Há nova doença em voga.
"Fulano não está bem."
" Por que?"
"Ele andou falando umas coisas estranhas."
"como assim?"
" Falou de suas mágoas, de suas dores, de raivas passadas, de sensação de perda. E disse que a velhice da tia não justificava aquele mau humor porque ela foi mau humorada a vida inteira."
" Então ele só falou verdade. E o que sentia também."
" Não deve estar nada bem. Afinal, não vale a pena lembrar dessas coisas e criticar a tia idosa. "
" Então o que vale a pena fazer?"
"perdoar"
" Mas como vem o perdão?"
" Talvez eu não saiba."
" Você não pensou em entender Fulano. Você o criticou por ele dizer o que sente."
Dizer o que sente virou doença. ( e não vamos aproveitar o gancho para confundir com falta de educação, ok?)
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Falando de desamor
Falar de desamor e não de amor?
Será porque o desamor está em moda e o amor está em espera para quando o carnaval chegar?
Será porque os atentados em Paris feriram muito mais aos que ficaram do que os que se foram?
Será porque a lama que dizimou Bento Gonçalves também extinguiu parte de minhas esperanças e as mortes de humanos, bichos, rio, água potável também mataram a mim um tanto?
Será porque a nossa câmara dos deputados e o nosso senado envergonha mais a nação do que a representa?
Será porque a Vale do Rio já não é mais doce?
Será que é porque 400 bilionários norte-americanos detem o equivalnete ao PIB do meu país e isso não é considerado uma vergonha e sim sucesso e talento?
Será porque o Brasil possui hoje apenas 3 grandes bancos privados em uma era pós-capitalista e isso que é a própria contradição do capitalismo funciona e assume nos tempos de hoje nossa revelação de desumanidade?
Será que é porque a floresta amazônica vem sendo devastada e os índios perdem seus direitos frutos de herança direta sobre a terra?
Será que é pela falta de sistema educacional públicco de qualidade que vigora há décadas em nosso país?
Será que é pelo descaso secular para com os mais pobres relegando a esses serviços de saúde de péssima qualidade? Ou seria pelo descaso obsessivo com o sistema de transporte que os servem?
Será pelas mortes de jovens e crianças pelo fato de serem pobres, negros e moradores de favelas, em números alarmantes?
Será pela epidemia de microcefalia por vírus zika devido a progressivos anos de descaso com o mosquito da dengue e com a saúde pública?
Será pelo fechamento dos hospitais públicos estaduais por falta de pagamento aos médicos, profissionais de saúde e funcionários?
Será pela crise hídrica?
A abundância de problemas não pode exceder em desamor. Mas as questões que cercam especialmente a nós brasileiros tem produzido medo e desesperança, além de nos colocar frente a frente com a inegável perda de ilusões. Perder ilusões amadurece. Mas a realidade sem sossego persistentemente embasada na desconfiança, no desapreço, na desordem e em maus resultados tem o poder de retirar a poética em boa parte do mundo.
Resistir nunca foi tão necessário, creio já terem dito muitas pessoas em muitas crises.
Hoje a crise do homem é a crise da Terra, é um certo epicentro do desamor, e todo desamor desama e não ama melhor, não vive melhor, só desanda a vida, só desencanta.
Não é nada fácil escrever desgraças e preencher parte do meu dia com fatos ruins. Mas faz parte de mim não negar a realidade.
E faz parte também de uma outra necessidade, a do desabafo por expressão, e se escrevo para mim é porque tenho a esperança de ser lida. Porque compartilhar o desabafo mantém unido em mim meu sentimento de humanidade e pertencimento.
Será porque o desamor está em moda e o amor está em espera para quando o carnaval chegar?
Será porque os atentados em Paris feriram muito mais aos que ficaram do que os que se foram?
Será porque a lama que dizimou Bento Gonçalves também extinguiu parte de minhas esperanças e as mortes de humanos, bichos, rio, água potável também mataram a mim um tanto?
Será porque a nossa câmara dos deputados e o nosso senado envergonha mais a nação do que a representa?
Será porque a Vale do Rio já não é mais doce?
Será que é porque 400 bilionários norte-americanos detem o equivalnete ao PIB do meu país e isso não é considerado uma vergonha e sim sucesso e talento?
