Ainda a pandemia. Ainda a insanidade. Uma quase perfeita distopia sem nenhuma tirania plena, apenas ao que parece, todo um sistema-mundo preparado para destruir vidas através do auxílio implacável do coronavírus.
Quase 420 mil mortos aqui no Brasil. Uma segunda onda feroz que tem levado em média 3000 vidas por dia.
Presidente ensandecido, insano, amoral, covarde. Legislativo psicótico, vendo o terror roubar a alegria e a força do povo, inerte à morte. Judiciário atropelando as poucas decisões decentes do executivo municipal. Um país enfraquecido, empobrecido, mais violento ainda, sem nada a comemorar.
Poderes à parte da realidade nacional dolorosa, vivendo de emendas, verbas, privilégios, discursos vazios, desconectados da necessidade dos que mais precisam.
Parece que esse vírus só mata os bons corações que restam.
Perdemos o maravilhoso e único Paulo Gustavo. Ele se foi. Deixou dois filhinhos e um marido. Deixou dona Déia, a mãe de todos nós, que não vai ter o Paulo no próximo domingo para comemorar o dia das mães. Brasil órfão . Brasil triste. Brasil em luto no pior ano de todos. Paulo Gustavo, eu te amo. Obrigada por me fazer rir muito, mas sobretudo obrigada por me ensinar a rir daquilo que antes eu não ria. Como a gente agradece a alguém que nos deu maior capacidade de ser alegre? Por que você se foi? Onde está a justiça divina, que nos deixa Lula e Bolsonaro e leva você? Você! Eu só sei que nunca chorei tanto por um artista, nunca lamentei tanto. Você vai fazer muita falta.
E então seguimos nessa luta sem fim. Nesse desgoverno que parece não ter fim, mas que terá. Nessa dor sem tamanho.
Meu país perdeu quase toda a sua vergonha. Viramos uma nação desalmada. E desanimada. Imbecilizada. Infantilizada. Perdida.