Hoje eu conheci mais uma pessoa muito triste. Mulher, faixa dos 40, sem nenhuma satisfação com a vida. Emburrada com a filha, com o marido, com as pessoas. Não atende telefone, tem vontade de morrer. Precisa de remédio, e dos fortes.
Ela, como muitas pessoas nessa situação, exigem demais de si mesmas e consequentemente, das pessoas à sua volta. E é claro que nunca ninguém será bom o bastante para alguém assim, tão exigente. Nem ela, nem o mundo, nem os outros, nem nada. A única opção visível para ela é a morte, talvez porque sinta-se já morta, por viver por viver, acontecer sem existir. Existir no limiar da sobrevivência. Pulsão de morte à toda prova e ganhando a batalha.
Para viver com felicidade é preciso gostar da vida. Quem muito reclama da vida é porque não está gostando dela, e a vida parece só gostar de quem gosta dela.
A depressão também é a doença da voracidade, de um eterno querer não-correspondido, da eterna insatisfação consigo e com o mundo. Um colorido ausente sobre a vida e sobre si mesmo. Uma dificuldade real de existir.