quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Ato falho

Hoje fui ao Santander fazer minha biometria. A contragosto mas fui.
Não gostaria de fornecer minha impressão digital a essa instituição criminosa chamada banco.
Qual a diferença entre assaltar um banco e fundar um banco?(essa frase não é minha, não lembro de quem é).
Em nome da segurança doamos nosso material exclusivo ao sistema financeiro. Não acredito na justificativa de uma ideia de segurança.
A minha impressão é outra. É a de controle mesmo. Esses caras estão se apropriando de digitais!
Eu vejo que como mais seguro para nós, as senhas.
E para os bancos, a biometria.
Se o equipamento não reconhecer minha digital em um sequestro (Deus me livre), sou eu quem me lasco. Já a senha não. O sistema dificilmente vai errar os números. Praticamente impossível.
Também tenho nojo de colocar o meu dedo ali. Todomundo coloca. E a gente sabe o que as pessoas costumam fazer com seus dedinhos. Coçam as partes, tiram meleca, coçam a cabeça, limpam a testa de suor, Coçam o suvaco.
Daí que eu sou obrigada agora a me ver cadastrada por um...banco...argh
Eu queria que esse mundo branco, eurocêntrico e que despreza a América Latina e a África se danasse também. Viva a negritude, a favela, o samba (ei, trumpinho, você nunca vai entender a delícia que é um sambinha e um chopinho em Copacabana ou no subúrbio; nasceu americano demais para entender e viver uma das melhores coisas que o mundo pode oferecer: sol e samba no rio de janeiro; ficou bilionário e virou presidente de um país que não queria você, de um mundo que o olha em perplexidade mútua, e vai morrer como qualquer outro mortal desse planeta, dentro de um caixão bonito, com alzheimer, que não deve tardar a chegar pra você, e honras de estado, um estado desumanizado de coisas que você certamente ajudou a construir). Viva nós daqui. E o mundo todo menos essa gente que acha mais graça em ganhar dinheiro do que nas milhares de outras coisas melhores que a vida pode dar.
Então hoje eu li: "Ganância geral, siga em frente".
Não!!!
Era Gerência Geral no Santander.
Quase acertei.
Por uma letra, ou melhor, duas letras trocadas, o óbvio revela-se em uma singeleza.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Eu sou muitas saudades

Perto da dor do mundo, a minha não existe.
Junto aos desvalidos do mundo, somos a minha cara quebrada de tanto sonhar e sofrer.
Mas o meu sofrer hoje é outro. É um sofrer de quem sofre sem dor.
Sofrer sem dor é saber da tristeza do mundo, do outro, das guerras, da fome, do maltrato e assassinato dos animais e da ecologia, da gente negra do meu país e da minha cidade.
Ainda assim e com tudo isso, sinto felicidade por estar viva.
Sinto tristeza com os caminhos do mundo, com essa doença mental chamada neoliberalismo avançando vida e morte afora e adentro, com esse ápice de desumanismo em prol da funcionalidade e de uma liberdade que significa verdadeira prisão.
Eu penso nos passarinhos e na literatura clássica que busco e leio e vejo neles a lindeza e a realidade de uma subjetividade generalizada que entende o mundo sempre no fim. É claro que nesse último ponto os passarinhos estão fora.
Mas o que tem feito com que eu não mais me desespere é a ideia de verdade que hoje eu carrego.
Não estamos aqui para sermos felizes. Estamos aqui para buscarmos felicidade, mas sobretudo estamos aqui para ser os gratos pela vida.
Somos testados o tempo todo e nossas ilusões são uma a uma, destituídas de lugar. Quanto maiores forem as nossas ilusões, maiores serão os nossos sofrimentos.
Fazer um exervício maduro de compreensão de nosso papel terciário na vida dos outros e protagonista em nossa própria, libertando-se pouco a pouco de um conjunto de necessidades materias e também afetivas,é o nosso papel principal.
"A vida não deixa de ser uma longa perda de tudo o que amamos." Vitor Hugo
Se nós não entendermos a mensagem real da vida que é: tudo passa, até a própria vida, e sua saúde mental e felicidade depende das condições desenvolvidas a fim de lidar com a perda da juventude, dos pais, amigos...e entender que essa também é a vida, você estará perdido em um mar de tristeza...em algum lugar...em algum tempo desses dai que nos leva...
Os mais fortes são os que tem condições de separação. Sempre serão.
Eu não pretendo ser forte. O meu desejo é não ser movida por algumas ilusões que restam.
Quero iludir-me com a pretensào da alegria sem justificativa e a despeito das tristezas do mundo.
Quero acreditar que oxigênio suficiente no nariz é muito bom pra começar o dia, que nosso ímpeto de autodestruição faz parte de um plano coletivo inconsciente para acabar um dia com todas as tristezas que restam  e que não fomos capazes de dialogar.
Pois o mundo só está de pé porque de algum modo ainda somos capazes de dialogar. Porque poder de destruição suficiente já existe para acabar com tudo por pelo menos uns quatro países.
Mas o que resta a nós que aqui estamos e temos gente que nos ama a não ser poder olhar o futuro com esperança e o presente com amor?
Se a razão de viver chama-se gratidão, como posso olhar o céu e não me emocionar?
Os momentos de paz eu vivo quando sorrio.
Os de alegria quando estou junto ou sozinha com memórias afetivas.
Os de contentamento quando olho a montanha verde.
Os de plenitude quando vejo o mar.
Os de paixão quando estou com meus meninos e algo simples e total acontece.
Os de volúpia quando estou em segredo.
Os de tristeza quando sinto que a perda é maior do que a vida.
E não.
A vida é sempre maior do que a perda, com excessão da guerra ou da tragédia que podia ser evitada.
Ainda assim, a vida insiste e sempre insistirá em ser maior no tamanho e a depender da história, algumas sobrevivem à tragédia e à guerra.
 Esses são os verdadeiros professores e as pessoas mais interessantes que costumam haver.
E por isso também mais uma vez serei e sou grata.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Deus

A negação de Deus vem da negação de uma ideia de Deus.
Na última semana, quando o time do Chapecoense sofreu o acidente aéreo que o vitimizou quase todo , foi curioso acompanhar no facebook as manifestações dos ateus.
O ateu utiliza como a confirmação de sua ideia de Deus, a tragédia.
Eles dizem:" onde estava o seu Deus quando esse avião caiu? Onde estava o seu Deus quando esse piloto decide não fazer uma escala para não pagar 17000 reais pelo combustível e taxeamento e multa?"
Eu proponho uma pergunta dentro da pergunta:" por que a sua ideia de Deus é a de total onipotência? Quais são os fatos que levam você a conceber uma ideia de Deus como um ser que tudo pode?"
Os ateus são os maiores crentes que já vi.
Entendem o mundo como um lugar que deveria ser, por princípio, bom ou maravilhoso. Por que, caras pálidas?
Por que a ideia de mundo entre vocês costuma estar aprisionada a uma concepção de evidente dicotomia?
Partindo dessa linha de argumentação inicial comumente utilizada pelos ateus, a de que a tragédia, a violência e o horror não caberiam em um mundo se houvesse Deus, eu os pergunto qual a razão para acreditarem tão arragaidamente em uma divisão como essa.
Pra mim, Deus é manifesto nas montanhas que nesse momento vejo, nos meus dedos deslizando em meu tablet, na viz do meu filho, nesse canto desses passarinhos que ouço, na vida que habita cada célula do meu corpo, no olhar carinhoso que recebo de um estranho na rua ou no supermercado, no cheiro da comida, na concepção que agora acontece em milhares de mulheres e no amor que brota delas, assim como no desejo puro e simples sem concepção mas com vontade, na luta pela vida em um CTI em todos os sobreviventes de todos os acidentes e nos nossos quatro brasileiros do vôo a Medellin interrompido por falta de combustível, mas sobretudo por falta de amor e onipotência em excesso.
Se Deus está em todas as coisas e eu o sinta sem que eu possa teorizá-lo, eu também o compreendo nos limites que a tudo vemos e tornamos conscientes a todo momento.
Por mais que um pai ou mãe amem seus filhos, eles não poderão tudo.
Deus, como a manifestação de amor, energia e força de criação, também não.
Porque quem ama, liberta.
Se o mal não existisse, Deus seria, ai sim, a própria contradição. Porque como amor puro que é, Ele (ou Ela), não poderá se perder em jogo algum de dominação. Sem dominação, os caminhos do mundo ficam por nossa conta. E Deus mantem a abertura para quem o procura, e pra quem também não. Os caminhos estão abertos, mas não há qualquer garantia de que a sua vida será boa se afinal, você encontrar, ou julgar encontrar Deus.
Se entre nós são tantos os caminhos e tantas as mesquinharias do cotidiano, com tanta guerrinha psicológica por tão pouco, não deveria servir de pretexto para o espanto o caos que parece reinar nesse mundo.
Se nós nos rendemos aos jogos de dominação que existem e tantas vezes nos preocupamos mais em manter nossas vaidades tão pequenas do dia-a-dia, pagando menos à empregada, por exemplo, fazendo uma chantagem emocional a um filho, deixando de responder a quem nos ama, o que podemos falar sobre o espanto com os fatos terríveis do mundo?
E por que nos perdemos em uma ideia totalizadora a respeito da maldade e da bondade?
Pra mim, Deus existe. Mas não o entendo como algo que tudo pode. Eu sei que ele precisa de mim, de muito esforço da minha parte, para que eu viva bem nessa terra. E ainda assim, as coisas podem não ir bem em algum momento, como já não o foram em alguns outros. E certamente outros virão.
Crer nesse Deus de pura bondade é, em última análise, estar ainda preso a uma ideia de mundo bastante infantil.
Porque Deus é puro amor na minha visão, mas pura força e energia.
Deus precisa que cada um de nós interaja com o mundo de uma forma positiva e generosa para que aqui seja um lugar de mais alegria do que é.
Mas issi não quer dizer que Deus seja perfeito...quando criou esse mundo e resolveu habitá-lo com essa raça dita humana, eu acho que Deus fez uma aposta em sua própria contradição, ao confiar a nós, esse lugar.
Humanos desse mundo: Evolui-vos!
Eu olho tudo a minha volta e em mim não resta dúvida: Deus está em todo lugar, mas nos delegou a responsabilidade por nós mesmos desde o início.
Não sejamos tão mimados assim querendo um ser todo-poderoso e protetor.
Temos o lastro da dúvida e seu benefício.
Somos criaturas do bem e do mal.
Nossa missão é a de manter e alimentar uma vida ética e generosa e um espírito de gratidão pela vida.
Quem quiser acreditar ou não, não importa muito para Deus, eu acho.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Explosão

Eu quero que o mundo exploda.
Tudo bem.
É só uma questão de tempo mesmo.
Só amo o baulho dos grilos da minha floresta particular. E os meus gatos. E os meus filhos. E Deus.
Em poucas linhas redescubro que o amor é maior.
A breguice também.

