação entre os pais, é a imagem que o filho tem de seus pais. Mais importante que serem casados, é serem presentes.
A partir dessas relações primárias o indivíduo irá estabelecer suas relações posteriores...
E então, será dependente ou não?
Caso a pessoa não admita ser dependente em algum grau, dificilmente irá estabelecer relações duradouras. Provavelmente irá comportar-se de forma insegura ou o seu contrário, ou seja, um dominador por natureza. O dominador, encontrando um parceiro que tope a empreitada, poderá conviver por bastante tempo até. Caso se apaixone justamente por alguém que não se enquadre em seus contrários ( o que aliás, acontece com frequência), viverá mais uma frustração amorosa daquelas... E poderá sair com aquele discurso: "Muito difícil encontrar a pessoa certa. Não admito determinadas coisas." O que "determinadas coisas" pode significar é alguém que discorde de suas opiniões, ou seja, uma pessoa real ( ou "normal").
No caso do sujeito inseguro por natureza o que em geral ocorre é despertarem um encanto inicial e não sustentarem esse encanto por muito tempo...denunciando suas inseguranças muito rapidamente.
Concluindo: Carrie talvez tenha exagerado em sua reação, talvez por não gostar tanto assim do namorado. Quem gosta de verdade e não é um dominador por natureza aceitaria o laptop de bom grado. O inseguro iria exagerar na reação de surpresa e tentaria compensar o outro o mais cedo possível.
A psiqativa em formação escreveria sobre isso.