para ser feliz é preciso encontrar um lugar na própria casa que se faça de seu.
É preciso encher as paredes.
É preciso riscar a parede.
É preciso colar lembranças.
É preciso ter um mural de fotos.
É preciso ter uma cama gostosa.
É preciso ter gatos.
É preciso ter plantas.
É preciso ter música.
É preciso ter livros.
É preciso ter vinho.
É preciso ter temperos.
É preciso ter cheiros.
Então é preciso gostar de ler, de música, de cozinhar, de gatos, de plantas, da própria história, das sensações, das brincadeiras, de dormir.
Para estar em casa é preciso gostar do amor, e gostar do amor é fazer muitas perguntas sempre.
Para amar sua casa, só é preciso estar nela e catar pedacinhos de palavras pelo chão, pelos sonhos, e colar nas paredes e ouvir nas músicas e transformar em delícia e deitar no macio.
Assim, você embarca na chance de viver e quem sabe, se apropria de algum aprendizado que ninguém aprende em lugar nenhum. Apenas naquele que começa na história de cada um, mergulha na alma e desembarca no desejo de fazer a casa que nos cabe em tamanho, em alguns planos, e nos traga de volta a pessoa que precisamos e não temos mais, ou nós mesmos, naquilo que fomos, ou um outro, que volta em sonho e fica lá, colado à parede, em nossa irrevogável memória.