quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Para escrever reescrevendo

Toda escritavprovém de algum tipo de reencontro.
Quando sento em algum lugar ao lado de uma xícara de café e ouço minha cantoria interna plenamente necessitada de imaginação, sinto mais ma vez o quanto preciso escrever.
Lembro- me de mim mesma aos 15 anos, na escola técnica de química , esquecida que estava de entregar uma redação. 1988 foi um ano muito difícil e qualquer obrigação era sentida por mim como um peso a mais para viver. A saída para as obrigações escolares vinham através das urgências e da capacidade de resolver as coisas em meio ao caos interior. Nesse dia, escrevi a redação muito rapidamente, e de mim saiu  um texto lindo, e profundamente triste. Onde estavam os educadores que não me viam? Será que eu era invisível? Recebi um dez vindo da total espontaneidade, urgência e da dor. Dor de existir. Simplesmente isso, ou mais, dor de viver uma vida triste. Quinze anos. Sem viagens, sem roupas novas, sem pai. ( que saudade!)
Então ficaram os sonhos. Muitos. Ficou a poesia, o amor pela minha família, e a coragem de viver. Viver é para quem tem coragem. Eu sou uma pessoa bastante corajosa. Sem delongas. Não tenho medo do escuro. Mas me finjo assustada, rque tudo me assusta mesmo. Falo dos pequenos sustos, o bu!, a barata!, o toque inesperado! Socorro! Mas isso é bobo, é nada. Sustos prescindem de algo muito maior para me causar medo.
Mas tenho medo do amor.
Tenho medo da bruxa que me faz amar e que me aprisionou como uma mulher que acreditou em filhos e em um homem para chamar de seu.