Aquela musica e aquele menino me contaram que o melhor da maternidade foi o olhar que ganhei.
Além dos filhos, as pessoas que eu olho, olho, olho, vejo, e às vezes não vejo, porque sou humana; além deles eu ganhei uma mãe dentro de mim que olha com um carinho materno de verdade para todos os menininhos do mundo quase, quando em situação que em mim diz de qualquer desamparo.
Então eu descobri que ser mãe foi muito malis que um projeto pessoal.
Ser mãe habilitou meu olhar para esse mundo de meninos e meninas desamparadas, de gente que ama, como eu, e de gente sem amor também.
Acho que ser mãe de verdade é isso: é querer dar fim ao desamparo do outro que seja um menino ou menina para você.
E então eu compreendo a verdade mais libertadora possível: para ser mãe não é necessário ter um filho. Apenas prescinde de amor e de desejo em estar com o outro e amparar uma lágrima ou dar um colo a alguém que precise.
Há muitas mães que não serão mães nunca.
Há muitas mães que nunca foram mães.