As redes sociais refletem com maestria o funcionamento da mente humana frente ao mundo coletivo. Redundante.
A capacidade de falar é gigante, a de ouvir, baixíssima.
Fala-se na rede social postando, comentando, escrevendo. Ouve-se na rede social lendo textos. E não menos importante, o sentido visual é dominante. Olha-se muito, fala-se menos (e quando a fala vem da própria escrita menos ainda), e ouve-se muito pouco.
É claro que muitos poderiam dizer que a rede social não se destina a esse tipo de comunicação. A qual destino ela se destinaria então? Será que nessa perspectiva não se encontra embutida uma indulgência diante da nossa cada vez menor capacidade de conversar? Afinal, se estarmos presentes e frente a frente uns aos outros encontra-se persistentemente invadido por telefones celulares e suas comunicações virtuais muitas vezes prevalecem ante a presença humana, estaríamos então fazendo o quê com a presença real?
Estamos emburrecendo e abandonando sem perceber nossa capacidade de pensar em prol do próximo post, do próximo clique, da próxima imagem bacana e da próxima tragédia cada vez mais próxima? (Saudade de sete dias atrás antes da tragédia de Mariana e a de Paris).
Os usuários adictos da internet e das redes sociais se defenderão de qualquer análise que coloca em questão seu novo vício, mas a maioria não lê mais um livro de verdade e é incapaz de permanecer em uma conversa por mais de uma hora sem olhar o celular. Sempre haverá um motivo, dirão.
Quanto maior for a conectividade virtual, menor será a conectividade real, presencial, pessoal. Quanto mais conectados, mais desconectados.
Essa hiper conexão e super informaçào de todos os lados prejudica o desenvolvimento de um olhar para o que vivemos mais concretamente em nossas vidas cotidianas, desloca nossos interesses, desacredita o mundo. Ganhamos o olhar e novas percepções de um sistema de divulgação de notícias ( mídia), cujas matérias são alocadas de acordo com interesses econômicos. Vivemos hoje o aprofundamento do paradigma econômico tão profundamente em nossas vidas, que não nos damos conta do que realmente importa. Como exemplo eu poderia citar o conceito de crescimento econômico como central no discurso hoje, como a nova verdade estabelecida. Mas antes de adotarmos esse discurso, não teríamos que nos perguntar o que é o crescimento econômico? Tocar nesse ponto é quase que o equivalente a questionar um dogma religioso. Difícil não ser atacado.
Faço a mea culpa. Não tenho medo da crítica, ( talvez por ter autocrítica). Porque também me pego mais tempo do que deveria na internet. Também sou desatenta aos meus algumas vezes em função da internet. É uma escolha minha. Mas não sou viciada e tampouco troco um bom papo por um celular. Também leio livros. Muita literatura é necessária para os momentos atuais.
Não podemos nos tornar desinterssantes uns para os outros. Precisamos estar atentos e fortes para tempos de lixo profundo na internet, para uma imprensa que tem como objetivo espalhar medo a fim de justificar mais controle sobre a vida privada e mais ganhos particulares, para um mundo violento globalmente e cada vez mais agredido e com danos permanentes em relação à natureza.
A união e a tolerância precisam prevalecer em meio a tudo isso, pois foram esses os valores que fizeram com que o mundo em meio a imensos turbilhões no passado, pudesse ingressar nesse século XXI acreditando nos valores que nos elevaram como civilização, e não naqueles capazes de concluir a nossa destruição.