Sei que já passamos momentos terríveis antes. Sei que há momentos realmente difíceis na vida de todos nós.
É por isso que eu nao quero acreditar que estamos vievendo em uma falsa democracia e que uma ditadura exonômica inédita tomu conta do nosso país.
Mas eu tenho minhas desconfianças. E lamento que única ideologia que pode ser reconhecida é a chamada de esquerda.
Há enorme tentativa de subtrair a importânci dessa polaridade. Ficou ultra moderno dizer que esquerda e sireita são conceitos ultrapassados. Eu só sei que Freud diria que quando algo necessita reiteradamente de sua reafirmação em contrário, deve ser porque é isso mesmo.
Um outro exemplo vem do uso da palavra golpe. Essa palavra tem tido a maior resistência de negação entre todas as outras de que se tem notícia, ao menos para mim. " Não, não é golpe". Dizem uns. " Golpe!", exclamam outros.
Ainda nào existe nenhuma palavra entre golpe e impeachment, que seria, na minha modesta opinião, o lugar da palavra do que realmente aconteceu nesse país. Houve a necessidade de um afastamento. E infelizmente nossa presidente Dilma Roussef não renunciou. Teria sido melhor, muito menos traumático, mais digno. No entanto, a palavra dignidade perdeu todo o sentido no Brasil em todos os meios de que se tem notícia. E principalmente, é claro, no meio político. Dilma devia te renunciado. Ela era inepta, incompetente, não-conciliadora e a situação econômica brasileira indo ladeira abaixo. Quase ninguém tem dúvidas sobre isso. A não ser os de sempre. Teria sido digna a renúncia. Mas uma outra palavra também desapareceu do sentido brasileiro: reconhecimento. Dilma deveria ter tido a dignidade de reconhecer que seu governo tornou- se insustentável. Mas isso não aconteceu, e todas as figuras à sua volta entendiam o que ela e o PT não compreenderam nunca: estavam falidos como governo, falidos moralmemte. Restaria o último ato de dignidade, a renúncia. Mas não havia dignidade para um último momento que talvez preservasse alguma decência. Mas a palavra dccência também desapareceu do vocabulário do brasileiro. Como a dignidade, o reconhecimento e a decência se tornaram palavras em extinção, restaram o oportunismo, a manipulaçào da verdade e a flexibilização das ideias que culminaria em um verdadeiro comunismo de flexibilização das regras democráticas, ficando estas ao sabor da vez e da hora da necessidade de restabelecimento de uma ordem econômica mínima para recomeçar o país. Em nome disso, esse Brasil tem reineventado suas velhas fórmulas econômicas.
Agora o tempo é de austeridade e de flexibilização dos conceitos de tolerância. Daí a necessidade de produzir na sociedade o sentimento antagonista das ocupaçòes estudantis. A verdade do mundo brasileiro hoje é a da substituição da sensibilidade pela palavra necessidade. As sensibilidades passaram a ser dispensadas em prol das necessidades exonômicas decorrentes da herança deixada pelo PT. Nossa democracia continua ótima, contanto que você não discorde dos rumos adotados pelo hoverno que para muitos è sim, usurpador. Vemcá, mesmo que a gente nào concirde, nào é imperativo em uma democracia respeitar o direito dessas pessoas de pensar diferente? Por que se isso nào for verdadeiro, a única verdade restante possível é a de que a democracia jaz falecida.
Se nesse país não há lugar para moderação, e a selvageria do vazio de vocabulário é a lei que permite reinterpretar a constituição à luz das necessidades econômicas em detrimentos das sensibilidades e necessidades de sobrevivência humanas, tais como os aluguéis sociais, de que país afinal estamos falando? O que nós estamos fazendo uns com os outros?
Não podemos ser uma naçào mais comprometida com o pagamento de dívidas de juros artificiais do que com a fome de milhòes de pessoas, a educação de milhões de pessoas. Mas se a minha conversa é ultrapassada, e a fome se justifica para enriquecer mais ainda os bolsos de uns poucos que nada precisam, deve ser porque de rta forma atingimos uma nova torma de solução final. Nào há câmaras de gás, não há campos de concentração. Mas não há disponibilidade em quem deveria cuidar das pessoas em olhar para elas. Elas oficialmente passaram a não importar mesmo.
A câmara de gás brasileira possui outros contornos e nuances e os campos de concentraçào com a enorme frequência de mortes de inocentes e também de criminosos estão há muito tempo presentes em nossos centros urbanos desinteressados de suas dores.
Não sou comunista. Detestava o governo de Dilma. Abomino o Lula.
E parece que precisei afirmar essa última frase para não ser confundida com uma petista...que horror.
Parecre que alem da diginidade, da decência, do reconhecimento, a palavra moderaçao também saiu do vocabulário.