Ele amava e sofria por eles.
Ele era bom e inteligente.
Ele acreditou no inimigo, e com isso, olhava mais o outro que os seus.
Defendeu tanto a si e aos seus, que não percebeu que a sua fidelidade era alimento de predadores internos, e a sua fantasia realimentada por eles.
Quando percebeu, era tiranizado por nobres propósitos e desagregado por nobres sentimentos.
A sua libertação não ocorrera como supunha, era cada vez mais acorrentado às suas inquebráveis certezas.
Mas tudo ocorreu porque fora capturado por sua inteligência aprisionada pela desconfiança mãe do dogma e prima da religião.
Era irônico, porque ele que se dizia ateu, roeu até a serpente suas crenças. E propagou o medo e a esperança não-criativa, a filha do autoritarismo vestido de pai de todos e que já há muitos anos vem sangrando a terra através da batalha entre a certeza e a dúvida, que transforma a diferença em violência e guerra.
Assim, do amor a uma causa justa construiu-se o muro da verdade estratégica, aquela que serve, e jamais liberta.
Porque a sentimento de injustiça, lembremos, também nasce da experiência da violência, e quando vislumbra a resistência ao cotidiano e engana seus próprios propósitos, repete, às vezes de forma velha, às vezes de jeito novo, erros do passado.