quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Dependências

Noite dessas eu assistia a um episódio de Sex and the City, no Fox Life, atentando-me a um diálogo entre Carrie e um namorado. A situação era decorrente da perda de todos os dados do laptop de Carrie, ou seja, o HD dela havia "queimado". Perdeu tudo o que estava lá ( como bem recentemente aconteceu comigo), e ela não tinha back up ( eu também não). Muita tristeza e chateação à parte ( de ambas), o namorado de Carrie lhe dá um novo laptop. Como ela reage? "Very upset..."; muito chateada com o cara. Por que? Ela diz a ele:" Se você começar a resolver os meus problemas eu posso começar a me habituar com isso, e eu não quero desenvolver esse tipo de relação. Daqui a pouco eu não sei mais resolver os meus problemas sozinha." Esse discurso é muito presente em filmes americanos.
Depender ou não depender? Como não depender de quem se gosta? Como estabelecer um limite razoável entre a dependência amorosa e a independência necessária, aquela em que as pessoas permanecem como pessoas, com seus próprios amigos, interesses, trabalho...? Será possível depender e ser independente?
O fato é que aprendemos e nos constituímos como gente a partir da dependência. Nosso desenvolvimento só é possível através de uma boa dose de dependência. É claro que me refiro à vivência de uma boa relação mãe e filho. Em resumo, uma mãe cuidadora e que estimule o filho a ser independente. E de preferência, um pai presente, amoroso e viril o suficiente para não se submeter à sua mulher, mãe esta de seus filhos ou não. Porque mais importante que a relação entre os pais, é a imagem que o filho tem de seus pais. Mais importante que serem casados, é serem presentes.
A partir dessas relações primárias o indivíduo irá estabelecer suas relações posteriores...
E então, será dependente ou não?
Caso a pessoa não admita ser dependente em algum grau, dificilmente irá estabelecer relações duradouras. Provavelmente irá comportar-se de forma insegura ou o seu contrário, ou seja, um dominador por natureza. O dominador, encontrando um parceiro que tope a empreitada, poderá conviver por bastante tempo até. Caso se apaixone justamente por alguém que não se enquadre em seus contrários ( o que aliás, acontece com frequência), viverá mais uma frustração amorosa daquelas... E poderá sair com aquele discurso: "Muito difícil encontrar a pessoa certa. Não admito determinadas coisas." O que "determinadas coisas" pode significar é alguém que discorde de suas opiniões, ou seja, uma pessoa real ( ou "normal").
No caso do sujeito inseguro por natureza o que em geral ocorre é despertarem um encanto inicial e não sustentarem esse encanto por muito tempo...denunciando suas inseguranças muito rapidamente.
Concluindo: Carrie talvez tenha exagerado em sua reação, talvez por não gostar tanto assim do namorado. Quem gosta de verdade e não é um dominador por natureza aceitaria o laptop de bom grado. O inseguro iria exagerar na reação de surpresa e tentaria compensar o outro o mais cedo possível.
A psiqativa em formação escreveria sobre isso.