Será porque o Brasil possui hoje apenas 3 grandes bancos privados em uma era pós-capitalista e isso que é a própria contradição do capitalismo funciona e assume nos tempos de hoje nossa revelação de desumanidade?
Será que é porque a floresta amazônica vem sendo devastada e os índios perdem seus direitos frutos de herança direta sobre a terra?
Será que é pela falta de sistema educacional públicco de qualidade que vigora há décadas em nosso país?
Será que é pelo descaso secular para com os mais pobres relegando a esses serviços de saúde de péssima qualidade? Ou seria pelo descaso obsessivo com o sistema de transporte que os servem?
Será pelas mortes de jovens e crianças pelo fato de serem pobres, negros e moradores de favelas, em números alarmantes?
Será pela epidemia de microcefalia por vírus zika devido a progressivos anos de descaso com o mosquito da dengue e com a saúde pública?
Será pelo fechamento dos hospitais públicos estaduais por falta de pagamento aos médicos, profissionais de saúde e funcionários?
Será pela crise hídrica?
A abundância de problemas não pode exceder em desamor. Mas as questões que cercam especialmente a nós brasileiros tem produzido medo e desesperança, além de nos colocar frente a frente com a inegável perda de ilusões. Perder ilusões amadurece. Mas a realidade sem sossego persistentemente embasada na desconfiança, no desapreço, na desordem e em maus resultados tem o poder de retirar a poética em boa parte do mundo.
Resistir nunca foi tão necessário, creio já terem dito muitas pessoas em muitas crises.
Hoje a crise do homem é a crise da Terra, é um certo epicentro do desamor, e todo desamor desama e não ama melhor, não vive melhor, só desanda a vida, só desencanta.
Não é nada fácil escrever desgraças e preencher parte do meu dia com fatos ruins. Mas faz parte de mim não negar a realidade.
E faz parte também de uma outra necessidade, a do desabafo por expressão, e se escrevo para mim é porque tenho a esperança de ser lida. Porque compartilhar o desabafo mantém unido em mim meu sentimento de humanidade e pertencimento.
Para que a alegria?
Ao me desconectar mais, me conecto mais. Ok. Eu já sabia.
Mas essa é uma semana especial. É a semana de Natal. É a semana que eu aguardava ansiosamente quando eu era criança. Porque era a semana em que eu sabia que a festa viria, as comidas gostosas, os presentes, as vinhetasa de natal da Globo, com seus artistas falando a respeito de esperança, da alegria de viver. Eu me enchia de esperanças e não me atormentava com o futuro. Para mim, a alegria no futuro era certeza. E assim, eu desenhava o futuro já proclamado no presente. Afinal, um mundo tã radiante quanto aquele em que eu vivia só poderia guardar para mim alguma coisa melhor ainda nos próximos verões. Meus verões eram os de quarenta graus, os das chuvas pós sol e das tormentas brancas e azuladas. Nós tomávamos banho de chuva, e minha mãe com a gente, eu e meu irmão, e acho que meu pai também participou algumas vezes. Maior alegria do que essa? Difícil. Alguém poderia me indicar uma situação mais feliz do que um banho de chuva com o irmão e os pais depois de um dia lindo de sol e calor? Some a isso, o desconhecimento das dores de viver. Claro, eu me refiro a uma infância onde essas lembranças encontram-se certamente presas a uma malha de idealização, mas que por isso mesmo me manteve ligada, e aqui não aprisionada, a um potencial estado de alegria que nos é bastante fundamental para qualquer futuro.
Logo depois o sol voltava, e nós partíamos para as brincadeiras noturnas, o pique-esconde, o pique-bandeira, o anelzinho, o pique-fruta, o pique-alto.
Para que o adulto creia que sua vida vale a pena é preciso que sua infância tenha valido. Ao entrar em contato com a alegria do compartilhar a brincadeira e da não-finalidade do propósito, a criança experimenta o prazer do descompromisso. Passaríamos então a de algum modo, perseguir esse objetivo. O objetivo da alegria pela alegria. A alegria do amor dos pais e dos irmãos. Essa alegria insubstituíve a não-subjetivar. Porque é ela quem subjetiva o resto.
