domingo, 19 de junho de 2016

Plano de amor

Quando a gente ama muito e com muita força tudo ao nosso redor , vem o sentimento que compromete todos à nossa volta. Por eu amar tanto meus filhos, eu desejo que todas as mães tenham sempre seus filhos (mas que jamais os possuam). Por eu amar tanto os meus gatos, me comprometo com todos os mamíferos a respeitá-los e jamais agredi-los. Por eu amar tanto os gatinhos, eu aprendi a amar todo o restante dos bichos da face da terra. Por eu amar tanto a literatura, eu fui descobrindo coisas incríveis a respeito do mundo e das pessoas. Por eu amar tanto tudo, eu passei a respeitar tudo, e então eu passei a querer compreender muito das pessoas, e passei a desejar um bem profundo a elas, do jeito que elas forem. Então eu me senti igual a todas elas e ninguém foi maior do que eu em nenhum momento, e eu não me senti maior do que ninguém em nenhum momento também.
Então a partir do momento em que eu pude realmente usufruir da incrível liberdade de ser, eu passei também a ser triste, um pouco mais triste do que eu era antes de descobrir o óbvio de que estamos todos ligados e sentimos coisas muito parecidas. Porque eu descobri também que muita gente, que nada ou pouco entende de amor, se qualifica como melhor do que aqueles que amam diferente, ou daqueles que tem necessidades diferentes, sejam materiais ou afetivas.
Quando eu descobri que as pessoas sentem e vivem em tempos diferentes e que todos tem tanto direito quanto eu a usufruir dessa Terra, eu entendi que a preocupação para com o meu semelhante seria o meu principal objetivo.
E então, quando eu fico triste pelas dores totalmente evitáveis que uns fazem aos outros, eu busco me realimentar desse amor que há em mim como combustível e atitude de vida diante do sofrimento inevitável que por vezes, vem.