Será que não estamos levando a sério demais o filme "Tropa de Elite"?
Estaríamos esquecendo de que se trata de um filme, e que o diretor e o autor do livro têm o direito de expressar suas opiniões? Todo esse barulho em torno do filme não indica também o fato de não estarmos habituados à uma exposição direta , violenta e real de nossos problemas? Não vivemos em um regime democrático onde todos têm o direito de expôr suas opiniões? Ou não têm? O filme é iatrogênico? Por que será?
O filme é excelente. Atores fantásticos, direção estupenda, roteiro maravilhoso, ótimo som. Para mim, antes de qualquer coisa, foi puro entretenimento. Saí maravilhada, pensando...: "É preciso tomar cuidado com essa mensagem moralista, a da culpabilização do usuário pelas mazelas, etc..."
Nossa, que furada! Achar que os maconheiros são bandidos e coisa e tal, e o pior, taxá-los de responsáveis pelo tráfico... Existe um grau de responsabilidade sim, mas não é tudo isso não...
Mas, sem querer entrar nesse tipo de discussão, a qual tão parecida com as conversas com fins de explicações moralistas, as desprezíveis hipocrisias desse mundo nosso e sociedade para fins de reprodução em massa de teorias idiotizantes.
Bom, essa talvez seja a mais recente delas, o usuário é o responsável pela porcaria das políticas públicas de segurança, saúde e educação que temos nessa cidade apodrecida pelas gestões César Maia e afins. Nesse Estado do Rio de Janeiro desgraçadamente governado pelos abomináveis, incompetentes e fascínoras ex-governadores que tivemos.
O reducionismo funciona e cai como uma luva para uma sociedade ávida por culpados. O muro caiu e os comunistas são poucos. A ordem do dia é banir os usuários de drogas e pronto, os problemas estarão resolvidos.
Será que ninguém entendeu que o filme retrata uma experiência particular de um capitão e de policiais que vivem uma guerra particular? Será que não é possível compreender que aqueles homens, Capitães Nascimento e Companhia são também um produto, um resultado inevitável de um meio que também não deixa muitas alternativas?
Eu acho que o filme fala disso, das dificuldades que policiais encontram no seu cotidiano, de duras escolhas que têm de enfrentar e de métodos brutais que, animalizados , embrutecidos e prontos para auto-defesa, são capazes de alcançar e efetuar.
A mesma sociedade que discute e que critica o filme sob o ponto de vista de que o filme é um ôde à tortura e à banalização da violência, parece cegar-se e não querer enxergar as terríveis dificuldades que policias vivem no dia-a-dia, e que esse caminho violento também merece maior compreensão dos intelectuais, dos sociólogos e de toda uma elite que na maioria das vezes desconhece o cotidiano violento e felizmente nunca viveu uma situação de violência importante.
O medo obscurece o raciocínio, os sentimentos , a solidariedade, posto que é paralisante e necessita buscar proteção.
Policiais são seres humanos também! Quando acuados e armados irão se defender. Qual segmento do Estado sobe o morro? Só a polícia, não?
Só para pensar.