Sou uma carioca que levou uma vida inteira para gostar da própria cidade.
Nunca a achei a mais linda do mundo, pois foi a única cidade que conheci durante os meus vinte primeiros anos, por exemplo, com a excessão de uma ida a São Paulo aos 15 anos e uma outra ao sul de Minas também aos 15.
Tive dificuldades aqui. Nâo sei ainda dizer se foram inerentes à cidade, mas algumas foram sim. Como por exemplo, ter crescido no subúrbio e perceber do outro lado da cidade, um preconceito também inerente à minha condição de suburbana. Isso sempre acompanhou os que desbravaram os territórios. Sempre houve uma diferenciação entre os da zona sul e os da zona norte.
Nesse momento me lembro de uma vez, já moradora da zona sul, há uns 15 anos atrás, em uma loja no shopping da Gávea junto ao meu filho, quando uma mulher talvez na minha faixa etária, também mãe de uma criança que estava na loja, me disse assim: "essa loja lembra o Magic Kingdom, não é?"; ou seja, ela me identificou como alguém que, "naturalmente", conhecia o Magic Kingdom. Eu nem sabia do que se tratava. Olhei pra ela e acho que perguntei: "Ah?", ao que ela me disse, dessa vez me olhando de outro modo, sem aquele olhar e fala de suposta intimidade por crer que compartilhávamos o mesmo mundo: " Vc não conhece o Magic Kingdom?"; e eu "Não". Isso é um pouco do exemplo da superficialidade da zona sul.
Felizmente o subúrbio é bastante valorizado culturalmente no Rio de Janeiro e no Brasil, e devemos isso ao carnaval. Mas é o protótipo da malandragem do surfista da praia do Rio, da garota bronzeada e bela, dessa cultura praiana e espontânea que dizem ser uma espécie de emblema nosso, que domina o imaginário. Posso dizer que como carioca nascida no subúrbio, que nunca pegou onda e não vivia essa descontração praiana mítica, que minhas experiências de maneira geral com as pessoas da zona sul e essa galera descontraída, sempre foi a mais superficial possível. De maneira geral, conheci pessoas mais irresponsáveis que a média pra idade, mais drogadas que a média também. Não sei o que fazem da vida hoje. Não sei.
Cariocas reclamam de tudo, mas principalmente do tempo. Reclamam do calor, da chuva, do frio, do vento. Eu às vezes penso que é uma metáfora da frivolidade: é preciso que esteja de um jeito muito certinho e perfeito pra ser bom. Mas quanto a isso, incluo os brasileiros em geral, não em relação ao tempo, mas em relação aos anseios de um país incrível e seu eterno egoísmo na vida social. Mas isso é outra história.
Tudo isso pra dizer que estamos em janeiro, as temperaturas nas alturas, e o povo segue reclamando como se isso fosse novidade pra alguém. Eu nasci aqui, eu cresci aqui, e todo janeiro é assim. Todo. E as pessoas reclamam e reclamam. Ok, todos tem esse direito, mas eu fico perplexa com a insistência em martelar um assunto que está além de qualquer possibilidade. É mais fácil mudar a economia do país do que o calor no Rio de Janeiro em janeiro...
Acho que as pessoas desperdiçam seu tempo precioso de vida reclamando. Essa atitude mental torna tudo mais difícil, pior.
Eu proponho que planejem no próximo ano suas férias, sua vida, de forma a lidarem melhor com o calor nosso de todos os anos. Há o calor, mas também a maravilha das praias, o choppinho gelado, o samba maravilhoso, o pôr do sol no Arpoador, a floresta da Tijuca, Guaratiba, praias lindas...Grumari... Há muito de beleza aqui, muito de espontâneo e livre que realmente encanta as pessoas. E não diga que a grana tá curta e que você não pode planejar o seu próximo verão, porque seria um péssimo começo. Todos nós precisamos planejar a vida, com mais ou menos dinheiro, até mesmo porque o tempo não pára, a vida insiste, e o calor também continuará por aqui.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
Puro deleite
O sol radiante cobria toda a paisagem de Ana. O calor irradiava sobre seus braços, pernas, colo. Impulsionadas pela força do cenário, veias, músculos, mamilos, lóbulos, ventre, púbis, períneo e cavidades, arredias à irrealidade das satisfações das ilusões, rápida e demoradamente, entregavam-se à confortável sensação do corpo inteiro de Ana, que saltitante, magnética até, aproximava-se da beira do cais onde o amante aportara a fim de desbravar-lhe aquele vestido cor de pena clara, de tecido leve praiano, que adornava seu corpo exuberante de vida e beleza. Uma mulher assim não se deixa em pleno solo, em pleno abandono naquele balneário fustigado pelo sol e calor e adocicado e embevecido por essa história de paixão e sensualidade.