Ai a preguiça

Minha vidinha tem sido uma constante preguiça.
Eu acordo com sono, tomo café pra ficar alerta, meu suco verde pra desintoxicar o ventre e um outro cafezinho se eu estiver de bom humor.
Leio o jornal se tudo estiver numa boa, mas sempre me arrependo. Nada a acrescentar no geral.
Além da preguiça, a culpa também me acompanha. Tenho aquele dilema moderno e pós-verdadeiro chamdo conflito materno primário da culpa por trabalhar e gostar.
Além da preguiça e da culpa, também apresento uns desgostos episödicos a respeito da minha própria espécie.
E como se nào bastasse, existe o medo de algumas coisas.
Pronto. Essa sou eu.
Quando a gente escreve difîcil ou tenta teorizar a existência, haá de haver algum espaço também para as neuroses de cada dia, menos nobres e muito mais prevalentes do que as pseudo-verdades que buscamos construir.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Nova relação com o face

Eu fechei minha conta com meu nome verdadeiro e abri uma nova com um nome falso.
Talvez seja mais apropriado ao facebook ser uma outra pessoa.
Afinal, quem ali é de verdade?
Estou adorando os novos jornalistas a seguir, gente tão incrivelmente inteligente e que escreve tão bem. É uma delícia.
Dá a mim até uma inveja grande porém gostosa, porque o prazer de ler esse povo é gigante. Amo a lucidez, a honestidade, e até o que eu discordo. Numa boa.
Eu tenho gostado de mim. E esse gostar me desloca em um trampolim onde o outro, aquele que escreve o que eu gostaria de ter escrito e não escrevi, me converte em uma entendedora, mesmo que superficial, da massa de assuntos que eu não poderia jamais compreender sozinha.
A internet abriu um caminho pra um monte de gente que vale a pena ser lida e conhecida, aparecer. Ok, sei que tem a história da bolha, de que vivemos fechados entre as pessoas que pensam de forma muito semelhante... mas afinal, qual o outro modo possível de viver se o tempo todo fazemos escolhas e filtros das coisas que chegam até nós?
Gente, e o Brasil...? E o Rio de Janeiro? É tudo tão rápido, louco, dramático, civil e penal, que a gente mal consegue tomar fôlego.
Em meio a tudo isso, uma tragédia.
A queda de um avião com uma equipe inteira de futebol, o Chapecoense. Nossa, que triste! O Brasil de luto....e os caras no congresso nacional passam por cima do pacote anticorrupção e fazem de nós mais que idiotas ao cubo. Que vergonha ser brasileira nessa hora!
Domingo, 4 de dezembro, iremos às ruas. Menos a esquerda, porque não anda com quem anda com camisa da CBF. Estão certos. Estão certos ao deixar para os outros movimentos o espaço que ela vem perdendo. Uma pena o que essa esquerda virou.
Por isso também fechei meu facebook verdadeiro.
Prefiro agora seguir os coxinhas que de coxinhas não tem nada e só essa esquerda arrogante e perdida não viu.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Bom dia NY em desencanto

Os arranha-céus, se antes balançavam a alma em silêncio de admiração e um milésimo de uma quase soluço de estupefação, hoje embalam uma interrogativa que se assombra ao vislmubre de um tamanho desnecessário. Sua imponência escreve e revela a concretude de algo talvez imaginário, ou ao menos que se originou dele, de um coração crente da grandeza das coisas e dessa certa beleza contida nelas. Um deslumbre inicial que perpetuou o sonho equivocado de ser grande demais, de ser too much demais, de ter demais.
Sua Macy's antes grandiosa por tão imensa e por esse algo grandioso em mim de que NY continha parte do mundo, obstrui em seus corredores amplos e em seus pequenos currais dentro deles, o meu olhar em direção ao que mais provavelmente hoje eu queira, poder ver ao longe, e de perto, coisas que mais se assemelhem à natureza. Mas isso é meu, como um dia o foi o encanto diante de um templo de consumo prolífico de coisas transformadas em sonhos. Suas vendedoras e vendedores ágeis e interessados em conduzir seus objetivos de vendas, mais me espantam no sentido pleno da palavra do que me atraem por um motivo qualquer. Suas quase-infinitas ofertas, me afastam de um desejo real por qualquer coisa que ali esteja. Suas bolsas Michael Kors, Louis Viton, Chanel, guardam nelas mesmas essas ambiguidades próprias das coisas transformadas em um algo-quê ao ponto de praticamente não me dizerem nada.
Nova Iorque, seus vendedores profissionais com seus sorrisos planejados, seus " hmave a good day", sua indisfarçável indiferença junto à rapidez de seus gestos, ao seu inglês rápido e indiferente ao fato de estar diante de pessoas que não são fluentes na língua, nesse inglês esmagador da letra r, caracteristicamente americano, soam falsos demais. E não me vendem nada de que eu não precise.
Seus carros de polícia constantes nas ruas, seus avisos :" if you see something, say something", espalhados pela cidade, sua obsessão por segurança (não que não tenham motivos pra isso, digo, cuidado sério com segurança, não uma obsessão), sua proibição (em todo o EUA), de ingerir bebidas



alcoólicas nas ruas, transforma em parte esse caminhar despreocupado pelas ruas da cidade, em uma experiência ansiosa. Seus cidadãos ocupam bilateralmente os ouvidos com seus fones, e pedir informação ficou um pouco mais difícil.
Seu clima frio e seus ventos cortantes cortam o meu coração e minha alma.
Sinto o desamparo bater forte diante desse clima e da imensidão de seus prédios gigantescos, de sua gente indiferente, de seu claro desinteresse em estar com as pessoas em você.
A Times Square chega a ser uma experiência à parte, embora ela seja o cartão-postal de NY.
Ela é exatamente o vão maior, a concentração de abismos luminosos mais artificial e possivelmente mais interessante do mundo. Suas luzes prometem uma diversão inalcançável, como a própria luz. Sua quantidade de atrações promove uma incapacidade de completude, uma verdadeira impossibilidade de concluir qualquer coisa. Você não verá todos os espetáculos, porque tudo o que ali é oferecido, é impossível de vivenciar. É bem simples o fato de termos limite para o que queremos pagar, o que queremos ouvir, o que queremos assistir. Mas a Times Square diz a você que ali está o infinito em possibilidades de entretenimento.
Suas chinesas não contam como é pagar com a própria vida e com seu inalcançável pesadelo de liberdade o que é trabalhar por um salário de semi-escravidão para lhe dar uma quinquilharia de que não precisa.
Seus Best Buys não falam a verdade sobre o preço que você paga. Suas Macys não  escondem seus pecados.
Sabe, eu hoje sou uma mulher não-pobre. Mas eu fui uma menina pobre. Eu sonhava com Nova Iorque, eu lia Harold Robbins e Sidney Sheldon, eu assistia aos enlatados de domingo e seus seriados norte-americanos, Dallas (adorava). A "cultura" norte-americana ficou impregnada em mim desde muit cedo, com seus cafés com creme, com suas casas de Natal e suas neves, com tudo o que me foi
dito e afinal sentido como algo especial, superior. E se eu senti como especial e superior também me
responsabilizo afetivamente por isso. Mas pera lá, será que parte daquilo que senti durante uma vida vida inteira e que permaneceu em meu imaginário em um lugar de incrível idealização não apresenta
um forte viés cultural? Ou seria anti-cultural. Como foi em mim construído um desejo de
identificação que hoje reconheço como algo absolutamente estranho a mim e aos meus valores culturais?
Se antes o pragmatismo estadunidense me soava e parecia meritório, hole ele toma um sentido de caricatura. Se antes eu achava o inglês um idioma bonito, hoje o inglês americano me soa como um esmagar de erres infinito. E aqui não incluo o inglês britânico, muito mais bonito.
Se antes seus arranha-céus e seus supérfulos alimentares me pareciam interessantes e atraentes, hoje me agridem com sua opulência e todo o mal que causa à saúde das pessoas.
Eu precisei crescer para não mais me seduzir.
Eu amo o sol e meus conterrâneos, com todos os problemas que temos.
Eu amo o samba e o carnaval.
Eu amo ser brasileira e sul-americana.
Eu amo ter nascido no subúrbio e ter conhecido desde muito cedo relações verdadeiras e desinteressadas.
NY não possui vínculos em mim.
NY é a própria solidão em forma de abundância, ilusão e cidade.



sábado, 5 de novembro de 2016

Next saturday

On 12th november I ll traveling to NY.

Para dormir anteontem pois o futuro só em 2037

E eu durmo com os gatos e sonho com as mães.
As mães mais belas da existência, as mães cheias de amor. Último refúgio de esperança a fim de nào banalizar tambèm esse cotidiano arrebentado oelo sentimento de injustiça que paira no mundo ao invés de trafegar como sempre, sem sua institucionalização.
Se o governo do PT instituiu a corrupção, o governo Temer institucionalizou a indiferença social.
E a gente tem que dormir num barulho cego e em uma visão surda dessas.
A institucionalização da corrupção não poderia jamais servir de pretexto para essa nova era oficial de indiferença e injustiças coletivas.
Mas salve a economia.
A escolha é salvar o Titanic e não as pessoas dentro dele.

Nova era do terror?

