Só há uma forma de sair dessa vida tendo vivido mais do que morrido aos poucos: encarando a fatalidade da morte como a nossa melhor salvação.
Não é maravilhoso saber que ao final de toda essa batalha, todo esse desespero em viver, toda a tentativa de não morrer extendendo ao máximo através das virtudes orgânicas e filosóficas nossa histórica persistência ora como espécie e sujeito e hoje como produto na face dessa terra, tenha ao seu encontro final a tranquila face da morte que a todos espreita e espera?
Veja que justo: não importa o credo, a cor, a raça, etnia, condição social ou cultural, a morte estará aguardando.
Assumir frente aos infortúneos de viver a ironia da finitude e a humildade mortal torna-se um objetivo em si.
Tomemos nossos limites, fracassos amorosos, financeiros, familiares e os transformemos em humanidade declarada fruto das inúmeras contradições e teorias de que dispomos.
Vamos pegar tudo isso e transformar em nosso. Vamos nos apegar às fragilidades e misérias e nos declarar homens e mulheres factíveis e não fictícios, como temos sido.
Pegue a sua história e ria de quem riu de você. Pegue a sua arrogância e sorria intimamnete ao lembrar dos anos em que realmente pensou que poderia mais do que realmente era possível. Use o bom humor e receba esses erros como filhos digníssimos de seu passado. Encare o presente com afinco, religando filhos antigos aos que hoje moram em você.
Cante a sua dor através de nossos letristas maravilhosos, e se tiver intimidade com algum outro idioma, cante em outra língua também. E se não tiver, não importa. Escolha a música que fale ao seu coração e que transcenda ao entendimento.
Porque queridos, o que há por vir pouco obedece aos nossos comandos, a existência é bastante provisória e não tem data certa de partida.