Quero dizer que ainda sou jovem para os que envelheceram
Sou velha para os que ainda não cresceram
Sou afeto e renúncia para salvar-me do ódio da indiferença
Sou a mesma e quase sempre eu mesma
Mas sou tranquila como a água que jorra da nascente de um rio lá de outrora
Sou a mania de acertar o tiro
E a fúria que ainda não esfria
Lentamente a fúria desencontra o vácuo do desamor
E encontra a poesia
Sem poesia perco a razão de viver
Perco o sonho
Não enxergo a nascente
Vejo cegueira por todos os lados.
Dos últimos manifestos só vi poesia
Nos gritos que apelam ao bom senso e a fala da indignação que perdeu a indulgência
E acreditou na esperança
À violência manifesta também vejo poesia
Na dor de todos, democrática, coletiva
Jovens, velhos, polícia, bandidos.
A poesia também é livre e democrática
Como o amor que me trouxe até aqui para falar de mim e de nós.