Dias de descanso que permitiram-me tédio o suficiente e angústia básica e flutuante, também suficientes, para despertar repousada e cheia de espaço vazio de modo a pensar na vida, me trazem de volta a esse lugar de escrita onde eu às vezes realmente acredito ser onde reside a minha verdadeira morada.
O primeiro ponto, aquele crucial nesse exato momento de vida, é resistir à facilidade do tráfego pelas redes sociais onde o barulho é enorme apesar de muitas vezes sequer apertamos o botão ( analógica, eu?), de som. A realidade de acompanhar um mundo à velocidade dos acontecimentos é profundamente capaz de enlouquecer qualquer mente. Definitivamente não fomos feitos para isso.
Não há como dizer para o que fomos feitos exatamente, mas intuo que boa parte de nós necessita de descanso e introspecção.
Há sempre uma ameaça no ar. Há sempre algo horrível sendo discutido nas redes. Há sempre a chance de perda dos direitos como um bicho papão à nossa porta.
O fim dos tempos sempre está próximo, o mundo vai explodir de calor, a democracia vai acabar.
Nada dá trégua em tempo algum. As ameaças estão dentro da escola do meu filho, estão na universidade federal do meu filho, estão no ataque às redes sociais. Aos poucos, tornamo-nos paranóicos e vemos ameaça em tudo.
É preciso retomar o estado de adultos de pé sabedores do fato de que nada no mundo traz garantias e se mantém como garantia. Importante relembrar do fato de que a luta é diária e a vigilância também.
Realmente temos ameaças novas ao nosso modo de vida e é preciso estar atento. No entanto, viver agarrada às redes sociais a fim de não ser pega de surpresa, tentando entender até o último fio, não parece ser uma atitude inteligente.
Em meio à paranóia geral, é preciso viver a própria vida que seguirá seu curso inevitavelmente.
Acho que deveríamos começar a semana assim:" e se essa for a minha última semana nessa Terra, de que modo eu gostaria de vivê-la?" Assim, não como inexorável, mas como lembrança.