sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Um ensaio poético antes de dormir

Para que a vida regigize-se de si mesma e em si,
É necessário que as palavras se despeçam ao fim do dia.
A despedida das palavras faz as vezes de um teatro sonhado e vívido,
Realidade que se apaga da fantasia do assombro de estar vivo para logo em um momento depois vir a estar morto.
Mágica devoradora de sonhos inabitáveis pela excelência do despertar que para muitos não acontece.
Despertar para a vida é acordar sem  pesadelo revivido para adormecer com os prazeres finitos.
Sem o desespero do amanhã não há libertaçAão do passado.
Há uma bruma que envolve a minha vida e uma captura da qual não posso ainda me afastar.
Por vezes acordo e sigo ávida com alegria e intensidade.
Por vezes vem a nuvem cinza e seca que me faz mergulhar em seus ventos negros sem nenhum artifício de perdão.
É quando tudo perde o sentido de ser e a mágoa toma conta feito um carnaval de machucados serosos que jamais cicatrizam.
É a festa da dor.
Passada a tormenta de uma vida de repetições em que se ilude ser sempre a última ( mas deve ser do desejo de cura), vem a fase de reconciliação com o passado.
Sensaçào de contas feitas , vou dormir em algum lugar aqui em mim, por enquanto meio partido, meio amado.
Sou felizmente a dúvida pela certeza de que nada está pronto.
Desprogramada a ilusão de exatidão, posso entregar meus sonhos e dormir com meus anjos.