O sufixo ismo indica doença, anomalia, coisa que não devia estar ali: patrimonialismo, aventurismo, curandeirismo, sectarismo, malabarismo...Aliás, homossexualismo foi tirado do dicionário por indicar uma patologia; e como não é nenhuma patologia ser homossexual, saiu.
Mas feminismo fica. E fica assim porque tornou-se sinônimo da última maluquice de algumas gerações infantilistas presentes.
É tão curioso e emblemático que as mulheres, em nome da luta contra o machismo, perpetuam o modus operandi de ofender umas às outras; e se dizem rejeitar o modo falus operandi vigente, lutam como se estivessem medindo o tamanho do pau que não tem. E nunca haverão de ter.
O entendimento pós-contemporâneo julga por bem negar a biologia e admitir as construções culturais como mandatórias na história. Mas antes da história propriamente dita, antes da escrita, antes das cidades, antes do dinheiro, havia homens e mulheres nômades pelo mundo com um único objetivo: fugir dos grandes animais, não morrer de frio ou calor, e encontrar comida. Esse estado de coisas dominou a história de nossa espécie a maior parte do tempo. E se somos biologia, porque estamos, como todas as outras criaturas viventes, programados para morrer e pagar à natureza nossa dívida de vida com uma morte, a nossa, então é bastante óbvia nossa sujeição a alguns princípios naturais, senão muitos.
Desculpe, natureza, eu não a odeio, e aceito ser mais fraca fisicamente que os homens. Aceito não ter tudo. Além disso, amo ter nascido mulher. Nunca me senti menor do que homem algum. Sempre adorei o jogo da sedução, sempre fui atraída pelos corpos masculinos e justo nossas diferenças. Mulheres também já me atraíram, ok. Por que não? São lindas, e as mais lindas criaturas entre a es pécie humana. Mas oshomens me atraíram mais. Muito mais. E prevaleceram como objetos de desejo. Mulheres não falam sobre seus desejos. Falam sobre seus sofrimentos. Eu gostaria de conversar com feministas que falassem sobre seus orgasmos, seus desejos íntimos, sobre essa liberdade que é a de gozar com o homem ( ou mulher), que bem entender.
Feminismo pra mim é dizer o tamanho da felicidade que contempla os meus sonhos, é a manifestação de um atuante desejo voluptuoso de abocanhar um homem com a boca, a língua, os braços, as pernas, mãos, pés, vagina, cú, tudo o que eu posso, tudo o que é meu, somente meu, e que necessitada da completude alheia para ter alegria de viver.
Se as feministas quiserem falar sobre relação, deveriam deixar essa posição poliqueixosa de infinita insatisfação e buscar um objeto de desejo que as faça arfar de prazer, de admirar estar viva, de querer gozar mais e mais e mais.
Feministas: lutem pelo que quiserem, mas inspirem outras mulheres lhes dando a causa de tanta queixa contra os homens: talvez admitindo suas infelicidades e insatisfações crônicas vocês possam lançar luz sobre seus pröprios desejos e assim compartilhar a delícia de tocar e ser tocada por quem vocês bem decidirem.
Na natureza, somos mais fracas, então sempre há de haver perigos. É preciso estar atenta.
E sim, é preciso denunciar e lutar contra o machismo. Mas não contra os homens.