terça-feira, 21 de agosto de 2018

Como escapar de uma vida inteira?

A pior dor, além das tragédias reais, é a dor da consciência. Carregar o peso do insight e das lembranças a ele atribuídas, cheias de arrependimentos e de sentimentos tais como:” eu fui uma idiota por tanto tempo”, não é a melhor maneira de ser feliz por uma semana inteira. Por uma semana inteira tenho sido assim: plena de memórias das minhas idiotices e de minhas épocas passadas, mas nem tão passadas assim, de amor-próprio em rarefação.
Nós mulheres temos dois tipos de amor próprio: os devotados aos homens e os devotados às amigas. Há aquelas mulheres que tem muita dificuldade em viver o amor erótico em si. Há aquelas que se devotam ao homem amado e se esquecem de si mesmas. Passam a sair com os amigos deles, a referir opiniões semelhantes a eles, a estar mais com as famílias deles. Tornam-se reféns da relação. Em geral terminam derrubadas por uma troca, por um motivo banal. E a história se repete. Permanecem aguardando o homem amado e assim, repetem as mesmas lógicas de submissão. O resultado não raramente é serem abandonadas mesmo, possivelmente por outra que os tenha desafiado mais, e tenha em si aquele toque feminino inexplicável de mistério que nutre o imaginário masculino. A devotada até pode ter dentro de si as condições para o “despertar”, mas em geral, morre na praia arfante de desejo e melancolia, sem entender de uma vez só que homens que lhe interessam de fato precisam de alguma medida de desafio e mistério, e não de uma mulher capaz de morrer por ele. Pra isso, ele já deve ter a mãe. Esses namoros só costumam durar meses iniciais, se tanto, ou durante alguma fase de carência muito profunda do cara, que é claro, vai passar. Em geral até ele recuperar a auto-estima através de uma mulher que “é capaz de fazer qualquer coisa por ele”, e finalmente sentir-se apto a conquistar uma outra mulher que o inspire e o desafie. É um ciclo sem fim, e pode parecer duro que vou falar, mas ninguém quer um pano de chão pra viver, só pra usar quando precisa. Então garotas, ou vocês resolvem o amor mal resolvido dentro de vocês e recuperam o amor que lhes é devido, ou viverão com esse vazio interno sem entender nada, sofrendo a cada decepção amorosa










e perdendo boas oportunidades, que sempre existem, de ser felizes.
O outro tipo de mulher que idealiza o parceiro, mas que aqui ela vai idealizar a amiga, também é bastante comum. Essa mulher pode ter relações amorosas satisfatórias com os homens ou não. Elas repetem o ciclo acima em relação às amizades femininas. Deixam-se levar pelas amigas, colocam algumas no pedestal, e não percebem que também vivem relações abusivas com elas. Essas amigas costumam ganhar um lugar de importância muito elevado em sua vida, virando verdadeiras prioridades. São as principais a serem chamadas para os eventos importantes, são as incluídas em tudo o que é mais importante. Mas qual o problema, afinal? O problema é que a recíproca não é verdadeira. Enquanto você a prioriza, a sua amiga terá ourras prioridades, e você terá de conviver sempre com aquela sensação desagradável de preterimento. O problema será de sua amiga? Pode ser. Mas é principalmente, seu. Porque o problema é seu se você ainda não percebeu que você toma cuidados demais com a pessoa, e ela não; que você se preocupa demais, e ela não; que você retorna todas as mensagens, e ela não; que você avisa sobre qualquer mudança de planos, e ela não; que você pensa muito mais nela que ela em você; e que sem se dar conta, você se importa muito com o que ela pensa, se ela vai gostar ou não de uma atitude sua, se ela vai aprovar ou não a sua vida. Querida, se você tem uma relação assim com uma amiga, cuidado. Você provavelmente vive uma relação abusiva sem perceber. E como não é uma relação de um compromisso tal como um namoro, ou até mesmo um casamento ou afins, costuma passar despercebida e aparentemente inócua. Mas vai fazendo seus estragos
A primeira relação de devoção feminina que abordei, refere-se a mulherees que apresentam em geral questões relacionadas aos próprios pais, com históricos frequentes de abandono e rejeição. Nesse caso, ao invés de buscarem serem boas mulheres, confundem seu próprio desamparo tornando-se amigas de seus parceiros, que frequentemente também a abandonarão, pois as relações de base erótica buscam sedução e mistério, e não amizade.
A segunda relação de devição feminina abordada está relacionada frequentemente às relações das mulheres com suas próprias mães, reproduzindo com as “suas melhores amigas eleitas”, uma relação idealizada em relação à própria mãe, mulher essa, de importância ímpar ivas nas nossas vidas. Transferimos muito de nossas relações com nossas mães às nossas amigas, e se vivemos relações abusivas com nossas mães, iremos decerto vivê-las com nossas amigas.