quinta-feira, 3 de maio de 2007

Loucuras em família- o não-desejo

O título chega a ser redundante, já que 99% das loucuras são provenientes da família. Pois bem.
Tenho tido a oportunidade de encontrar gente muito louca pelo mundo afora. A todo momento me deparo com algum ser humano de natureza conflituosa o suficiente para que venha a ser compreendido no nosso mundinho tal qual ele é, como um doido.
Gente nova, nem tanto, velha, branco, preto, louro, magro, gordo, feio, bonito, rico, pobre, intermediário. Todomundo considerado no mínimo maluquinho, estranho, indefinido, doidão.
Dias desses eu conversava com uma dessas pessoas dotada de uma inteligência e sensibilidades que a tornaram capaz de compreender a própria miséria afetiva em que vivia , refiro-me à miséria afetiva, à interlocução dificultosa e prejudicada de uns com os outros dentro de casa. Essa pessoa possui uma lucidez fantástica, mas que infelizmente não a favoreceu muito a fim de que mantivesse sua integridade psíquica, que defino como a capacidade de permanecer desejando conhecer o outro, interessando-se pelo outro. Essa pessoa não possui esse interesse. Podemos chamar de embotamento afetivo em algum grau.
Medos, neuroses, obsessões, desejos quase impossíveis, tudo isso é passível de tratamento, a ausência do desejo não tem tratamento.
Uma vida de grande privação afetiva produz pessoas assim. É preciso defender-se do amor , quando apenas se conheceu formas deformadas e sofridas de amor.
Dessa forma precisa-se não precisar do outro.