Naquele lugar do meu passado onde há muito eu não moro mais, encontram-se muitos de meus sonhos, alguns amigos, medos outros de fora e dentro de mim.
Lá eu ainda tenho os meus que há algum tempo não estão aqui.
Lá eu vejo e sinto o meu pai e o meu avô adentrando a casa com as mãos com três balas juquinhas para mim e para o meu irmão, cada.
Lá eu ainda sinto a alegria com a chegada dos siris vivos e o nosso banquete incrivelmente gostoso depois. É dentro desse passado que eu me lembro também das sopas de siri no Palanca Negra em Parada de Lucas, sem medo de tiros, sem medo de nada. Eu estava com o meu pai e a minha mãe.
Lembro da sensação do calor saindo do asfalto da rua, das nossas brincadeiras de rua, do vôlei, das bombinhas que eu colocava nas caixas de correio dos vizinhos da rua. Lembro do gosto da pizza de sardinha da festa junina da igreja. A melhor do mundo até hoje. Dos ensaios da quadrilha do meu irmão, e dele levando todo o bolo incrível de côco que eu fiz pros amigos.
Que saudade insuperável do verão na psicina, também a melhor do mundo até hoje, na minha casa de Cordovil!
Que saudade do cheiro de creolina para a limpeza...daquela coinha sem janelas, quente pra cachorro !
Meu Deus, quanta saudade!
E como eu não posso voltar, escrevo!