Sei que já passamos momentos terríveis antes. Sei que há momentos realmente difíceis na vida de todos nós.
É por isso que eu nao quero acreditar que estamos vievendo em uma falsa democracia e que uma ditadura exonômica inédita tomu conta do nosso país.
Mas eu tenho minhas desconfianças. E lamento que única ideologia que pode ser reconhecida é a chamada de esquerda.
Há enorme tentativa de subtrair a importânci dessa polaridade. Ficou ultra moderno dizer que esquerda e sireita são conceitos ultrapassados. Eu só sei que Freud diria que quando algo necessita reiteradamente de sua reafirmação em contrário, deve ser porque é isso mesmo.
Um outro exemplo vem do uso da palavra golpe. Essa palavra tem tido a maior resistência de negação entre todas as outras de que se tem notícia, ao menos para mim. " Não, não é golpe". Dizem uns. " Golpe!", exclamam outros.
Ainda nào existe nenhuma palavra entre golpe e impeachment, que seria, na minha modesta opinião, o lugar da palavra do que realmente aconteceu nesse país. Houve a necessidade de um afastamento. E infelizmente nossa presidente Dilma Roussef não renunciou. Teria sido melhor, muito menos traumático, mais digno. No entanto, a palavra dignidade perdeu todo o sentido no Brasil em todos os meios de que se tem notícia. E principalmente, é claro, no meio político. Dilma devia te renunciado. Ela era inepta, incompetente, não-conciliadora e a situação econômica brasileira indo ladeira abaixo. Quase ninguém tem dúvidas sobre isso. A não ser os de sempre. Teria sido digna a renúncia. Mas uma outra palavra também desapareceu do sentido brasileiro: reconhecimento. Dilma deveria ter tido a dignidade de reconhecer que seu governo tornou- se insustentável. Mas isso não aconteceu, e todas as figuras à sua volta entendiam o que ela e o PT não compreenderam nunca: estavam falidos como governo, falidos moralmemte. Restaria o último ato de dignidade, a renúncia. Mas não havia dignidade para um último momento que talvez preservasse alguma decência. Mas a palavra dccência também desapareceu do vocabulário do brasileiro. Como a dignidade, o reconhecimento e a decência se tornaram palavras em extinção, restaram o oportunismo, a manipulaçào da verdade e a flexibilização das ideias que culminaria em um verdadeiro comunismo de flexibilização das regras democráticas, ficando estas ao sabor da vez e da hora da necessidade de restabelecimento de uma ordem econômica mínima para recomeçar o país. Em nome disso, esse Brasil tem reineventado suas velhas fórmulas econômicas.
Agora o tempo é de austeridade e de flexibilização dos conceitos de tolerância. Daí a necessidade de produzir na sociedade o sentimento antagonista das ocupaçòes estudantis. A verdade do mundo brasileiro hoje é a da substituição da sensibilidade pela palavra necessidade. As sensibilidades passaram a ser dispensadas em prol das necessidades exonômicas decorrentes da herança deixada pelo PT. Nossa democracia continua ótima, contanto que você não discorde dos rumos adotados pelo hoverno que para muitos è sim, usurpador. Vemcá, mesmo que a gente nào concirde, nào é imperativo em uma democracia respeitar o direito dessas pessoas de pensar diferente? Por que se isso nào for verdadeiro, a única verdade restante possível é a de que a democracia jaz falecida.
Se nesse país não há lugar para moderação, e a selvageria do vazio de vocabulário é a lei que permite reinterpretar a constituição à luz das necessidades econômicas em detrimentos das sensibilidades e necessidades de sobrevivência humanas, tais como os aluguéis sociais,  de que país afinal estamos falando? O que nós estamos fazendo uns com os outros?
Não podemos ser uma naçào mais comprometida com o pagamento de dívidas de juros artificiais do que com a fome de milhòes de pessoas, a educação de milhões de pessoas. Mas se a minha conversa é ultrapassada, e a fome se justifica para enriquecer mais ainda os bolsos de uns poucos que nada precisam, deve ser porque de rta forma atingimos uma nova torma de solução final. Nào há câmaras de gás, não há campos de concentração. Mas não há disponibilidade em quem deveria cuidar das pessoas em olhar para elas. Elas oficialmente passaram a não importar mesmo.
A câmara de gás brasileira possui outros contornos e nuances e os campos de concentraçào com a enorme frequência de mortes de inocentes e também de criminosos estão há muito tempo presentes em nossos centros urbanos desinteressados de suas dores.
Não sou comunista. Detestava o governo de Dilma. Abomino o Lula.
E parece que precisei afirmar essa última frase para não ser confundida com uma petista...que horror.
Parecre que alem da diginidade, da decência, do reconhecimento, a palavra moderaçao também saiu do vocabulário.

Moda atual

A moda política é pagar a conta sem ter comprado nada.
Exige-se o sacrifício por erros dos responsáveis que não somos nós.
Virou moral dizer a palavra austeridade e justifica a completa desresponsabilização de uns pelos outros.
Esvaziou-se o significado da palavra.
Aos poucos, guerras infinitas.
Ditaduras econômicas em nome da liberdade.
A única liberdade é comprar.
E se aqui é isso, sinal de morar no reino da indiferença.
Sentimento coletivo de medo em pessoas que aos poucos desaprendem a ouvir, a falar, a conversar.
O ovo da serpente eclodiu.

Um piano na entrada



Em uma terra onde o sublime ganha contorno de infeliz e o óbvio mascara-se na dúvida entre o bom gosto e o duvidoso, sabem-se lá quais razões a postos homens acreditam em um piano de cauda mais do que neles próprios ou nas palavras que deles mesmos poderiam sair.
Curioso demais é esse mundo onde habitamos, lugar onde também não sabemos porque estamos, nem para onde vamos depois daqui.
Logo, quando qualquer um de nós ou um daqueles que consideramos amar, adentram um hospital...não por terem quebrado um braço ou qualquer outra situação de aparente singeleza, mas por alguma doença ameaçadora ou algo que o pareça, o que olhamos? O que queremos nessa hora? O que passa a fazer parte de nós de um jeito completamente diferente de alguns dias ou algumas horas até, atrás, quando tudo parecia caminhar na sua aparente tranquilidade cotidiana e em nosso semblante diário de felicidade nossa de cada dia? Sim, existe um momento, e esse momento chega pra todomundo algum dia, em que o chão parece abrir-se e a gente sabe que não seremos os mesmos a partir dali. Nunca mais seremos. É a hora em que  parte do mundo muda e uma ruptura com o que se acreditava antes acontece; quando nos encontramos diante de alguma ameaça real diante de uma situação de doença. Quando essa hora chega, mais uma vez, o que queremos?
Para a possibilidade da perda do que mais amamos, não há superficialidade ou aparência que o convença, não há caixão que valha a pena comprar, não há lençol de cetim que amenize, não há cadeira de design que traga qualquer alívio. Em momentos cruciais, só há uma coisa, uma coisinha só que parece funcionar. Por funcionar entenda-se trazer esperança: a palavra e o olhar humano. Claro que a segurança de se saber estar entre um corpo técnico de qualidade é fundamental, mas é impressionante como até essa característica essencial parece desaparecer frente ao imperativo do estabelecimento de vínculos humanos. Em momentos de dor, apenas o vínculo verdadeiro tem o poder. Sim, a palavra é poder, porque pode amenizar o sofrimento. Na iminência da ameaça da perda, apenas a ideia de preservação das relações humanas faz sentido.
Mas de que vale tudo isso? Do que eu estou falando?
Eu falo de capacidade de amar. Falo de capacidade de entrega. E se eu falo dessas capacidades, falo também de capacidade de sofrer, de ter medo. Só sofre por amor quem ama. Óbvio? Não.
E eu escrevo o óbvio porque o lógico saiu de órbita e deve estar no espaço. No mundo passou a vigorar apenas um tipo de obviedade: a da relação entre custos e benefícios e o possível lucro gerado a partir daí. Falar de vínculo e falar de amor, e ainda lembrar de que nos momentos cruciais não importa o sofá, a renda, a seda, as especiarias.
Mas o lugar de vínculo no mundo da certeza parece reduzido a um lugar de regra de três.
Não, eu não quero um piano de cauda na entrada de um hospital quando chegar a minha hora ou a hora de quem amo. Eu quero receber acolhimento, sorrisos verdadeiros de funcionários e equipes bem capacitadas a receber seres humanos em dor. Quero gente humana, muito humana, capaz de se reconhecer também na dor daqueles tão diferentes delas mesmas até, pode ser, mas que se identifiquem nessa igualdade imperativa que nos torna ligados e vinculados não importa nenhum sistema de classificação. Eu quero gente que possa se sentir livre o bastante para me olhar com afeto de verdade sem o constrangimento que pode até vir a ser um paradoxo se o ambiente for, digamos, high professional. Como pudemos chegar ao ponto de acreditarmos em uma abstinência afetiva como algo condicional a um bom atendimento de uma equipe hospitalar multiprofissional?
E sim, é bem provável que o meu texto seja facilmente questionado. Todo texto é. Afinal, um piano de cauda pode ser interpretado justamente como um símbolo de humanização de um espaço cujo objetivo é o restabelecimento de pessoas doentes. E que em nada, todo o luxo do local, sabota a experiência de um atendimento humanizado e de qualidade, sendo exatamente o oposto dessa ideia, a ideia!
Mas sabe por que não é bem assim?
Porque vivemos em um país pobre, em uma crise econômica profunda, e um ponto de ônibus foi deslocado de seu local original para que a frente do hospital pudesse sobressair e não ser, digamos, atrapalhada pelo ir e vir daqueles que pegam ônibus. O argumento lógico? Para facilitar a entrada e a saída dos pacientes. Mas por que a entrada desse hospital é feita de vidro  que todomundo pode ver? Para ser vista. Por que? Para ser admirada. Por que? Para criar desejo. Por que? E em quem? Quando os tomadores de ônibus são deslocados de seu lugar, fica bem claro que aquele hospital não se destina a esse público usuário de ônibus. Como dizer que obviamente NÃO sem deixar de ser arrogante ou insensível? Importa falar o óbvio pois importa lembrar que todo lugar de luxo é um lugar de exclusão e se um hospital muda o ponto de ônibus ele reafirma seu papel de exclusividade a um público exclusivo. Onde habita o sentimento de exclusividade durante a experiência da dor? Restaria a alguns doentes ser exclusivo como ironia final (ou fatal) de uma vida?
Um hospital não deveria ser  um local de ostentação ou de tentativa de ocultar seu verdadeiro objetivo e o que ali verdadeiramente existe, pessoas doentes. Quando o local de tratamento de pessoas doentes exibe um símbolo de estatus social em sua entrada, a mensagem é clara: nossos valores são exibicionistas e nossa política é de sedução.
Assim caminha a medicina privada no Brasil, invertendo o papel da medicina e subvertendo as necessidades de cuidado.
Transformando em privada os valores e aspirações com os quais a medicina se construiu e onde ela de fato, é mais importante, como instrumento de auxílio e cuidado à vida e à alma dos pacientes que dela precisam.
 Não em uma fábrica de desejos que utiliza como meio a oficialização da banalidade.
O luxo é banal. A vida jamais.
E se o lugar de dor e sofrimento acolhe as esperanças usando como preceito simbólico capitalizado como um piano de cauda humanizador, é porque o uso da banalidade já está aprofundado no seio social e ninguém viu. Ou fingiu que não.


