Volto da Itália dia 5 de agosto. Portanto, hoje faz uma semana que, maravilhada, deixei a Itália.
Foi fantástico pegar o avião, ter um pequeno ataque de pânico ao decolar e estar à janela onde o piloto fez sua máxima inclinação e me permitiu naqueles minutos infinitos, ter a certeza que minha vida ficaria lotada naquele solo italiano.
Ah, eu decolei...! E cheguei ao Charles de Gaulle aliviada por estar em...Paris! Quanta felicidade...ter vivido dias na Toscana e em Veneza e posar em terra francesa! Comi massas maravilhosas, cheirei,( sem querer, é claro), suvacos peçonhentos, tomei sorvete italiano e café italiano e sob o sol da Toscana e de Veneza me lembrei muito de Bangu. Senti saudade dos motoristas de táxi do Galeão ao pedir informações em Florença, lembrei com carinho dos funcionários do Detran enquanto tentava me localizar nas ruelas de Veneza e apelava aos cidadãos locais para me ajudar.
As filas de táxi ao desembarcar em qualquer cidade também me deixaram comovida. Os europeus faziam questão de não facilitar em nada a vida dos idosos e dos adultos com crianças ( também tive a oportunidade de conviver com europeus em geral durante uma semana em um navio italiano). Eles também fazem questão de passar na sua frente e furar todas as filas possíveis, especialmente os franceses.
Então, quando eu desembarquei no Charles de Gaulle, me senti finalmente acolhida e acarinhada pelos parisienses. Lindo. (É preciso ter vindo de um lugar muito punk para respirar aliviado por ter chegado a Paris por esses motivos!)
Não consegui ( e é sério), encontrar nenhum homem bonito na Itália. Eles eram tão cavalos, tão ogros e mal educados, e além disso o calor era tanto que sinceramente, não sobrava espaço. Não consegui ver. E olha que a fama é mundial.
Mas quer saber? Massas? A maioria é ótima, mas nada que não encontremos em bons restaurantes em qualquer capital do Brasil. Café e sorvete idem. Pão? Nada demais. Pizza? Nem todas são boas. Queijos e vinhos? São bons. Saudade do feijão e arroz e farofa e saladinha...
Mas sobretudo saudade de tudo o que é nosso foi o que eu senti. E nosso no sentido da brasilidade que tudo mistura e integra. No melhor sentido brasileiríssimo embora os últimos tempos tenham construído uma parede de sentimentos desagregadores e excludentes que aos olhos da história sempre foram nossos. Mas também é bom que falemos justamente das boas características nossas e nesse quesito mistura, somos campeões.
A saudade é do jeitinho brasileiro bacana, aquele que mistura o gingado à cultura e livra da esperteza do um sobre todos e o transforma em menos um se assim for preciso.
Deu saudade foi do nosso interesse pelo outro que aqui chega e que costumava trazer as boas novas lá das europas, daquela gente aculturada e de onde o mundo se fez mundo muito antes deles aportarem por aqui. Afinal, faz apenas 515 anos que essa terra foi invadida, por eles.
Os europeus são os verdadeiros bárbaros do mundo que assolaram a terra com seus modos superiores de colonização. Devastaram a África e agora querem que seus habitantes sejam muito felizes por lá. Eles barbarizaram tudo o que tocaram em solo alheio, com excessão das terras escolhidas para fincarem suas bandeiras.
Eu entendi melhor o funcionamento do mundo com essa viagem.
É realmente triste que o brasileiro se sinta tão estrangeiro por aqui e idealize tanto a terra de seus antepassados, perdendo tempo precioso em desqualificar seus conterrâneos e perpetuando a mente colonizada e eterna e infantilmente insatisfeita com seu país, antes de verdadeiramente buscar compreender sua história, única, como é a história de todo país ou pessoa.