O homem apaixonante sabe que pode apaixonar em todas as idades, sabe que pode fazer muito feliz mulheres de todas as cores, poderes, idades, sexualidades, prioridades. Ele nasceu com a responsabilidade de manter uma tradição familiar, ligada às mais remotas ancestralidades. Ele deixa uma mulher de quatro, de joelhos por ele. Ele é um sucesso. Dificilmente se encontra vinculado a uma única mulher, quando isso acontece costuma ser temporário. Costuma ter sempre um alguém no background, para estar disponível quando uma situação mais difíci pegar, ou a oficial não puder lhe dar a devida atenção. O homem apaixonante tolera mal algumas coisas. No entanto seu discurso é libertário, apaixonado. Defende a filosofia existencialista de Sartre, vê em cada mulher um algo mais, em quê além daquele que a mulher real costuma ter, certa coisa inatingível, um mistério indecifrável a decifrar. Nova conquista, nova emoção, nova razão de existência. Mantida a capacidade de sedução, mantida sua integridade, um novo gozo a cada dia. Viver pelo prazer.
Mantida a fórmula, o homem apaixonante coleciona. Em cada conquista, uma perda. Ele raramente percebe que é tiranizado por seu desejo, e que perde a oportunidade de aprofundar uma vivência íntima com alguém de verdade. Alguém que não é perfeita, como ele; que é chata algumas vezes, como ele; que nem sempre está linda e bem-humorada, como ele.
O homem apaixonante, quando se recusa a crescer, continuará apaixonante. No entanto, ao ficar mais velho é mais facilmente reconhecido por suas mulheres como o menino disfarçado que sempre foi... mas continuará encantando mulheres de muitas gerações...