quarta-feira, 9 de maio de 2007

Hipocrisias

Ainda há pouco comecei a ler uma matéria em uma revista feminina sobre a atriz Camila Pitanga. Começava dizendo, logo na primeira frase, que a boa moça permanecia intacta. Dito isso podemos colocar, apesar de a atriz estar desempenhando ( segundo ouço, pois não assisto a novela), muito bem o papel de uma puta.
Ainda não nasceu ator ou atriz sob a face dessa terra capaz de fazer algo muito bem que ele próprio não tivesse um pouco dentro de si. Poderíamos então contrapor: "mas um ator desempenhar um papel de assassino não significa que matou alguém". Sim, é claro; e aliás, eu não estou insinuando que a Camila seja uma puta, e a mesma também não necessita se defender a esse respeito, porque simplesmente não é prostituta.
Mas nesses tempos do pliticamente correto ninguém pode ser muito errado, fazer comentários maldosos sob a pena da má interpretação e de seu julgamento repleto de adjetivos tais como: preconceituoso, defensor das drogas, racista, arruaceiro. Um tempo engraçado o de hoje...
Um verdadeiro moralismo nas palavras e uma completa imoralidade e amoralidade nas ações, inclusive políticas e desempenhadas pelo Estado... O tempo do politicamente correto é a compensação da perda maior de nossas condições de civilidade, tempo esse em que temos que conviver com os crimes mais violentos, a corrupção mais deslavada, o tráfico de drogas debaixo do nosso nariz, o aparelho judiciário ridicularizado e desmoralizado...
Não, mas ninguém cheira, ninguém fuma, ninguém xinga, ninguém rouba, ninguém sacaneia ninguém, todomundo usa camisinha, ninguém aborta. A sociedade é contra o aborto, contra a liberação das drogas, a favor da pena de morte, do porte de armas, das liberdades individuais.
Está explicada a confusão. Eu digo que não faço e acredito no que não digo. Eu não digo o que eu penso e acredito em idéias generalizadas que não me enquadrem em nada, que não me comprometam.
Tempo de superficialidade e de culto à superficialidade.
Tempo de tentativas de garantias modernas de um padrão de comportamento entre o limite da idiotia e da imoralidade.
Tempo de muita hipocrisia.