quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Aquela moça

Aquela moça era imcompreendida desde o nascimento. Depois vieram mais duas irmãzinhas para ela cuidar assim que completou seus 8 anos. Eu também tive uma amiga com essa incumbência, a de ser dona-de-casa aos 8 anos, daquelas que apanham não do marido, mas dos pais insatisfeitos com o serviço mal feito.
É de se perguntar o por quê de tanta sorte em tão pequeninas almas. Dessas meninas que tão cedo na vida aprendem que seu valor está em obedecer e em esquecer de que são alguma coisa além disso.
São muitas surras até a liberdade. Até o próximo marido e capitão.
Eu escrevo isso porque me lembro daquela moça que vi hoje, e me lembrei da amiguinha da infância também cercada de ignorância e desamor. Não pude dizer à amiga e nem à moça que alguns pais não gostam muito de alguns filhos, e que isso existe.
Essa verdade é proibida. Nenhum filho pode saber que isso se confirma.
Será preciso crescer de qualquer forma. Melhor, nesse caso, na ilusão.
Mas elas aprendem por si mesmas no fim das contas.
Aquela moça é lá do Ceará. A amiguinha é daqui do Rio mesmo.