Estou horrível hoje.
Até parece que alguém consegue ser só poesia.
Ainda agora no elevador adentraram seres decrépitos e importunadores. Que mal havia neles além de entrarem no meu elevador? Nenhum, absolutamente. Mas daí que justamente suas características humanas mais fragilizadoras vieram à minha mente de um jeito impossível de publicar em uma mídia social além de um blog que ninguém lê. Velhos lentificados pela velhice e seus remédios que prolongam a velhice, atenuam algum sofrimento e mortificam a existência. A deles e as nossas.
Nessas horas um simples mulher bonitinha é resumida em uma "baixinha coitada", um idoso com sua esposa em " casal de velhos incômodos porque são lentos"; uma mulher comum em uma "bunduda de cabelo alisado", um rapaz delicado em " com esse jeans só pode ser gay", e por ai vai.
Nós seres humanos cheios de poesia dentro somos também cheinhos de podridão.
Não gostamos de quem está no elevador conosco pelo simples fato de não gostarmos de aproximação demasiada com estranhos.
Espero poder ficar bem velhinha e lentificada com meu velhinho um dia.
Nesse dia farei a poesia do elevador no fim da vida após uma consulta médica cotidiana e do olhar indiferente que me foi lançado por uma jovem dos seus quarenta anos.