quarta-feira, 16 de maio de 2007

O não-desejo volta

Hoje eu ouvi mais uma vez da minha personagem de quase nenhum desejo: " Sou uma suicida em potencial. O meu sonho é a morte. Minha mãe é uma filha da p., meu pai é maluco, o meu passado é miserável. O futuro não existe para mim. Só não tenho coragem de me matar. Como eu sou inteligente, não tenho vontade de continuar vivendo nesse mundo de m."
Este é um dos mais difíceis conflitos que ouço, e já falei sobre isso antes: o desejo do isolamento, fruto de precaríssimas relações, da própria pessoa e de suas dificuldades.
Será obrigatório esse desejo permanente pela vida? Uma pessoa não teria o direito e suas próprias razões para desencantar-se com a vida?
Temos muita dificuldade em compreender isso, muita mesmo.
O não-desejo me chega já invertido, uma voz que custa a ser interrompida.