E o resto é não só o que resta, mas aquilo que se perde em meio à relíquia, a alegria que os franceses tão lindamente expressam com o joie de vivre.
Em tempos mais difíceis que o comum, após anos de supostas bonanças, é muito importante recordar nossas relíquias.
Há uma necessidade maior de despertar a esperança em tempos ultra modernos, violentos e
superficiais.
Eu tento e sigo com minha alma desperta na alegria e sempre dormente na tristeza. Sem saber o que virá, estoco em minha mente não o vento, mas a rima que porventura acalente e renove o meu coração.
Ficou um pouco brega. Mas gostei.
Mas essa é uma semana especial. É a semana de Natal. É a semana que eu aguardava ansiosamente quando eu era criança. Porque era a semana em que eu sabia que a festa viria, as comidas gostosas, os presentes, as vinhetasa de natal da Globo, com seus artistas falando a respeito de esperança, da alegria de viver. Eu me enchia de esperanças e não me atormentava com o futuro. Para mim, a alegria no futuro era certeza. E assim, eu desenhava o futuro já proclamado no presente. Afinal, um mundo tã radiante quanto aquele em que eu vivia só poderia guardar para mim alguma coisa melhor ainda nos próximos verões. Meus verões eram os de quarenta graus, os das chuvas pós sol e das tormentas brancas e azuladas. Nós tomávamos banho de chuva, e minha mãe com a gente, eu e meu irmão, e acho que meu pai também participou algumas vezes. Maior alegria do que essa? Difícil. Alguém poderia me indicar uma situação mais feliz do que um banho de chuva com o irmão e os pais depois de um dia lindo de sol e calor? Some a isso, o desconhecimento das dores de viver. Claro, eu me refiro a uma infância onde essas lembranças encontram-se certamente presas a uma malha de idealização, mas que por isso mesmo me manteve ligada, e aqui não aprisionada, a um potencial estado de alegria que nos é bastante fundamental para qualquer futuro.
Logo depois o sol voltava, e nós partíamos para as brincadeiras noturnas, o pique-esconde, o pique-bandeira, o anelzinho, o pique-fruta, o pique-alto.
Para que o adulto creia que sua vida vale a pena é preciso que sua infância tenha valido. Ao entrar em contato com a alegria do compartilhar a brincadeira e da não-finalidade do propósito, a criança experimenta o prazer do descompromisso. Passaríamos então a de algum modo, perseguir esse objetivo. O objetivo da alegria pela alegria. A alegria do amor dos pais e dos irmãos. Essa alegria insubstituíve a não-subjetivar. Porque é ela quem subjetiva o resto.
E o resto é não só o que resta, mas aquilo que se perde em meio à relíquia, a alegria que os franceses tão lindamente expressam com o joie de vivre.
Em tempos mais difíceis que o comum, após anos de supostas bonanças, é muito importante recordar nossas relíquias.
Há uma necessidade maior de despertar a esperança em tempos ultra modernos, violentos e
superficiais.
Eu tento e sigo com minha alma desperta na alegria e sempre dormente na tristeza. Sem saber o que virá, estoco em minha mente não o vento, mas a rima que porventura acalente e renove o meu coração.
Ficou um pouco brega. Mas gostei.
domingo, 6 de dezembro de 2015
Feminina
"Sou feminina, não sou feminista."
Grande coisa. Isso sim é mimimi.
Não tá a fim de levantar essa bandeira, tudo bem, mas não atrapalha, vai...
Se você hoje toma pílula, decide quando engravidar e pode ficar com a guarda (compartlhada ou não) dos seus filhos se decidir se separar, é porque mulheres lutaram por isso muito antes de você existir.
Se hoje você olha para esses movimentos e não se identifica neles, é porque os que vieram antes desses foram suficientes para você hoje viver com dignidade. Que bom.
Então que seja por uma simples gratidão ao passado que sua fala boba não distorça e não confunda outras mulheres. Só por isso.
Porque ser feminina é acolher, respeitar, amar e entender que não estar de acordo com o grito de milhares levanta uma interrogação, e não uma certeza.
Grande coisa. Isso sim é mimimi.
Não tá a fim de levantar essa bandeira, tudo bem, mas não atrapalha, vai...