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Gratidão

Parece que pensar em vicê me faz estar com você agora.
Algo diferente de sentir e poderoso, porque me leva aonde eu não mais conseguia alcançar.
Estar contigo sem estares aqui diante de mim e sem que eu saiba onde está o teu lugar.
Vejo-me nesta procura quando diante de um entardecer onde procuro reconstruir minhas memórias das cinzas de uma espécie de destruição que não foi total, por pouco. Ao mesmo tempo, impossivelmente total teria sido de qualquer jeito, pois o amor inquebrantável não virará fuligem jamais. Algumas vezes ele fica opaco, nebuloso, mas é o resultado de um dia porque tanto havia brilhado.
Nào há vencedores em uma despedida definitiva, mesmo que em nös caiba certa inteireza, somos derrotados pela delicadeza de uma saudade que jamis, também jamis, deixará de existir.
E eu, diante do fio da saudade e da nebulosidade que desafia nossa memória pois a inconstância de lembrança então opacificadas pela perversidade de uma escuta contraditöria e não-religadora dos afetos rompidos pela despedida que se mostra eterna.
Hoje, ao lemrar-me de ti, tu logo vives e ouço sua voz, lembro do seu sorriso, de nossos momentos juntas, de nossas manhãs com nossos cafezinhos que duravam até o meio dia.
Amo lembrar de nós todos juntos em minha infância em Cordovil, em nossos finais de ano maravilhosamente simples e incrivelmente inesquecíveis.
Eu amo e amo e amo me lembrar de seu aniversário de 27 anos, quando faltou liz e nós cantávamos " Adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize no ano que vai nascer...". Tudo inundado de esperança e de maternagem, de um amor de certeza amorosamente eternizada em ligações fortes como o Superman, íntegras como a Mulher-Maravilha, unidas como os Supergênios, adoráveis como a Dona Benta, felizes como o Sítio. Essa lembrança dessa alegria de ser cuidada por uma mãe que me transbordava amor e segurança é a lembrança mais importante e forte de minha simples existência.
Apenas uma criança entre tantas, feliz simplesmente por conhecer o amor de mãe.
Hoje você está aqui em mim e eu te sinto.
Hoje eu tenho a ti como jamais tive.
Hoje eu possuo a minha merecida reconciliação com minha história, meu merecido descanso, minha alegria em memória.
Essa herança, minha màe, me transforma em uma pessoa incapaz de odiar.
Eu nasço e renasço para que eu siga a vida em direçào ao caminho ünico possível, o da impossibilidade de nào olhar o outro diante de mim com indiferença.
Essa caminhada de espanto e encanto eu devo ao amor que um dia eu recebi da mãe que me escolheu para ter e me doou parte de seu tempo lançando a mim esse olhar materno-amoroso de cumplicidade com a vida e amor também para com ela.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Um ensaio poético antes de dormir

Para que a vida regigize-se de si mesma e em si,
É necessário que as palavras se despeçam ao fim do dia.
A despedida das palavras faz as vezes de um teatro sonhado e vívido,
Realidade que se apaga da fantasia do assombro de estar vivo para logo em um momento depois vir a estar morto.
Mágica devoradora de sonhos inabitáveis pela excelência do despertar que para muitos não acontece.
Despertar para a vida é acordar sem  pesadelo revivido para adormecer com os prazeres finitos.
Sem o desespero do amanhã não há libertaçAão do passado.
Há uma bruma que envolve a minha vida e uma captura da qual não posso ainda me afastar.
Por vezes acordo e sigo ávida com alegria e intensidade.
Por vezes vem a nuvem cinza e seca que me faz mergulhar em seus ventos negros sem nenhum artifício de perdão.
É quando tudo perde o sentido de ser e a mágoa toma conta feito um carnaval de machucados serosos que jamais cicatrizam.
É a festa da dor.
Passada a tormenta de uma vida de repetições em que se ilude ser sempre a última ( mas deve ser do desejo de cura), vem a fase de reconciliação com o passado.
Sensaçào de contas feitas , vou dormir em algum lugar aqui em mim, por enquanto meio partido, meio amado.
Sou felizmente a dúvida pela certeza de que nada está pronto.
Desprogramada a ilusão de exatidão, posso entregar meus sonhos e dormir com meus anjos.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Impeachment 2016

Não posso deixar de registrar nosso momento político tumultuado e vexaminoso.
Estamos encalacrados.
A presidente Dilma foi afastada por um impeachemnt e uma verdadeira quadrilha, apoiada pelo STF, assumiu a República.
Dilma podia até merecer esse impeachment, mas o Brasil não merecia esse golpe.
A mediocridade tomou conta de tudo.
A esquerda pensante tem sido sistematicamente calada.
Nossos pensamentos são considerados ideologias.
Os métodos adotados pelo governo interino não.
O projeto político defendido nas urnas tem sido surrupiado com o apoio da classe média.
O inaceitável tornou-se aceitável em nome da economia e do medo geral. Com isso, nossa constituiçào e nosso pacto social se degeneram.
O mal venceu o bem. E a esperança que venceria o medo foi corrompida junto aos nossos sonhos.
Não sei mais como será o nosso futuro. Mas nossa democracia está à beira do abismo.

Rio 2016

As olimpíadas chegaram!
Um milhão de problemas vieram com ela também.
Linda abertura. O melhor do Brasil. A excessão talvez tenha sido a escolha de uma cantora chamada Anitta junto a dois "monstros sagrados da MPB". Como mulher, me incomoda a escolha de uma cantora que vulgariza a música ao usar de trejeitos sensuais em sua apresentação, valorizando bastante sua forma física e capacidade de seduzir em detrimento do esperado talento musical. Sou antiquada? Não creio. Mas não me atraio, naquele momento e naquele lugar, por aquele tipo de performance.
Somos impedidos de trafegar na faixa olímpica. Nós cariocas somos o excesso por aqui. Melhor seria se aqui não estivéssemos, não é apenas uma impressão.
Mas adoro olimpíadas. E essa não será excessão.
Acabei de assistir Michael Phelps e equipe ganhar mais uma medalha de ouro no medley. Foi maravilhoso, apesar do quinto lugar dos brasileiros. Mas afinal, valeu.
Por outro lado, empatamos no futebol masculino com o Iraque. Zero a zero. Uma vergonha.
Até aqui sobrevivemos.
O futuro é incógnita. Mas nem tanto.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Yes, I know that.

I have been upset.
So upset that I made up my mind to write in English, so If there is someone reading me at this exactly moment, it would be easier to go on..
My sense of humanity has become some how negative and pointless than before.
But maybe this is because the goal should have changed at all.
We`d better go.

Quando está mais frio aqui e o Trump ainda não se elegeu

13 graus em Teresópolis.
19 graus em Laranjeiras.
19 graus em Praga.
22 graus em Londres e Berlim.
23 graus em Paris.
27 graus em Nova Iorque.
29 graus em Detroit.
São quase oito da noite em Laranjeiras.
Inverno no Hemisfério Sul e verão no Hemisfério Norte.
Ártico  e Polo Sul derretendo.
Planeta em aparente normalidade climática. Apenas aparente.
Derretendo onde deveria ser frio, com 40% a menos de gelo no Ártico no momento.
Estamos aos poucos derretendo.
Primeiro foram os miolos.
E então derreteu-se a compaixão.
Terra em sofrimento que agoniza no mar gelado suas pessoas mais sofridas e queima suas florestas e seus bichos mais inocentes. No fogo da queimada, no fogo do tiro, na frieza da armadilha, tanto na terra como no mar.
E nas fazendas, mamíferos maravilhosos e aves que amam são tratados como coisas descartáveis, sem conhecerem o amor de que somos capazes, sem desfrutarem da dignidade da vida que jamais deveria ser prerrogativa de uma única espécie.
Enquanto a humanidade mata a sua natureza, ela mata a si própria também, porque natural é o amor e o cuidado, não o triunfo do prazer de um sobre o sofrimento e agonia do outro.
Inocência esvainecendo. Ideias corrompendo-se. Esperanças desconectadas umas das outras.
Enquanto isso, eu sigo no meu quarto alimentando-me de silêncio relativo e talvez do último inverno em muitos anos. Aproveito o casaco que não usava há uns 4 anos e que já havia esquecido.
Aproveito a sopa e o vinho tinto.
Aproveito as coisas boas que nossa civilização construiu e sigo amando a vida e as coisas enquanto elas ainda estão aqui.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Dia de sol em Miami e no país da liberdade

Eu fui à praia nos Estados Unidos.
Fui a Miami em fevereiro de 2014 e fiquei hospedada em um hotel bem bonito em Miami Beach.
Enquanto marido e filhos iam ao passeio no shopping, eu preferi ficar na praia e piscinas do hotel desfrutando da liberdade de ser. Liberdade de ser o quê mesmo?
Sempre soube que bebida alcoólica e lugares públicos não combinam nos EUA. E então descobri que sim, era permitido beber na praia!
Daí que descubro as condições.
Você possui toda liberdade de tomar sua cervejinha na praia em Miami, contanto que tenha nove dólares para pagar por long neck e que você consuma sua bebidinha desde que a compre no barzinho do...hotel...
Ou seja, no país da liberdade, não existe o direito de você encher seu isopor ou sua caixinha climatizada e se dirigir a uma prainha gostosa para beber sua cervejinha. Você só terá esse "direito" se você for um consumidor com money suficiente no bolso para pagar por ele.
Eu pergunto: Qual o mal que existe em beber uma bebida alcoólica na praia em um país democrático?
Então eu irei decompor a frase:
Qual o mal?
Qual o mal que existe?
Qual o mal que existe em beber?
Qual o mal que existe em beber uma bebida?
Qual o mal que existe em beber uma bebida alcoólica?
Qual o mal que existe em beber uma bebida alcoólica na praia?
Qual o mal que existe em beber uma bebida alcoólica na praia em um país democrático?
Só existe uma resposta possível: Controle.
Controle do quê? Do prazer. Da liberdade. Do desfrute.
Quais os meios adotados? Lei. ( É proibido beber bebida alcoólica nos EUA na rua).
De que maneira isso é tolerado e estimulado, ou seja, burla-se a lei sem nenhum problema? Quando você restringe o seu prazer e um ambiente ou instituição se apropria de sua única possibilidade de viver aquele prazer. De que maneira? Pagando caro a alguém.
Para quê? Para garantir que os prazeres individuais sejam sobrevalorizados em relação à vida pública e ao desfrute do espaço público. O prazer também faz parte do imaginário e do concreto e deve ser restrito ao âmbito privado.
Final da história: Se você puder pagar pelos prazeres privados da vida, seu direito a uma simples cervejinha na praia estará garantido. Se não, aceite e orgulhe-se de respeitar as leis de seu país, sente a bunda na poltrona de casa e abra sua latinha.
Aproveite.

