Eu agora só desejo o não-entendimento.
O excesso de tudo já ultrapassou o todo e polui o meu meio ambiente, que não tem aptidão necessária para o conflito do mundo de hoje.
Ninguém estava preparado.
A avalanche não é só de lama, é de tudo. O tudo é escasso, exclui o todo, viraliza lixo, esconde beleza, desencanta esperança, trafega quilômetros, mitiga devaneios, devasta poetas, chora o mundo inteiro.
Meu todo não dá conta, não fabrica certezas, não se prende a nada e assiste com uma passividade que fere a alma, tudo ao redor.
Foram os terroristas, foram o nosso eu humano que agiu ao longo do tempo para represar toda a sujeira do mundo, explodir violentamente e inundar de lixo tóxico a vida que abunda e esvaiece de podridão.
A morte do rio Doce é a metáfora mais verdadeira da vida e do mundo.
A morte de um rio é a mais perfeita metáfora da perversa moneteirização da vida.