Se você hoje toma pílula, decide quando engravidar e pode ficar com a guarda (compartlhada ou não) dos seus filhos se decidir se separar, é porque mulheres lutaram por isso muito antes de você existir.
Se hoje você olha para esses movimentos e não se identifica neles, é porque os que vieram antes desses foram suficientes para você hoje viver com dignidade. Que bom.
Então que seja por uma simples gratidão ao passado que sua fala boba não distorça e não confunda outras mulheres. Só por isso.
Porque ser feminina é acolher, respeitar, amar e entender que não estar de acordo com o grito de milhares levanta uma interrogação, e não uma certeza.
Impeachment e impedimentos
São muitas as novidades o tempo inteiro e não dá tempo de respirar. A bruxa tá solta.
O Brasil, outrora país abençoado por natureza, sem desastres ambientais até há bem pouco tempo atrás, já não é mais o mesmo.
Cinco anos após nossa tsunami de rio na região serrana do Rio de Janeiro, vem o desastre de Mariana, a maior tragédia ambiental do país. Dois dias depois de Mariana, Paris sofre ataques terroristas inéditos e com maior número de mortos da história. E em meio a tudo isso e desde sempre, crianças e jovens negros e inocentes são exterminados em suas comunidades pela polícia. Duas semanas após as tragédias de Mariana e Paris, Eduardo Cunha, pessoa que reúne as mais baixas qualidades que um deputado poderia ter, aceita o pedido de impeachment da presidente Dilma.
Por um lado, nada mais coerente do que um rato iniciar um processo de impeachment para uma presidente que governa com inúmeros ratos ( mas nenhum do quilate do presidente da Câmara), e que além disso, também possui qualidades de ratazana. Os ratos anteriores aos do PT, ( e os do PT que se diziam santos e nada mais são do que igual a todos os outros e se lambuzaram diante do poder), ficaram muito chateados quando barbudos, e gente com cara da periferia passou a ir às festas sem convidar os ratos dos quinhentos anos de poder. Que cansaço escrever isso!
Seguindo o raciocínio, a situação é de plena coerência porque ratos se devoram. É assim que acontece.
No entanto, essa profusão de novidades não nos dá muito tempo nem para entender, às vezes, o mínimo. Ficamos com a sensação de caos, de medo, de horror, de não-entendimento.
Mas a vida não deixa de ser um ato contínuo de resistência e caminhar é preciso e entender nunca foi tão impreciso.
Nunca não gostar de um governo e reconhecer algum mérito em um impeachment foi tão confuso, pois o encaminhamento do pedido é fruto de uma vingança pessoal e de um jogo de poder de uma vileza nunca antes vista. Tornou-se muito difícil ter uma opinião, pois ser a favor de um impeachment pode significar piorar mais ainda as coisas e se posicionar ao lado do menos pior quando esse por si só é péssimo, nos coloca em um lugar de um desconforto e mal estar quase insuportável.
Acredito que quando as coisas chegam a tal ponto de tensionamento interno e por um lado estão felizmente fora de nosso alcance, talvez seja chegada a hora da piada e da risada, quase da zombaria. Vou fazer parte da ignorância que consola e me conscientizar de meu limite como cidadã incipiente no processo, uma expectadora desse espetáculo de baixeza, de um momento político sem honra alguma, de um período de esvaziamento político e moral como nenhum outro. Mas afinal, o que poderíamos esperar de um país de duzentos milhões de habitantes com o nível educacional que temos? Qual o nível afinal de nossas discussões? Qual o congresso que teríamos após vinte anos de ditadura e um projeto político de desmantelamento da educação por mais vinte anos ao menos? (excetuando aqui as políticas inclusivas, que embora de baixa qualificação, permitiram o ingresso de pessoas que jamais tiveram acesso à educação).
Para um país de milhões de miseráveis e que secularmente se habituou às mais incríveis privações de direitos e igualdades, as pequenas migalhas de um período de governo fizeram muita diferença. E as chamadas elites precisam reconhecer que séculos de exclusão produzem miséria real para o todo.
É um saco aguentar toda essa campanha política na mídia contra o projeto de poder do PT que a si próprio se devorou.
