terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Hallow

 Descobri o aplicativo católico de orações e meditações maravilhoso chamado Hallow.

Minha ligação com o catolicismo é bastante antiga e remonta aos meus mais tenros anos de infância. Tenho lembranças de mim, dentro da igreja, desde os 5 anos. E ao menos em minha memória, pareço guardar a música daquele tempo.

Adentrar nas orações e mergulhar na divindade do Espírito Santo é, sem sombra de dúvidas, um caminho de fé e humildade. Toca-me profundamente o Evangelho de Mateus assim como Romanos capítulo 12, quando a mim é dito para buscar conhecimento e não acreditar que, desse modo, encontrarei compreensão. 

O mundo ao redor em seus mistérios inspira medo, fascínio, encanto, admiração, espanto, horror, calor, frio, desejo, desejo de saber, desejo de sentir, desejo de desbravar, desejo de destruir, desejo de ver, de entender, de encontrar, reencontrar, explorar. 

Eu realmente acreditei que a ciência e a filosofia me dariam as respostas que eu precisava para encontrar a paz, através do conhecimento. Mas o saber não me trouxe paz, e no lugar da paz percebi-me desencantada, cansada, horrorizada.

Depois de tantas teorizações e justo após essa revolução tecnológica digital, diante desse mundo hiperconectado de modo automático, artificial e amplamente desligado das conexões verdadeiras, falsamente conectado, horrorizei-me. Vi e vejo gentes de todos os lugares do mundo odiando umas às outras, presas à ideologias, capazes de demonstrar compaixão apenas aos que se sentem ligados em suas tão propaladas bolhas ideológicas, tanto mais a cada dia; pessoas e pessoas mais loucas, mais neuróticas, mais utilitárias, desumanizadas, e profundamente infelizes.

Esse retorno ao lugar de conforto à uma infância que me deu tanta esperança no mundo, aos cânticos e cantos que atravessam o espírito hipócrita e pusilânime desse tempo, remonta meu espírito à esperança cristã de amor ao próximo, de verdade, de iluminação. Para isso foi preciso superar meu deserto de onipotência e arrogância, de minhas defesas intelectuais. 

Eu não sei. Não sabemos de onde viemos e sequer para onde iremos. Desconhecemos o antes e o depois da vida. Deveríamos ser mais humildes ao perceber esse universo à nossa volta, pragmático em nosso destino e implacável em nos manter em absoluta ignorância. 

A minha fé e religiosidade não são obedientes por natureza. Muito pelo contrário. Eu vivi divorciada do cristianismo durante 75% da minha vida. Minha obediência é tão somente à minha consciência, e minha consciência é o fruto dos valores que somam todo o amor que  vivi e tudo o que pude aprender sem medo de desobedecer.

Renasço dessa caminhada através do meu deserto pessoal, pronta para o reencontro com o amor de Cristo, renovada de esperança, reencontrada junto à Igreja Católica onde estive desde pequena.

Minha maturidade me ensinou a não exigir perfeição dos homens, dos amigos, das mulheres, de ninguém. Toda igreja é feita por seres humanos imperfeitos e nenhuma religião deveria carregar o ônus da perfeição.

Amar é libertar.

Perdoar é receber.

Obrigada, Senhor Jesus Cristo, por me ensinar o amor e o perdão.

Obrigada, Igreja Católica e também Igreja Batista do Leme, por me receberem de braços abertos.