sexta-feira, 15 de junho de 2007

Loosers?

É verdade que a proposta iniciada pela mídia é da diminuição de cada um de nós. Na verdade não sei se iniciada pela mídia, mas certamente sacramentada e perpetuada por ela.
Observe as manchetes das revistas: " Fulana. A mais jovem a fazer isso, isso e isso...; Sicrana, a mais bela modelo de toda a galáxia...; Putana, a mais extraordianária criatura da vida homana; Fulano, o maior criador de bonecos de pano de todos os tempos; Beltraninho: o milionário mais amigo de seus empregados..." Todomundo é o tal o tempo todo. Todomundo quero dizer quem vai bem na vida, digamos, nas coisas do vil-metal, ou do famosal forma de ser global-anal.Por aí.
Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente neste mundo?- repetindo Fernando Pessoa.
Há que se precisar da loucura para encontrar uma diferença. Diferença justificada socialmente como doença ou crime. Assim temos dividido nosso mundo: os loucos, os criminosos, os ajustados, os famosos e os ricos e famosos. Nos Estados Unidos há uma classificação a mais: os loosers. Penso que essa classificação seria cruel demais com o nosso povo, porque teríamos que assumir sermos um país de loosers, afinal, somos "em desenvolvimento", então ainda não "pegamos". Para os EUA, o Brasil é um looser.
De fato, generalizando, os americanos poderiam ser os "fat-winners of the world", já que parte de sua abastada população inchou e virou obesa de tanta opulência de calorias sem valor nutritivo...
Eu poderia terminar falando um pouco dos aspetos positivos daquele estranho país ao norte do continente americano e que curiosamente são os reconhecidos como americanos, sendo os menos americanos de todos. Mas se eu agisse assim cairia no lugar-comum do jogo de ser bom-moço, de reproduzir sempre que possível um lado hipócrita do politicamente-correto, o jeito de ser do mundo de hoje ao escrever qualquer coisa.
Precisamos de mais amor-próprio. E de nenhum modelo de felicidade, de ganhador ou perdedor. Somos o que somos, estamos, temos. Ganhamos e perdemos. Um dia morremos. E todos pro mesmo lugar de mistério. Eu, você e o Bush.
Inté.