O quarto Reich

A ascenção de Hitler teria sido resistível?
Por que não?
Quando pensamos em Awchvitz ou em Treblinka ou em um outro capo de concentração destinado a exterminar seres humanos em pleno século XX, não é nada difícil diagnosticar uma humanidade que definitivamente não deu certo.
E então a gente pensa em Hitler e em sua infância e descobre que ele não conheceu o próprio pai e que em sua ascendência haveria uma avó judia, e que ele nutria grande desconforto em relação à suas frustrações familiares... Bom, até ai nada muito novo. Todos nós nutrimos desconfortos muito próprios. No entanto, parte de nós segue sem nenhum ódio direto a nenhum grupo populacional em geral. Boa parte de nós não culpa as outras pessoas pelos nossos problemas pessoais.
Não tenho como me aprofundar nesse assunto exatamente em relação a Hitler, pois não sou nenhuma estudiosa do tema ( e tão pouco tenho qualquer disposição para estudar a vida pregressa de Hitler). Porém, me é muito clara a pequeneza e mediocridade desse ser que infelizmente ainda chamamos de humano, posto que não há outra denominação possível ainda.
Creio que o mais importante ao permanecer definindo Hitler como um ser humano é justamente para que nunca se esqueça que justamente foram seres humanos os que pertenceram ao Partido Nazista Alemão. Foram seres humanos os que criaram o extermínio de judeus, ciganos, dissidentes e homossexuais. Foram seres humanos os responsáveis pela escravidão e pelo genocídio de populações diversas. Somos nós humanos os responsáveis por nossa desumanização e humanização.
O sentimento de superioridade pertence aos medíocres. A ideia de que uma raça pura deve dominar a Terra atinge níveis máximos de imbecilidade e ignorância se lembrarmos que estamos em 2016 em um mundo multicultural e hiperconectado. Determinados avanços democráticos relacionados à pluralidade e liberdade dificilmente serão superados. Permanecerão vivos em cada célula humana oprimida ou livre, mesmo naqueles que ignoram os caminhos pelos quais hoje a humanidade avança e retroage.
Temos hoje um exato representante do Reich a caminho da Casa Branca. Sua origem? Alemã. Sempre a Alemanha. Seu nascimento? Estados Unidos. Sempre os americanos. Casam-se quem detonou a bomaba atômica e o ideal de pureza gerando o bombástico atomizado, radioativo, Trump.
Dá medo.
Fico pensando se daqui a cinquenta anos os livros de história e os documentários não estarão postulando o nascimento da ascenção de Trump para tecerem uma compreensão a respeito da terceira guerra mundial. Dá medo porque realmente é possível e provável que não sobre muita coisa depois.
Trump começou com deboche, brincadeiras, e virou o candidato republicano à Casa Branca. Já disse que pode matar um homem na Quinta Avenida sem que nada lhe possa acontecer. Debocha de mulheres, detesta negros. Detesta muçulmanos.
É muito difícil compreender afetivamente esse fenômeno e muito fácil compreender esse fenômeno. Os EUA são um país de imigrantes cuja qualidade educacional é precária.
O medo e a culpa no outro permanecem como antídotos e respostas a problemas complexos.
" A cadela do fascismo está sempre no cio." Bertold Bretch
Violência? Culpa do islã e dos negros.
Pobreza? Culpa dos imigrantes.
Parece que o mundo e as pessoas gostam de acreditar em mentiras, em jogo fácil, em salvadores, em bilionários que representem no fundo de si mesmos seu desejo maior.
Trump assusta pelo ódio com que vocifera contra tudo e todos, pelo deboche, pelo desrespeito aos mais pobres. Ele representa o desprezo do poder pelo próximo que não lhe interessa por qualquer motivo que seja. Representa a falta de compaixão, de solidariedade.
Trump representa o fim de todos os valores que um dia uniram a nossa humanidade.
Hitler deve estar orgulhoso.

domingo, 17 de julho de 2016

E eu

Que pouco sei
Só entendi a imensidão daquele pensamento.
E mais nada.
Porque naquela imensidão espacial e infinita chamada Deus, apenas sabemos e sentimos; sem nada sabermos.

Fernando

"O rio está dentro da terra.
A terra está dentro do espaço.
O espaço está dentro do não sei.
E o não sei está dentro da minha cabeça."

Meu filho, aos quatro ou cinco anos.

Roda ainda viva

Nada mais é impossível além da morte ser revertida.
Patrocínio perdeu o desgosto e já não atina mais em desfazer desnecessário se desnecessário fosse sorver o gosto da desnecessidade que parece habitar o velho hábito humano do alimento frugal da hipocrisia, da balela da desnutrição mental que invadiu o não-pensamento da irrefletida atitude de sorver o gosto e as coisas da inutilidade.
A distração bebe da ignorância o que a imaginação não imagina mais.
Para esse genocídio psíquico muitas drogas de ocasião.
Diminutas as delicadezas, não-perenes os afetos, imberbes nossos humaninhos.
Calou a boca no passado pelo grito e agora desabita a consciência de muitos alguns minorias para uns menores ainda. Chega adentrando cheio de verbo e assim vai expulsando olhares que buscam certas verdades na palavra que pode até ser menos dita, porém não-adiada; mas não... Se não fala essa língua adverbiada por uma falsa colonização, não serve para o coração.
É o grito da palavra sangrante que vem de novo que expulsa de dentro da alma. Flameja desiludida mas jamais perdida.
É desse lugar de dentro que uma juventude que pode ter sessenta anos articula suas velhas e novas esperanças.
Da desesperança nasceu o homem que planejou a justiça, pois todo desejo de justiça é nascido de um sentimento de injustiça. E se a justiça nasce da distorção, da perversão, é preciso sempre estar muito atento a ela.
De um modo ou de outro o território do desejo permanece em toda consciência habitada.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Gente ignorante

Em meio à festa da mediocridade, peço licença para ir embora.
O preço de conhecer a mente medíocre é alto.
Porque sei que os defensores do projeto Escola sem Partido são medíocres o suficiente para mobilizar uma massa que não pensa, o suficiente.
Ao conhecer a história dessa imbecilidade sem precedentes, descubro que o fundador dessa ideia, foi um dia, contrariado por uma professora da sala de aula de sua filha, que comparou Che Guevara a São Francisco de Assis. Descubro que essa figura medonha foi rechaçada pelos pais dos alunos dessa escola e em função desses acontecimentos, fundou a Escola sem Partido, que corre o risco de virar lei, fenômeno esse que seria evidentemente inconstitucional, visto que implica em determinar o que um professor pode ou não falar em sala de aula.
Esse imbecil-fundador é procurador do Estado de São Paulo ( tinha que ser São Paulo), e vou analisar       o sujeito nesse espaço, que é meu: narcisista vulgar, não aceita ser contrariado. Misógino, as coisas pioraram quando quem fez a comparação entre o santo católico e o Che foi uma mulher. Imbecil, pois busca negar a ideologia, manifestando exatamente a ideologia contrária, como uma formação reativa qualquer. Burro, pois conhece a constituição ( conhece?), e a ignora. Sabe que o Brasil é um país onde a Constituição não admite censurar uma ideia. Defendeu a fala do Bolsobosta contra a deputada Maria do Rosário.
Esse tipo de gente virou regra no meu país. Esse tipo de gente está no poder após o golpe chamado impeachment ter deslanchado. Como diz um amigo muito importante para mim, o golpe está apenas na metade.
Eu abominava o governo Dilma, mas não posso deixar de ficar e estar estarrecida com esse impeachment e essa gente medíocre, misógina, racista, machista, que tomou o poder.
Mas saibam, estamos em 2016 e a agenda do retrocesso encontrará barreiras fortíssimas contrárias.
Só mesmo bala, porrada e bomba para diminuir os efeitos dos movimentos LBGT e feminista.
Podem tentar, mas não irão conseguir.
Gente estúpida, gente hipócrita que não estudou, que lei e não aprendeu, que evacua pela boca sua falta de cultura, de amor pelo diferente e o seu ódio mimiminho por quem lhes contraria.
Vocês são a bosta do amanhã enterrada numa lata velha no meio do oceano Índico.

Rotina

Tem sido uma vida para alcançar uma rotina justa.
Andei tanto e quanto meu olhar e coração aguentou para achar essa chave que me abre a casa da alegria cotidiana, e que também caminha embalada na crença de que uma boa dose de disciplina de dentro para fora nunca matou ninguém.
A dança da rotina veio para alegrar o dia-a-dia daquela moça que um dia viveu amordaçada ao medo de fazer tudo errado de uma só vez.
Quanta tolice! Os medos vem em gotas e os erros são perenes. Não adianta fugir.
Andou, andou, andou.
Chorou, chorou, chorou.
Mas não gritou. Na verdade, só pelo time da seleção brasileira.
No parto não foi preciso, pois não houve o prazer da dor que liberta a ambos.
Então o grito ficou lá, contido em sua imensa condição de não existir jamais a não ser dentro.
Minha física não é de mentira, meu espanto nunca me enganou.
Perambulei ao lado dos sonhos. Construi meus muros de solidão, desapego, desassossegos e preguiças. Mas esbaforida também fui de contramão apanhar com a mão meu sonho de menina. Descombinei as fragilidades para me espreguiçar mais ainda.
Radicalizei a loucura e tornei-me psiquiatra.
Virei médica dos doidos mais humanos e normais que conheci.
A estrada é menos dura e a rotina me dá contorno.
Hoje adormeço e amanheço dentro de mim.
Acordo narrativa. Desativa. Caprichada. Ligeira raramente.
Sou dona só mesmo da menina que um dia fui.
É com ela que eu sonhava.
E é ela quem me carrega no colo da vida enquanto o meu corpo aos poucos fenece de um tanto de vida, de  um tanto de dor, de um pouco de danos, de um bocado de amor.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Casa Grande dói

Não suporto mais ver notícias sobre morte de animais.
Ou maldade.
Meu coração vive uma dor inédita porque reúne todas as dores do passado e da celeridade das notícias do presente.
Agora uma onça morreu. Morreu não, foi morta, segundo a notícia, durante a passagem da tocha olímpica por Manaus.
A consciência de viver em um país que permanece, após 500 anos, desrespeitando sua fauna, flora, índios e negros pobres, tem me causado muita tristeza. Parece que essa idade média não passou por aqui.
De forma deliberada, consciente, vou ficar fora das redes sociais por um tempo para tentar me recuperar das imagens vistas, das notícias lidas.
Um mecanismo consciente de proteção mental, neuronal ou seja lá o que for.
Em respeito à minha vida e à esperança que eu desejo manter no ser humano, eu me retiro da rapidez com que a maldade humana vem sendo, reiteradamente, expressa e repetida na minha existência através dos meios de comunicação.
Desligar é preciso.
Viver não.

domingo, 19 de junho de 2016

Plano de amor

Quando a gente ama muito e com muita força tudo ao nosso redor , vem o sentimento que compromete todos à nossa volta. Por eu amar tanto meus filhos, eu desejo que todas as mães tenham sempre seus filhos (mas que jamais os possuam). Por eu amar tanto os meus gatos, me comprometo com todos os mamíferos a respeitá-los e jamais agredi-los. Por eu amar tanto os gatinhos, eu aprendi a amar todo o restante dos bichos da face da terra. Por eu amar tanto a literatura, eu fui descobrindo coisas incríveis a respeito do mundo e das pessoas. Por eu amar tanto tudo, eu passei a respeitar tudo, e então eu passei a querer compreender muito das pessoas, e passei a desejar um bem profundo a elas, do jeito que elas forem. Então eu me senti igual a todas elas e ninguém foi maior do que eu em nenhum momento, e eu não me senti maior do que ninguém em nenhum momento também.
Então a partir do momento em que eu pude realmente usufruir da incrível liberdade de ser, eu passei também a ser triste, um pouco mais triste do que eu era antes de descobrir o óbvio de que estamos todos ligados e sentimos coisas muito parecidas. Porque eu descobri também que muita gente, que nada ou pouco entende de amor, se qualifica como melhor do que aqueles que amam diferente, ou daqueles que tem necessidades diferentes, sejam materiais ou afetivas.
Quando eu descobri que as pessoas sentem e vivem em tempos diferentes e que todos tem tanto direito quanto eu a usufruir dessa Terra, eu entendi que a preocupação para com o meu semelhante seria o meu principal objetivo.
E então, quando eu fico triste pelas dores totalmente evitáveis que uns fazem aos outros, eu busco me realimentar desse amor que há em mim como combustível e atitude de vida diante do sofrimento inevitável que por vezes, vem.

