Que delícia! Senti cheiro de merendeira!
Trouxe em um saquinho 3 maçãs e uma banana e ao abri-lo veio um cheirinho dos meus cinco anos.
Recebi. Esse presente de um passado que não volta mas retorna na memória só depois de ter sido percebido por um sentido qualquer. A percepção que nos conecta ao mundo de fora nos retorna ao de dentro e nos leva a nossa íntima viagem interior. Fui à escola daquela época, lembrei de um sorriso que realmente não sei a quem pertence. Talvez a mim, talvez a minha mãe. Sei que ele deve ser de algum lugar do feminino.
Vieram as esperanças no futuro. O cheiro da merendeira é o cheiro do meu futuro.
E se hoje cheguei ao futuro, como sinto isso tudo, esse retorno ao passado inesperado?
(A lembrança foi maravilhosa.)
Eu deduzo que aos cinco anos já reconhecia que o futuro só seria possível se houvesse uma merendeira junto a mim e ao meu percurso junto à escola. Só o significado de um lanche dá sabor ao futuro incompreensível, a escola que gerará escolhas, ao dia em que nos tornamos capazes de preparar o próprio lanche.
Fica como marca de memória e de vida o amor ao cheiro de merendeira, ao futuro sem mágoas sufocantes, a um estado de viver de ternura e cuidado, que por ser assim, e só pode ser assim, deixa o legado da esperança e da futura tolerância que irá abrir espaços quando o coração quiser endurecer.