13 graus em Teresópolis.
19 graus em Laranjeiras.
19 graus em Praga.
22 graus em Londres e Berlim.
23 graus em Paris.
27 graus em Nova Iorque.
29 graus em Detroit.
São quase oito da noite em Laranjeiras.
Inverno no Hemisfério Sul e verão no Hemisfério Norte.
Ártico e Polo Sul derretendo.
Planeta em aparente normalidade climática. Apenas aparente.
Derretendo onde deveria ser frio, com 40% a menos de gelo no Ártico no momento.
Estamos aos poucos derretendo.
Primeiro foram os miolos.
E então derreteu-se a compaixão.
Terra em sofrimento que agoniza no mar gelado suas pessoas mais sofridas e queima suas florestas e seus bichos mais inocentes. No fogo da queimada, no fogo do tiro, na frieza da armadilha, tanto na terra como no mar.
E nas fazendas, mamíferos maravilhosos e aves que amam são tratados como coisas descartáveis, sem conhecerem o amor de que somos capazes, sem desfrutarem da dignidade da vida que jamais deveria ser prerrogativa de uma única espécie.
Enquanto a humanidade mata a sua natureza, ela mata a si própria também, porque natural é o amor e o cuidado, não o triunfo do prazer de um sobre o sofrimento e agonia do outro.
Inocência esvainecendo. Ideias corrompendo-se. Esperanças desconectadas umas das outras.
Enquanto isso, eu sigo no meu quarto alimentando-me de silêncio relativo e talvez do último inverno em muitos anos. Aproveito o casaco que não usava há uns 4 anos e que já havia esquecido.
Aproveito a sopa e o vinho tinto.
Aproveito as coisas boas que nossa civilização construiu e sigo amando a vida e as coisas enquanto elas ainda estão aqui.