Fim da semana

Mas é que amar faz de mim uma pessoa tão frágil. Sou quase inoperante ao mundo posto que não tenho ímpeto agressor nem o suficiente para matar um peixe. Então tudo me inibe do impulso da morte de qualquer ser vivo, com excessão das moscas e das baratas. O fato é que nem eu que iniciei esse texto vindo do sentimento de amor, sou capaz de amar as moscas ou as baratas. É importante reconhecer nossas repulsas.
Mas de que eu adiantaria no mundo medieval? Ou antes da luz elétrica ou do telefone? Meus ímpetos de cordialidade jamais superaram meu instinto de repulsa. Claro, o sentimento de nojo diz muito mais sobre si mesmo do que uma simples cordialidade. Deve ser por isso que nunca consegui ser cordial.
A cordialidade é a transcendência da decência, pois ser cordial implica em conseguir ser indiferente. Talvez eu tenha me abstido de buscar o sentimento de indiferença.
Para mim, só vale a pena a intensidade, o abraço que aperta, a mão que segura, o olhar que percebe, o beijo que pode demorar, a festa sem parcimônia, a emoção potente; e emoção potente é aquela que não teme a loucura.
Deve ser por isso que eu não me aguento quando não escrevo ou bebo desassossegada de verdade.
Sem evoluções para amar as baratas, por favor.
Vou evoluir somente até o ponto de entender as moscas e chorar de alegria e arrepiar o peito ao ver de volta as borboletas azuis.
Quero viver a poesia mesmo quando eu tiver que falar de baratas.
Eu pego a minha fragilidade pelo avesso e redescubro de cabeça pra baixo a força simples de um pedaço de vida em um domingo à noite final de semana.

domingo, 22 de maio de 2016

Iluminação

Para que ser grande
Se de pequena minha vida bate à porta das pequenas ignorâncias?
E eu, que as faço minhas,
Abro o meu peito desarmado ao etéreo sentimento das coisas que nunca foram o que jamais seriam a não ser em mim
No invisível descuido de indizíveis repetições de indiferença.
Massacram meus sonhos meus algozes de pensamento
Lindos abutres que não exitariam em me roubar meu próprio pão.
Não, eu não sou quem eu pensei ser.
Nada de camaleoa, nada de representação.
Tudo verdade do tempo e tese sem comprovação.
Artífice de boa memória. Conjuração sem elementos de associação.
Perguntas sem respostas, diabo na centelha que deseja,
Operária da irresignação.
Fuga do principio pois que foi solidão desde o começo.
Busca do riso, mas só os incontidos por impossibilidade.
Caminho do segundo do desejo
Caminho de um sol sem tapume
O sol perene das belas manhãs de todos os outonos tropicais
Abro essa janela e para sempre deixo a luz entrar.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Às vezes escrever é uma necessidade biológica

Meu país vive uma confusão política, ética e moral, únicas. Como toda conjuntura.
Faço da poesia e da literatura meus refúgios éticos, minha intimidade afetiva e assim, procuro povoar minhas sensações através das interpretações literárias e filosóficas de gênios atemporais.
Acordar e ler o jornal tornou-se um bom motivo para voltar a dormir e nunca mais querer sair da cama.
A presidente Dilma vive um processo de impeachment. E eu não irei aqui procurar explicar essa loucura. Mas alguns fatos são reais: a câmara dos deputados, cuja porcentagens de envolvidos em denúncias de corrupção supera os 30% irá julgar uma presidente não acusada de crime algum. Em contrapartida, a inaptidão de Dilma é tamanha, que a situação chegou a esse auge de contradições e diferenças tão semelhantes, que se tornaram irreconciliáveis. Para alimentar a fogueira das vaidades e incoerências, os partidos mais corruptos e parceiros do PT estão um a um, debandando do governo, abandonando o barco mesmo, ao verem o barco naufragar. Esses partidos foram o sustentáculo do governo durante todos os 13 anos do PT no poder. Assinaram a maioria dos atos juntos, diríamos.
Há expressiva parcela intelectual que condena o impeachment e o nomeia golpe. É um golpe.
É mais um golpe.
Quem golpeou primeiro? A própria Dilma, ao cometer um estelionato eleitoral inesquecível e imperdoável. Maniqueísmo? Quem começou?
Dilma foi um acidente. Fico triste por ela ser a primeira mulher presidente do Brasil e ter vivido essa presidência através da origem de um homem, o Lula, colhendo os frutos de seu segundo mandato presidencial que obteve à época 87% de aprovação.
Hoje Dilma possui menos de 10% de aprovação, sendo a menor da história.
Nossa imprensa é lamentável? Infelizmente é.
Mas não foi a imprensa quem praticou o estelionato eleitoral de 2014 e fez uso dos subsídios governamentais para a energia e a gasolina, aumentando-os substancialmente em menos de 6 meses após as eleições.
Também não foi a imprensa quem deu cargos aos sindicalistas amigos a fim de administrarem os fundos de pensão das estatais.
Podem dizer que os outros governos também agiram assim. Não sei! Qual o tamanho do rombo nas contas públicas? Tenho a impressão de que o aparelhamento do estado nunca foi tão acintoso. Lembro do bom funcionamento dos Correios, assim como da presença de algum nível de moralidade na coisa pública antes do PT. Não posso auferir a coisa. Mas tenho a impressão de que nunca a coisa pública foi tão esculhambada, tão usada, tão manipulada. E tenho muito medo do vício desenvolvido a partir desses tempos de total descolamento ético impulsionado pelo partido que tocava exatamente nessa ferida a fim de ganhar notoriedade.
O PT demonstrou absoluta incoerência, absoluta rendição de seus princípios, e na minha opinião, a maior e mais incrível capacidade de manipulação política que eu já vi.
Eu amei o Lula por quase uma vida inteira.
Aos 16 anos fiquei 3 horas em uma fila para que eu tirasse meu título de eleitor para votar no Lula.
Fiz de Lula e do PT minhas esperanças.
Quando hoje eu vejo o Lula fazendo uso das velhas estratégias de discurso e lembro desse mesmo discurso enaltecendo o Sarney, a Roseana, o Collor, o Renan...apertando a mão do Maluf em São Paulo para eleger o Haddad...não me resta qualquer dúvida de que ele é capaz de tudo.
Lula é um perverso narcisista irretocável.
Quando Sergio Moro vazou os áudios e levou Lula, coercitivamente, a depor, eu chorei.
Minha velha veia petista e que um dia amou essa figura de fato não aceitou, o que não será jamais aceitável, essa conduta aética e abusiva por parte desse juiz. naquele 16 de março, Sergio Moro reativou antigos aliados petistas que já haviam julgado esquecer Lula e o PT, pois a injustiça sempre acorda aqueles que lutam pela justiça. Naquele momento, não mais importavam os últimos 13 anos de conluios e baixa política proveniente do subsolo e topos petistas, tratava-se de uma clara caçada política merecedora de uma resposta daqueles que mantém-se ligados aos ideais de esquerda que muitos julgam como desprezíveis e fora de seu tempo, e gostariam que já estivessem esquecidos há muito tempo. Mas cá entre nós, isso sim é uma utopia, a de que o homem irá abandonar as próprias utopias. Não. Vou insistir em lutar pelo que acredito, assim como muitos que se sentem como pertencentes a um pensamento à esquerda.
Assim, fui no dia 18 de março à Praça XV. Vou dizer: as festas vermelhas são maravilhosas. Samba, diversidade, utopia viva.
Acreditar na Dilma? Acreditar no Lula?
Isso é o que menos importa.
Também menos ainda acredito no Congresso Nacional, no Senado, no Temer, no Cunha.
Eu acredito que a Dilma merece esse impeachment, mas que o Brasil não merece esse golpe.
Entre uma turma e outra, pouca coisa mudará na prática.
Se Dilma ficar, ela irá abrir mão de tudo para se manter. Irá trair mais uma vez seus eleitores. Irá vender o que restar do Brasil e for possível vender. Ela não tem palavra nem tem capital político para defender bandeiras feministas fundamentais, por exemplo.
Temer será uma temeridade. Também.
Mas ao menos eu vou parar de ler todas as manhãs esses jornais manipuladores choramingando a alta do dólar. O PT deixará aos poucos a vitrine do noticiário. Todos serão mais felizes.
O Brasil vai voltar aos poucos a ser o país corrupto de sempre, sem manchetes nos jornais denunciando a corrupção. A Lava Jato irá deixar de ser manchete aos poucos, também.
Os que amam odiar o PT estarão mais calmos, mais felizes e irão viver um certo dever moral de sentirem-se mais felizes e otimistas. O PT voltará a oposição e os movimentos sociais voltarão com muito mais força, pois suas lideraças esvaziadas do aparelhamento petista voltarão à ativa. A esquerda obrigatoriamente terá de reinventar-se e unir-se.
Coxinhas repousarão. Petistas reagirão.
Dada a inconsistência e fragilidade intelectual da direita brasileira, ela irá aos poucos e em um processo mais rápido que o da esquerda, se enfraquecer.
Voltaremos a ser felizes para sempre como o fomos na roupa mais ajustada de um país do futuro que abrandou a ética, reinventou a relatividade com a esquerda n o poder, e adiou mais uma vez, por algumas décadas, seu tão propalado futuro.
Dessa vez, porém, não sei se teremos tempo para caminhar até lá.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Um dia na vida e na morte de cada um

