quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Filhos novos

Ao dormir, ao pensar, ao sonhar, ao viver.
Deitei após o dia e a manhã.
Depois da comida, depois do meio-dia, depois de um café expresso usado e bebido para atenuar o estado soporífero que vespertinamente me invadia.
Então iniciei minha leitura do segundo capítulo de mais um incrível livro clássico que escolhi para mim.  ganhei a dica do meu penúltimo livro, Os irmãos Karamázov. Seu tradutor comentou que o .Smerdiakov fora baseado em um personagem de Os miseráveis, de Victor Hugo. Pensei repentinamente: "Por que não lê-lo?"
Os irmãos Karamazov foram uma leitura única e inesquecível. Dica de leitura que recebi de ninguém mais que o próprio Freud em seu artigo " Dostoievsky e o parricídio". Mais um Muito Obrigada, Freud. Por tudo.
De Freud a Dostoievsky. De Dostoievsky a Victor Hugo. (Mas não sem antes passar por O irmão Alemão, de Chico Buarque, que não deixa de mencionar nesse livro uma frase de Victor Hugo e a leitura de Os irmãos Karamazov).
Eis que já em sua primeira página Os miseráveis me contagia com o prefácio do autor, e com a descrição dos atributos femininos e humanos de suas primeiras personagens. Parece-me que qualquer grande livro pode ser reconhecido em sua primeira página. Foi assim que decidi ler Lolita, ao ler sua primeira página; assim, ao contrário de corretíssimos preconceitos, compreendi que eu estaria diante de grande literatura e que deveria ultrapassar a barreira da ignorância e adentrar o mundo literário de um homem que se apaixona e vive um romance com uma menina de quatorze anos. Foi, como simplesmente não seria possível não sê-lo, maravilhoso conhecer Humbert Humbert e sua paixão irreprimível.
Passemos ao tema. Esqueçamos os livros por agora.
Dada a introdução de meu pequeno mundinho literário, eis que sou sonhada com uns filhinhos negros essa tarde logo após meu segundo capítulo de Os miseráveis. Somente agora, dou-me conta da ligação possível entre o título e meus filhos novos. seria possível assim?
Meus filhos novos eram pretos. Eles alegravam o meu coração, eles me sorriam, eles eram meus amigos, meus amores, meus companheiros. Eu não tenho filhos negros. mas sinto já os ter tido e os vislumbrado essa tarde. E eu os senti.
Agora que eu os senti e eu os tive por breves momentos em uma tarde, eles são meus agora.
Vieram me visitar no meu sonho para que eu não esqueça que também sou mãe deles. Eles não me dão trabalho algum.
Mas agora eu sou responsável por eles.
Os miseráveis. Título de uma obra-prima que me pareceu até o momento  escrita por Deus.
E eu estou feliz e grata por ter sonhado com esses quatro anjos. Eu agora os amo.