Mais um absurdo no fantástico mundo do transativismo, e nenhuma novidade no ar.
Senhora idosa, negra, xingada de transfóbica em grupo de whatsapp. Posts no ar dizendo transfobia não, e de carona a carreata das boas virtudes de likes de 15 minutos a 48 horas de instantaneidade patética na internet. "Transfobia aqui não!", fazem alarde posts na tentativa de serem descobertos e ganharem mais alguns likes e quem sabe até o patrocínio de uma ONG. De quebra, o povo acompanhando em tempo real a nova transfóbica sendo saborosamente queimada nas fogueiras virtuais, bravíssimas lutadoras pela diversidade, leia-se: teoria crítica de gênero, teoria crítica de raça. Mas e se a transfóbica for pobre, negra e idosa do tipo que nunca ouviu falar em teoria crítica de gênero e que sequer fazia ideia de que um homem trans identificado, pudesse, ainda que ninguém no Brasil tenha votado, ainda que jamais tenha sido transformado em lei pela câmara dos deputados e sancionado pelo Senado, ainda que não tenha havido qualquer consenso social sobre o tema através de representantes eleitos, pudesse sim, ter os mesmos direitos de uma mulher nascida mulher? Imagine ser essa mulher lá na periferia, acreditando estar em um grupo de whatsapp sobre direitos das mulheres, e vir a fazer um simples questionamento do tipo " Mas como um homem pode representar as mulheres? E então...sua vida desaba...
O que essa mulher fez de errado? Uma pergunta!
A mesma sociedade que age dessa forma com essa mulher, responderia com naturalidade caso a pergunta viesse da mesma pessoa e fosse algo assim: "Por que acreditar em Deus? Eu não acredito." Natural não acreditar em Deus, ou acreditar, não é mesmo? Afinal, ninguém é punido no Brasil por não ser religioso.
A não ser, é claro, que você ouse não professar a fé na teoria crítica de gênero. Porque essa é uma matéria que exige crença, e não fatos. Exige submissão, e não escolha racional. Exige punição, e não apenas respeito às escolhas sexuais de cada um. Exige liturgia, ao reivindicar alterações na linguagem e novas denominações, a saber: os pronomes corretos, sob pena de punição, o novo nome social, sob pena de punição, seja na forma da lei não estabelecida pela via da democracia de direito, ou seja, através dos representantes legais do povo brasileiro, e ainda da execração e humilhação públicas, não raramente com arranjos coordenados de grandes veículos de mídia.
Até quando a sociedade brasileira irá tolerar esse absurdo imposto de cima para baixo, humilhando pessoas comuns, sobretudo mulheres, e destruindo carreiras e reputações?
Qual a sensação de bem estar que uma horda de influenciadores e jornalistas vivencia ao se omitirem sobre esses fatos, e pior, a fazerem coro junto a esse tipo de linchamento público, ainda que por omissão quando interessa, e participação também quando convém?