Ana e o amante conheceram-se antes do pôr-do-sol, e quando de antes do nascer do dia, seus olhos não mais poderiam desviar-se , nunca mais. Uma noite inteira de conversas inteiras, uma noite inteira de desconversas profundas, uma noite inteira que apenas o ócio da paixão seria capaz de realizar nos olhos de dois jovens amantes.
Enquanto aportava, Ana sonhava. E o amante, de dentro do barco, tomava Ana pela mão e calmamente a adentrava; quando lá, minuciosamente lhe tirava o vestido, a beijava inteira, para que ela o entregasse em retorno certas carícias que somente uma dona muito apaixonada poderia entregar. E ali restaram, restaram. Até que o pio de uma gaivota lá do alto os despertasse, tirando-lhes o sono da volúpia para que devolvessem à vida a continuidade desejada por essa tal alteridade gerada quando acredita-se amar.
O despertar fez Ana e o amante correrem para a sorveteria do cais e pedirem um sorvete de chocolate e creme como completude ao prazer. Ligados à carne estavam e assim decidiram permanecer.
Os amantes escolhem a volúpia e aproveitam a fase da paixão como uma distração necessária, como combustível inflamável capaz de desvirtuar todas as virtudes. A paixão pelo amante foi a primeira transcendência da vida de jovem adulta de Ana. Nunca mais foi a mesma. Ninguém jamais é.
Encontraram-se assim por quatro meses, quando o amante sorriu de um jeito que desencantou Ana.
Com a sensação de um passado recente descabido e as memórias sorridentes das alegrias vividas, Ana deixou o balneário e não mais voltou ao cais.
Para trás, o deleite ostentado. Para frente, a experiência dos grandes prazeres que algumas mulheres tem a felicidade de carregar na memória.
Os olhos não mais precisaram desviar-se de fato. Nunca mais se olharam.
Ana e o amante conheceram-se antes do pôr-do-sol, e quando de antes do nascer do dia, seus olhos não mais poderiam desviar-se , nunca mais. Uma noite inteira de conversas inteiras, uma noite inteira de desconversas profundas, uma noite inteira que apenas o ócio da paixão seria capaz de realizar nos olhos de dois jovens amantes.
Enquanto aportava, Ana sonhava. E o amante, de dentro do barco, tomava Ana pela mão e calmamente a adentrava; quando lá, minuciosamente lhe tirava o vestido, a beijava inteira, para que ela o entregasse em retorno certas carícias que somente uma dona muito apaixonada poderia entregar. E ali restaram, restaram. Até que o pio de uma gaivota lá do alto os despertasse, tirando-lhes o sono da volúpia para que devolvessem à vida a continuidade desejada por essa tal alteridade gerada quando acredita-se amar.
O despertar fez Ana e o amante correrem para a sorveteria do cais e pedirem um sorvete de chocolate e creme como completude ao prazer. Ligados à carne estavam e assim decidiram permanecer.
Os amantes escolhem a volúpia e aproveitam a fase da paixão como uma distração necessária, como combustível inflamável capaz de desvirtuar todas as virtudes. A paixão pelo amante foi a primeira transcendência da vida de jovem adulta de Ana. Nunca mais foi a mesma. Ninguém jamais é.
Encontraram-se assim por quatro meses, quando o amante sorriu de um jeito que desencantou Ana.
Com a sensação de um passado recente descabido e as memórias sorridentes das alegrias vividas, Ana deixou o balneário e não mais voltou ao cais.
Para trás, o deleite ostentado. Para frente, a experiência dos grandes prazeres que algumas mulheres tem a felicidade de carregar na memória.
Os olhos não mais precisaram desviar-se de fato. Nunca mais se olharam.
Feliz ano novo, feliz tudo
Início de ano e reinício de decisões que contornam a minha existência, impulsionam a partida para comemorar a chegada, se somam aos amores que existem em mi, significam todo um passado em nome de um futuro. Que o presente seja digno do passado e arduamente responsável em relação ao futuro.
Sempre tive o sonho de escrever. Escrever qualquer coisa. Graças à internet, eu tenho esse blog que só eu leio.
Vou começar escrevendo um outro blog para falar da vida como psiquiatra?
Que tal?
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