quarta-feira, 17 de maio de 2023

Léo Lins no Brasil com amor

 Assisti menos de 15 minutos da apresentação stand up de Leo Lins. Não gostei. Achei ruim, ridículo, e de um deboche que não me fez rir por nada. Imitar surdo-mudo através de sons guturais? Não tenho interesse. E não segui adiante para ver o restante. O cara é ruim, no entanto o público parece gostar muito daquelas piadas de muito, muito mau gosto. Particularmente, entendo o humor de uma outra maneira. Mas não quero dizer com isso que não gosto de zoação e deboche. Só acho que deve ser mais engraçado, ou inteligente, digamos, para me entreter. Fazer rir debochando de doentes ou gente na merda é pra profissionais realmente competentes. O risco de cair no ridículo e soar ofensivo até pra quem detesta o politicamente correto como eu, é grande.

Minhas crenças adultas de mundo se construíram baseadas em uma ideia de que eu simplesmente posso não assistir ou não comprar aquilo que eu não gosto. Dito isso, a censura ao Léo Lins é injustificável e muito séria.

Isso é apenas um ponto.

O outro foi a cassação do mandato do Deltan Dallagnol. O TSE cassou o deputado eleito pelo Paraná por unanimidade. Milhares de votos foram dispensados pelo poder judiciário, que vem governando o país e ditando as condutas sociais além da política. Algo está muito errado com o Brasil. Deltan foi cassado com base na lei da Ficha Limpa e o Lula retornou à presidência mesmo tendo cumprido pena de prisão e jamais ter sido inocentado. Foi dito que o mesmo acontecerá a Sergio Moro. Ao que muito parece, o Poder Judiciário tomou o lugar do Congresso Nacional. 

Há um anti-lavajatismo imperando no Brasil. Corruptos consagrados retornaram às suas casas e possuem seguidores nas redes sociais. Lavajatistas, que ainda tenham exagerado em algumas decisões e ações, estão sendo visivelmente caçados. Dallagnol e Moro, com tudo isso, não possuem nenhuma denúncia de corrupção, roubo, ou crimes. Quanta vergonha e perplexidade eu sinto.

A sociedade realmente se dividiu, e o resultado é uma guerra ideológica e política inédita, passando o Poder Judiciário a protagonista de um governo que disse buscar a paz e o diálogo. Risível.

O governo do amor trouxe a censura, a perseguição, e a intolerância. Em psicanálise, aquele que insiste em um determinado slogan como bandeira ou defesa, em geral, diz o contrário.

O governo do PT nunca foi o governo do amor. E hoje é somente o governo da vingança e da eterna artimanha pela permanência no poder.