Por isso é tão difícil se posicionar. Mas como viver não exige posição a todo e qualquer custo e ainda podemos negociar ao menos com nós mesmos o preço que teremos que pagar por essa exígua liberdade de não ter de aderir nem a um projeto nem a outro, recolho-me à minha irrestrita liberdade de pensamento em meus pequenos refúgios e celebro a vida como me for possível.
Entre os prazeres, aproveito para beber meus vinhos ainda não sobretaxados pela Dilma.
O Brasil, outrora país abençoado por natureza, sem desastres ambientais até há bem pouco tempo atrás, já não é mais o mesmo.
Cinco anos após nossa tsunami de rio na região serrana do Rio de Janeiro, vem o desastre de Mariana, a maior tragédia ambiental do país. Dois dias depois de Mariana, Paris sofre ataques terroristas inéditos e com maior número de mortos da história. E em meio a tudo isso e desde sempre, crianças e jovens negros e inocentes são exterminados em suas comunidades pela polícia. Duas semanas após as tragédias de Mariana e Paris, Eduardo Cunha, pessoa que reúne as mais baixas qualidades que um deputado poderia ter, aceita o pedido de impeachment da presidente Dilma.
Por um lado, nada mais coerente do que um rato iniciar um processo de impeachment para uma presidente que governa com inúmeros ratos ( mas nenhum do quilate do presidente da Câmara), e que além disso, também possui qualidades de ratazana. Os ratos anteriores aos do PT, ( e os do PT que se diziam santos e nada mais são do que igual a todos os outros e se lambuzaram diante do poder), ficaram muito chateados quando barbudos, e gente com cara da periferia passou a ir às festas sem convidar os ratos dos quinhentos anos de poder. Que cansaço escrever isso!
Seguindo o raciocínio, a situação é de plena coerência porque ratos se devoram. É assim que acontece.
No entanto, essa profusão de novidades não nos dá muito tempo nem para entender, às vezes, o mínimo. Ficamos com a sensação de caos, de medo, de horror, de não-entendimento.
Mas a vida não deixa de ser um ato contínuo de resistência e caminhar é preciso e entender nunca foi tão impreciso.
Nunca não gostar de um governo e reconhecer algum mérito em um impeachment foi tão confuso, pois o encaminhamento do pedido é fruto de uma vingança pessoal e de um jogo de poder de uma vileza nunca antes vista. Tornou-se muito difícil ter uma opinião, pois ser a favor de um impeachment pode significar piorar mais ainda as coisas e se posicionar ao lado do menos pior quando esse por si só é péssimo, nos coloca em um lugar de um desconforto e mal estar quase insuportável.
Acredito que quando as coisas chegam a tal ponto de tensionamento interno e por um lado estão felizmente fora de nosso alcance, talvez seja chegada a hora da piada e da risada, quase da zombaria. Vou fazer parte da ignorância que consola e me conscientizar de meu limite como cidadã incipiente no processo, uma expectadora desse espetáculo de baixeza, de um momento político sem honra alguma, de um período de esvaziamento político e moral como nenhum outro. Mas afinal, o que poderíamos esperar de um país de duzentos milhões de habitantes com o nível educacional que temos? Qual o nível afinal de nossas discussões? Qual o congresso que teríamos após vinte anos de ditadura e um projeto político de desmantelamento da educação por mais vinte anos ao menos? (excetuando aqui as políticas inclusivas, que embora de baixa qualificação, permitiram o ingresso de pessoas que jamais tiveram acesso à educação).
Para um país de milhões de miseráveis e que secularmente se habituou às mais incríveis privações de direitos e igualdades, as pequenas migalhas de um período de governo fizeram muita diferença. E as chamadas elites precisam reconhecer que séculos de exclusão produzem miséria real para o todo.
É um saco aguentar toda essa campanha política na mídia contra o projeto de poder do PT que a si próprio se devorou.
Por isso é tão difícil se posicionar. Mas como viver não exige posição a todo e qualquer custo e ainda podemos negociar ao menos com nós mesmos o preço que teremos que pagar por essa exígua liberdade de não ter de aderir nem a um projeto nem a outro, recolho-me à minha irrestrita liberdade de pensamento em meus pequenos refúgios e celebro a vida como me for possível.
Entre os prazeres, aproveito para beber meus vinhos ainda não sobretaxados pela Dilma.
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