Meu marido, companheiro, amigo e amor da minha vida está em Paris vindo de Bruxelas há 3 dias. Ele estava em um congresso médico naquela cidade antes de seguir para Paris.
Ontem acordei com uma ligação dele, preocupado em me dar logo a notícia para que eu soubesse que estava tudo bem em Paris.
Além do pequeno susto inicial ( o de receber um telefonema logo cedo pela manhã dele em viagem, o que não aconteceu em nenhum dia), fui tomada por um certo desconforto e tristeza. Afinal, nossa vulnerabilidade é testada a todo instante quase. Cada vez mais sabemos o quanto vivemos em um mundo de completas incertezas.
E então eu fui aos poucos deslizando nas passagens da semana iniciadas na segunda, um dia antes desse telefonema.
Soube da morte de uma criança de 12 anos. Por que uma criança saudável de 12 anos morre em uma semana após sentir uma dor no joelho e ser vista por dois médicos em dias diferentes? Por que esse menino morreu em casa subitamente? Ele vinha sendo medicado com analgésicos. A mãe fez o que poderia ter feito. Procurou atendimento médico para o filho. Ele não melhorou. Procurou de novo. E ele morreu em casa.
Esse menino morava em Engenheiro Pedreira, distrito do município de Japeri, Rio de Janeiro. Era um menino de família economicamente empobrecida.
Como médica e mãe de um menino de quase 12 anos, fiquei muito triste. Mas não de tristeza somente fui tomada ao saber dessa perda. Senti revolta. Desconhecendo a história e tendo apenas os elementos que me foram contados, era provável que essa criança tivesse um quadro de osteomielite no joelho, que não foi tratada nem diagnosticada. E eu me pergunto: "Ninguém desconfiou?"
Parece que não. Sendo assim, há muita coisa errada há muito tempo a acontecer.
Nesse mesmo dia ainda, uma paciente conta durante a sessão, que sua empregada não pôde ir trabalhar hoje. E por que? Porque na comunidade onde ela morava, em um de nossos subúrbios aqui nno Rio de Janeiro, estava havendo uma troca de tiros entre a polícia e os bandidos. E o que
acontece? Ninguém sai. Ninguém entra. Não soube dessa troca de tiros. O jornal OGlobo nem mais se dá ao trabalho de noticiar algo dessa natureza. Tornou-se tão banal a violência nas comunidades pobres do Rio, que publicar uma notícia dessas não tem peso ou interesse.
Então eu me pergunto: Qual a diferença entre morar em Bruxelas, em Paris ou no Rio? A diferença é que aqui, assim como na maioria das outras capitais desse país, estamos mais inseguros.
A vida continua a passar como um raio. E o fim pode estar em qualquer lugar, em qualquer momento.
Mas o que mais me toca é a vida que se perde pelo descuido, pela provável falta de estudo e sobra de ambição, que simplesmente reforça a invisibilidade de um sem-número de pessoas, milhões delas aqui no Rio, transformadas em nada, em puro material de campanha política ou material de estudo de médicos recém-formados ou mal- formados ou ambos, que navegam pelos retumabantes domínios de uma desfaçatez inefável, inescrupulosa. Essa realidade do erro médico é a realidade do povo invisível transformado emcoisa nas mãos de pessoas imaturas e  tão despreparadas ao ponto de deixarem passar uma dor em um joelho de um adolescente de 12 anos que retorna ao posto após a prescrição analgésica não surtir efeito. Vem cá, não despertou uma outra curiosidade? Vem cá, não pensaste em outro diagnóstico, cara pálida que deixou morrer uma criança não por falta de recurso, nem por falta de mãe, mas por ter caído nas mãos de seguido médicos desinteressados de seu sintoma?
Eu sinto vergonha desses médico. Que estudassem mais!
Eu sinto vergonha desse sistema de saúde, não do SUS, do qual tenho orgulho pelo tanto que é capaz de fazer com tão pouco a receber. Eu sinto vergonha e horror como um todo a um sistema que há muito tempo mercantilizou a saúde e transformou médicos e pacientes em objetos de consumo.
Acreditem, é bom lançar os dados da sorte, porque em nenhuma emergência, mesmo nas mais sofisticadoas, com raras excessões, as pessoas estão livres da incompetência dos médicos que as atendem. Há bons médicos? Claro que há. Mas é preciso conhecer para não precisar jogar dados. E em muitos dos que estão no SUS estão entre os melhores. Ainda. Porque no andar da carruagem da sangria desatada nos nossos melhores hospitais universitários, poucos bons médicos estarão presentes no futuro. E quando eu digo bons, eu me refiro aos que priorizam o contato humano e ainda assim mantém- se alinhados ao bom estudo e formação.
A população leiga não imagina a precariedade na formação médica de muitas escolas, abertas graças às novas concepções mercadológicas que nasceram com o século XXI, um século que em parte emburreceu ao adotar a cegueira economicista para a ordem das coisas científicas e médicas em geral. Esqueceu do ser humano. Priorizou a setorialidade da vida e o fez com o consentimento assim como com o alheiamento de grande parte das populações que tem passado os últimos 20 anos mais preocupadas em como pagar a prestação do carro do que com o mundo em que habitavam e naquilo que este estava e vem se transformando.
Chegamos em 2016 repletos de guerras, medos, lixo, temperaturas elevadas, calotas polares derretendo, vidas sendo ceifadas aqui, em Bruxelas, em Paris. Umas por guerra e ódio. Outras por profunda indiferença e descompromisso.
Foi pra isso que tivemos e temos que correr tanto?
Onde se encontra o tão profanado amor? Ele deve estar nos livros, nos filmes, e de lá ele nos alimenta em nossa tocante necessidade de ilusão.



sábado, 19 de março de 2016

O grelo de Lula

Quando eu era criança, assisti à minissérie "Lampião e Maria Bonita" na Rede Globo. Não me lembro mais de quase nada, mas sei que me apaixonei em profundidade pela história de Lampião e Maria, assim como pelo cangaço. Lembro de Maria Bonita cortando a orelha de uma outra mulher. É claro que me marcou, afinal, eu não tinha dez anos e vi uma cena bastante violenta. Eu adorava Lampião e seu bando, mas principalmente Lampião e Maria. Eles lutavam. Como assim? Eram criminosos! Naquele minha época de criança não nos apegávamos tanto quanto hoje ao bem X mal ( pro bem e pro mal!), e Lampião foi retratado romanticamente. Mas realmente não sei. Será mesmo? Houve um retrato romântico de um homem sanguinário? Talvez. Butch Cassidy e Sandance Kid também foram retratados romanticamente e também são parte de meus heróis de infância, ao qual não se comparam ao meu Lampião nordestino, soberbo no protagonismo de Chico Xavier e como Maria Bonita, a inesquecível Tania Alves.
Maria Bonita era brava. Era mulher de grelo duro.
Lampião era macho pra carái. Pica grossa?
Desculpem, minas de Sampa e brasileiras que coram quando me remeto a essa porção do corpo feminino que se possível, deveria ficar encoberta pela calcinha. Em grande  parte do Brasil muito fluxo sanguíneo vem à face quando se fala dos delicados órgãos femininos. Perdoem- me retirar o véu da pureza que lhes encanta e não cumprir o misticismo que nos foi delegado em nosso vã afã de inútil castidade e virgindade. Sim, temos grelo, peitos, útero, lábios em cima e embaixo, clitóris, vagina. Temos tudo o que um homem que gosta de mulheres curte. E ainda o que mulheres que gostam de mulheres também. Bacana isso. Cada um de nós tem uma parte do corpo para nos dar prazer.
A boca por exemplo: a boca é ótima. Ela sente. Ela dá. A boca geme. A boca absorve. A boca sorve. A boca emudece de prazer. A boca grita de prazer. A boca cala de medo. A boca fala.
Então eu não vou calar a minha.
Eu vou dizer que há muitos anos eu não ouvia nada mais engraçado e que me chamasse atenção vindo do Lula do que "grelo duro".
Lampião e seu bando não se curvaram aos coronéis de seu tempo. Não aceitaram o lugar de bons meninos de Deus que lhes foi reservado e despejaram muita dor, desamparo e injustiça que lhes foi sofrido na forma de irresignação e violência. Mas também amavam. E também foram amados.
Talvez algo de irresignável e de identificação tenha me levado a admirar Lampião e Maria. Nunca fui conservadora. Minha alma nasceu assim. Amo o non-sense e sempre adorei o ato falho. Justo nessas assimetrias é que reconheço o humano no outro e em mim.
Identidade é civilização.
Busco a graça para sorrir mais do que chorar. Busco o riso pois me agrada muito mais o humor à desgraça e a uma interpretação que tende a uma assepsia que tem por razão subtrair a alegria e a
graça da risada pela frieza crispada de uma retidão que nunca se curavá a uma paixão.
Mulheres de grelo duro são apaixonadas.
Antes apaixonada por uma causa do que aprisionada na escuridão de um desejo impossível.
O corpo é irreprimível por excelência. O resto é ilusão.



sábado, 5 de março de 2016

Dor

Quando eu choro, é pela perda de alguma verdade.
Quando choro se alguém foi embora, não foi pelo que poderia ter sido e não foi a partir de agora, foi pela morte da verdade que um dia nos uniu e que hoje não mais possui justificativa para a permanência.
Se eu choro porque ontem foi um dia histórico ao contrário, não foi porque eu ainda acreditava no que me acontece no presente, choro mais uma vez pela verdade morta e é preciso chorar pelo que representa essa morte ideológica carregada de esperança.
Não tive tempo dada a rapidez da coerção. de me preparar em ódio a fim de comemorar o desgosto de quem quer que seja. Não odeio o suficiente ninguém para festejar uma agonia.
Como se a realidade não fosse dura o bastante para nos fazer a todos, sofrer.
Meu coração está partido por tudo.
Não é pela morte do PT que eu conheci ou do Lula que eu tive como esperança. É pela verdade usurpada do direito. Pelo atropelamento sistemático de nossa constituição.
E francamente, pelo simbolismo e afeto de décadas que ligado à emoções de toda uma vida, viu em sua figura de outrora a expressão de tristeza e dor. Sou capturada nessas horas, porque meu coração não endurece jamais, e não pretende jamais fazê-lo. Se eu sofro por excesso de amor e de dor, sei que preservo em mim um frescor de infância qualquer que mantém ternura na aridez desse momento tão duro e tão pouco nobre.
Não, eu não acredito no Lula. Não, eu não gosto do Lula, hoje. Mas eu gostei, amei, acreditei.
Não tenho um sistema reset em mim pronto a reacontecer o dia e a hora de passar sentimentos por ora já inadequados.
É preciso respeitar o passado, ainda que o passado precise manter-se morto.
Então eu gostaria que respeitassem a dor das pessoas que um dia amaram esse símbolo e que precisam de tempo para cicatrizar.
Aos que sempre souberam e nunca gostaram do Lula, acho que estão melhores do que os outros. Os nós do outro lado, petralhas para tantos.
Parabéns a quem nunca se deixou enganar. Mas lembrem-se de que ninguém torceu por um país pior.
Visões diferentes de mundo não podem tornar as pessoas inimigas  Democracia é mais difícil do que se imagina , não é mesmo?
Nunca achei graça rir e tripudiar de quem chora.
Que chorem, que riam, mas que amem.
E que comemorem o amor à justiça e o desejo de um país melhor, e não o fim de um sonho que já conheciam irreal e fadado ao fracasso.
 Não se festeja a morte do sonho de ninguém, a  não ser é claro que esse sonho exclua as diferenças e a liberdade de um povo, o que convenhamos, não representa a realidade, ainda.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Para ser feliz

