terça-feira, 19 de julho de 2016

O quarto Reich

A ascenção de Hitler teria sido resistível?
Por que não?
Quando pensamos em Awchvitz ou em Treblinka ou em um outro capo de concentração destinado a exterminar seres humanos em pleno século XX, não é nada difícil diagnosticar uma humanidade que definitivamente não deu certo.
E então a gente pensa em Hitler e em sua infância e descobre que ele não conheceu o próprio pai e que em sua ascendência haveria uma avó judia, e que ele nutria grande desconforto em relação à suas frustrações familiares... Bom, até ai nada muito novo. Todos nós nutrimos desconfortos muito próprios. No entanto, parte de nós segue sem nenhum ódio direto a nenhum grupo populacional em geral. Boa parte de nós não culpa as outras pessoas pelos nossos problemas pessoais.
Não tenho como me aprofundar nesse assunto exatamente em relação a Hitler, pois não sou nenhuma estudiosa do tema ( e tão pouco tenho qualquer disposição para estudar a vida pregressa de Hitler). Porém, me é muito clara a pequeneza e mediocridade desse ser que infelizmente ainda chamamos de humano, posto que não há outra denominação possível ainda.
Creio que o mais importante ao permanecer definindo Hitler como um ser humano é justamente para que nunca se esqueça que justamente foram seres humanos os que pertenceram ao Partido Nazista Alemão. Foram seres humanos os que criaram o extermínio de judeus, ciganos, dissidentes e homossexuais. Foram seres humanos os responsáveis pela escravidão e pelo genocídio de populações diversas. Somos nós humanos os responsáveis por nossa desumanização e humanização.
O sentimento de superioridade pertence aos medíocres. A ideia de que uma raça pura deve dominar a Terra atinge níveis máximos de imbecilidade e ignorância se lembrarmos que estamos em 2016 em um mundo multicultural e hiperconectado. Determinados avanços democráticos relacionados à pluralidade e liberdade dificilmente serão superados. Permanecerão vivos em cada célula humana oprimida ou livre, mesmo naqueles que ignoram os caminhos pelos quais hoje a humanidade avança e retroage.
Temos hoje um exato representante do Reich a caminho da Casa Branca. Sua origem? Alemã. Sempre a Alemanha. Seu nascimento? Estados Unidos. Sempre os americanos. Casam-se quem detonou a bomaba atômica e o ideal de pureza gerando o bombástico atomizado, radioativo, Trump.
Dá medo.
Fico pensando se daqui a cinquenta anos os livros de história e os documentários não estarão postulando o nascimento da ascenção de Trump para tecerem uma compreensão a respeito da terceira guerra mundial. Dá medo porque realmente é possível e provável que não sobre muita coisa depois.
Trump começou com deboche, brincadeiras, e virou o candidato republicano à Casa Branca. Já disse que pode matar um homem na Quinta Avenida sem que nada lhe possa acontecer. Debocha de mulheres, detesta negros. Detesta muçulmanos.
É muito difícil compreender afetivamente esse fenômeno e muito fácil compreender esse fenômeno. Os EUA são um país de imigrantes cuja qualidade educacional é precária.
O medo e a culpa no outro permanecem como antídotos e respostas a problemas complexos.
" A cadela do fascismo está sempre no cio." Bertold Bretch
Violência? Culpa do islã e dos negros.
Pobreza? Culpa dos imigrantes.
Parece que o mundo e as pessoas gostam de acreditar em mentiras, em jogo fácil, em salvadores, em bilionários que representem no fundo de si mesmos seu desejo maior.
Trump assusta pelo ódio com que vocifera contra tudo e todos, pelo deboche, pelo desrespeito aos mais pobres. Ele representa o desprezo do poder pelo próximo que não lhe interessa por qualquer motivo que seja. Representa a falta de compaixão, de solidariedade.
Trump representa o fim de todos os valores que um dia uniram a nossa humanidade.
Hitler deve estar orgulhoso.