para ser feliz é preciso encontrar um lugar na própria casa que se faça de seu.
É preciso encher as paredes.
É preciso riscar a parede.
É preciso colar lembranças.
É preciso ter um mural de fotos.
É preciso ter uma cama gostosa.
É preciso ter gatos.
É preciso ter plantas.
É preciso ter música.
É preciso ter livros.
É preciso ter vinho.
É preciso ter temperos.
É preciso ter cheiros.
Então é preciso gostar de ler, de música, de cozinhar, de gatos, de plantas, da própria história, das sensações, das brincadeiras, de dormir.
Para estar em casa é preciso gostar do amor, e gostar do amor é fazer muitas perguntas sempre.
Para amar sua casa, só é preciso estar nela e catar pedacinhos de palavras pelo chão, pelos sonhos, e colar nas paredes e ouvir nas músicas e transformar em delícia e deitar no macio.
Assim, você embarca na chance de viver e quem sabe, se apropria de algum aprendizado que ninguém aprende em lugar nenhum. Apenas naquele que começa na história de cada um, mergulha na alma e desembarca no desejo de fazer a casa que nos cabe em tamanho, em alguns planos, e nos traga de volta a pessoa que precisamos e não temos mais, ou nós mesmos, naquilo que fomos, ou um outro, que volta em sonho e fica lá, colado à parede, em nossa  irrevogável memória.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Filhos novos

Ao dormir, ao pensar, ao sonhar, ao viver.
Deitei após o dia e a manhã.
Depois da comida, depois do meio-dia, depois de um café expresso usado e bebido para atenuar o estado soporífero que vespertinamente me invadia.
Então iniciei minha leitura do segundo capítulo de mais um incrível livro clássico que escolhi para mim.  ganhei a dica do meu penúltimo livro, Os irmãos Karamázov. Seu tradutor comentou que o .Smerdiakov fora baseado em um personagem de Os miseráveis, de Victor Hugo. Pensei repentinamente: "Por que não lê-lo?"
Os irmãos Karamazov foram uma leitura única e inesquecível. Dica de leitura que recebi de ninguém mais que o próprio Freud em seu artigo " Dostoievsky e o parricídio". Mais um Muito Obrigada, Freud. Por tudo.
De Freud a Dostoievsky. De Dostoievsky a Victor Hugo. (Mas não sem antes passar por O irmão Alemão, de Chico Buarque, que não deixa de mencionar nesse livro uma frase de Victor Hugo e a leitura de Os irmãos Karamazov).
Eis que já em sua primeira página Os miseráveis me contagia com o prefácio do autor, e com a descrição dos atributos femininos e humanos de suas primeiras personagens. Parece-me que qualquer grande livro pode ser reconhecido em sua primeira página. Foi assim que decidi ler Lolita, ao ler sua primeira página; assim, ao contrário de corretíssimos preconceitos, compreendi que eu estaria diante de grande literatura e que deveria ultrapassar a barreira da ignorância e adentrar o mundo literário de um homem que se apaixona e vive um romance com uma menina de quatorze anos. Foi, como simplesmente não seria possível não sê-lo, maravilhoso conhecer Humbert Humbert e sua paixão irreprimível.
Passemos ao tema. Esqueçamos os livros por agora.
Dada a introdução de meu pequeno mundinho literário, eis que sou sonhada com uns filhinhos negros essa tarde logo após meu segundo capítulo de Os miseráveis. Somente agora, dou-me conta da ligação possível entre o título e meus filhos novos. seria possível assim?
Meus filhos novos eram pretos. Eles alegravam o meu coração, eles me sorriam, eles eram meus amigos, meus amores, meus companheiros. Eu não tenho filhos negros. mas sinto já os ter tido e os vislumbrado essa tarde. E eu os senti.
Agora que eu os senti e eu os tive por breves momentos em uma tarde, eles são meus agora.
Vieram me visitar no meu sonho para que eu não esqueça que também sou mãe deles. Eles não me dão trabalho algum.
Mas agora eu sou responsável por eles.
Os miseráveis. Título de uma obra-prima que me pareceu até o momento  escrita por Deus.
E eu estou feliz e grata por ter sonhado com esses quatro anjos. Eu agora os amo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Igualdade

Entrei no carro como de costume às segundas. E liguei o rádio como de hábito; e em uma atitude mais recente, passei para a música em meu Spotify ao invés de permanecer no canal de notícias do rádio. Optei pela clássica, em uma lista de Bach. Quase que automaticamente, entrei em outro lugar. De repente eu via as pessoas nas ruas, os transeuntes comuns das ruas, tão comuns quanto eu, a andar. Mas o andar transformou-se em uma espécie de dança, a babá de roupa branca, o idoso que passava, o ônibus de turismo que lentificava o trânsito na rua das Laranjeiras. Todas essas pessoas e isso tudo deixaram de ser apenas paisagem, ora feia, ora bonita, ora mais simpática; passaram a ganhar significado e não havia mais dúvida de que a babá de branco buscava algo, o idoso poderia estar cansado, desperto, mas também estava em busca de alguma coisa, e as pessoas no ônibus de turismo buscavam viver, ir em frente e finalmente subir ao Cristo Redentor. Tantas pessoas, tanta gente, tanto anônimo que, como em um passe de mágica, ganhou vida através da música.
Mas afinal, o que fez a música? E se assim aconteceu, só foi depois de tocá-la ou foi antes?
A música me reconectou à minha disposição humana e integral a observar vida e sentido em todos os momentos. O som anterior, aquele que discutia os problemas mais recentemente apontados pelos mais recentes escândalos de corrupção, me embalava na desesperança e me desconectava dos sentidos, esvaziava meus sentimentos amorosos perante o mundo e me esvaziava por si só.
A música que toca e que me toca me reinveste de significado, reconfigura minha disponibilidade, permite lembrar-me de minha humanidade. Ao fazer isso, me envolve aos tantos outros que poderiam me sugerir sentimentos totalmente opostos aqueles que nos ligam. Somos mais ligados uns aos outros do que podemos perceber nessa vida tão em oposição a essa simples verdade.
A música embala as coisas de poesia. O que não diríamos das pessoas então?
Daí que ao vestir minha alma de música, eu me surpreendo em percepções sensitivas que apaziguam o cotidiano muitas vezes brutalizado pelas notícias ruins que os jornalistas não se cansam em dispersar e concentrar. Eu vejo a poesia e não percebo a prisão em que somos jogados diariamente,
nos radares de velocidade, nas blitizes policias, nas novas regras da aposentadoria, no jogo duro e pesado que é viver.
 O mundo de fora aprisiona e divide. O de dentro liberta e comunga do desejo não porque os ideais prevalecem, não apenas por isso, mas por reconhecer o sentimento inevitavelmente fraterno que a todos nós liga e inspira.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Impressão paranóide I

Eu acho que a razão para os engarrafamentos mundiais está ligada ao petróleo. Mas eu acho que foi tudo planejado. Essa história de que o Brasil e os emergentes cresceram nos últimos 20 anos...acho que só crescemos porque deixaram! Se quiséssemos crescer de fato como nação e não, muito pelo contrário, não tivéssemos justamente nos tornado uma economia dependente, teríamos deixado o real desvalorizado e nos industrializado, e não nos desinduntrializado, como aconteceu.
Parece que nossa estabilidade de moeda só serviu à indústria automobilística, que lotou as ruas de carros e motos e similares e hoje, mdeal conseguimos nos deslocar nelas. Em vários lugares do mundo!
Enquanto a indústria automobilística lotou o mundo de carros e os governos desinvestiam em transporte público e as pessoas ficavam felizes porque podiam consumir mais e melhor ainda, ter acesso ao principal objeto de desejo, os carros!, o mundo foi se poluindo mais e mais e aquecendo mais e mais. Não me resta dúvida de que as altas temperaturas do verão carioca estão intimamente ligadas à proliferação de gases emitidos pelos recentes canos de descarga dos últimos 15 anos. Em uma cidade que não conhecia engarrafamentos estratosféricos há 10 anos atrás, agora tudo mudou. E principalmente as temperaturas de verão.
Mas o primeiro mundo também deve estar muito assustado. Afinal, faz 20 graus em Nova Iorque e 22 graus em Washington em pleno inverno. Tentam atribuir ao El Nino. Sabemos que os mecanismos de negação da realidade do ser humano são mais poderosos do que aqueles que o envergonham e o intimidam.
Agora mesmo, por exemplo: nesse exato momento não faz 25 graus dentro do meu quarto em pleno janeiro. Alguns vão dizer que essa é uma prova de que o aquecimento global não é verdade. Infelizmente eu penso nas calotas polares se derretendo nesse momento e com isso nos dando os últimos verões de dias amenos na face da Terra no Rio de Janeiro e em outros lugares do mundo.
Nosso mundo derrete de calor em todos os cantos.
Além disso derrete por excesso de cobiça, inveja, intolerância e ambição.
Essas são as causas originais do aquecimento global, o sintoma sistêmico de desconexão com a natureza.
Fomos dispensando a orientação das estrelas, os sinais do vento, o uivo dos animais, os cantos dos pássaros, o tempo das frutas. E então o homem foi se esquecendo da natureza à sua volta, desaprendeu ser bicho também. Humanizou-se nas artes e na psicologia. Esqueceu-se de sua própria natureza e agora tenta barganhar com o tempo e a morte. Sem alegrias.
Prisioneiros de nossas vidas materiais, vivemos enlutados colecionando perdas posto que atrelamos nosso reconhecimento de inteligência às contas matemáticas que achamos que sabemos fazer. E contamos o dinheiro mas não o tempo da alegria. Precisamos ser práticos e esquecemos a fantasia. Então criamos a fantasia contemporânea da imortalidade que nos tornou medrosos de viver.
Bebemos medo diariamente e compramos álcool e outras drogas para que nos esqueçamos da morte e da dor.
Sonhamos com super carrões desde a invenção do automóvel, e hoje mesmo o carro mais simples já supera o mais luxuoso de 60 anos atrás. Nossa geladeira tem mais comida que o que uma família real consumia há 200 anos. Mas nunca é suficiente.
Essa ganância é pura patologia.
E ela é puramente integrante de nossa natureza devoradora.
O homem não decifrou a esfinge e acabou devorado por ela.
A esfinge só queria cuidado.
Mas nós permaneceremos em nosso sonho maluco de carros voadores .